NEM O APARTHEID DERROTARIA DILMA Mesmo que o Nordeste - onde Dilma teve 10.717.434 de votos a mais do que Serra - fosse excluído do acesso às urnas, como acalentam o elitismo preconceituoso e a extrema direita política, ainda assim a petista venceria o tucano por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9%. (Carta Maior, com Valor; 02-11) ...
É triste o que estamos vendo (lendo) hoje pela blogosfera, uma onda de mensagens cheias de preconceito, sobretudo preconceito contra nordestinos que alguns desinformados acham que foram os únicos responsáveis pela vitória de Dilma. Não foram, eu também fui resposável, sou de Minas, mas votei no Paraná que é onde vivo hoje. Os pais de uma amiga nordestina vivem em São Paulo há muitos anos e, temo, votaram Serra e outros amigos do sul e sudeste votaram Dilma. Não se pode generalizar, de qualquer modo Dilma teria sido eleita mesmo sem os votos do Nordeste, como se pode ler aí acima.
E o pior de tudo é que algumas mensagens anti-democráticas, machistas, elitistas foram escritas até por amigos meus. E amigas, pior ainda. Uma escreveu no facebook que estava com vergonha de ser brasileira, a essa que é muito jovem (aliás, muitos jovens estão surpreendendo pelo conservadorismo) eu respondi que na minha opinião ela não tinha razão para sentir vergonha, que eu, ao contrário, estava orgulhosa por ter uma mulher na presidência. E estou mesmo, muito. Não votei na Dilma só por ela ser mulher. Marina é mulher e não votei e não votaria nela, mas acho que este é um fator a se levar em consideração sim e é uma pena que tantas mulheres não tenham entendido isso ainda. O Brasil é um país machista e temos que mudar ainda muita coisa, para o bem das mulheres e dos homens. Eleger uma mulher foi um grande passo.
"Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados."
No feriado de 7 de setembro eu viajei um pouco, mas mais interessante que a viagem foi a leitura de mais um livro de Primo Levi, A Trégua. Neste livro, que é autobiográfico como toda ou quase toda sua obra, ele narra a viagem de volta à Itália depois do final da guerra. Se é que uma guerra termina, num dado momento do livro um dos seus companheiros de desgraça lhe diz, para dar um sacolejo: "Guerra é sempre'. Para os que não sabem, Primo Levi era um judeu italiano, um jovem químico na época do holocausto. O primeiro livro que li dele, há muitos anos, foi emprestado pela minha irmã que o leu no curso de história quando estava fazendo um trabalho sobre memória, chama-se Os Afogados e os Sobreviventes. Já nessa época fiquei muito impressionada e pretendo ler todos os livros dele que encontrar por mais tristes que sejam.
Triste sobretudo depois de eu ter vivido vários anos na Europa e de ter tido contato com tanta gente que, ainda hoje, está marcada pelo holocausto. Historicamente foi 'ontem'. O pai do meu marido era um sobrevivente do holocausto, passou vários anos em campos de concentração, quando saiu não pesava 40 kilos, inúmeros problemas de saúde e problemas psicológicos dos quais nunca se livrou, só na morte. O avó materno das filhas do meu marido, que era alemão e judeu, perdeu a mãe e outros familiares no holocausto.
Um dia, quando vivia em Bruxelas, uma vizinha, uma senhora luxemburguesa, me parou no corredor para reclamar de outro vizinho, um chileno realmente insuportável mal educado e violento, eu ainda não o conhecia direito e resolvi tentar uma defesa tosca, disse 'madame, um pouco de paciência, vai ver que ele foi muito maltratado por Pinochet.....' e tive que ouvir uma hora de aula de história sobre a segunda guerra e tudo que ela e a família tinham passado para me dizer que 'nada' justificava as atitudes do vizinho. Era assim na Europa, às vezes no meio de um jantar o assunto surgia, eu sempre prestava muita atenção, não que o assunto fosse novo, mas a proximidade com vítimas e testemunhos, isso era muito novo. Lendo Primo Levi, aprendo mais ainda e aí me perguntei "sim, conheço um pouco mais sobre a segunda guerra, conheço o testemunho de mais um sobrevivente, isso ajuda em quê? Se amanhã houver algo parecido (ou algo parecido não estaria acontecendo hoje em algum lugar no mundo?) esse conhecimento me ajudaria de que modo? O que eu poderia fazer para ajudar a evitar?" Talvez por eu ser muito pessimista a resposta a que cheguei foi a de que, muito provavelmente, isso não ajudaria em nada. Não somos super heróis. O companheiro da minha irmã é também sobrevivente de uma tragédia política, (ou se lá como chamar isso), é ruandês. Um dia, não falávamos do genocídio no seu país que não é seu assunto preferido, mas sim do holocausto e ele disse que achava que certas coisas era 'melhor tentar esquecer'. Pode ser que tenha razão, mas não consigo aceitar isso e prefiro seguir sabendo, mesmo sendo impotente.
Um trecho de A Trégua:
"Regressávamos mais ricos ou mais pobres, mais fortes ou mais vazios? Não sabíamos: mas sabíamos que nos patamares das nossas casas, para o bem ou para o mal, nos esperava uma prova, e aguardávamo-la com temor."
