sábado, 3 de junho de 2006

Atlanta - Georgia - Gay Pride Parade



Foi no dia em que o Brasil ganhou a última copa e fazia um calor dos diabos em Atlanta.

Essas aqui, coitadas, estavam na hora errada no lugar errado, tiveram que pedir ajuda da polícia para sair do inferninho.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Les frères Dardenne



Jean-Pierre e Luc, conhecidos como ‘Os irmãos Dardenne’, são os cineastas belgas mais conhecidos no mundo e os mais premiados também, sobretudo em Cannes. Já li notícias de mostras dos filmes deles em São Paulo, mas não ouço falar muito deles no Brasil.
Desde 1978 os dois irmãos faziam documentários, em 1986 fizeram o primeiro filme. Tornaram-se mais famosos quando A PROMESSA, um filme sobre a imigração na Bélgica, ganhou vários prêmios importantes. Depois veio Rosetta pelo qual ganharam a palma de ouro, lançaram uma atriz, Emilie Dequenne que já começou no cinema com um prêmio de melhor atriz pelo desempenho nesse filme. Em 2005 receberam outra palma de ouro por L’Enfant. O cinema dos dois irmãos é mais voltado para as questões sociais e humanas: Desemprego, imigração, dramas íntimos e familiares... Na Bélgica há também bons comediantes, falarei deles em outro post.

Filmografia:


Chant du rossignol (1978)
Lorsque le bateau de Léon M. descendit la Meuse pour la première fois (1979)
Pour que la guerre s'achève, les murs devaient s'écrouter (1980)
R... ne répond plus (1981)
Leçons d'une université volante (1982)
Regard Jonathan/Jean Louvet, son oeuvre (1983)
Il court... il court le monde (1987)
Falsch (1987)
Je pense à vous (I Think Of You) (1992)
La promesse (The Promise) (1996)
Rosetta (1999)
Le fils (The Son) (2002)
L'Enfant (The Child) (2005)

***

O Darfur está a morrer. Leia em Briteiros.

sábado, 27 de maio de 2006

Mini Conto


Margaridas

Chegou com flores para enfeitar a casa. Margaridas. Adorava margaridas. O carro já na garagem era uma surpresa. Caminha pelo longo corredor. A porta do escritório fechada era outro fato inusitado.
Pelo buraco da fechadura vislumbra mãos e nádegas. Dá a volta na casa, espia pela janela. A boca de Maurício, gulosa, engolia uma língua, seus dedos roçavam um pescoço roliço. Outras mãos abriram seu fecho-éclair e acolheram o membro duro. Ela apertou as coxas, sentiu o líquido descer quente, como há muito não sentia. Maurício, disse num suspiro e seu olhar encontrou o do rapaz, reconheceu o aluno de Maurício.

Seu pé vacilou sobre a pedra ao sentir que uma língua lhe lambia as pernas.

Era o cachorro.
***
Logo volto com mais assuntos belgas, cinema desta vez. Por enquanto deixo meu mini-conto.
Ilustração:
Miriam Terlinchamp.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Como perdi 144 minutos da minha semana passada.

Fui ver o filme Brasília 18% e ainda insisti para que duas pessoas fossem comigo, durante o filme eu só pensava ‘Ai, no final eu vou ouvir!’ Dito e feito, quem escolhe o filme é sempre o responsável. E quando você também odeia o filme tem que balançar a cabeça e ouvir as reclamações ou desviar o assunto. ‘Ok, vamos comer uma pizza!’ Afinal tudo termina em pizza mesmo....

É chato chato chato.... Foi duro esperar o final. O Ricceli está parecendo um boneco que tenta um ar existencialista, falando pouco, fingindo ser compenetrado, resignado. Fingindo mesmo e não representando. A Malu Mader está patética como taradinha do Planalto. Cada um mais superficial que o outro. Na verdade, quem desempenha melhor o seu papel é a morta.

Fui ver porque era Nélson Pereira dos Santos, claro, e tenho respeito por ele, como todo mundo, mas algo saiu errado com esse filme. Ou será que foi só pra mim e os que me acompanhavam?

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Ecrivains belges


Já escrevi isso aqui antes, mas vou relembrar, a Bélgica é um dos menores países da Europa com uma extensão territorial de 30.518 km² e três línguas oficiais : o francês, o neerlandês (holandês) e o alemão, muitos falam também o inglês. Nem todo mundo fala as três línguas, mas o neerlandês e o francês são comuns a boa parte da população. A Bélgica existe enquanto nação desde 1830, então, como falar em escritores belgas, pintores belgas antes disso ? Não sei, vou ficar aqui com os modernos para não complicar a minha vida. Aliás, já falei de dois que na minha opinião representam bem : Amélie Nothomb e Simenon e tem gente que já me escreveu dizendo : ‘Pensei que fossem franceses !’ C´est la vie. É assim mesmo, até eu antigamente imaginava que Jacques Brel, por exemplo, fosse francês.

Antes de terminar o assunto dos escritores belgas eu queria falar de Marguerite Yourcenar (1903-1987) que nasceu em Bruxelas, na Avenue Louise (uma das avenidas mais conhecidas e onde fica a Embaixada do Brasil). Ela entretanto, nunca teve a nacionalidade belga, a mãe era belga e o pai francês (se não me engano). Em todo caso a mãe morreu quando Marguerite nasceu e ela foi com o pai viver na França, anos depois foi viver nos Estados Unidos e lá mudou de nacionalidade, passou a ser americana para poder viver com sua companheira no país e voltou a ser francesa, anos depois, para fazer parte da Academia Francesa de Letras. Foi a primeira mulher a pertencer à academia francesa e pertenceu também à academia belga. Bom, é mais ou menos isso, ela é o exemplo de cidadã do mundo, uma pessoa para quem a nacionalidade não tinha importância. Então essa não entra como ‘escritora belga’, mas como curiosidade.

Outros escritores belgas conhecidos são Henri Michaux [A1] (1899-1984) que nasceu em Namur, Maurice Maeterlink que nasceu em Gand em 1862 Pierre Mertens (1939 - ), Jacqueline Harpman que é psicanalista, nasceu em Bruxelas em 1929 e vive ainda ali. Acho que vou pular os escritores flamengos, conheço muito poucos e acho que não são traduzidos. Se alguém quiser acrescentar algum nome importante é só me escrever e facço mais um post.
......

Obs : Ainda como curiosidade, Julio Cortázar também nasceu na Bélgica, mas era argentino e depois obteve também a nacionalidade francesa.

[A1] Michaux foi também pintor.

domingo, 21 de maio de 2006

Portugal

Juro que vejo aí um rosto, tem até umas lágrimas caindo dos olhinhos, mas, claro, é uma parede.
Não me lembro mais em que cidade fiz a foto, só sei que foi em Portugal. Caldas da Rainha, Batalha, Óbidos....?
Foi em outubro 2003.

Mais em Diletante.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

hein?!

