sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Poema da sexta-feira





Silence

My father used to say,

"Superior people never make long visits,

have to be shown Longfellow's grave

nor the glass flowers at Harvard.

Self reliant like the cat --

that takes its prey to privacy,

the mouse's limp tail hanging like a shoelace from its mouth --

they sometimes enjoy solitude,

and can be robbed of speech

by speech which has delighted them.

The deepest feeling always shows itself in silence;

not in silence, but restraint.

"Nor was he insincere in saying, "`Make my house your inn'."

Inns are not residences.


Marianne Moore

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fanatismo e estupidez - Rubem Fonseca

Tive uma empregada que possuía oito irmãos e quatro irmãs, todos, por sua vez, com muitos filhos. Ela – vamos chamá-la de Sonia – já tinha três filhos, e o pai deles os havia abandonado. O mesmo ocorrera com os pais dos filhos de suas irmãs. Uma história comum, quase um chavão, que nem merece ser contada.
Sonia cuidava sozinha das crianças. Mas teve a sorte de trabalhar, durante algum tempo, na casa de uma médica da prefeitura, que, preocupada com a situação de Sonia, prevendo que ela certamente continuaria a ter filhos que seriam abandonados pelos pais, propôs a ela que fizesse a ligadura das trompas no hospital onde trabalhava. A médica, porém, obrigou Sonia a prometer que não diria a ninguém que sofrera aquele tipo de intervenção no hospital de sua patroa, pois esta poderia ser demitida, já que era terminantemente proibido fazer esse tipo de intervenção em hospitais públicos. Para todos os efeitos, a médica estaria cuidando de uma infecção urinária de Sonia.
É muito raro uma pessoa pobre ter tanta sorte. A filha de Sonia, de treze anos, não teve. Ficou grávida e, sem dinheiro para fazer um aborto numa clínica com médicos obstetras competentes, entregou-se a um desses carniceiros, que, apressado (eles têm muitas clientes esperando na fila), usando processos sem a menor higiene, deixou a filha de Sonia gravemente enferma. Ela foi internada num hospital público com infecção generalizada, falecendo após um mês. Isso não foi notícia de jornal, é algo muito banal para sair nas folhas. Como também os jornais não deram destaque ao fato de que em 2007 o Ministério da Saúde gastou dezenas e dezenas de milhões de reais com a internação de mulheres que abortaram clandestinamente sem recursos, como a filha da Sonia. Não existe, todavia, uma estatística – e se existe, é secreta – sobre o número de mulheres hospitalizadas e mortas em conseqüência de um aborto clandestino.
Isso acontece cada vez mais. Aumenta o número de mulheres (pobres, já que as ricas podem pagar por um aborto seguro) que morrem ou ficam com seqüelas doentias para o resto da vida devido a esse tipo de aborto ilegal. A mulher pobre que quer abortar neste país corre severos riscos de vida. A criminalização do aborto é resultante do fanatismo mais estúpido. A criminalização, além de iníqua (mais uma das injustiças, das violências e das opressões que a mulher tem enfrentado historicamente) é também anti-econômica. A criminalização do aborto é algo tão cretino que hoje existe apenas em países atrasados, como o nosso, a maioria na America Latina.
Mesmo assim, calcula-se que 20 milhões de abortos são realizados por ano nesses países onde esta prática é restringida ou proibida por lei. E milhões dessas mulheres sofrem danos irreparáveis para sua saúde ao realizar abortos praticados em condições extremamente precárias. O Código Penal brasileiro (e afirmo isso como ex-advogado criminalista que fui, durante algum tempo) está cheio de artigos ultrapassados, todavia o mais perverso de todos é esse que submete à pena criminal uma mulher que pratica o aborto.
O economista americano Steven Levitt fez um estudo, baseado em estatísticas e pesquisas de várias naturezas, no qual comprovou que com a descriminalização do aborto no Estados Unidos o índice de criminalidade em geral, naquele país, caiu drasticamente. As razões são óbvias. Essa conclusão não foi até hoje refutada.
A mulher carente, que se sente incapaz de ter um filho e criá-lo, tem que ter o direito de decidir se quer ou não fazer um aborto. Que deveria ser realizado em hospital público, com todos os recursos médicos.
Sei que não é fácil conseguir isso num país onde alegam que a pílula do dia seguinte é um atentado à vida – uma grosseira mentira, pois essa pílula impede a fecundação e nenhum feto "morre", o único prejudicado é o espermatozóide mais veloz, que perdeu sua chance de se aninhar num óvulo.
Este país está ficando cada vez mais triste. E os três dias de Carnaval são um devaneio extravagante e idiota, como na peça de Shakespeare – cheio de som e fúria, significando Nada.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Francesa que contaminou marido com Aids é condenada a cinco anos de prisão

[Não é a primeira vez que alguém é condenado por isso na França. Acabei de ler também na Folha que na Malásia, alguns estados pelo menos, estão exigindo teste de AIDS para muçulmanos que vão se casar, muitas mulheres estavam sendo contamidas depois do casamento.]
da France Press

A Justiça da França condenou nesta quarta-feira a cinco anos de prisão com direito a sursis (suspensão condicional da pena), uma mulher acusada de ter deliberadamente transmitido o vírus da Aids a seu marido.
Christelle Grard, 39, podia ser condenada a 15 anos de prisão. O ex-marido, Vincent Thellier, 36, prestou queixa em 2002. "Christelle Grard manteve relações sexuais sem camisinha com Thellier, com quem ia se casar. Ela sabia que era portadora do vírus da Aids desde 1991, e escondeu deliberadamente sua doença", declarou a procuradora-geral do Tribunal de Orleans, Jocelyne Amouroux.
Christelle e Vincent se conheceram em 1995 e se casaram em abril de 1997, depois de terem tido um filho. O marido, militar, afirmou ter descoberto que estava com Aids em agosto de 1997, depois de voltar de uma missão nos Camarões.
O filho do casal, hoje com 11 anos, não foi infectado pela doença. Christelle Grard, que pesa 35 kg, diz ter sido contaminada durante uma transfusão de sangue.

Folha de São Paulo 03/12/2008

O Poema da sexta-feira

BOM-DIA, CÃO

Avisto na rua um cão
Digo-lhe: como vais, cão?
Pensa que me responde?
Não? Pois bem, mas ele responde-me
E isso não é da sua conta
Agora quando se vêem pessoas
Que passam sem sequer reparar nos cães
Sentimos vergonha pelos seus pais
E pelos pais dos seus pais
Porque uma tão má educação
É coisa que requer pelo menos... e não estou a ser generoso
Três gerações, com uma sífilis hereditária
Mas, para não vexar ninguém, devo acrescentar
Que um número considerável de cães não falam com muita freqüência

Boris VIAN (1920-1959)
...

Bonjour, chien

J'avise un chien dans la rue
Je lui dis: comment vas-tu, chien ?
Croyez-vous qu'il me répondrait ? Non ?
Eh bien il me répond quand même
Et ça ne vous regarde pas
Alors quand on voit des gens
Qui passent sans même remarquer les chiens
On a honte pour leurs parents
Et pour les parents de leurs parents
Parce qu'une si mauvaise éducation
Ça demande au moins...et je ne suis pas généreux
Trois générations, avec une syphilis héréditaire
Mais j'ajoute pour ne vexer personne
Que bon nombre de chiens ne parlent pas souvent.

Boris VIAN (1920-1959)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Luz que Surgiu por Trás da Colina

A Luz que Surgiu por Trás da Colina é um documentário no qual meu irmão está trabalhando, eu acho muito interessante. A equipe fez um blog que está muito bacana. Visitem.
"Escavar o passado e retirar as camadas da história, enfim, percorrer os caminhos traçados por Afonso Lana [Ciro], arquétipo de nossa luta, professor do curso de artes visuais da UFU [universidade federal de Uberlândia], mestre em literatura e ex-líder de uma das facções de resistência armada à ditadura militar."
direção: carlos segundoass.
direção: chico de assis
produtor: clovis cunha
dir. de fotografia: alderico lucas
produção local: edinardo lucas
pesquisa: ana maria said
fotografia still: paulo brasil
produção: rascunho digital
apoio: vertical filmes, sivolc
production e etcétera mídias

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Poema da sexta-feira




Se eu não estiver viva

na volta dos passarinhos,

dê ao de gravata rubra

lembranças minhas de alpiste.