Ontem à noite eu estava cansadíssima, no sábado eu trabalho até as 18 horas (pelo menos) e aconteceram umas coisinhas meio chatas, coisas normais de trabalho, ossos do ofício, pequenos desentendimentos que eu logo terei esquecido. Depois do trabalho eu fui a um centro comercial não muito longe, o Angeloni, comprei sorvetes, chocolates, comi ali mesmo uma tapioca e fui à locadora, escolhi dois filmes: Cada um com seu cinemae Depois daquele beijo (Blow-Up), quando cheguei ao balcão a atendente me disse que se eu levasse mais um filme eu teria 'mais um' de graça, eu nunca resisto a esse tipo de oferta, voltei às prateleiras e escolhi: Mon Oncle e Preciosa (Precious). Ainda ontem vi Cada um com seu cinema, confesso que nem prestei muita atenção nos vários filmes, 35 pequenos filmes, se não me engano. Eu me joguei no sofá e escolhi aquele filme como teria talvez escolhido a novela se tivesse tv em casa (digo, os canais), mas mesmo sem prestar atenção gostei de alguns. Vamos ver de quais daqueles eu consigo me lembrar agora (pensando bem acho que vou rever um ou outro), eu me lembro do filme de Youssef Chahine com ele mesmo, fala sobre o ofício do cinema, do seu começo, um jovem ansioso pelo reconhecimeto e termina com a coroação no festival e com o seu conselho aos jovens, algo como 'sejam pacientes, vale a pena'. Ri muito no final do filme do Polanski, Cinema Erótico, é meio bobo, meio piada absurda, mas ainda assim eu gostei. Adorei o curta de um cineasta chinês com uma criançada reunida para ver um filme ao ar livre, muita bagunça, quando o filme começa uma das crianças já está dormido tranquilamente. Termina ali. Gostei ainda do filme de W. Salles, acontece numa cidadezinha do nordeste dois repentistas falam (e cantam) sobre o festival de Cannes, talvez só sobre a cidade, não me lembro bem, começa com os dois olhando para o título do filme num cineminha bem simples, 'Os 400 coups' e perguntando se agora estavam mostrando filmes pornôs ali, suponho que seja por causa da palavra coup que é pronunciada cu...mas eles sabiam disso? E o título do filme de Truffaut em português tampouco é uma mistura de português e francês, no Brasil é Os incompreendidos. De qualquer forma não tem importância, é só uma brincadeira.
Todos os cineastas são conhecidos e reconhecidos, suponho que os filmes (mesmo aqueles que eu não tenha prestado atenção por conta do meu cansaço) sejam todos bons ou tragam algo de interessante. Alguns dos cineastas: Wim Wenders, David Cronenberg, Kiarostami, Nanni Moretti...
Depois tomei um banho, um café e vi (revi) Mon Oncle, adoro o filme, acho engraçado e poético aquele monsieur Hulot todo atrapalhado, o menino entediado numa casa clean demais, com botões demais, regras demais. O garoto tem tudo, conforto, brinquedos, uma casa hiper moderna, enfim, tudo o que é material, mas não tem a liberdade de se sujar um pouco, de estar com outras crianças, a não ser quando esse tio meio amalucado aparece, aí sim, é diversão pura. Diversão que o pai do garoto não vê com bons olhos, acha que o tio tem uma influência nociva sobre o seu filho, a mãe é mais condescendente por se tratar de seu irmão, ao invés de tentar afastar o menino do tio ela vai tentar 'ajeitar' a vida do irmão, organiza uma festa no jardim para apresentá-lo à vizinha que é tão estranha quanto eles, que parece também viver em função da casa e da aparência.
Já fazia anos que eu tinha visto o filme, mas nunca me esqueci das cenas em que a mulher liga a fonte, um enorme peixe no jardim, sempre que uma visita toda a campainha, quando vê que é o irmão, o marido ou um entregador ela desliga rapidamente, ou seja, a fonte não está ali para que eles curtam, mas para ser mostrada.
Depois li um pouco de O Jogador, Dostoiévski e dormi, nem tenho ideia de que horas eram.
Faz frio em Curitiba, naturalmente. Não viajei neste feriado, aproveitei para ler Morte em Veneza, ver alguns filmes em casa, dentre eles Touro Indomável que eu nunca tinha visto antes, um aluno me emprestou, revi Donie Darko. Fui também ao Festival de Filmes franceses, vi Oito vezes em pé. Na quinta fizemos uma pequena festa junina, na sexta fui à livraria, ganhei dois livros de presente, Quinquilharias Nakano de Hiromi Kawakani que eu não conhecia ainda, já comecei a ler e estou gostando. Eu gosto muito de alguns escritores japoneses, (Kawabata, Tanizaki, Mishima...) mas conheço pouco os atuais, é a ocasião, Hiromi nasceu em 1958 e já arrebatou vários prêmios literários no Japão, o prêmio Kawabata, por exemplo. O outro livro que recebi de presente foi Caim, do Saramago, vou tentar ler logo depois deste Quinquilharias.
E dormi, dormi, dormi.
Enfim, considero que aproveitei bem meu fim de semana. ... Na foto Tadzio, no filme Morte em Veneza.
Acordei sem objetivo definido, aproveitei que não estava chovendo e levei o cachorro para passear até cansar, era certo que a chuva ia voltar com tudo. Dito e feito. O cachorro voltou feliz para casa e eu pude passar boas horas sem escutar reclamação (ele é lindo, fofo, não estraga as coisas, mas é bem reclamão, quando 'precisa' sair não desgruda um só segundo). Antes de voltar para casa parei na padaria, cheguei, preparei o café e, como não temos televisão, digo, não temos os canais, só o aparelho, colocamos um filme para vermos enquanto tomávamos o café. Eu e meu sobrinho. Na verdade mal escolhemos o filme, nem pensamos, põe aí Beleza Americana! Eu ia ver só um pedaço, já o vi inúmeras vezes...Acabei revendo o fime todo. Eu gosto muito, os diálogos são ótimos, os atores são excelentes, sobretudo a Annete Bening. O filme todos já conhecem e quase todos já viram (e quem não viu, veja!) não vou resumir aqui, não ia servir para nada. É um filme super premiado, o primeiro e certamente o melhor de Sam Mendes. Acabei de me dar conta que já falei antes deste filme, e naquela época eu o estava revendo. ...