Numa lanchonete de rodovia:

Pão com manteiga 0,30
Pão sem manteiga 0,20
Pão com margarina 0,25
Pão sem margarina 0,15

segunda-feira, 15 de maio de 2006

A Guerra Conjugal


Dalton Trevisan

Editora Record – 9a edição 1987

A Guerra Conjugal é uma reunião de trinta contos curtos (não tão curtos quanto os últimos contos ou micro contos de D. Trevisan) em que todos os personagens principais se chamam João e Maria. Todos os joões médios são representados nestas páginas (assim como todas as Marias), é o João que ama a Maria que ama José ou que não ama ninguém, mas se casa assim mesmo por dinheiro ou estabilidade. É o João que se casa com Maria mas ama o Pedro e não pode aceitar. É a maria que se casa com João só para humilhá-lo, é o João impotente que faz a Maria pagar pela sua incapacidade externando a violência...Joões bons demais, capazes de reinterpretar os chifres, perdoar e perdoar de novo até ser escorraçado por ser tão pamonha; Joões maus, sádicos, ciumentos, exigentes, capazes de aniquilar as suas marias. Enfim, todos os joões e Marias representados com um humor ácido, sarcasmo, uma ironia que já começa nos próprios títulos: Grávida porém virgem, Tentações de uma pobre senhora, Agonias de virgem, etc.

Dalton Trevisan é considerado o mestre do conto no Brasil, o conto seco, com o mínimo de adjetivos. Dizer o máximo com um mínimo de palavras parece ser o seu objetivo. E diz. Transforma o banal, ou melhor, retrata o banal com grande eficiência.

Dalton Trevisan nasceu e vive em Curitiba, é autor de A Polaquinha, Cemitério de elefantes, O Vampiro de Curitiba e outros.
Este livro aí eu comprei no sebo, uma edição antiga, espero que tenha sido reeditado.
Resenha publicada no LeiaLivro, visitem.
......
Logo volto com mais 'belguices'.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Escritores belgas: Amélie Nothomb



Amélie Nothomb

Amélie Nothomb é a escritora belga mais popular neste momento. Ela não nasceu na Bélgica mas no Japão, em Kobe. Em um de seus livros ela diz que até certa idade acreditava piamente que fosse japonesa. O pai, também escritor, era diplomata e estava, durante a infância de Amélie trabalhando na Ásia. Ela e os irmãos foram criados em diferentes países, Japão, China, Birmânia e ainda outros países fora da Ásia, morou um período em Nova Iorque. Como outros filhos de expatriados, ela estudou em escolas internacionais, estando, por este lado, sempre ligada à Europa.

Amélie nasceu em 13 de agosto de 1967, como podem ver na foto é uma mulher bonita e tem um humor negro, um jeito de falar de sua vida e experiências na Ásia que cativa.

Li muitos dos seus livros, de alguns gostei bastante e outros menos. Os meus preferidos são, justamente, os que falam do período asiático. Um destes livros foi transformado em filme, um bom filme, mas nunca ouvi falar dele no Brasil, chama-se Stupeur et tremblements (o livro recebeu o Grand prix du roman de l'Académie française em 1999) e foi traduzido para o português como Medo e Submissão (clique no título para ler a sinopse). Este é um dos meus preferidos e merece um post à parte. A. Nothomb fala perfeitamente o japonês e neste livro que é autobiográfico ela narra a experiência como intérprete numa empresa em Tóquio, quando tinha 22 anos. Uma experiência no mínimo humilhante, tratada com humor negro e sinceridade.

Amélie Nothomb lançou seu primeiro livro em 1992, Hygiène de l'assassin e tornou-se um fenômeno literário, como sempre, há quem goste e quem não goste. Alguns acham que é ‘livro de verão’, desses que a gente leva para a praia, lê ali e pronto, ou seja, entretenimento. Eu não quero julgar, dei boas risadas com alguns, um ou outro achei meio chatinho, sobretudo um que é meio metido a Ficção científica e repleto de diálogos (que vergonha, não estou conseguindo me lembrar do título). Gostei muito de Le sabotage Amoureux que trata do período chinês, quando, aos sete anos a pequena Amélie descobre o amor pela colega de escola (a escola dos europeus), Elena, ‘uma italiana superior e etérea’. A pobre Amélie sofre horrores, mas o leitor ri muito. É a visão de mundo, da China e do amor por uma garota de sete anos.

Bom, isso é só para dar uma pequena idéia sobre ‘a escritora belga do momento’. Vou tentar resenhar os livros dela que li. Para quem arrisca ler em francês pode mergulhar tranqüilo, não são difíceis. Palavra de professora.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Chimay

Logo volto com mais escritores belgas....tempo tempo tempo.
Fiquem com mais essa cervejinha belga. Coloquei a foto porque gosto do rótulo. Gosto mais dos frascos do que do conteúdo.

Abraços
Leila

terça-feira, 2 de maio de 2006

Ecrivains belges: Simenon


Difícil falar de 'Escritores Belgas'. Não é uma desculpa, é assim mesmo. Primeiro é preciso dividi-los em dois grupos: os escritores belgas francófonos e os escritores belgas neerlandófonos. Cada grupo linguístico possui sua própria literatura. Da segunda, os neerlandófonos, ou seja, os flamengos, não conheço quase nada.

Escritores belgas francófonos:

O escritor belga francófono mais célebre no mundo é Simenon (1903-1989), o criador do inspetor Maigret. Georges Simenon nasceu em Liège e começou cedo a publicar, com apenas dezessete anos. Foi um escritor extremamente produtivo, dizem que em 15 dias ele era capaz de escrever uma novela. Claro, era considerado pela crítica um escritor menor, um sucesso comercial. É verdade que boa parte da sua obra foi escrita com o intuito de fazer dinheiro, mas nem toda e o escritor vem sendo reconceituado agora. Viveu em diferentes lugares, Liège, Paris e em alguma cidade da Suíça, muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema.
Simenon tem uma biografia das mais conturbadas, quem se interessar em saber mais sobre assunto pode conferir (em português) aqui e aqui. Simenon já foi acusado, inclusive por alguém da própria família, de ter colaborado com os alemães durante a Segunda Guerra. Não sei se isso tem fundamento ou não, tenho amigos de Liège mesmo que levam isso a sério e detestam a pessoa Simenon. Não é para desculpá-lo, evidentemente, mas não terá sido o único escritor a fazê-lo. O escritor francês Louis-Ferdinand Céline tem um passado muito mais sujo, era abertamente anti-semita e colaborou com os nazistas ou ainda o escritor americano Ezra Pound. É duro para quem gosta tanto de literatura aceitar que escritores brilhantes como Céline, Ezra Pound e outros tenham tomado essas posições, mas c´est la vie!
Opinião de outro escritor:

“Ele é o maior de todos… o mais verdadeiro romancista que tivemos na literatura.”
André Gide.
............