Se eu não disser obrigada,

por estar adormecida,

saiba que fiz o que pude

com meus lábios de granito.




Emily Dickinson



Tradução Paulo Mendes Campos.

...
Emily Dickinson nasceu no dia 10 de dezembro de 1830.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livros

Estou me sentindo tão cansada esta semana que revolvi tomar vitamina c e descansar quando posso. Já estava cansada, com muita dor nas pernas e ainda por cima não consegui dormir de domingo para segunda, a segunda foi, claro, catastrófica. Mas acho que já estou melhorando e que até o final desta tarde volto ao 'normal'. O tempo também mudou, estava bastante fresco e ontem começou a fazer calor, foi meio brusco.
....
ATONEMENT (respondendo ao comentário da Sônia).

Sônia, ainda estou na página centoealgumacoisa, só agora comecei a mergulhar na história, estou adorando e louca para terminar e ver o filme. Assim que terminar 'conversamos' melhor sobre ele. Puxa, mas você é mesmo uma leitora voraz, quase tudo o que 'estou lendo' você 'já leu'. Muito bem, madame. Esqueci também de falar do seu comentário sobre O Morro dos Ventos Uivantes...Eu concordo com você, é mesmo impressionante o fato de uma moça naquelas circunstâncias ter escrito tal livro. Li que na época algumas pessoas acreditavam que tivesse sido escrito por um homem.

O comentário da Sônia:

"Entre as coisas que me assombram nesse livro uma é o fato de uma mulher solteira (solteira no sèculo XIX), criada num local ermo por um pai severo, com pouquíssimos contatos com o mundo, pôde descrever tamanha paixão. Paixão para além da vida, que une Catherine e Heathcliff. É uma obra gótica, que permanece sempre à beira do kitch e do dramalhão, mas jamais resvala. (ou resvala e é belíssima assim mesmo?) Já sentiu, né, minha paixão absoluta pelo livro."

...

Ganhei, já de presente de natal, a edição/tradução nova de Os Irmãos Karamázov, da editora 34. Li que a tradução está excelente e não consegui resistir, não comprei, mas estava claro que eu adoraria recebê-la de presente. Quando vou ter coragem de enfrentar aqueles dois volumes? Não sei.
...
imagem: Henri Matisse.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Garotas fogem de casa para escapar de circuncisão no Quênia

Folha de São Paulo, 05/12/2008

da BBC Brasil

Pelo menos 300 meninas no sul do Quênia fugiram de suas casas e buscaram refúgio em igrejas para tentar escapar de rituais de mutilação genital feminina, de acordo com a polícia queniana.

Fontes policiais da Província de Nyanza disseram à BBC que meninas de até nove anos de idade estão refugiadas nas duas igrejas, que funcionam como centros de apoio às meninas na região.

A mutilação genital feminina, ou circuncisão, é proibida no Quênia, mas continua sendo praticada em áreas rurais do país, onde é considerada um rito de passagem para a vida adulta.

Os rituais acontecem geralmente entre novembro e dezembro.

Tradição

A polícia vem protegendo as duas igrejas para impedir que as garotas sejam removidas.

Segundo a integrante do governo local e ativista em defesa dos direitos das mulheres, Beatrice Robi, cerca de 200 meninas vêm sendo circuncisadas por dia, inclusive uma de sete anos de idade teve seus órgãos genitais mutilados.

"Um número ainda maior de garotas, que estão em suas casas, estão sendo mutiladas, seja voluntariamente ou à força", disse ela.

O administrador do distrito de Kuria, Paul Wanjama, disse que, geralmente, as meninas fogem de casa nesta época, esperando o fim da temporada.

"Alguns dos pais são contra (a mutilação) mas são pressionados pelos tradicionalistas", disse ele.

Números

Perda do prazer sexual, infecções urinárias, relações sexuais dolorosas e infertilidade estão entre as conseqüências da mutilação para a saúde das mulheres, sem contar uma série de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

A prática é justificada como forma de promover a virgindade, a fertilidade e prevenir a promiscuidade feminina.

A cada ano, cerca de 2 milhões de mulheres são vítimas de algum tipo de mutilação genital em todo o mundo, a maioria na África.

Estima-se que cerca de 130 milhões de mulheres vivam com o clitóris e os lábios vaginais parcialmente ou totalmente removidos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Phone Sex Operators

Vi este ensaio fotográfico na Mother Jones, quem quiser ver as outras fotos e testemunho basta clicar aí. É bastante interessante. Conheci uma vez na Alemanha um brasileiro que fez este trabalho por uns tempos, assim que ele chegou na Alemanha e não tinha ainda trabalho fixo. O engraçado é que esse rapaz trabalhava como se fosse mulher, ele tinha uma voz bastante feminina. Disse que enquanto falava ia limpando a casa, descascando batatas...
...
My name is Ray. I've been having phone sex off and on for 14 years.
I was 19 when I started to embrace my sexy self.
I see myself as a love doctor, or even a psychiatrist. I am a Venus or goddess of love.
I create a sense of community for my regulars, including the closeted & married bi or gay men.
I try to heal the wounds that our closed-minded society inflicts. It may sound weird, but it's true. We as people should learn to talk and listen to our neighbors and share our inner light.
I wish the world was run by phone sex operators.

O poema da sexta-feira



Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

Florbela Espanca

Florbela morreu em 08 de dezembro de 1930, dia em que completaria 36 anos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

é assim que é

O irmão da minha aluna foi para a França, ela pediu que ele trouxesse para ela um CD da Patricia Kaas, chegando lá ele já não se lembrava mais do nome e comprou o mais óbvio, Carla Bruni. Minha aluna odiou, achou chato e disse que não vê nada nela, nem mesmo a acha bonita. Bom, ganhei o disco novo da Carla Bruni, não morro de amores por ela, sobretudo depois que se casou com 'aquela coisa', mas acho ela bonita sim e até gosto de sua voz. Eu acho que ela tem um jeito meio falso mesmo, mas é verdade que impliquei depois do casamento.
...
Lendo ATONEMENT, Ian McEwan. Não pretendia ler agora, mas temos aqui na escola um clube de leitura e no mês passado apareceu um rapaz muito interesante (um leitor interessante) e falou de tal modo do livro que pus ele na frente de outros. Ainda não vi o filme, vou terminar o livro primeiro.
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No trabalho algumas chateações, mas logo passa. Queria passar pelo menos 3 dias tranquila, lendo, escutando música. Saudades dos tempos em que eu tinha tempo.
Não coloquei trema em tranquila para já ir me adaptando à nova regra: "Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Love for All



Adorei esta propaganda, copiei do Síndrome de Estocolmo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Claude Lévi-Strauss completa 100 anos

da Folha de S.Paulo - 25/11/2008 - 08h00

Claude Lévi-Strauss, um dos maiores intelectuais vivos da atualidade, foi o criador da antropologia estrutural. Ao longo de sua trajetória acadêmica, lecionou em várias universidades, alternando a atividade com suas expedições e a produção literária. Conheça sua cronologia.

Leia a cronologia da carreira de Lévi-Strauss na Folha.

Claude Lévi-Strauss faz 100 anos no próximo dia 28. Imaginem o que deve ser atravessar um século, duas guerras mundias e, sem esquecer que ele é judeu. A importância dele no Brasil é enorme, ninguém deve ter passado por um curso de História - para não dizer outros - sem ter lido Tristes Trópicos. Além disso está ligado à USP desde os primórdios, é citado em música de Caetano Veloso...

domingo, 23 de novembro de 2008

Abaixo-assinados que recebemos por e-mail

Eu recebo sempre um ou outro abaixo-assinado por e-mail, muitas vezes o mesmo, mais de uma vez, enviado por mais de um amigo. Abaixo-assinado ou notícia sensacionalista, 'os americanos dominaram todo o norte do Brasil' e coisas do gênero. Na época das Olimpíadas foi uma farra, dezenas de e-mail mostrando o quanto os chineses eram malvados, eram embaraçosos até, de teor racista, cheio de clichês.

Claro, recebi este aí do cachorro também e nem descarto a possibilidade de ter assinado...pelo sim, pelo não. Às vezes são enviados por amigos tão queridos que fico em dúvida, mas na internet, o autor do artigo abaixo tem razão, é melhor desconfiar e pesquisar.

...