Continuo a leitura de A Montanha Mágica, estou na metade do livro, precisamente na página 530. É longo e fico tentada a ler outras coisas enquanto isso, às vezes leio um conto de Kawabata ou uma novela de Conrad, mas não quero me afastar da Montanha, não quero ficar um ano lendo ou ter que retomar a leitura por ter deixado o livro de lado muito tempo. Já fiz muito isso. Além do mais estou adorando o livro, a leitura não é fácil, mas também não é difícil, flui tranquila, já criei intimidade com os personagens. Até aqui a história se passa basicamente no sanatório para tuberculosos , em Davos, Hans Castorp, o personagem principal, vai ao sanatório visitar o primo Joachim que está se tratando ali. Era para ser uma visita rápida, três semanas, mas Hans Castorp termina, ele também, meio prisioneiro daquele lugar. A história começa em 1907, ou seja, pouco antes da primeira guerra, momento crucial na Alemanha. Ok, um dos momentos cruciais da Alemanha. Ao que parece, nessa época os dois irmãos Mann não estavam em bons termos porque Thomas tinha uma visão bem mais conservadora sobre o papel político da Alemanha do que o irmão, Heinrich, felizmente Thomas Mann reconsidera a sua posição depois de algum tempo.
Acrescento como curiosidade que a mãe de Thomas Mann, Julia da Silva Bruhns,era brasileira, João Silvério Trevisan escreveu um romance baseado na vida dela, o título é Ana em Veneza, eu o li há alguns anos e gostei muito.
Tenho trabalhado muito neste começo de ano, às vezes me pergunto se eu poderia ganhar mais tempo para mim se me organizasse mais, mas a organização do meu tempo, pelo menos neste momento, não depende só de mim. Tomara que mude logo.
Estamos aqui com uma amiga francesa, aquela do sul da França (quase Espanha). Aqui e aqui tem umas fotos da cidade dela, Villefranche de Conflent, estive lá em agosto 2009. É uma região linda, nos Pireneus, adorei a semana que passei lá, gostaria muito de voltar este ano. Hoje eu estava conversando com minha irmã que vive em Bruxelas, Violaine (a francesa) estava por perto e quis saber o que era 'uai'. Olha, é difícil explicar, minha irmã deu a explicação clássica: 'uai é uai, uai!' Minha irmã vive há anos fora do Brasil e nunca deixou o uai de lado.
Violaine está dando aulas aqui na escola, ontem os alunos me chamaram e queriam que eu explicasse a ela o que era 'dar um jeito' e o 'jeitinho brasileiro'....oh lá lá. Eles tinham tentado explicar, mas ela entendeu errado e eles estavam frustrados, ela tinha entendido de forma positiva, dizia 'eu entendi, é controlar uma situação', os alunos 'nãaao, quer dizer é, mas não é'. É muito cultural, difícil de explicar.
E outro dia a Violaine tentando falar português: 'Mas você vai sem migo?' Tem lógica, mas as línguas nem sempre seguem a lógica.
A Violaine me trouxe vários desses posters vintage que eu adoro, um deles este aí do Chat Noir, eu já tinha um, mas em formato diferente. Trouxe também este do Lavabos e outros ainda, cada um mais lindo que o outro.
O canadense que estava aqui foi mesmo embora, acho que ao todo ficou dois meses no Brasil, teria ficado 3, mas estava muito deprimido e ficou mais deprimido ainda longe de casa, dos jogos olímpicos. O pior, coitado, é que caiu num lugar em que quase ninguém entende de esportes, muito menos de competição, ele queria conversar sobre hockey! Imagine. Pelo menos se fosse futebol, não que eu saiba sobre futebol, mas há sempre alguém no Brasil disposto a conversar sobre o assunto, mas hockey....um dia alguém entendeu que ele estava falando de Rock, só para dar uma ideia da gravidade. Enfim, o rapaz não se interessou por viajar, foi só ao Rio e disse que detestou, não se 'sentiu bem'. Eu fui a Vancouver uma ou duas vezes (duas, acho) e adorei a cidade, poderia viver lá tranquilamente, é lindo o lugar, mas eu sempre ia querer outros lugares. É estranho este apego a um lugar, o mais estranho é que nem o pai nem a mãe dele são canadenses de origem, cada um de um país da África, ele vem de uma família muito internacional. Não vou mais tentar encontrar explicação para o comportamento dele, está doente e espero que procure tratamento ao chegar lá. Não considero que ele estava doente por não ter gostado do Brasil, não sou nacionalista, é que ele não estava bem mesmo. Agora se eu receber notícias de que ele melhorou consideravelmente ao chegar lá, vou ter que reconsiderar.
Estou na casa da minha irmã, como não tenho tv em casa tomei um chá aqui e lá no sítio neste fim de semana, assisti de tudo um pouco, BBB, programa de esporte, novela, Jornal, filme (A Guerra dos Rose, revi, claro), de tudo que vi, o mais aproveitável foi um debate com o professor Leandro Karnal na TV Cultura, peguei só um pedaço e agora que estou só em casa (desculpe, com a cadelinha Mel) vim procurar o professor na internet. Achei essa paletra: MEDO E TEMOR, muito muito interessante. Ainda estou escutando, está difícil porque é longa e tenho que esperar, se não der para ouvir tudo agora vou voltar para escutar o todo quando estiver em casa. Até por isso posto aqui, para lembrar a mim mesma e para deixar como dica a quem se interessar pelo assunto. Esse medo de que o professor fala eu conheci bem na infância, minha avó que parecia uma daquelas espanholas católicas diretamente saída de uma obra de Garcia Lorca dizia que se eu não tivesse amor a deus tinha que ter pelo menos temor. Vejam que infância dramática. Eu fui salva pelo ateísmo.