Vou escrever outro post sobre os escritores belgas francófonos para que este não fique muito longo e chato e depois vou falar o que puder sobre os escritores flamengos que conheço tão pouco.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

V for Vendetta

O meu filme da semana foi V de Vingança baseado e HQ de Allan Moore com essa atriz linda, Natalie Portman no papel de Evey Hammond e o australiano Hugo Weaving(de Matrix, Priscilla, a Rainha do deserto) no papel de V, a cara dele não vemos, está sempre atrás da máscara. Adorei o filme.

A trilha sonora é também ótima, Cry me a river com Julie London, Beethoven, Garota de Ipanema se não estou louca, etc....
Bem, a história muita gente já conhece, passa-se em Londres, num futuro qualquer com ditadores estilo Big Brother, controle do estado, num resuminho medíocre de quem está sem tempo agora. De qualquer modo o melhor mesmo é ver o filme.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

La bière


Descobri que a grande questão não é aquela do ovo e da galinha, mas a do pão e da cerveja. Qual dos dois teria nascido primeiro? Muitos apontam para a cerveja...6.000 anos antes de Cristo ela já existe no Iraque (Mesopotâmia na época). E a gente pensando que lá só tinha petróleo hein? Mas há indícios de que a cerveja tenha sido criada muito antes disso. Um inglês, Ian Hornsey, escreveu um livro de 700 páginas só sobre a cerveja, A History of Beer and Brewing. É assunto que não acaba mais, só descobri que era tão longo agora, pesquisando para o post. O caso é que não tomo cerveja e não sei muito a respeito, mas quando coloquei no post anterior que ia falar disso recebi apoio maciço dos meus seis leitores.

Sendo o assunto tão extenso, muito mais do que eu podia imaginar, vou ter que me concentrar só na cerveja belga, quem quiser mais pode ler o livro do inglês ou o edição 208 da revista Super Interessante, 22 de dezembro de 2004. É uma reportagem bem feita e muito engraçada, tem uma notinha que chama ‘Ressaca faraônica’ onde explicam que os antigos egípcios festejava a deusa Tefnuf bebendo até cair, chegar em casa caminhando com as próprias pernas era uma grosseria, sinal de que o convidado não tinha se divertido o bastante. Bons tempos, não?

(Bom, para falar de cerveja belga eu vou chamar meu consultor ‘belga’ para assuntos etílicos, profissão, inclusive, muito comum na Bélgica).

Este país de pouco mais de 10 milhões de habitantes tem quase 500 tipos de cerveja divididas em várias categorias: As Trapistas, As cervejas de abadias, as ‘gueuzes’, etc...As melhores cervejas são aquelas feitas pelos monges. As Trapistas, por exemplo, são produzidas em monastérios, só existem seis no mundo, cinco delas estão na Bélgica e a outra na Holanda. As trapistas belgas são:
Orval, Rochefort, Chimay, Westmalle, Westvleteren. Muitos dos meus amigos amantes de cerveja, mesmo os brasileiros, adoram esta Chimay e a Orval.

As três cervejas mais populares, mais vendidas e mais baratas são: Stella Artois, Jupiler e Maes. Nesta ordem. As cervejas belgas estão muito presentes no Brasil, em 2004 andaram fazendo negócios por aqui. A Interbrew juntou-se à Ambev e tornou-se Inbev, sendo hoje o maior grupo do mundo no ramo. Então, pelo menos a Stella Artois muita gente já conhece.

É normal que na Bélgica tenha muitos museus dedicados à cerveja, em Bruxelas eu só conheço um que fica na Grand Place,
La Maison des Brasseurs já fui lá com os meus amigos e com meu irmão. Deve ser o mais turistíco de todos eles, ainda assim meu irmão adorou e, como eu não bebo ele tomou a cerveja (que a gente recebe durante a visita) dele e a minha. Achou fortíssima. Gostou. Já visitei também algumas abadias onde os monges produzem cerveja. Mais informações em inglês, francês ou neerlandês neste site: beer paradise.

Algumas cervejas têm nomes bastante estranhos: Mort Subite, delirium Tremens. Sei lá, tomar uma cerveja de nome Morte Súbi
ta?

Os cervejeiros que forem à Europa devem tirar um tempinho para os museus e abadias dedicadas à cerveja. Uma das minhas amigas que foi lá em 1997 é famosa ainda hoje, queria experimentar todas as 500....não deu tempo, mas muitos dos belgas que a conheceram ainda perguntam por ela.

Aqui na foto uma das abadias.

Leila

La bière belge


terça-feira, 25 de abril de 2006

La Belgique



Esse blog, há muito, não faz jus ao nome, entretanto, tem gente que chega aqui por causa deste Bélgica estampado aí no título. Deve ser uma frustração para estes. Há alguns meses me escreveu um rapaz do Sul dizendo que ele e a noiva iam passar a lua de mel na Bélgica. Ele, em parte por causa da cerveja. Fizeram assim, abriram uma conta e pediram aos amigos que, como presente de casamento, depositassem dinheiro para a viagem deles. Excelente idéia, não? Eu também ia preferir isso ainda que depois tivesse que dormir um ano num colchão no chão. Na minha família acontece o contrário, outro dia foi casamento de uma prima (esperando que ninguém da minha família leia este blog) e gastaram mais ou menos 40.000 reais com o casamento....eu só pensando em quantas viagens era possível fazer com isso. Eu sei quanto foi porque a mãe da noiva adora falar em valores. Para muita gente isso não é exorbitante para uma festa de casamento, para mim é porque tenho outras prioridades. Acho pouco criativo, meus primos não são ricos.

Enfim, prefiro o método deste casal do Sul que me escreveu. Nós ficamos em contato durante alguns meses, enquanto ele organizava a viagem. Convenci-o de que a Bélgica era meio pequenininha, que deviam ir à Holanda, França....Assim fizeram. Talvez ainda estejam viajando. Há poucos dias se encontraram com minha irmã em Bruxelas, ficaram hospedados na casa dela. Veja como é o mundo virtual, eu mesma nunca os vi. Minha irmã gostou dos dois. Eu espero que façam uma boa viagem, que seja mesmo inesquecível, o entusiasmo dele era muito.
Então eu decidi fazer alguns posts dedicados à Bélgica: cerveja, chocolate, cineastas, músicos, pintores, cidades e o que mais me vier à cabeça ou à cabeça dos meus seis leitores. Aceito pedidos. Estou pensando em começar pela cerveja. Vamos ver.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

TITEUF II



Titeuf

Outro dia fiz um post rápido sobre Titeuf, a
Marília me escreveu perguntando um pouco mais sobre ele.