Um cão morrendo de fome

Por Bráulio Tavares -



A Internet entrou em ebulição algum tempo atrás em torno de mais uma “instalação de arte contemporânea” perpetrada por nossos criativos artistas. Noticiou-se que o costarriquenho Guillermo Vargas, conhecido como “Habacuc”, teria amarrado um cachorro faminto numa exposição de artes plásticas e o deixado ali sem pão nem água, até que ele morreu de fome. Um abaixo-assinado de protesto se alastrou pela rede. Blogueiros pediram a cabeça de Habacuc, sugerindo que na próxima exposição ele amarrasse a própria mãe, etc. e tal.

Eu sou da tribo e conheço os caboclos. Tudo que aparece na Internet com abaixo-assinado sempre me acende uma luzinha de alerta, porque cheira a boato, invenção, lenda urbana. Pesquisei mais um pouco e achei, se não um desmentido categórico, pelo menos uma versão diferente dos fatos. Habacuc de fato usou o cão, mas ele era alimentado diariamente, e só ficava amarrado no salão durante as horas em que a exposição estava aberta ao público. Na parede da sala lia-se a frase “Eres lo que lees” (“Tu és o que lês”) em letras formadas com biscoitos de cachorro; e um aparelho de som tocava o hino sandinista ao contrário. Bem – em termos de arte talvez não seja nenhuma “Guernica”, mas é muito mais plausível do que a primeira versão. Além disso, o cachorro acabou fugindo depois de alguns dias, numa distração do vigilante.


Continua na Cronópios

...

imagem: Dinner's in the dog, Jo Parry.

sábado, 22 de novembro de 2008

George Eliot

George Eliot nasceu no dia 22 de novembro de 1819. Seu verdadeiro nome era Mary Anne Evans, preferiu escolher um pseudônimo masculino para assinar suas novelas porque desprezava o estereótipo feminino de novelista e decidiu escrever do seu própio modo. Não conheço muito da obra de Eliot, mas fiquei sempre intrigada com este nome masculino.

Henry James escreveu sobre Eliot:
"She is magnificently ugly--deliciously hideous...in this vast ugliness resides a most powerful beauty which, in a very few minutes steals forth and charms the mind, so that you end as I ended, in falling in love with her."
......

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O poema da sexta-feira


Apocalypse


Emily Dickinson (1830-1886)


I'm wife; I've finished that,
That other state;
I'm Czar, I'm woman now:
It's safer so.

How odd the girl's life looks
Behind this soft eclipse!
I think that earth seems so
To those in heaven now.

This being comfort, then
That other kind was pain;
But why compare?
I'm wife! stop there!

domingo, 16 de novembro de 2008

Terminei esta semana a leitura de LE MUR, vi mais alguns episódios de ROMA, vi alguns filmes: O CÉU DE SUELI e ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO. Devia ter ido ao cinema hoje, o Festival Varilux de cinema francês, mas caiu uma chuva forte quando íamos sair e o abandonamos a idéia. E continua a chover....De manhã fui ao mercado e tinha sol, ontem fazia calor, o clima aqui é meio maluco mesmo.

Fazia tempo que eu queria ver O CÉU DE SUELI, mas quem teve a iniciativa de alugá-lo este fim de semana foi meu sobrinho. O filme é triste triste triste, mas é muito bom, acho que todos já conhecem o enredo, uma moça faz uma rifa de 'uma noite no paraíso', ou seja, uma noite com ela, quer o dinheiro para ir embora da cidadezinha onde mora no interior do Ceará, isto depois de ter sido covardemente abandonada pelo companheiro e pai de seu filho.

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO também foi alugado pelo meu sobrinho, não conhecia este filme. É a história de dois irmãos, um tem a grande idéia do 'crime perfeito' e envolve o outro. O crime perfeito, claro, é muito imperfeito, mas é melhor ver o filme do que ler sobre ele, tem bastante suspense. Acho que até hoje não vi nenhum filme com P. Seymour Hoffman que eu não gostasse, ele é o irmão autor da idéia do crime perfeito neste filme.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O poema da sexta-feira

A Ponto de Partir

Ana C. César

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bélgica recebe competição mundial de tiradores de chope

Folha de São Paulo, 13/11/2008

JANAINA FIDALGO
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Leuven


À primeira vista, tirar um chope perfeito parece a atividade mais simples do mundo.Bastaria abrir a torneira da chopeira, posicionar o copo e esperar encher até formar um colarinho no tamanho certo.
Na prática, o serviço do chope não é bem assim. Ainda mais se o bartender tiver apenas sete minutos para explicar quais são as cervejas disponíveis, descrever as características de cada uma, anotar os pedidos, lavar e enxaguar quatro copos, extrair em sincronia dois chopes do mesmo tipo --e com tamanhos idênticos de colarinho-- mais um terceiro, diferente, enxugar bem a taça em que será servida uma quarta cerveja long neck e levar tudo à mesa, sem errar quem pediu o quê, e, ainda, olhar nos olhos do cliente e desejar "saúde!". Tudo em público e sobre um palco.
Assista ao vídeo sobre os nove passos do ritual de extração do chope

Continua aqui...

...
Eu não gosto de cerveja (chope é mais ou menos a mesma coisa, não?), mas achei engraçada esta notícia, além disso é na Bélgica, faz 3 séculos que não falo da Bélgica aqui neste blog que ainda se chama Cadernos da Bélgica...Essa cidade onde se passa o concurso é muito bonita, é uma cidade universitária, tem uma das universidades mais antigas do mundo. Eu estudei na parte 'francófona', Louvain-La-Neuve.
Nos anos 70 a universidade foi dividida, neerlandófonos ficaram em Leuven e escorraçaram os francófonos que tiveram que construir às pressas uma cidade para comportar o campus. Então a parte francófona é bem nova, ao contrário de Leuven que é antiga e linda.
...
Muito, muito trabalho esta semana (and no play makes Leila a dull girl).

domingo, 2 de novembro de 2008

Lendo: LE MUR

Estou lendo LE MUR, Jean-Paul Sartre que comprei no sebo em Bruxelas, no ano passado e até hoje não tinha tido (ou 'não tinha tirado') tempo de ler. Pensei que talvez já o tivesse lido no curso de Letras, mas é pouco provável, a não ser que eu não possa ter mais nenhuma confiança na minha memória.
O livro é composto de 5 contos (nouvelles): Le Mur, La Chambre, Erostrate, Intimité, L'enfance du Chef.
Estou lendo agora Intimité, a quarta história, as três primeiras são muito boas. Acho que Le Mur, que dá título ao livro é a mais conhecida. Depois volto ao livro, assim que terminar.
...
Estou postando os meus contos em outro
blog, se alguém quiser dar o ar da graça....
...
O resto é TPM, dor de cabeça, dor nas pernas e tudo aquilo que algumas mulheres sabem bem. Oh, céus! Uma vez conheci uma moça que disse não se importar em ficar menstruada, até curtia. Não posso acreditar, acho que ela estava 'tentando' ser diferente. Eu o d e i o. Sofro bastante, cada mês um drama, sempre penso que, se fosse ainda novinha, tentaria aquelas alternativas que interrompem o ciclo. Aquela amiga americana que esteve aqui para fazer inseminação disse que eu devia tentar mesmo agora, ela fez isso lá pelos 40. Bom, sei lá, vou conversar com a médica da próxima vez.
E falando nessa amiga, os gêmeos concebidos aqui, vão nascer em dezembro, em Atlanta, ela tem 43 anos e será mãe pela primeira vez. Ela disse que é cada vez mais comum, muitas das amigas dela, na mesma faixa, estão tendo filhos agora. Minha irmã que vive em Bruxelas também teve o primeiro aos 40. Minha irmã disse que só tem que se preparar para, no Brasil, escutar 'Como é bonitinho o seu netinho!'.

Anna Gavalda

Tomei conhecimento dessa escritora há alguns meses, através de uma lição de francês que eu estava ensinando, lá aparece um extrato do livro dela Je voudrais que quelqu'un m'attende quelque part (Eu gostaria que alguém me esperasse em algum lugar - algo assim, pode escolher uma tradução diferente se quiser) Eis um pequeno trecho que aparece na contracapa:


" Quand j'arrive à la gare de l'Est, j'espère toujours secrètement qu'il y aura quelqu'un pour m'attendre. C'est con. J'ai beau savoir que ma mère est encore au boulot à cette heure-là et que Marc n'est pas du genre à traverser la banlieue pour porter mon sac, j'ai toujours cet espoir débile. "

São 12 contos que tratam do cotidiano, bem angustiantes, numa linguagem bem moderna, com muitas gírias, ainda assim dá para trabalhar em sala de aula, em grupos de nível intermediário, por exemplo. Eu gostei bastante dos contos (nouvelles), li em um dia e meio, é de ler rápido mesmo, como já disse aqui antes, eu não sou dessas leitoras que devoram um livro em poucas horas, quando leio rápido é porque todo mundo pode ler rápido. Anna Gavalda é bem nova (para uma escritora conhecida, pelo menos), nasceu em 1970 e parece que é o novo fenômeno literário francês, um de seus livros já foi adaptado para o cinema e la já recebeu vários prêmios. É claro que, como todo autor contemporâneo, está sujeito a pedradas e louvores.