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A crença em um ser superior pode gerar paz de espírito ou pode trazer medo. A Bíblia fala de dois patriarcas da fé: o Deus de Abraão é próximo e afetuoso; o Deus de Moisés lança raios e punições. Na origem da nossa cultura conhecemos um deus consolador e um deus terrível. Amor ou medo? Qual o principal motivo que leva as pessoas para a religião?
O historiador Leandro Karnal explica como essa natureza dupla da crença se reflete nos dias de hoje. Amor e Temor na experiência religiosa é o tema deste Café Filosófico.
Relendo minhas anotações percebi que em fevereiro vai fazer um ano que estive no Chile. Gostaria de voltar, mas numa viagem bem diferente daquela, não que eu não tenha gostado, foi muito bom, viajar é sempre bom, no final das contas. Eu me cansei muito por causa do calor e por tentar seguir a Violaine (a francesa-mulher-maravilha com quem viajei). Agora estamos planejando ir de carro, eu, meu marido e quem sabe alguns amigos, vamos ver se conseguimos nos organizar.
Falando em Violaine ela vai estar aqui de novo no mês de fevereiro/março, preciso tomar muitas vitaminas para acompanhá-la. Ela vai trabalhar conosco durante um mês, o que vai ser muito bom. E tem mais gringo chegando, um canadense, chega hoje à noite...esse nem sei quanto tempo fica, também vai trabalhar conosco, mas até onde sei só fala inglês. Tomara que ele seja tranquilo, gosto muito de receber, mas há sempre um risco (não muito grande)quando é gente que não conhecemos (e até mesmo quando conhecemos) de ter algumas contrariedades. O meu balanço é que no final vale a pena, nós gostamos dessa troca e fazemos bastante amigos assim. ....
Revi, agora mesmo, Trainspotting, falei com minha irmã e sobrinho por skype (estão lá na fria Bruxelas, neve e mais neve), passeei com o cachorro que já está querendo sair de novo. 'Boa ideia, Tommy, boa ideia' porque ele engordou no final de ano e está precisando de exercícios. É verdade! Tanto que até diminuí a ração dele, coitado. Fiquei com pena no começo, mas agora ele já se acostumou com a quantidade. E, evidentemente, parei de dar miolo de pão. Beagle tem tendência a obesidade, por isso tenho que ficar de olho, não é só para ele continuar lindão, é porque isso pode acarretar uma série de problemas. Muita gente chegou na escola no começo do ano e riu do fato de ele ter engordado "ha ha ha, o cachorro engordou com as festas de fim de ano?!" Não foi bem assim, é que ele está passeando menos, primeiro o meu sobrinho que passeia com ele no mínimo três vezes ao dia não está aqui, está de férias, alguns alunos que passeiam com ele estão igualmente de férias....Somos poucos para cuidar da tarefa, basicamente eu e o Leo, meu amigo e aluno e, no dia 05 de fevereiro, (isso o cachorro ainda não compreendeu!)Leo parte para o Canadá. Parte mesmo, não é 'viaja e volta', imigra. Vai ser um choque para o pobre Tommy. Mas é preciso entender que assim é a vida, um eterno ir e vir. E lá vou para o décimo passeio. ... Tommy na foto acima por Aaron. Ia colocar uma foto divertidíssima dele com o próprio Aaron, mas como não pedi fica chato.
Esses dias reli L'Étranger, é muito bom pegar um livro tão pequeno, que a gente termina em poucas horas e que te oferece tanto. Uma parte me emocionou, é quando, no momento do enterro da mãe de Meursault - o personagem principal - o senhor Pérez, um dos velhos do asilo que era muito ligado a ela, começa chorar desesperadamente, o autor descreve a cena mais ou menos assim:Lágrimas de raiva e sofrimento rolavam pela sua face, mas, por causa das rugas, elas não escorriam, espalhavam-se, encontravam-se e formavam um verniz de água sobre este rosto destruído.
Eu achei essa imagem linda e triste. Lembrei-me de uma cena de criança, não sei que idade eu tinha, mas era bem nova, de observar muito longamente o rosto de uma senhora, tampouco sei que idade ela tinha, mas era um rosto bem maltratado, muito sol, muita secura....me lembrava um deserto, um deserto que eu nunca tinha visto, mas era assim. Nunca me saiu da memória aquele rosto e imagino que fosse assim o do senher Pérez. ...
Agora estou lendo outro livro pequenininho (gosto de ler livros curtos quando não tenho muito tempo), Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig.
Mas meu marido ganhou...não é a mesma coisa, já deu para sentir que, como muitos outros objetos cada um tem que ter o seu, mas enquanto não tenho o meu vou fuçando no dele que eu não sou de ferro. Eu nunca tinha visto um, digo, tocado, apertado. Nos primeiros dias foi uma farra, ele deixava o kindle e eu ia correndo, parecíamos duas crianças disputando um brinquedo, mas não saiu briga. Quando ele queria ler eu largava logo e pegava os meus de papel mesmo.O problema é que começamos a ler o mesmo livro, P. Roth, The Humain Stain e não deu muito certo. Decidi deixar ele terminar e leio depois. Não deu certo pelo seguinte, ainda não conheço bem o aparelho e não sei, por exemplo, como marcar as páginas (na verdade nem existe página, mas 'location'), ainda vou descobrir, daí quando eu pegava para ler (nas pausas do proprietário do brinquedo)eu tinha que ficar procurando onde eu tinha parado. Outro detalhe - e foi uma coisa que eu adorei no kindle - a gente pode mudar a fonte, como eu sou muito míope (sim, tenho óculos, lentes, mas os olhos andam me incomodando cada vez mais) eu coloco a fonte ENORME e esqueço de voltar ao normal quando paro de ler. Não é difícil mudar, claro, mas....