Bem, o humor do Titeuf não tem nada a ver com o da Mafalda, por exemplo (eu adoro Mafalda também). A única relação entre os dois é o universo infantil, mas não há em ZEP aquela conotação política do Quino. Pelo menos não diretamente. Titeuf é realmente uma criança agitada e das mais encapetadas, com dúvidas de criança, ingenuidades de criança, enganos de criança, crueldade de criança. Ele é apaixoando pela Nádia, uma menina da mesma escola que o esnoba o tempo todo. É um humor bem escrachado mesmo, muitas das histórias se passam na escola, algumas das mais hilárias são as referentes às aulas de educação sexual. Antes da primeira aula as crianças conversam, imaginam como será a aula, alguns dizem que a professora vai chamar um menino e uma menina na frente da classe e etc e tal. Quando a professora aparece (com cara de professora!), põe na frente deles um desenho que mais parece um mapa a decepção é total, uma frustração pois em nada difere de uma aula de geografia. Enfim, há muito sexo em Titeuf, situações sempre repletas de gafe. O desenho em si é muito expressivo e engraçado, às vezes basta ver a cara do Titeuf.

ZEP criou também um livro chamado Le Guide du zizi sexuel que é uma espécie de cartilha do sexo direcionada às crianças e pré-adolescentes (9 a 13 anos). Zizi significa pipiu ou algo assim. Um sucesso, como todos os outros albuns de Zep que têm tiragem de um milhão de exemplares.

Eu escrevi no outro post que Titeuf ainda não foi traduzido para o português, mas acho que me enganei, ao que parece é publicado em Portugal.
Leila

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Aprendendo com o Brasil








Artigos sobre o Brasil no Mother Jones: Learning from Brazil -
Brazil helps show the way, but only if we learn the right lessons.


.....
Curitiba e esperança.

E outro sobre Curitiba: Curitiba and Hope
Os cariocas não vão gostar, mas os curitibanos vão adorar. Se a cidade for mesmo esse paraíso, estou fazendo minhas malas. Já estive em Curitiba mais de uma vez, adorei, mas sempre en passant. Viver no lugar é outra coisa.


Leila

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A Janela

A janela do seu quarto, grande e elegante, dava para a única praça da cidade. Minúsculo consolo. Meninas desinteressantes, risinhos falsamente tímidos. Do outro lado os meninos e rapazes de braços bem torneados pelo trabalho manual, no meio das brincadeiras sempre arranjavam um jeito de se tocarem, até mesmo quando falavam das meninas. Ele também tinha lembranças boas desses anos agora tão longínquos. As meninas nunca lhe interessaram senão como confidentes. Hoje seu mundo era uma janela e espera. Quem mandou voltar para essa cidade, o pai bem que teria preferido vê-lo longe dali.

Às vezes ia para a sacada observar melhor, um dia escutou: Olha lá a bichinha! Cidade besta e triste. No meio dos garotos viu Jorge, com a sua camiseta e calça apertadas lhe lembrava um daqueles marinheiros de gravura. Não falava muito, mas as meninas gostavam dele. No final da noite estava sempre aos beijos com uma delas, algumas deixavam as mãos passearem um pouco, outras fingiam mais recato. Da janela ele tudo via e esperava.

Jorge era o último a deixar a praça e era na sua porta que vinha bater. Nem precisava, estava sempre aberta àquela hora.
....
Painting by Lucien Freud
Interior in Paddington

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Fealdade de Fabiano Gorila

De
Marcelo Gaú ou Marcelo
Quintanilha
Livro de HQ um pouco diferente do que estamos acostumados a ler, em parte feito a partir de fotos históricas, uma suponho que seja foto do album de família.
Quer dizer, eu sou do tipo que vai lendo HQs sem entender muito do assunto, vai caindo na minha mão e eu vou lendo, normalmente são passadas pelo meu irmão.

Este livro tem prefácio de Aldir Blanc.
Eu gostei muito, tanto das histórias, são três, quanto do desenho e das falas dos personagens.
A primeira das três histórias é baseada na vida do próprio pai do autor.
Marcelo Gaú nasceu em Niterói em 1971, ao que parece, hoje vive na Espanha.
Mais sobre ele no link acima.

sábado, 8 de abril de 2006

Allah n´est pas obligé


Li, há alguns anos este livro de Ahmadou Kourouma que nasceu na Costa do Marfim e viveu parte da vida na França. Na época em que o li este livro me encantou tanto pela forma de narrar - o ponto de vista de uma criança-soldado - quanto pela história em si. O personagem principal é Birahima, um garoto negro de dez ou doze anos. Ele não sabe. No começo o garoto está na Costa do Marfim com a mãe e a avó, a mãe está muito doente, morre e ele é obrigado a ir para a casa de uma tia na Libéria, ali torna-se criança soldado ou small-soldiers (pequenos soldados) como também são chamados.
Enfim, não vou contar a história toda aqui, este livro foi traduzido para o português com o título Alá e as crianças soldado, publicado pela Estação Liberdade.
O que me fez lembrar deste livro foi um post que li no Briteiros, O FIM DE UM TIRANO, do dia 03/04/2006 sobre a prisão de Charles Taylor :
"o homem que criou, nesses dois países (Serra Leoa e Libéria), exércitos de crianças — rapazes e raparigas — raptadas, escravizadas, violadas, mutiladas, forçadas a drogar-se e a usar a kalachnikov para atacar as suas próprias aldeias e matar os seus próprios pais de modo a tornar impossível qualquer deserção ou regresso. "

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Releitura de Conto de Pu Songling



[Obs:História baseada no conto ‘La Fresque’ retirado do livro “Chroniques de l’étrange” de Pu Songling (1640 – 1715), autor chinês que já foi traduzido para todas as línguas latinas exceto o português.]