Eu estava com visitas 'belgas' esta semana, meu cunhado, sobrinho e um amigo, vieram todos juntos e eu encomendei este livro. Este e outros, claro, por exemplo, Les Mandarins, S. Beauvoir. Este ainda não li, vai demorar mais. Além dos livros trouxeram também os chocolates belgas, ninguém que venha de lá atravessa o portal sem os bombons.
....
E...Madame Vera do Val foi buscar seu Jabuti nesta sexta. Queria muito ter visto isso, mas não pude ir a São Paulo. Parabéns, Vera!
....
E chove, chove por aqui, mas está bem gostoso o tempo, bom para ler e ver filmes. Nem todo mundo concorda comigo, evidentemente.


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O poema da sexta-feira

Murmúrio

Cecília Meireles (1901 - 1964)

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ontem e hoje

Virou moda sequestrar a namorada? Que ridículo, o que o povo não é capaz de fazer para aparecer na tv, não? Eu não vi nada disso na tv, vi na internet mesmo, mas acho que quando fazem isso os rapazes estão pensando na tv. Mesmo na internet não leio mais esse tipo de notícia, mas apareceu mais umas duas manchetes na Folha online. Que cansativo!
...

Vi no Café Impresso. 'Gabeira ou o que a Política pode ser'. Não é novo, mas eu ainda não tinha visto este vídeo. A democracia às vezes tem um gosto bem amargo.



segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Han Yu


"Tudo ressoa, mal se rompe o equilíbrio das coisas. As árvores e as ervas são silenciosas: se o vento as agita, elas ressoam. A água está silenciosa: o ar a move, e ela ressoa. As ondas mugem: é que algo as oprime. A cascata se precipita: é porque falta-lhe solo. O lago ferve: algo o aquece. Os metais e as pedras são mudos, mas ressoam se algo os golpeia. Assim também o homem. Se fala, é porque não pode conter-se. Se se emociona, canta. Se sofre, lamenta-se. Tudo o que sai de sua boca em forma de som se deve a um rompimento do seu equilíbrio... A palavra é o mais perfeito dos sons humanos; a literatura, por sua vez, é a mais perfeita forma de palavra. E assim, quando o equilíbrio se rompe, o céu escolhe entre os homens os que são mais sensíveis e os faz ressoarem".

poeta chinês do século VIII, Han Yu (768-824)

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Han Yu wrote in the Mid-Tang period. He was a prominent intellectual figure of the time, active in prose writing, literary sponsorship and the promotion of Confucianism as well as himself writing poetry. Many of his poems are innovative in both content and language.
...
imagem: Dreaming of Immortality in a Thatched Covering - T'ang Yin

domingo, 26 de outubro de 2008

O Morro dos Ventos Uivantes

Achei na internet que Wuthering Heights tem os seguintes títulos em português: O Morro dos Ventos Uivantes, O monte dos vendavais ou ainda Colina dos vendavais. Eu só conhecia o primeiro título O Morro dos Ventos Uivantes. Em francês também há vários títulos, Les Hauts de Hurlevent ou Hurlevent des Monts...


O livro impressiona em muitos aspectos, tanto a concepção da obra quanto a obra em si, o personagem principal é bem 'malvado', mas sempre age por 'amor', é uma história de amor e vingança. Eu não sou Madre Teresa de Calcutá, mas vingança é um sentimento que tenho dificuldade em entender. Acho que é o meu lado nihilista, pra que me vingar de alguém se estamos todos num barco furado? Na verdade, eu acho que o personagem de Wuthering Heights passa a vida arquitetando vinganças para no final chegar a uma conclusão parecida. Mas antes deste final, durante toda a vida, dispende muuuita energia com esse objetivo, a vingança, em mente.

Enfim, pode ser uma opinião pessoal. O livro é grandioso, entretanto, não dá para resumir e nem quero. O único livro de Emily Brontë, uma das famosas irmãs que morreu antes dos 30, sem saber, claro, que o livro seria um fenômeno.

Parece que há 4 adapatações do livro para o cinema, uma é de 1992, veja aqui: Filme com Juliette Binoche e Ralp Fiennes. Fizeram também uma telenovela no Brasil em 1967 (TV Excelsior) baseada no livro. Nunca ouvi falar.

Um pequeno trecho:

"That, however, which you may suppose the most potent to arrest my imagination, is actually the least, for what is not connected with her to me? and what does not recall her? I cannot look down to this floor, but her features are shaped on the flags! In every cloud, in every tree—filling the air at night, and caught by glimpses in every object by day, I am surrounded with her image! The most ordinary faces of men and women—my own features—mock me with a resemblance. The entire world is a dreadful collection of memoranda that she did exist, and that I have lost her!"Chapter XXXIII

"Um dos mais belos livros da literatura de todos os tempos"Georges Bataille

sábado, 25 de outubro de 2008

Que dor de cabeça terrível. E um sábado tão bonito lá fora. Oh, céus, oh, mundo cruel!
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domingo, 19 de outubro de 2008

Foi uma semana cansativa. Não sei o porquê, pode ter sido porque o tempo mudou muitas vezes aqui em Curitiba, mas é pouco provável. O trabalho foi basicamente o mesmo de sempre e tenho a sorte de não ter que fazer longos trajetos como muita gente que perde horas no trânsito. Não, não mais. Quando eu era estudante era assim e eu odiava aquele tempo perdido nos ônibus. Muito tempo. Hoje estou livre disso, vivi estes dois últimos anos quase encarcerada. Em Bruxelas eu, quando dava aulas, andava ou tomava o tram (um bondinho), ou o metrô, normalmente levava uns 30 minutos até as escolas onde trabalhava, não mais. Nos Estados Unidos eu tinha que dirigir, mas não trabalhava, meus horários eram de acordo com minha vontade ou das aulas de inglês, bibliotecas, livrarias, supermercados...Não tenho saudades da correria do tempo de estudante, não mesmo.

Mas não sei a razão do cansaço desta semana, sabe quando a gente já se levanta morta, se arrastando. Não estou gripada ou resfriada, raramente tenho problemas de resfriado.

Hoje minha irmã faz 40 anos e está lá em Minas, escondida no sítio. Talvez eu não consiga falar com ela durante o dia porque os telefones do sítio não estavam funcionando até outro dia. Chuva demais ou chuva de menos ou poeira....tudo serve para que não funcionem. Devo explicar a meu pai em que século estamos?

Sônia, ainda não terminei a leitura de Wuthering Heights, mas estou quase lá e estou adorando o livro. Só não terminei ainda por causa desta semana enrolada, dediquei bem menos tempo do que gostaria à leitura (na verdade eu sempre digo isso). Devo terminar hoje ou amanhã.

Agora de manhã li o jornal. Sempre fui péssima leitora de jornais, não gosto do cheiro, não gosto do formato, raramente gosto do conteúdo. Prefiro mil vezes ler as notícias na Internet. Quando leio jornais levo mais ou menos 5 minutos, desmembro o jornal inteiro, separo tudo o que é Esporte, Finanças, Imóveis, Social sei lá o quê...sobra muito pouco, pouquíssimo, a Ilustrada ou, no caso do jornal que tenho aqui, Caderno G. Chegando aí ainda não leio tudo. Hoje tem, por exemplo, uma matéria bem curta sobre Virginia Woolf, estão reeditando toda a sua obra no Brasil, é o que dizem. Inclusive vão reeditar a biografia dela escrita pelo sobrinho Quentin Bell. Já falei desta biografia aqui antes, eu nem sabia que ela já tinha sido traduzida para o português.

E voilà, vamos viver nosso domingo.

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Imagem: Carolina Morning, Eduard Hopper.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sylvia Plath

Waking in Winter


I can taste the tin of the sky --- the real tin thing.