Agora o kindle viajou, não vou terminar o meu primeiro livro no kindle tão cedo. Ainda não deu para decidir se quero um, quer dizer, querer eu quero, não sei se quero empregar dinheiro em um, é diferente. Ainda vou estudá-lo mais, ver se é realmente fácil comprar e transferir, sobretudo transferir, mas ao que tudo indica sim, é simples, não parece haver muitas complicações. Deve ser muito bom nas viagens, você pode levar quantos livros quiser, tem um dicionário, pode fazer anotações.
Enquanto isso fico com meus maravilhosos livros de papel, ensebados alguns, capa rasgada outros, canto mordido pelo cachorro - um dicionário (aquele que não tem a palavra tarado), cada um com sua história. Essa (na foto) é a minha estante (e da escola agora) fotografada pela querida aluna Dani.
Não viajei, li bastante, dormi bastante, andei com o cachorro, li as tristes coisas que continuam acontecendo no mundo (pela internet, há tempos não abro um jornal e muito menos ligo uma tv): chuvas, desabamentos, assassinatos, Boris Casoy destilando seus preconceitos. Mal conhecia esse Boris Casoy, agora conheço. .....
Estou lendo a biografia de Marguerite Yourcenar, L'invention d'une vie (J. Savigneau), que comprei em Bruxelas, no sebo L'Évasion em julho 2009. Deixei a biografia de lado um pouco e li dois livros de M.Y. que comprei na mesma época: Alexis ou le Traité du vain combat e Le Coup de Grâce. Gostei dos dois, comecei a ler sem muita expectativa porque não são considerados seus melhores livros, digo, não são importantes como Memórias de Adriano ou A Obra em Negro, o que não quer dizer que sejam ruins. Comprei os dois livros numa edição só, o primeiro, Alexis, é uma carta escrita por um jovem músico à sua esposa, Monique, explicando porque ele está indo embora, porque não pode mais lutar contra a sua natureza, a homossexualidade (palavra que MY, também homossexual, detestava). O segundo livro, gira em torno do mesmo assunto (a biógrafa comenta a obsessão de Yourcenar pela homossexualidade masculina), em Le Coup de Grâce (Golpe de Misericórdia, Editora Nova Fronteira) há um triângulo amoroso, Sophie, irmã de Conrad, ama Eric que ama Conrad. É uma história de amor trágica que se desenrola no meio de conflitos políticos nos países bálticos, em 1919. A própria Marguerite afirma que a política em si não conta para Eric, que ele é um aventureiro, mas o que parece é que ele está sempre à direita e Sophie à esquerda, ela "nunca escondeu sua simpatia pelos vermelhos", observa o próprio Eric. No final Sophie é presa junto com os inimigos, e cabe a Eric (poderia ter sido outro, mas ele pede que seja ele) matar Sophie, o que ele considera uma espécie de punição da parte dela, uma 'armadilha'.
Grosso modo é isso o assunto dos dois livros. Se não me engano Alexis foi escrito quando a autora tinha apenas 24 anos. ... Imagem: Susan Stephenson
Comment parler des livres que l'on n'a pas lus - Pierre Bayard
Down and Out in Paris and London - George Orwell
Memórias:
The GlassCastle - Jeannette Walls
Piores:
Travesuras de la Niña Mala - M. V. Llosa
Antéchrista – Amelie Nothomb
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Todos estes livros eu li pela primeira vez, não vou considerar as releituras, se reli é porque o livro representava bastante para mim, evid
entemente.
Os Irmãos Karamazov eu deveria ter lido há muitos anos, deveria estar relendo agora, mas assim é a vida...e antes tarde do que nunca. Eu o coloquei no topo da minha lista porque acho que foi mesmo o livro mais importante deste ano. O resto foi difícil selecionar, a partir do segundo a ordem não quer dizer muito.
Le Désert des Tartares (o deserto dos Tártaros) é um livro maravilhoso que eu começaria a reler agora mesmo se a edição que tenho aqui não fosse tão ruim, quer dizer, é um livro de bolso que devo ter comprado em algum sebo (honestamente não sei de onde ele vem, talvez alguém tenha me repassado), a fonte dele é minúscula (e eu muito míope e outras coisas mais), sofri muito para chegar ao final, mas valeu a pena. Não sei se cheguei a comentar essa leitura aqui no blog. Enfim, não vou comentar os livros em si (talvez em outro momento) porque isso significaria muito tempo, ir lá procurar os livros, folhear, correr o risco de começar a ler e...lá se foi o post, nunca mais termino.
Everyman eu li há poucas semanas, até hoje não me arrependi de nenhum p. Roth e esse foi um dos melhores dele que eu li. Triste, triste, triste. Good good good.
La pluie d’été é um livro impressionante que eu comentei aqui, Marguerite Duras é outra escritora que nunca me desapontou.
Les Mandarins estava há tempos nos meus projetos de leitura e estou contente de finalmente ter cumprido a missão. Não vou dizer que estou morrendo de vontade de reler o livro, mas foi importante para mim, até mesmo profissionalmente (well, não sei quantos alunos de francês estariam interessados na leitura dos seus professores, talvez seja ilusão minha). Este também eu comentei aqui.
Le Pigeon eu considero uma descoberta. É um livro bem pequeno, uma centena de páginas, é do mesmo autor de O Perfume, mas bem melhor, se ainda me lembro de alguma coisa deste último. Eu considero uma descoberta porque o comprei por puro acaso num sebo em Bruxelas em julho deste ano, não tinha a mínima idéia do que podia ser, não conhecia nada do Süskind além de O Perfume.
O Castelo dos destinos cruzados. Já preciso reler, infelizmente não deixei nada anotado sobre ele, achei uma leitura difícil, mas muito agradável ao mesmo tempo.
Down and out in Paris and London eu comentei aqui.