O quadro

Virgílio, originário de uma cidade do interior, encontrava-se na capital em companhia de seu amigo Pietro. Um dia caminhavam os dois sem destino certo por ruas e travessas quando avistaram um pequeno museu. O lugar estaria completamente deserto não fosse a presença de um velho empregado que cochilava no momento em que eles entraram. Mal os viu, o homem compôs respeitosamente as roupas e, cumprimentando os dois visitantes, ofereceu-se para lhes mostrar o que considerava seu pequeno refúgio. A sala principal abrigava máscaras e estátuas de personalidades ligadas à literatura, as paredes laterais eram cobertas por quadros pintados com tal delicadeza que se podia tomar por verdadeiras as figuras humanas ali representadas. Em um destes quadros via-se Ariadne sorridente, a palma da mão levantada, rodeada de outras mulheres de beleza quase comparável à dela. Sua figura, porém, se destacava e comoveu o coração de Virgílio. O olhar de Ariadne parecia um convite. Tanto concentrou-se na contemplação do quadro que perdeu o controle de si, seus pensamentos tornaram-se tão abstratos que entrou numa espécie de transe, sentiu o corpo tomar uma nova consistência, como se flutuasse num estranho nevoeiro - Subitamente estava dentro do quadro.Assustado, Virgílio compreendeu que se encontrava em outro mundo, ainda atordoado sentiu que o puxavam furtivamente pela manga, virou-se: Ali estava Ariadne a lhe sorrir. Ela afastou-se repentinamente e ele a seguiu de perto pelas galerias sinuosas até a porta de um quarto, uma vez ali, ele hesitou, não ousava entrar. A moça voltou-se e acenou de forma tão convidativa que Virgílio não pode resistir. Percebendo que não havia ninguém no quarto tomou-a imediatamente nos braços sem que ela oferecesse resistência. Horas mais tarde, satisfeita , ela se levantou, fechou as cortinas e, depois de avisar que ele não deveria emitir sequer um ruído, saiu prometendo que voltaria quando a noite caísse. E assim foi, voltou nessa noite, na noite seguinte e outras até que numa dessas vezes ouviu-se lá fora, no meio de vozes exaltadas, passos fortes juntamente com um tilintar de correntes. Ariadne levantou-se apavorada e espreitou pela janela: era um dos guardas do palácio. À sua volta se encontravam todas as outras moças. “Onde está Ariadne?", perguntou o homem. "Estava indisposta, está descansando", respondeu uma em nome de todas tentando acobertar a moça que elas tanto amavam e a quem tanto apreciavam escutar. "Se alguma de vós estiver escondendo algo importante será pior para todas. Não criem problemas dos quais ninguém vos poderá defender". O oficial, com o seu olhar de águia, parecia prestes a dar busca no esconderijo. Ariadne só teve tempo de dizer: "Rápido, esconde-te debaixo da cama". Quanto a ela, abriu uma porta secreta na parede e desapareceu num segundo. Virgílio mal se atrevia a respirar. Lá fora, o barulho das vozes ia esmorecendo. Apesar do medo e do desconforto não tinha outro remédio senão esperar, muito quieto, pelo regresso da jovem pois, tão toldado se encontrava seu espírito, que já não sabia de onde tinha vindo...

Ao aperceber-se do súbito desaparecimento de seu amigo, Pietro, perplexo, perguntou ao velho o que se passara. "Foi ouvir as histórias de Ariadne", respondeu com um sorriso irônico nos lábios. "Onde?" "Não foi longe", atalhou o outro dirigindo-se ao quadro. Chegando-se à pintura bateu com um dedo e perguntou: "Por que demoras tanto?" Imediatamente surgiu no quadro a imagem de Virgílio, a face descomposta pelas emoções, a cabeça ligeiramente inclinada como se estivesse a ouvir alguma coisa. "Há muito tempo teu companheiro te espera”, prosseguiu o homem. Nesse momento ele caíu do quadro e ficou prostrado no chão, os olhos esbugalhados e as pernas a tremer. Assustadíssimo, Pietro perguntou-lhe o que acontecera. O amigo não sabia o que responder; na verdade, estava debaixo da cama quando ouvira um enorme fragor, como se mil homens tocassem a um só tempo um tambor gigantesco. Apavorado, saíra a correr da câmara.

Os dois amigos voltaram-se para o quadro; a jovem continuava ali diante das outras, mas sua mão, agora, segurava o véu sobre o rosto. Surpreso, Virgílio voltou-se para o velho e perguntou-lhe a razão daquela mudança. "A ilusão nasce do espírito humano. Que outra explicação poderia lhes oferecer esse humilde servidor?"

Virgílio sentiu-se extremamente abatido, Pietro estava confuso. Ambos se levantaram e desceram as escadas que conduziam à saída.
Leila
............................................................
Imagem:
Ariadne
John Williams

domingo, 2 de abril de 2006

TITEUF

Titeuf é este garotinho aí da capa, personagem criado por ZEP, um suíço que nasceu em 1967, é conhecidíssimo na Europa e já presidiu o famoso festival de HQ de Angoulême, na França. O nome verdadeiro de ZEP é Philippe Chappuis. Titeuf existe também como desenho animado, mas não conheço muito. Quando quero dar boas risadas pego algumas dessas revistas. Tomara que seja logo traduzido para o português, trabalho que eu adoraria fazer, aliás.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Bruxelas


Les Maroles - 1997

quarta-feira, 29 de março de 2006

Isabel

[Conto Anjos de Prata]

Ao final de algumas horas a casa reluzia, não sobrou um grão de poeira, uma mancha na parede, cada canto fora revirado e tratado com água, sabão, vassouradas e espanadas. Depois o batalhão de mulheres tomou o rumo da cozinha para cuidar da etapa seguinte, as comidas. O noivo de Isabel, minha prima, chegaria naquele dia. Tanta preparação e tanta preocupação! Quem seria o príncipe merecedor desses cuidados? Perguntávamo-nos sem, entretanto, largar as nossas brincadeiras que consistiam em grudar chiclete na calçada, deixar que se amolecesse pelo sol, esperar que um desavisado pisasse ali e saísse fulminando. Às vezes esperávamos muito tempo por nada, ninguém passava ou, quando passava, percebia o chiclete a tempo de evitar a catástrofe e perturbar o nosso deleite. Guiados por minha prima (não a noiva mas a sua irmã mais nova) passamos a outros experimentos como encher um balão de água, esperar um infeliz passante do alto de uma escada e lançar sobre ele o nosso engenho. Essa era uma abordagem mais direta e satisfazia melhor as nossas ambições. Parabenizávamos Valentina pela excelente idéia mas logo a minha tia, uma bruxa-desmancha-prazeres, avisada por uma das nossas vítimas vinha pôr fim ao jogo. Não tínhamos sossego.

À noite ele chegou. Vinha do Rio e isso era longe, quase exótico. Casaram-se algum tempo depois e não sei até quando foram felizes. Nem sei se houve tempo para felicidade. Não demorou muito para que o príncipe tirasse a sua máscara e Isabel confeccionasse a sua. Virou atriz doméstica e passou a representar o tempo todo. Tanto representou que passou a acreditar que ela era aquela e não a outra de antes do casamento. Às vezes até aparecia com grandes óculos escuros de star, os quais não tirava para nada e ria um riso falso enquanto contava estórias de esbarrões, queimaduras, choques que deixavam marcas na sua pele. Afinal de contas não era tão boa atriz.

Nunca mais ninguém lavou a casa para receber o príncipe de araque, nem mesmo o primeiro degrau da entrada. Aliás, a minha tia o fez compreender que ele estava dispensado de ultrapassar aquele degrau. Estava mais do que dispensado e menos do que proibido. Não podia proibir porque afinal, nunca se sabe…Infelizmente ele agora era parte da família.

Pobre tia chata. Perdeu esse jogo.

terça-feira, 21 de março de 2006

Esta edição da Carta Capital não circulou na Bahia




Será que os Magalhães não se acharam bonitinhos nas fotos?

segunda-feira, 20 de março de 2006

“O Brasil é um destruidor do seu passado”

Vi ontem na TV5 um documentário sobre o Brasil. Na abertura mostraram Recife e o frevo. Depois colocaram lá um mapa do Brasil para dar uma dimensão do tamanho da ‘coisa’, mostraram que ali estava o pulmão do mundo (repetindo as expressões), o tantão de água que nós temos, depois foram para o Rio, mostraram algumas bundas, o bonde de Santa Teresa, a Rocinha e violência, violência, violência.