Winter dawn is the color of metal,

The trees stiffen into place like burnt nerves.

All night I have dreamed of destruction, annihilations ---

An assembly-line of cut throats, and you and I

Inching off in the gray Chevrolet, drinking the green

Poison of stilled lawns, the little clapboard gravestones,

Noiseless, on rubber wheels, on the way to the sea resort.


How the balconies echoed! How the sun lit up

The skulls, the unbuckled bones facing the view!

Space! Space! The bed linen was giving out entirely.

Cot legs melted in terrible attitudes, and the nurses ---

Each nurse patched her soul to a wound and disappeared.

The deathly guests had not been satisfied

With the rooms, or the smiles, or the beautiful rubber plants,

Or the sea, Hushing their peeled sense like Old Mother Morphia.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Guillaume Depardieu est mort


Guillaume Depardieu, filho de Gérard Depardieu morreu essa semana com 37 anos. Era um rapaz triste, cheio de problemas, drogas, prisão, doenças...a figura do pai, um gigante do cinema francês o perseguia. Morreu por causa de uma pneumonia, ele que já tinha vencido tantos obstáculos.

Há poucos dias vi um filme com ele, foi em DVD,
Aime ton ton père. O pai é representado, justamente, por Gérard Depardieu e os dois brigam o filme inteiro porque o filho sente que sempre foi deixado de lado, ignorado. O pai é um escritor consagrado que vai receber o Nobel, o filho escolhe essa ocasião para 'conversar' com o pai que não está interessado em rediscutir o passado. Deve ter sido duro para ele fazer este filme, para os dois, talvez. Eu não gostei taaaanto assim do filme, mas vale a pena ver, sobretudo se você for estudante de francês ou professor ou tiver qualquer interesse pela língua.

Se quiser ler um pouco sobre Guillaume Depardieu em francês é só clicar aqui.

domingo, 12 de outubro de 2008

Joseph Conrad
3 de dezembro de 1857 - 3 de agosto de 1924
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Li pouca coisa dele, comecei quando estava na Ásia, acho que o primeiro foi Heart of Darkness e depois Lord Jim. E não estou lendo nada dele agora, gostei desta foto aí e quis usar aqui no blog. Continuo lendo Wuthering Heights, está bem mais tranquilo agora, só o começo é que foi difícil. Eu não consigo ficar com um livro só, além disso não tenho tido tanto tempo quanto gostaria para as leituras. De vez em quando leio algumas páginas de Musashi, vou levar 300 anos para terminar, nem ouso verificar o total de páginas de cada volume, mais de 800, acho.
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Tempo bom em Curitiba, finalmente. Agora à noite está fazendo 17º. Uau! Dentro de alguns dias vamos receber algumas visitas da Bélgica...imagina a gafe, receber europeu no Brasil com a mala cheia de shorts e camisetas e aquele tempo miserável. Não, que continue assim, pelo menos em torno dos 20° s'il vous plaît.
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E continuamos com as nossas temporadas de Lost.
E continuo a dar aulas de francês.
E deve fazer uns 50 anos que não vejo Fantástico, Faustão ainda existe? Espero que não.
E....vou ler, falando em falta de tempo. Agora é tempo.
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sábado, 11 de outubro de 2008

Declarações antiamericanistas desacreditam Nobel


EDUARDO SIMÕES
SYLVIA COLOMBO
11/10/2008 - 08h24

As declarações infelizes do secretário e porta-voz da Academia Sueca, Horace Engdahl, nas últimas semanas, têm causado polêmica no meio cultural internacional e colaborado para desacreditar o Nobel, mais célebre prêmio literário do mundo --pelo menos até hoje.
Anteontem, quando foi anunciado que o galardão seria concedido ao francês J.M.G. Le Clézio (pronuncia-se lê clêziô), Engdahl justificou o prêmio pelo fato de o escritor ter como tema outras civilizações e modos de vida além do ocidental.
Michel Euler/AP
O vencedor do Nobel de literatura Le Clézio fala a imprensa nesta quinta-feira (9), em Paris
Até aí, aparentemente, tudo bem. Só que a declaração apenas veio reforçar a deliberada política do Nobel de não premiar autores norte-americanos nos últimos tempos.
Os argumentos do secretário são que a Europa está no centro do mundo literário, que é o único lugar que dá tranqüilidade a um escritor para trabalhar sem ser "massacrado" e que os EUA são um país isolado do diálogo internacional, por não traduzirem a produção de outros países e não se distanciarem da cultura de massas.
Ou seja, à reincidência de erros históricos --como não ter premiado Jorge Luis Borges e privilegiado autores obscuros-- a Academia Sueca acrescenta um preconceito ideológico a suas escolhas e põe em risco a legitimidade e o reconhecimento do prêmio Nobel.
O diretor da revista norte-americana "New Yorker" foi o primeiro a soltar o verbo contra Engdahl, dizendo que a obra de autores como seus compatriotas Philip Roth e John Updike não são afetadas "pelos efeitos devastadores da Coca-Cola".
Em entrevista à Folha, Remnick acrescentou que as colocações de Engdahl mostram ignorância com relação ao cenário de seu país. "Sua análise é banal e presunçosa."
O jornalista afirma que sempre houve dúvidas quanto ao Nobel. "A lista de omissões é muitas vezes mais contundente do que a de premiados."
E diz ainda que, entre os que já deveriam ter sido premiados, estão os acima mencionados Roth, Updike, e ainda os também norte-americanos Don DeLillo e Thomas Pynchon, o britânico Ian McEwan e o peruano Mario Vargas Llosa.
Antiamericanismo
Para o crítico da Folha Manuel da Costa Pinto, o Nobel nunca deixou de ter tom político, "a diferença é que agora está mais evidente o antiamericanismo vigente na Europa".
O colunista do diário britânico "The Guardian" Mark Lawson, em artigo publicado ontem, escreveu que a escolha de Le Clézio reforça a suspeita de que o comitê responsável pelo Nobel está resistindo a reconhecer a literatura norte-americana. Para ele, críticos dos dois lados do Atlântico considerariam os EUA como a atual "superpotência literária".
Lawson também comenta o que chama de "excêntrica leitura" da produção contemporânea dos EUA, por parte da Academia Sueca: o fato de que apenas Saul Bellow e Toni Morrison foram premiados nos últimos 32 anos. "É impossível negar que as decisões têm direcionamento político."
O diretor da fundação que concede o National Book Award, um dos mais importantes prêmios literários dos EUA, Harold Augenbraum, considera que a opção da Academia de "fazer uma avaliação estética baseada no que parece ser um julgamento político é errado".
Augenbraum considera uma ironia o fato de que Le Clézio seja conhecido por seu trabalho que aborda diversas perspectivas da cultura, sendo que esse tipo de literatura tornou-se um marco da produção norte-americana. "Veja a obra de Junot Díaz [de origem dominicana], Jhumpa Lahiri [indiana] e Aleksandar Hemon [bósnio], todos imigrantes nos EUA que escrevem em inglês, mas não tiraram seus países de origem de seu consciente."
Raphaëlle Rérolle, editora-adjunta do "Monde des Livres", suplemento literário do jornal francês "Le Monde", crê que uma parte interessante da literatura americana não fala somente dos EUA, mas de toda a humanidade, caso das obras de Roth e Norman Rush. "Há também escritores que falaram unicamente de seu cantinho nos EUA, como Faulkner, mas que são maravilhosos."
Tradução
Com relação à insuficiência de traduções, uma das razões apontadas por Engdhal para o distanciamento dos EUA do debate literário, Esther Allen, diretora do fundo de tradução do Pen Club (associação mundial de escritores), em Nova York, diz que, de certo modo, ele está certo, mas que há uma grande preocupação com o tema. Segundo ela, editores e festivais têm se dedicado a promover literatura traduzida. "Ele pode ter feito um enorme favor a todos que trabalhamos com isso, ao chamar a atenção do mundo para o assunto."
Rérolle concorda com Allen. "As críticas ao sistema editorial americano até são válidas." Mas acrescenta: "É injusto que recaiam sobre os autores. Não é um ponto de vista eurocêntrico, mas antiamericanista".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Missão Impossível

Indicando leitura

-Você tem algum livro pra me indicar?
-Claro, em francês?
-É, preciso ficar em contato, aumentar meu vocabulário.
-Sim, a leitura ajuda muito. O que você gosta de ler, só para eu ter uma idéia
-.......hum.....heee.....Nada chato, por favor, fui tentar ler um livro em francês e, era muito estranho...prefiro uma coisa assim mais divertida, menos pesada...
-Você gosta de literatura?
-Não gosto muito não, para ser honesta. Prefiro ficção.