Comment parler des livres que l'on n'a pas lus. Não comentei esta leitura aqui? Como não? Preciso fazê-lo urgente. Este eu ganhei de presente da minha irmã e ele já está separado para reler, quer dizer, ele nem saiu de perto da minha cama. Não se deixem iludir pelo título deste livro: Como falar dos livros que não lemos, na verdade é um livro para leitores, é um livro sobre livros, sobre a maneira como nos relacionamos com eles e como relacionamos – ou deveríamos – um livro a outro e sobre a pergunta ‘O que é ler?’ Ler é mais do que passar os olhos sobre as páginas de um livro, não é mesmo?
The GlassCastle foi um livro que veio parar meio por acaso na minha estante (minhas visitas from USA). Eu não estava pensando em ler até que me deparei com um comentário no blog Caminhar e gostei muito no final das contas. É um livro de memórias de uma família muito atípica. Pelo jeito eu não comentei a leitura aqui, mas é só ir lá no Caminhar. Infelizmente tive pouco tempo este ano, tinha que escolher entre continuar lendo e comentar.
Travesuras de la Niña Mala foi a minha grande decepção, achei de uma chatice torrencial, nem sei porque fui até o final. Comentei aqui.
Antéchristaé bem chatinho também, mas não me aborreceu tanto quanto o Travesuras porque é bem curtinho, li numa noite na Bélgica, fui dormir na casa do meu cunhado e me esqueci de levar um livro, havia uns 3 no criado mudo e eu escolhi este porque conheço bem a autora e porque eu conseguiria terminar a leitura senão naquela noite, pela manhã.
Felizmente são só dois na lista dos piores, é claro que há muitos ‘mais ou menos’, mas não é necessário listar. Tenho certeza que devo ter esquecido algum livro de contos, afinal adoro contos e não estou conseguindo me lembrar de nenhum para a lista. Esse é o meu balanço das leituras deste ano que termina dentro de 3 dias. Espero ter mais tempo para ler e para comentar em 2010.
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Nas fotos:Dostoiévski, Marguerite Duras.,Simone de Beauvoir.
Domingo tranquilo, quase tranquilo demais, mas eu estava precisando mesmo de um pouco de tranquilidade. Tive dor de cabeça durante os dois últimos dias, sobretudo ontem, doeu muito e não teve remédio que fizesse passar, hoje finalmente estou livre, mas estou cansada e com o couro cabeludo sensível, dor nas costas, essas coisas...só de não ter mais a maldita dor de cabeça já estou feliz. Acordei Poliana hoje (sabe aquele livrinho que a gente lia na adolescência, o da menina que sempre encontrava uma razão para estar feliz?). Enfim, feliz já é demais e acho a palavra um tanto chata, talvez por ser hoje usada à exaustão nas propagandas, nas conversas.
Estou escutando Nina Simone, lendo notícias, tomando café, ninguém em casa hoje e vai ser assim até o fim da tarde. Vou aproveitar para ler um pouco, não tenho lido muito. Essa semana reli uma novela da escritora japonesa Banana Yoshimoto, Hard Luck (a primeira, Hardboiled, não sei se vou reler). Eu já tinha lido o livro em francês há algum tempo, falei dele aqui, o título é Dur Dur. Da mesma autora já li também Kitchen, talvez o mais conhecido dela.
Essa semana vou ver dar uma olhada na minha lista e ver qual foi o pior livro que li este ano, acho que o prêmio vai mesmo para o Vargas Llosa.
sábado, 21 de novembro de 2009
.... Perdi o sono na noite de quinta para sexta e aproveitei para rever A Viagem de Chihiro, o filme é bem bonito e me impediu de pensar bobagens durante a madrugada. Moro do lado de uma maternidade e, enquanto via o filme, escutei dois berros de recém-nascidos. Não sei se era o mesmo ou se foram dois partos.
Ali mesmo, Manoel Carlos, onde nasceu sua netinha...e também o seu netinho. O choro deles eu não escutei. Que pena! ...
Vou aproveitar que alguém, a Tati, fez umas perguntas sobre mim aí nos últimos comentários e, quem sabe, até não economizo algumas horas do analista.
Vamos ver, sim sou professora de francês, por sorte na minha própria escola, em Curitiba. Sou professora e coordenadora do curso. Estudei Letras (português-francês) long...longtime ago. Vivi em Bruxelas durante vários anos e lá eu ensinava português, seria muita ousadia ensinar francês para francófonos, fiz também muitos trabalhos de tradução o que, na época, eu adorava porque podia trabalhar em casa, de pijama, trabalho perfeito para o inverno. Trabalho ainda com tradução, às vezes, mas não sou tradutora juramentada e aqui no Brasil eu acho meio chato porque é muito comum as pessoas reclamarem do preço, eu odeio discutir preço como cliente ou oferecendo serviços. Muita gente aqui tem dificuldade em entender o trabalho de tradução, é um trabalho difícil, requer muitas horas, não basta saber a língua (as duas línguas, no caso) e ir passando de uma para a outra, é preciso pesquisar (ninguém domina todos os assuntos, nem mesmo na língua materna), é preciso revisar, é preciso tempo, as pessoas chegam e dizem: 'pra ontem', na maior cara de pau. Em Bruxelas nunca ninguém discutiu o valor de uma tradução comigo. Essa é a minha experiência, talvez outras pessoas tenham outra por conhecer melhor o meio aqui, as pessoas que vivem exclusivamente de tradução, por exemplo. Eu não conheço, só conheço as pessoas que telefonam na escola ou que passam por aqui.
Trabalho só com adultos, já trabalhei, antes de morar fora do Brasil, com preparatório para vestibular, escolas estaduais e particulares, centros de línguas de universidade e universidade. Comecei a trabalhar cedo, por isso a vasta experiência, ok?