A frase do título foi tirada de um comentário que fizeram sobre a preservação do patrimônio histórico no Brasil.

Lembraram, claro, que o Cristo Redentor é obra do escultor francês, Paul Landowski que é de origem polonesa, mas essa parte foi omitida. Aliás, toda a influência francesa foi mostrada, nem um pio sobre os holandeses, mesmo tendo passado por Recife mais de uma vez. Ok, era um programa para os franceses.

São Paulo foi mostrada em três segundos, do alto. O autor documentário disse que não iam parar ali porque o estilo de vida era muito parecido com o deles, não interessava.

Brasília foi bem mostrada, os franceses parecem gostar de Brasília. E dá-lhe Corbusier e toda a influência francesa, evidentemente.

Depois foi a vez de Olinda, mostraram muito tempo o carnaval, os gigantes. Recife de novo, Salvador, capoeira, yemanjá, cadomblé. De lá foram para Ourro Prrretô, Congonhas do Campo (só os profetas e falaram um pouco de Aleijadinho), São João del Rei. Fizeram a viagem de trem até Tiradentes.

E então foi a vez de Manaus, os mercados de peixe, o teatro Amazonas....influência de quem? Franceses, claro. Disseram que a atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923) se apresentou lá, eu não sabia disso e tampouco sabia que o teatro era chamado de Teatro da Selva (L’Opéra de la jungle).

Mesmo mostrando os apectos negativos há aquele encantamento do europeu e sobretudo do francês com relação ao Brasil. Erram em algumas análises, é difícil entender, por exemplo, a confusão religiosa no Brasil sem ser brasileiro. Por confusão eu quero dizer aquela liberdade que muitas pessoas têm de, por exemplo, se dizer Kardecista e na hora do casamento ir procurar a igreja católica, ou de frequentar um terreiro e, se precisar, ir à missa de vez em quando. Isso deixa qualquer europeu atordoado, coitado.
Nós também temos ‘muitas’ ilusões e idéias preconcebidas a respeito dos europeus, e os americanos têm a respeito de todo mundo. É assim mesmo.

sábado, 18 de março de 2006

PD - Literatura


Primeira PD-Literatura de 2006.
Excelente, como sempre.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Confissões de uma máscara

Yukio Mishima
Vertente Editora

Tradução de Manoel Paulo Ferreira

Romance auto-biográfico, trata principalmente da infância e adolescência de Mishima. Nesse que foi seu primeiro livro de sucesso, o autor afirma que se lembra do exato momento do seu nascimento e parte deste instante. Narrado em um estilo quase poético, próximo do leitor, sem esconder dúvidas e a complexidade que envolve o personagem/autor Mishima, pseudônimo de Kimitake Hiraoka.

O autor cita aqui muitos personagens da mitologia cristã, Joana D’Arc que, por algum tempo o narrador tomava por um homem, São Sebastião que conheceu em pintura de Guido Reni e cuja beleza tanto apreciava, foi observando este quadro que ele teve sua primeira ejaculação. A imagem do santo perseguiu-o por muito tempo. Há inclusive uma famosa foto de Mishima em pose de São Sebastião.

Neste livro Mishima já trata também da questão da homossexualidade, descrevendo, por exemplo, a paixão que nutriu por Omi, aluno que estudava na mesma escola que ele.

Dentre os autores ocidentais citados no livro destaco Oscar Wilde e Stephan Zweig.

Mishima foi um leitor ávido, ainda muito jovem teve contato com autores franceses e ingleses. Antes dos quatorze anos, para infelicidade do pai que considerava a literatura um verdadeiro veneno na sua vida, Mishima já trilhava o caminho das letras.

Há um filme do diretor Paul Schrader sobreo autor, Mishima: Uma vida em quatro capítulos, de 1985.

Mishima nasceu em Tóquio, em 1925 e suicidou-se em 1970 segundo o ritual do Seppuku.

domingo, 12 de março de 2006

Janaína, a rainha do bar


Boa noite, tudo bem? Prazer, sou Janaína, mais conhecida como ‘Janaína, a rainha do bar’. Engraçado, não? Janaína é a rainha do mar, caso você não saiba. Não deve ter entendido o trocadilho, hein? Posso me sentar aqui um momentinho ou você está esperando alguém? Não se preocupe, é só um minutinho até eu te contar essa história do meu nome, você não se incomoda, né? Você é bem calado, hein? Não tem importância, eu falo por dois…quando bebo, então. Falando em beber, meu copo está vazio, posso servir um pouco dessa sua cerveja? Bom, quem cala consente. (Caramba, esse sujeito é mudo ou o quê?) Posso ver a capa do seu livro? Ah, capito, você é gringo. Como é que a gente vai se entender? Amanda, vem cá tentar me ajudar, o cara aqui é gringo, não tá entendo nada do que eu falo, olha aqui o livro dele, nem sei que língua é essa. Vem cá que eu quero tascar esse gringo hoje, me ajuda, cacete! Ei, ei onde é que você vai? A Amanda já vem traduzir pra gente….Ahn, você é brasileiro? E porque não falou logo, filho de uma égua, e eu me expondo desse jeito, que vergonha. Vai pro caralho, vai, vai caçar macho. Deixa prá lá, Amanda, que o idiota era brasileiro mesmo e já se foi, o boiola. Não tem importância, deixa prá lá.
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em Anjos de Prata
Leila Silva
Imagem: Edward Hopper - Nighthawks

terça-feira, 7 de março de 2006

Bruxelas

A Bélgica anda tão esquecidinha neste blog, coitada, só tem aparecido no nome...
Então escolhi estas duas fotos de Bruxelas. Esta aqui foi feita na Grand Place, ou melhor, no Hotel de Ville.
A outra foi tirada da minha janela em um março qualquer, 2003, se não me engano.


Fotolog

Cartas desde el infierno

Ramón Sampedro

Grupo Editorial Planeta – Buenos Aires
Com prólogo de Alejandro Almenábar.

O autor trata, com grande coerência, do direito à euthanasia, palavra que significa ´boa morte`. Ramón defende com maestria o seu direito, rechaçando com argumentos sinceros e muito bem embasados todas as cartas que recebe de diferentes pessoas: médicos, jornalistas, estudantes que escrevem com o único objetivo de convencê-lo a continuar vivendo. Descobrimos em Ramón uma pessoa doce e respeitosa, mas que pode se mostrar direto e quase brutal com aqueles que desrespeitam ou não compreendem a sua causa, sobretudo se os argumentos que a apresentam forem de ordem religiosa já que ele é um ateu.
É interessante quando, na página 172 nos apresenta que a ‘arte da boa morte’ não nos foi ensinada porque aos dominantes interessa que o sofrimento seja visto como um dever moral porque esta é a sua fonte de prazer e bem estar. Assim, a sacralidade da vida teria sido ensinada por medo que os escravos renunciassem em massa ao inferno de suas vidas miseráveis.