(????????????????????????????????????????#*#***#???? raios me partam !) (Aqui eu respiro fundo, concentro, olho para os livros).
-Uma biografia, quem sabe? Você gosta de biografias?
-É, talvez.
-Tem essa aqui da Camille Claudel. Você conhece a Camille Claudel?
-Não.
-Uma artista francesa, escultora, irmã de Paul Claudel, foi amante de Rodin (sei lá, vale tudo, vamos apimentar). E há também o filme sobre a vida dela....qualquer coisa...(Caso seja muito doloroso ler o livro até o final troque pelo filme) ou tem também esse aqui, é a biografia de uma feminista francesa...
- Ah, não, feminista não, vou tentar este da escultora.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Prêmio Nobel de Literatura 2008


O escritor francês Le Clézio
"author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization"
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Por essa eu não esperava, não que eu conheça bem Le Clézio, ele é francês, aparece até nos métodos de língua, mas não conheço sua obra. Enfim, é ele.
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Bibliografia principal

- Lê procès-verbal (1963)- La fièvre (1965)- Terra Amata (1967)- Lullaby (1970)- La guerre (1970)- Voyages de l'autre cote (1975)- Lês prophéties du Chilam Balam (1976)- L'inconny sur la terre (1978) - Mondo et autres histoires (1978)- Désert (1980) - Relation de Michoacan (1984)- Le chercheur d'or (1985)- Voyage à Rodrigues (1986)- Le rêve mexicain ou la pensée interrompue (1988)- Printemps et autres saisons (1989)- Onitsha (1991)- Etoile errante (1992)- La quarantaine (1995)- Diego et Frida 1985- Poisson d'or (1996)- Révolutions (2003)- L'Africain (2004)- Ourania (Urania), 2006- Ballaciner (2007)- Ritournelle de la faim (2008)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

NOBEL DE LITERATURA

Amanhã de manhã será revelado o nome do ganhador do Nobel de Literatura. Kovac está com uma lista de alguns dos indicados e o palpite dele vai para Salman Rushdie. Eu deixei lá meu palpite: P. Roth (há tempos na lista) e em segundo Amos Oz.

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Na foto D. Lessing, último Nobel de Literatura.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Se Obama perder será pela cor da sua pele", diz escritor americano Paul Auster

Segundo o escritor, "os europeus não sabem do calibre da pressão à qual (Obama) está sujeito nos EUA, pois ser o primeiro candidato negro à Presidência é uma carga colossal, exige que não cometa nenhum erro e que seja praticamente perfeito e, de fato, ele soube manter a cabeça fria, não deu um passo em falso nem perdeu a postura".
Caso Obama perca as eleições, diz Auster, "será pela cor de sua pele".

"Acho impossível medir até que ponto os EUA são um país racista, mas em condições normais, com um candidato branco, após uma administração fracassada pelos republicanos e a terrível Presidência de (o chefe de Estado americano, George W.) Bush ninguém duvida que os democratas ganhariam", acrescentou.
O escritor percebe os EUA como "um país dividido, que disputa uma guerra civil sem balas, mas com palavras e com idéias neste momento. Isto deixa pouca base comum, até o ponto de parecer que há dois ou inclusive mais países".
Auster considera difícil poder conversar com os 44% dos americanos que não acreditam na teoria da evolução de Darwin e que ainda crêem que o mundo foi criado em seis dias.
"Caso extrapolemos este caso em outros 500 temas que nos afetam, é claro que não conseguiremos nos comunicar", declarou.
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domingo, 5 de outubro de 2008

A guerra das palavras

05/10/2008 - 05:40 - Folha de S. Paulo - Mais!

Pais pressionaram direção de colégio a demitir professor -”disseram-me que havia um parecer de psicólogos e juristas condenando a combinação de professor e escritor”, afirma; instituição não se manifesta

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Poeta e professor de literatura, Oswaldo Martins Teixeira, 47, foi demitido no dia 11 de setembro da Escola Parque do Rio de Janeiro, onde lecionava para turmas de 7º e 8º anos do ensino fundamental. Pais de alunos descobriram que Teixeira escreve poemas eróticos; ele os publicou em livros e em um blog. Pediram a cabeça do professor.
A escola moderna, construtivista, mensalidade de R$ 1.161, unidades na Barra da Tijuca e no aristocrático bairro da Gávea, que funciona sob o lema “Uma escola que estimula a expansão cultural”, demitiu.
Formado em letras pela Pontifícia Universidade Católica, o professor Teixeira obteve o título de mestre na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com a dissertação “Erotismo e Gramática, Índices da Defloração - Uma Leitura de Manoel de Barros”, de 1992.
Há quatro anos, prepara seu doutorado na Universidade Federal Fluminense sobre o poeta, escritor e dramaturgo italiano Pietro Aretino (1492-1556).
“Diverti-me escrevendo os sonetos que podeis ver. A indecente memória deles, eu a dedico a todos os hipócritas, pois não tenho mais paciência para as suas mesquinhas censuras, para o seu sujo costume de dizer aos olhos que não podem ver o que mais os deleita.”
O texto é de Aretino. Refere-se aos “Sonetos Luxuriosos”, escritos em linguagem explícita a partir de 16 gravuras eróticas de Giulio Romano, discípulo de Rafael Sanzio, um dos maiores mestres em pintura e arquitetura, contemporâneo de Michelangelo e Da Vinci.
Aretino e Giulio Romano nasceram no ano da descoberta da América, durante o Renascimento das carnes e dos sentidos. Juntos, elaboraram uma obra-prima do despudor.
“Ousei criar poemas à moda de Aretino”, justifica o professor em tempos politicamente corretos.
Autor de quatro livros publicados pela 7 Letras -”Desestudos” (2000), “Minimalhas do Alheio” (2002), “Lucidez do Oco” (2004) e “Cosmologia do Impreciso” (2008)-, Teixeira mantém um blog (http:// osmarti.blogspot.com).
“a alice no país das baboseiras/ é uma garota esperta// prefere foder com a coleguinha/ usar celular/ batom// cortar as cabeças/ dos mendigos.” O poema figura na “Cosmologia do Impreciso”.

Fogueira ardendo
Foi na preparação da Semana Literária da Escola Parque (realizada em maio) que a fogueira do professor começou a arder. “A coordenação me pediu que fosse às salas de aula do 7º e do 8º anos para divulgar o meu processo de escrita e o blog. Contei como eu criava, falei de minha paixão pela literatura, tentei mostrar que inclui saber ler as estrelas no céu, os passos até a banca de jornal.”
Na mesma semana, os garotos deram um “google” e descobriram o blog do professor na internet. Escândalo.
Pais foram até a coordenação pedagógica reclamar do que consideravam ser um conteúdo inadequado, pornográfico, obsceno. O professor foi chamado a se explicar: “Eu disse que não via problema nenhum, que a literatura erótica é tão antiga quanto a própria literatura.”
A lista de livros sugeridos neste ano para os alunos do primeiro ano do ensino fundamental da Escola Parque inclui “Poemas para Brincar” e “Olha o Bicho”, de José Paulo Paes (1926-98). Um “google” no nome do poeta e vem “Fodamos, meu amor, fodamos presto. Pois foi para foder que se nasceu…”. É a tradução dos “Sonetos Luxuriosos” de Aretino, que Paes providenciou -a primeira feita para o português.
Na biblioteca da Escola Parque, pode-se ler o livro “Belo Belo e Outros Poemas” de Manuel Bandeira (1886-1968), o mesmo autor de “A Cópula” -só vendo.