Enfim, é isso, mantenho este blog, bem ou mal, há uns cinco anos e são quase sempre as mesmas pessoas que me acompanham, por incrível que pareça. Eu não verifico (já fiz isso, mas não faço mais)contador, não sei quantas pessoas entram aqui por dia ou como chegaram aqui, algumas poucas deixam comentários, de vez em quando alguém me escreve. O blog é assim paradinho, mas já me rendeu bons encontros, boas amizades, às vezes tenho vontade de parar, preguiça mesmo, mas aí lembro dessas coisas, das pessoas que já encontrei (encontrei mesmo, no mundo real) por causa dele ou mesmo as que nunca encontrei, mas com quem mantenho bom relacionamento virtual. E ainda o nlog me oferece essa possibilidade de desabafar de vez em quando, já perceberam, não? Dá para reclamar da vida, do tempo, da tpm, o máximo que vai acontecer é a pessoa sair do blog rapidinho pensando 'ô coisa chata!' ou deixar um comentário desaforado que, se eu quiser, posso apagar depois. Voilà!
E aproveito para agradecer a paciência de todos neste tempo...na verdade, pensando bem, são mais de cinco anos.
That's all folks! ... "A melhor demonstração de como Caetano (não) leu o antropólogo não aparece em sua resenha (ele já o tinha citado - mais ou menos como Gil citou a física quântica - em uma de suas letras). A prova de que Caetano, se leu, não entendeu nada de Levi-Strauss não é sua entrevista, embora patética. É sua declaração sobre a gramática de Lula."
Que bom ter um domingo para descansar! oh la la...
Foi uma semana desgracenta, com tpm e todo tipo de stress, essa que se inicia será melhor, primeiro porque não haverá mais tpm, segundo (ou será por causa disso) relaxei e decidi que pouca coisa poderá me contaminar nos próximos dias.
Não acrescentou nada ao meu stress a milésima asneira que o Caetano disse (está em vários blogs), diga quantas mais quiser, defenda ACM, vote em evangélica, esperneie, só não quero pensar que fui a dois shows dele na vida. Ou foi só um, sei lá. Só estou me lembrando de um, em Bruxelas, fui com uma amiga belga, ainda me lembro dela (minha amiga) insistindo para que minha irmã fosse ao show com a gente e nem posso escrever aqui a resposta dela, só digo que ela não foi e me pergunto se não tinha razão no final das contas.
Ok, eu gosto da voz dele, gosto de algumas composições, mas como é chaaato. Cruzes!
Fez calor em Curitiba a semana toda. Sim, às vezes faz calor aqui, com isso parece que fiquei mais cansada ainda. Foi tanto o meu cansaço que vou ao médico essa semana, vou fazer uns exames, ver se é normal se cansar tanto assim.
E dormi pouco também, o calor, o cansaço, a angústia...enfim, então revi alguns filmes, dentre eles Pulp Fiction, fazia muito tempo que eu tinha visto, tinha me esquecido daqueles diálogos deliciosos, do John Travolta que estava tão engraçado e gostei de rever a atriz portuguesa, Maria de Medeiros com aquele rosto interessante. Ela fez também o filme Henry and June, baseado nos diários de Anaïs Nin, faz o papel da própria Anaïs. Já a vi interpretar em francês (bastante), inglês e, claro, português.
Li pouco, nem conseguia me concentrar, continuo lendo Los detectives Salvajes, me arrependi um pouco de ter tomado emprestado esse livro tão grande, agora me sinto obrigada a ler só ele (não costumo ler um livro só de cada vez) para terminar logo e devolver. Não quero mais livros emprestados, a não ser que sejam de no máximo 100 páginas. Não quero emprestado, mas aceito doações. Um amigo nosso doou, não para mim, para a escola, vários livros em francês e em português, títulos excelentes. Inspirada talvez por ele, uma de nossas alunas que foi professora de espanhol na UFPR doou também outros tantos em espanhol e em português, excelentes títulos também. Isso é ótimo, estou (eu ou a escola) sempre recebendo livros, se você também estiver com problemas de espaço aí no seu apartamento, se quiser se desfazer dos seus livros por qualquer razão que seja, já sabe.
Como sempre o cachorro quer o passeio dele, estivemos o dia inteiro fora, coitado, ficou só, não está acostumado, passa o tempo todo na escola, sempre tem alguém para acariciá-lo, para brincar com ele...Alguns dos nossos alunos (uns anjos!) chegam ao cúmulo de vir mais cedo para a aula para poder levá-lo para um passeio. Toda semana! Sim, porque se alguém o leva para passear UMA vez, a pessoa fica marcada, quando chega aqui o cachorro faz um escândalo. É um cão de sorte, não pode reclamar muito da vida, o problema é que neste exato momento está chovendo, pouco, mas está. Que fazer? Já sentiram o cheiro de cachorro molhado, não é nada agradável, nem mesmo para quem, como eu, adoro o bicho. Vou tentar dialogar com ele.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Há anos eu dedicava muito tempo à internet, nos últimos meses a coisa mudou. Entro rapidamente, leio meus e-mails (muitas vezes ao dia, mas por pouco tempo), nem sempre respondo imediatamente o que me irrita um pouco, detesto pensar que 'devia' ter respondido a tal e tal e-mail. Resolvi relaxar...e, além disso, andei estressada e meio doente.
Os blogs também eu tenho lido menos, entro sempre nos mesmos, leio, raramente deixo comentários.
Televisão eu praticamente não assisto, não tenho cabo, não tenho nada, na verdade, nem rede globo eu sei achar ali. Trabalho até tarde e quando me sento prefiro ler ou ver um filme ou para a internet. Só vejo tv quando estou no sítio com minha família o que tem acontecido raramente, duas vezes por ano mais ou menos. Ah, algumas vezes vejo uma ou outra coisa na tv na academia, MTV ou Ana Maria Braga, dependendo do horário.