O conhecido filme Mar Adentro foi baseado neste livro.
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Este livro foi um presente da querida amiga Dani Sorris.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Eu na CULT

Pessoal,
Estou na Cult número 100, março 2006 com um conto, O CANTO.
Abraços a todos
Leila

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Mini Conto


Glenda

Contempla, da janela, a baía e pensa novamente em Glenda. Glenda em alguma parte do mundo, buscando não se sabia bem o quê, acrescentando máscaras às suas máscaras. Queria tanto a Glenda.

O seu mundo de escritor era aquela biblioteca, uma janela de onde podia ver o vôo das gaivotas e os barcos. Um mundo infinito. Sim. Um daqueles barcos traria Glenda de volta, aquele mesmo que a levara. Quem sabe? E quando ela passasse pela porta ele estaria mais inteiro que antes, tudo seria recomeço.

Depois que terminasse o café e aquela gaivota preguiçosa alçasse novo vôo, ia sentar-se à escrivaninha e escrever mais um carta a Glenda. Só não sabia para onde enviá-la.
Leila Silva
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Foto Pulau Langkawi -
Malásia 2001

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Dois mini-contos

[Retirados do blog rapidinhas que comporta contos de no máximo 120 palavras. O primeiro é do Rubens da Cunha e o segundo do Marcelo d'Ávila. Excelentes.]
Morte Súbita

"Basta!" Gritou e morreu no meio da calçada. Foi recolhido ao IML.
Até agora, seis dias depois, não reclamaram o corpo. Tudo indica que será enterrado como
indigente, diz o funcionário asséptico. Dentro da boca do defunto, uma mosca pede socorro.

Rubens
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Olhos de gato

Preciso tirar esse peso das pálpebras, essa areia dos olhos: um gole e mais outro comprimido. A estrada some na luz dos faróis, uma cobra negra rebolando à minha frente. Maldita areia nos olhos. Mais um gole. Preciso tirar a bigorna das pálpebras. A cabeça oscila como uma vara de pesca. Um gole. Preciso. Um gato gigante de olhos de fogo em minha direção. Preciso comprar cebolas para os peixes. Um comprimido. Os olhos do gato estão piscando. A cabeça cai. Preciso. (seis pessoas da mesma família mortas em acidente na 101, envolvendo um Astra de Caxias e uma carreta com placas de Palhoça. A Polícia Rodoviária acredita que o motorista da carreta tenha dormido ao volante).

Marcelo d'Ávila

Andando pelo sítio, eu vi...

Simpáticas rolinhas no ninho. As coitadinhas se assustaram um pouco comigo e minha sobrinha, mas logo as deixamos em paz. Só o tempo de um clic.

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Mais fotos no meu fotolog

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Maus


Art Spiegelman

Primeira HQ a receber o prêmio Pulitzer

Cia das Letras

Mais uma história sobre o holocausto, Auschwitz e todo aquele horror que a humanidade ainda não conseguiu explicar? Mais uma vez o holocausto só que agora explicado em quadrinhos? Não. Mesmo que já tenhamos lido tudo sobre os campos da morte, que sejamos doutores em Primo Levi vamos nos surpreender com este Maus de Spiegelman cujo pai é um dos sobreviventes. A história é contada através deste pai que o autor vai seguindo ora com uma cadernetinha ora com um gravador. Ninguém é poupado, nem mesmo o pai, Vladek. Tudo soa sincero e pessoal, sem raiva, algum desespero por parte do autor, uma busca de entendimento (talvez), a culpa que quase todos os filhos de sobreviventes carregam.

Aqui os nazistas são gatos, os judeus ratos, os poloneses (não judeus) porcos, os franceses sapos e os americanos cães. No começo da leitura isso parece estranho, depois a gente se acostuma a vê-los assim.

Soube pelo blog do Allan que Art Spiegelman ficou profundamente irritado com Roberto Benigni por relacionar o seu filme A Vida é Bela a Maus. Se ele dizia que Maus o tinha inspirado, não tinha entendido nada do livro, sentenciou.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Conto - Anjos de Prata

Florinda

Florinda, só mais esta vez, tenha piedade, minha flor. Eu prometo, juro que paro de beber, por tudo que é mais sagrado, pela minha mãe. Flô, fala comigo, larga essa porra dessa mala. Não posso viver sem você, bar é coisa do passado. Fala comigo, Florzinha, tenha piedade, não fique aí calada. Faz um café amargo pra mim que eu melhoro e a gente conversa tranqüilo, vai meu bem. Flôoooo, vem aqui!

……

Alô, mãe, a Florinda, aquela egoísta foi embora...bebendo, eu? Mais sóbrio impossível, mãe, só saí com os amigos, ela não pode entender uma coisa dessas? Umas duas ou três cervejas, só isso. Mãe, liga pra ela, por favor, a gente precisa pelo menos conversar, ela ficou surda e muda de repente. Liga pra ela, ela vai te ouvir, com você é diferente. Não vai telefonar por quê? Que é isso hoje, complô contra mim? Inferno! Desculpa, mãe, não queria falar palavrão. Eu que tenho que ligar? Eu sei disso, mas se eu tô falando pra senhora que ela não me ouve, eu falei…falei e ela pegou a malinha, nem respondeu. Bateu a porta e foi embora. Bem feito pra mim?

……

Alô, pai? Não, não muito bem, a Florinda foi embora, nem quis conversa….hein, ligar mais tarde? Ah, tá ocupado? Tá bem, então você liga, vou ficar esperando.

…..

Alô, Jorge, tudo mal, cara, tô precisando conversar, não quer me encontrar lá no bar? Ah, está com visitas? Mais tarde, então? Como? Quem? A Flô, mas o que é que ela tá fazendo aí? É melhor explicar muito bem mesmo….Alô! Alô!


Leila Silva

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Ficçoes

Conto meu na revista portuguesa FicÇões .

Abraços

domingo, 5 de fevereiro de 2006

O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão


[Trechos ]

"A depressão é a imperfeição no amor. (...). Quando ela chega, degrada o eu da pessoa e finalmente eclipsa sua capacidade de dar ou receber afeição. É a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo. Embora não seja nenhum profilático contra a depressão, o amor é o que alcochoa a mente e a protege de si mesma. Medicamentos e psicoterapia podem renovar essa proteção, tornando mais fácil amar e ser amado e é por isso que funcionam."

"tal depressão toma posse do corpo nas pálpebras e músculos que mantém a coluna ereta. Fere o coração e o pulmão, tornando a contração dos músculos involuntários mais dura do que precisa ser".

"a grande depressão é a matéria dos colapsos nervosos. Se imaginarmos uma alma de ferro que se desgasta de dor e enferruja com a depressão suave, então a depressão grave é o assustador colapso de toda uma estrutura".