A luta da poesia
Na Feira do Livro, edição de 2002 da Escola Parque, os alunos prestaram homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade, cujo centenário era comemorado naquele ano.
“A língua lambe as pétalas vermelhas da rosa pluriaberta; a língua lavra certo oculto botão, e vai tecendo lépidas variações de leves ritmos. E lambe, lambilonga, lambilenta, a licorina gruta cabeluda, e, quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu, entre gemidos, entre gritos, balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos.”
No início de setembro, o professor Teixeira foi chamado para uma reunião no Instituto Moreira Salles, que fica na mesma rua da Escola Parque.
Foi no local construído nos anos 1950, um monumento ao modernismo carioca, que se comunicou a demissão.
“Disseram-me que havia um parecer de psicólogos e juristas condenando a combinação do professor com o escritor em uma só pessoa”, lembra Teixeira. “Não pude discutir com nenhum pai, não houve debate nenhum”, diz. “Impôs-se a sombra da censura e do controle porque a escola simplesmente decidiu ceder a um grupo de pais dos quais nem sequer sei os nomes.”
Casado há 24 anos, pai de três filhos, o professor mora no bairro de Laranjeiras. “Meu problema não é a empregabilidade. Estou muito mais preocupado com o obscurantismo, com a certeza dos censores. A poesia luta contra isso. E foi muito trabalho até me transformar em um poeta. Não posso abrir mão disso”, diz.
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E mais uma estupidez:
A Federação Nacional de Cegos (NFB), a maior organização de cegos dos Estados Unidos, anunciou hoje mobilizações contra o filme "Ensaio sobre a Cegueira" em sua estréia por considerar que retrata os portadores de deficiência visual como depravados. Continua...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

LOST

Eu me rendi. Nunca tinha assistido na tv, nem sabia direito o que era, não me interessava muito porque odeio ficar presa a séries, novelas...além do mais, hoje em dia não assisto tv. Mas uma aluna falava tanto neste Lost, meu sobrinho também, e uma das professores de francês aqui da escola com quem tenho muita afinidade tomou emprestado a primeira temporada... não parou mais de ver. E aí fui contaminada também.

A série é sem dúvida muito interessante e tem o poder de prender o expectador mais do que qualquer outra coisa do gênero, embora eu não seja especialista em séries americanas. Conheço algumas pessoas que seguem várias, conhecem tudo. Eu vi Weeds que era bem bacana no começo, as últimas temporadas estavam meio exageradas. Assisti um pouco de Angels in America que é muito bom também, Six feet under, The L Word....mas a nenhuma dessas eu fiquei tão presa. Não sou a única, já me disseram que Lost tem mesmo esse efeito.

Agora estou na temporada em que o Rodrigo Santoro aparece, não sei nada do personagem dele ainda.

Vi também alguns episódias de ROMA que um aluno me emprestou.

E continuo a leitura de Wuthering Heights. Foi duro vencer o começo, não que seja chato, o livro é muito bom, claro. Eu leio bastante em inglês, mas este livro é especialmente difícil por causa da época, talvez, e também porque a linguagem usada por alguns dos personagens é muito específica, uma espécie de dialeto. No final do livro tem as transcrições para o inglês padrão, mas ainda assim....
Bom, o comentário da Sônia (abaixo) me deu uma animada e agora já entrei no livro, já estou íntima dos personagens, das situações, do lugar. Agora é só continuar, ainda que lentamente.
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O papagaio do vizinho está falante hoje.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira

Fui ver o filme assim que começou no Brasil, não no primeiro dia, no segundo ou terceiro...Tinha muita gente no cinema. Será que continua com muito público? Não tive tempo de ler as notícias nestes últimos dias.
Eu já tinha lido o livro há uns bons anos e estava bastante curiosa com relação ao filme, acompanhei o blog do Fernando Meirelles, as entrevistas com Saramago, o festival de Cannes. Eu gostei do filme, filme e livro são coisas diferentes, é inútil ficar comparando o tempo todo. O livro é mais impressionante na violência, nas sensações ligadas à cegueira, o personagem interpretado por Gael G. Bernal me parece bem pior no livro. No filme há um certo humor, aparentemente criado pelo próprio ator, que abranda a figura. Mas faz realmente muito tempo que li o livro.
O filme vale a pena, o próprio Saramago disse ter gostado muito.
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No mais minha vida tem sido trabalho, alguns episódios de Lost e alguma leitura, O Morro dos Ventos Uivantes que inventei de ler em inglês. Vamos ver no que vai dar.
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"... for what is not connected with her to me? and what does not recall her? I cannot look down to this floor, but her features are shaped in the flags! In every cloud, in every tree—filling the air at night, and caught by glimpses in every object by day—I am surrounded with her image! The most ordinary faces of men and women—my own features—mock me with a resemblance. The entire world is a dreadful collection of memoranda that she did exist, and that I have lost her!"

Wuthering Heights,
Emily Brontë,
Chapter 33 ("I am surrounded with her image!")

sexta-feira, 12 de setembro de 2008


Parece que vai chover...
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Acabei de ler Beleza e tristeza, Kawabata.
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Preciso de óculos novos, vou lá agora escolher. Agora! (É uma ordem)
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And I wish I knew how
It would feel to be free
I wish that I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that Id like to say
Say em loud say em clear
(...)
I wish I could be like a bird up in the sky

How sweet it would be
If I found out I could fly

Nina Simone, I wish I knew how it would feel to be free

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um artista do mundo flutuante

Kazuo Ishiguro nasceu no Japão, Nagasaki, em 1954, em 1960 a família se mudou para a Inglaterra. Ele é o autor de Vestígio do dia, suponho que seja seu livro mais conhecido pois deu origem ao filme com Anthony Hopkins, Emma Thompson. Um belo filme, por sinal, quando o vi não conhecia nada do autor do livro, não imaginava que fosse alguém de origem japonesa.

Em Um artista do mundo flutuante o tema é o país natal de Kazuo Ishiguro, os dilemas do país logo após a segunda guerra, a influência ocidental, ou americanização. O Japão saía de um nacionalismo radical, impossível evitar o conflito de gerações. Os mais jovens culpam os mais velhos por tudo o que tiveram que passar, sentem-se enganados. O artista, no caso, é um pintor famoso que acreditou e apoio a onda nacionalista. Alguns japoneses de sua geração encontraram no suicídio uma forma de reparar o engano, Masuji Ono, o velho pintor, prefere viver e rever os seus conceitos. Muita dessa análise é feita através do convívio com o neto de oito anos, por causa da sinceridade própria das crianças, ele faz as perguntas de forma direta, conta o que ouviu em casa, quer saber a razão das coisas, por exemplo, se o avô tinha sido um pintor famoso onde estão agora as suas pinturas? Algumas influências dos americanos também são vistas através do neto. Um dia ele está brincando de Zorro e o avô não entende nada, finalmente a mãe explica que o seu marido pensa que o herói ocidental pode ser uma melhor influência para as crianças japonesas do que Musashi. Acho que isso ilustra bem o início e a importância dessa transformação.

A expressão Mundo flutuante parece ser bastante comum na língua japonesa, designa as ‘coisas impermanentes’, efêmeras. Não sei muito mais sobre ela, talvez a importância seja bem maior que isso, há um estilo de gravura Ukiyo-e que também está relacionado a esta palavra. Se alguém souber mais me ensine, pois achei interessante.

sábado, 6 de setembro de 2008

o guerreiro sem cabeça


A faxineira da escola queria jogar fora um guerreiro chinês que temos aqui, perguntei indignada o porquê e ela disse que é porque ele não tinha cabeça. E não tem mesmo, nas inúmeras mudanças a cabeça dele se separou do corpo, guardamos, tentamos colar e um dia a encontramos dentro da boca do cachorro, tiramos e colocamos em algum lugar para tentar colocar depois, não sei onde anda agora. Assim temos um guerreiro sem cabeça, mas é uma peça que quero guardar, foi um presente, além do mais.

O guerreiro, claro, não é nenhuma obra de arte, é cópia da cópia da cópia....mas, ainda assim fiquei divagando, decerto fosse essa faxineira trabalhar no Louvre ela ia querer jogar fora a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia...
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Exército americano terá taxa de suicídios recorde em 2008

Folha de São Paulo

da France Presse, em Washington

O Exército americano está prestes a quebrar o recorde de suicídios militares do ano passado, e pela primeira vez desde a guerra do Vietnã pode superar o índice de suicídios civis dos Estados Unidos, informaram funcionários militares nesta quinta-feira.

Ao todo, 93 soldados se suicidaram este ano, quase somando os 115 suicídios de 2007, maior índice anual já registrado pelo Exército.

"Faltando quatro meses para terminar o ano, certamente ultrapassaremos os 115, afirmou o coronel Eddie Stephens, vice-diretor da política de recursos humanos.

Neste ritmo, o Exército superará o índice de suicídios entre a população civil de 19,5% de 2005, último dado compilado pelo centro de Controle de Doenças, segundo os funcionários.