Neste momento estou lendo Roberto Bolaño, Los detectives Salvajes, meu primeiro livro do autor que foi emprestado por um amigo chileno. E soube, então, que Bolaño nasceu no Chile e foi para o México bem jovem, adolescente, acho. Eu pensava que ele fosse mexicano...não conheço nada dele, na verdade. Há milhares de coisas que quero ler, mas gosto de desviar de vez em quando do caminho que tracei e 'descobrir' coisas com os amigos, sobretudo quando temos algumas afinidades de leituras, como é o caso aqui com o chileno. Claro que algumas vezes dá tudo errado, um amigo que você adora garante que tal livro é bom, você lê e acha uma porcaria. Por isso eu escrevi 'afinidades de leitura'. Uma vez uma amiga, muito amiga mesmo, me indicou....well...Da Vinci Code. Acontece que o livro ainda não era conhecido, a gente vivia nos Estados Unidos e o livro estava começando a aparecer, essa minha amiga ainda me garantiu que valia a pena comprar o livro, nas primeiras linhas eu já senti que não era pra mim, felizmente eu consegui amortizar o valor empregado porque meu marido o leu durante uma viagem (em poucas horas) e outras pessoas acabaram lendo também, não tenho a mínima ideia onde o livro anda agora, não senti falta dele.
Enfim, o cachorro, como sempre está aqui reclamando o passeio dele, vou ter que ir.
Está frio hoje em Curitiba, não horrivelmente frio, apenas frio e estou também com uma dorzinha de cabeça, leve, mas insistente, desde que me levantei. Não tenho nada contra remédios, não quis tomar hoje porque, como disse, é uma dor leve e pensei que talvez passasse. Fiz duas coisas que não devia, que não ajudam a melhorar dor de cabeça (pode ser que seja só com relação a enxaqueca, não sei), duas não, três:
Comi chocolate,
comi queijo e
tomei um copo de leite.
Não ajuda, isso é certo, na hora não pensei, só agora que tudo já está ali misturado no meu estômago. Too late!
Então nos reunimos aqui e fomos assistir os últimos episódios de True Blood, está muito bom, mas agora vamos ter que esperar uns dias para ver o próximo, não tenho a mínima idéia de quando passa, só sei que é da HBO e que é bem 'animado'. Bom, é a série sobre os vampiros, se eu conheço todo mundo já conhece porque em se tratando de tv eu sou mais por fora que umbigo de vedete.
A abertura e a música do seriado são ótimas, vejam aqui:
Desde que cheguei ao Brasil minha vida foi só trabalho, tenho que pagar a viagem, c´est la vie. Por isso a falta de tempo para o blog, mas aqui vão algumas fotos de Villefranche de Conflent, a primeira é a casa da minha amiga Violaine e dos pais dela, a família que tão gentilmente me acolheu e me proporcionou uma semana de vivência num vilarejo medieval, muito autêntico. Jamais vou esquecer. A segunda foto é a da loja dos pais da Violaine, bem do lado da casa deles, são artesãos. E a última foto eu tirei do alto das muralhas de Villefranche. Logo vou postas as fotos de Bruges que alguém pediu. ... Acabei de ler Um Copo de Cólera, muito muito bom. Uma vez, há muito tempo, vi o filme e confesso que achei muito esquisito. Talvez não fosse o dia certo ou o filme certo para o dia ou talvez o filme não seja bom mesmo. Enfim, o livro é bom.
Ja estou me preparando para voltar, organizando as malas, falando Au revoir para os amigos...Nao posso reclamar, tive mais de um mês de férias, ou quase férias (teve o curso).
Passei uns dias em Paris e foi uma excelente viagem apesar de eu ter ficado muito cansada tentando fazer coisas demais em pouco tempo. Essa foto acima eu fiz em Versalhes e foi sobretudo esse o meu erro, a visita a Versalhes. Eu ja tinha visitado antes, os jardins, parte do castelo e desta vez tentei ver Versalhes e o Trianon, nao sabia que era tao longe um do outro, ainda por cima coloquei os sapatos errados. So existe um tipo de sapato para essas visitas, eu imagino, tênis, mas eu estava sentindo muito calor e resolvi calçar umas sapatilhas que torturam os meus pés.
Eu tive que visitar tudo so, na verdade quase todas as visitas que fiz durante esta viagem foram assim porque meus amigos estavam trabalhando, eu visitava de dia e ficava com eles à noite. Em Paris também fiquei na casa de uma amiga, uma professora de francês que trabalhou conosco em Curitiba, agora esta indo para o México. O objetivo dela era voltar para o Brasil, mas como o visto para trabalhar no Brasil é bem mais complicado do que para o México...
Uma noite nos fomos juntas ao Théâtre de la Huchette ver uma peça de Ionesco que eu ja tinha visto ha uns dez anos ou mais...no mesmo teatro, La Cantatrice Chauve. Na verdade duas peças de Ionesco estao em cartaz neste teatro ha mais de 50 anos. Nao é inacreditavel que duas peças consigam sobreviver por tanto tempo num mesmo lugar. Era a terceira vez que eu ia a este teatro, ja vi as duas peças mais de uma vez com anos de intervalo e espero rever ainda.
Ontem (re)visitei Bruges, uma cidadezinha linda aqui da Bélgica, conhecida como a Veneza do norte. Quando tiver tempo vou tentar postar uma fotos de la.
Desculpem a falta dos acentos, nao da para procurar, eu ia demorar demais.
Leitura destes ultimos dias (releituras, alguns): La métamorphose (Kafka), Antéchrista (Nothomb), Le Pigeon (P. Suskind), L'immoraliste (Andé Gide), todos livros bem pequenos. Agora estou lendo Comment parler des livres que l'on n'a pas lus que ganhei da minha irma de presente de aniversario.