"ouça as pessoas que amam você. Acredite que vale a pena viver por elas, mesmo que voce não acredite nisso. Busque as lembranças que a depressão afasta e as projete no futuro. Seja corajoso, seja forte, tome suas pílulas. Exercite-se que isso lhe fará bem, mesmo que cada passo pese uma tonelada. Coma, mesmo quando sente repugnância pela comida. Seja razoável consigo mesmo quando você tiver perdido a razão. Esse tipo de conselhos são lugares-comuns e soam bobos, mas o caminho mais certo para sair da depressão é não gostar dela e não se acostumar com ela."

"O oposto da depressão não é a felicidade, mas a vitalidade, e minha vida, enquanto escrevo isto, é vital, mesmo quando triste (...) A cada dia, às vezes combativamente e às vezes contra a razão do momento, eu escolho ficar vivo."


O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão,
de Andrew Salomon. Editora Objetiva.

O Sonho americano


Por Pieter Vanderveld
Traduzido por Leila Silva



Billy foi despertado de seu sono agitado pela voz de Willie Nelson, era o rádio-relógio sintonizado na estação de música country programado para as 5:00 da manhã. Mary Ann rolou para o lado e Billy viu de relance as suas coxas grossas e flácidas, sentou-se na beirada da cama king size e suspirou. A história, na verdade, nunca mudava, ela era sua quarta esposa, ele já deveria saber. Elas te encontram, te cobrem de amor, trepam quatro vezes ao dia e te arrastam, exausto, até o pastor. E Você, claro, sempre diz ‘Sim’. Quem quer deixar de viver no pecado? Dois anos depois já estão tão redondas quanto um barril, gastando o fim de semana no shopping e te empaturrando de porcarias.

Arrastou-se até a ducha, tentou livrar-se do sono e da ressaca da tequila. Na noite anterior tinha saído com os rapazes para festejar a venda do velho Delta. Conseguira, finalmente, passar aquela sucata para um grupo de mexicanos por mil e duzentos doláres. Nada mal para um Delta 88 que tinha ficado empatando lugar na sua garagem por longos oito meses.

Vestiu rapidamente uma camisa de flanela, um jeans e calçou suas botas Tony Lama. Dirigiu-se à garagem onde guardava o cofre com suas armas, abriu-o e pegou uma AK-47 feita na China, escolheu seu revólver favorito, um Glock austríaco e colocou-o no cinto. Era um americano de verdade, mas não se importava com a proveniência de suas armas posto que pudesse usá-las para proteger os seus. Era um patriota pragmático.

Pressionou o botão para abrir a porta da garagem e andou até sua camionete vermelha, abriu a porta, colocou o rifle no porta-armas atrás do banco, ligou a chave da ignição, fechou a garagem com o controle remoto e tomou a estrada. Parou no Dunkin Donut do bairro e pediu, do carro, dois cafés com leite e quatro donuts recheados de creme. Dirigiu-se a Maple Ridge Street, parou na frente da casa número 4406 e viu Roger espiando pela janela. Ele fechou a cortina e saiu carregando uma potente carabina Mauser que colocou em cima da arma de Billy. Cumprimentaram-se com um aperto de mãos e Roger pegou a bebida ainda quente e o pacote de donuts que Billy lhe estendia. Dirigiram-se em silêncio ao ponto de encontro enquanto mastigavam o manteigoso bolo frito. John e os outros rapazes esperavam no kilômetro 42 da rodovia estadual 187, a 15 minutos do sul de Phenix. Billy saiu da autopista e parou o veículo atrás da camionete Ford de Steve.

John veio ao encontro deles, alto, robusto, cumprimentou os companheiros com um largo sorriso e um abraço apertado. Foram juntos cumprimentar o resto do grupo, dois outros carros chegaram e estacionaram atrás de Billy. Depois de alguns minutos de conversa a respeito do tempo no deserto do Arizona, retornaram a seus respectivos veículos, foram em fila para a estrada com John na frente e Billy por último como tinha sido combinado.

Rodaram durante mais ou menos quarenta e cinco minutos e, então, viraram à esquerda, numa estrada empoeirada e sem nenhuma indicação, continuaram por esse caminho até uma morro, ali estacionaram os carros e pegaram suas armas. John inspecionou-as todas, ele tinha sido oficial do exército durante a guerra contra o Iraque em 1991, nunca participara de combates, mas dizia saber como eram feitos.

O grupo era composto de doze homens de meia idade que tinham se encontrado nos cafés da manhã de domingo organizados e patrocinados pela igreja Batista. O propósito dos encontros, à parte a leitura da Bíblia e testemunho da fé, era a troca de informações sobre seus pequenos negócios. John era agente de seguros, Billy tinha herdado do seu pai o lote de carros usados na Spring Road, Roger atuava no ramo imobiliário e Bud era contador. Em tudo os representantes da classe média branca americana, eram todos republicanos e apoiavam o presidente e as tropas. Estavam, porém, frustrados com o que parecia falta de interesse dos governantes com o controle das fronteiras do país. No Arizona podia-se perceber que a entrada de imigrantes ilegais não era levada a sério, havia ainda muitos pontos fronteiriços fáceis de serem perfurados.

Tinham se reunido em setembro e decidiram formar um grupo de voluntários para patrulhar, uma vez por mês, a fronteira do estado do Arizona. John era o líder natural deste grupo de homens brancos e cristãos, orgulhosos de suas descendências dos patriotas que botaram os ingleses para correr em 1776.

Depois de inspecionar o material, John decidiu que se postariam a cada 250 metros sobre o planalto que dava para o rio da fronteira com o México. Billy que tinha trocado de arma com Roger, segurava agora a Mauser equipada com uma poderosa mira telescópica. O sol começava a despontar e Billy já estava suado, sentindo-se desconfortável depois de estar postado ali por quarenta minutos. Foi então que avistou uma horda avançando dificilmente no terreno pedregoso, observou-os e contou, sete pessoas, duas mulheres, uma de mais ou menos vinte e cinco anos, outra mais velha, mais de quarenta, provavelmente. Havia ainda três crianças, um garoto e duas garotas de menos de dez anos, atrás um homem mais velho. Um rapaz magro, de chapéu cowboy e camisa western liderava o grupo. Billy escolheu-o mirou seu peito, logo abaixo do seu ombro esquerdo...

E puxou o gatilho.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Circuito Guimarães Rosa















Descobri esse circuito numa documentação da Secretaria de Estado de Minas Gerais, diz o folheto que este é o primeiro circuito turístico baseado em literatura. Verdade ou não, deu vontade de fazer esse caminho e vou fazer assim que conhecer um pouco melhor a obra de Guimarães Rosa. Quem sabe até lá as estradas não terão melhorado?
E ainda dá para aproveitar o circuito e conhecer
a Gruta do Maquiné