Ainda de acordo com as fontes militares, a última vez que o índice de suicídios do Exército superou o de civis foi no final dos anos 60 e no início dos 70, quando os Estados Unidos estavam em guerra no Vietnã.

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Eu sei que tem gente que pensa que eles deviam mais é se matar mesmo, quem mandou ir para o Iraque em nome de Bush e seus interesses. Eu não penso assim porque, infelizmente na hora H todos temos nossas fraquezas, limitações, burrices, interesses....pode ser chamado de um mundo de coisas. O exército americano seduz, seduz sobretudo os mais pobres e sem perspectivas, alguns são uns coitados que esperam que se alistar pode lhes trazer um futuro diferente. Bom, às vezes traz, mas é um 'diferente' bem mais trágico do que o que eles tinham em mente. O que alguns queriam é poder ir para uma universidade sem ter que pagar aqueles valores exorbitantes, por exemplo. O que encontraram foi uma guerra sem sentido (existe guerra com sentido? Digo, além do econômico?)

Enfim, é fácil julgar, difícil é responder com honestidade o que faríamos no lugar deles.

domingo, 31 de agosto de 2008

O Clube de Leitura de Jane Austen

Ontem fazia um frio medonho aqui em Curitiba e não encontramos nada melhor para fazer do que ver filmes. Dois, um em seguida do outro, o primeiro foi esse O Clube de Leitura de Jane Austen que eu sequer conhecia, logo, não tinha nenhuma expectativa. Grudei no aquecedor e dali saí muito pouco durante os dois filmes. O outro foi.....como é mesmo o nome? I ♥ Huckabees. Gostei dos dois, meu sobrinho escolheu.

Eu li muito pouco Jane Austen, quem conhece melhor a autora decerto vai curtir mais ainda o filme, mas também não é absolutamente necessário. O filme é bem leve, na verdade, mas era disso mesmo que eu estava precisando ontem.

Durante a semana terminei a leitura do livro Um artista do Mundo Flutuante, de Kazuo Ishiguro. Vou tentar escrever um pouco sobre ele em outro post. É o primeiro livro que leio do autor. Adorei este título.

E assim lá se foi mais uma semana. Ah, uma coisa boa aconteceu, li um pouco de poesia. Fazia tempo que eu não parava para esse tipo de leitura, só isso já valeu a semana. Na empolgação perguntei a um aluno particular se ele gostava de poesia, ele fez uma cara enojada e eu fiquei pensando que, se uma pessoa não estiver aberta ao gênero um poema pode soar a coisa mais ridícula do mundo. Imagine se eu tivesse inventado de trabalhar uma poesia com ele. Na verdade eu tinha inventado sim, mas mudei de idéia diante daquela cara e passei logo para outra atividade. Vida de professor nem sempre é fácil.


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Semana

Vi este filme há algumas semanas...acho que não falei dele aqui, ou falei? O livro eu ainda não li. O filme é muito muito estranho, um dos mais estranhos que já vi na vida. Drogas, alucinações de um escritor, complôs, monstros, mundos paralelos, processo de escrita, loucura. É muito maluco e talvez eu devesse ver de novo, não deixa de ser interessante. Parece que o livro é ainda mais estranho, uma espécie de experimento, com frases retiradas daqui e dali e coladas no meio da história....não deve ser nada fácil de ler.
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A semana transcorreu...bem, transcorreu. Não vi nada das Olimpíadas, não tenho tv, mas sei que já acabou e que o Brasil não teve as medalhas que esperava. Sei que os chineses colocaram uma garota bonitinha fingindo que cantava enquanto uma feinha (eu não a acheia feinha) cantava de verdade na abertura, sei que uma das atletas chineses tem cara de 12 anos e estão investigando para ver se ela tem mesmo 16. Acho que é tudo o que sei. Não conheço os atletas brasileiros...e muito menos os outros.
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Li, durante a semana, LE HORLA, um livro bem pequeninho de Guy de Maupassant. É bem diferente de tudo o que já tinha lido de Maupassant antes, é uma história meio fantástica, um homem está no hospício e conta para a equipe médica como veio parar ali, que era um homem normal, mas uma 'coisa' que ela denominou Le Horla tinha tomado conta de seu corpo. Dizem que o próprio autor já estava sendo atacado por uma crise de loucura , a mãe era depressiva, o irmão ficou louco e ele ainda tinha a sífilis para complicar o quadro.
Comprei este e vários outros livros de autores franceses no final de semana passado na FNAC, estava bem barato.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

BIENAL

Do blog do Santiago Nazarian:

Mas voltando à Bienal...

Achei um horror. Fiquei deprimido. A proposta em si já é bem discutível. Deveria afastar qualquer um que gosta realmente de ler. É grande demais, abafado demais, barulhento, não há um espaço para ver livros com calma, sentar, ler, é um mercadão interessado apenas na venda. E, como bem disse a Índigo, não há grandes descontos. Fui lá ontem e achei tudo tão feio, tudo tão decadente, tão longe do que eu acho que a literatura deve ser. (Fábio, que estava comigo, diz que eu achei decadente porque me acostumei a trabalhar no Fashion Week. Pode ser...).
Lá, me senti um daqueles tiozinhos que pára gente na rua perguntando: "Olá, jovem, gosta de poesia?"

"Devo dizer também que, apesar da Bienal ser patrocinada pela Volkswagen, e apesar de termos sido convidados a debater no Espaço Volkswagen (e acabarmos com uma enorme kombi colorida atrás), a Volkswagen mesmo não ofereceu cachê algum, nem ao menos ofereceu transporte. A gente faz de graça mesmo - por amor à literatura - uma propaganda da marca, ainda que o público que vá assistir PAGUE para entrar na Bienal. Faz sentido?"

Santiago Nazarian

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Bonjour Tristesse

É este o livro que estou lendo agora. Não tinha lido nada de Françoise Sagan antes, apesar de todos os meus anos de estudo de francês. Na verdade acho que as universidades ainda correm dela, não tenho nada contra nem a favor, estou nas primeiras páginas do primeiro livro e, mesmo quando chegar na última, não sei se quero julgar. Não sou crítica literária, dieu merci! Nem eu confiaria no meu julgamento, há autores, sobretudo brasileiros contemporâneos, pra lá de consagrados, com uma 'manada' de jabuti seguindo, que eu não aprecio nem um pouco. Suponho que seja uma questão de gosto pessoal.

Bonjour Tristesse foi escrito e publicado em 1954, sagan tinha 18 aninhos e um best seller queimando nas mãos. Um sucesso e dizem, um livro meio escandaloso para a época.

Gosto do título, Bonjour Tristesse, que foi tirado de um poema de Paul Éluard. Acho este título feliz, digo, foi uma escolha feliz. Soa bem, chama a atenção, é elegante.

O Poema:

Adieu tristesse
Bonjour tristesse
Tu es inscrite dans les lignes du plafond
Tu es inscrite dans les yeux que j'aime
Tu n'es pas tout à fait la misère
Car les lèvres les plus pauvres te dénoncent
Par un sourire
Bonjour tristesse
Amour des corps aimables
Puissance de l'amour
Dont l'amabilité surgit
Comme un monstre sans corps
Tête désappointée
Tristesse beau visage.

Paul Éluard, La vie immédiate
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Outra coisa que me levou, finalmente, a ler o livro são as inúmeras referências a ele, por exemplo jack kerouac, J. Grecco. Se a gente prestar atenção é um título que persegue. Outra razão ainda, parece que é um livro fácil de trabalhar com os alunos. Ah, mais uma razão, o livro é bem pequeno, umas 200 páginas nessa edição de Poche. Então, copiando mais ou menos Borges, se não for bom, tem a vantagem de ser curto.

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"Sur ce sentiment inconnu dont l'ennui, la douceur m'obsèdent, j'hésite à apposer le nom, le beau nom grave de tristesse. C'est un sentiment si complet, si égoïste que j'en ai presque honte alors que la tristesse m'a toujours paru honorable. Je ne la connaissais pas, elle, mais l'ennui, le regret, plus rarement le remords. Aujourd'hui, quelque chose se replie sur moi comme une soie, énervante et douce, et me sépare des autres." (Bonjour tristesse)
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PS: Esta edição tem exatamente 154 páginas, já terminei a leitura. Não é um livro que marca, não dá para colocar em nenhuma lista dos 100 mais. É um livro leve, para leitura rápida mesmo, despretensioso. E, como eu previa, é bom para se trabalhar nas aulas de francês. Vou propor a leitura a meus alunos.