quinta-feira, 16 de março de 2006

Confissões de uma máscara

Yukio Mishima
Vertente Editora

Tradução de Manoel Paulo Ferreira

Romance auto-biográfico, trata principalmente da infância e adolescência de Mishima. Nesse que foi seu primeiro livro de sucesso, o autor afirma que se lembra do exato momento do seu nascimento e parte deste instante. Narrado em um estilo quase poético, próximo do leitor, sem esconder dúvidas e a complexidade que envolve o personagem/autor Mishima, pseudônimo de Kimitake Hiraoka.

O autor cita aqui muitos personagens da mitologia cristã, Joana D’Arc que, por algum tempo o narrador tomava por um homem, São Sebastião que conheceu em pintura de Guido Reni e cuja beleza tanto apreciava, foi observando este quadro que ele teve sua primeira ejaculação. A imagem do santo perseguiu-o por muito tempo. Há inclusive uma famosa foto de Mishima em pose de São Sebastião.

Neste livro Mishima já trata também da questão da homossexualidade, descrevendo, por exemplo, a paixão que nutriu por Omi, aluno que estudava na mesma escola que ele.

Dentre os autores ocidentais citados no livro destaco Oscar Wilde e Stephan Zweig.

Mishima foi um leitor ávido, ainda muito jovem teve contato com autores franceses e ingleses. Antes dos quatorze anos, para infelicidade do pai que considerava a literatura um verdadeiro veneno na sua vida, Mishima já trilhava o caminho das letras.

Há um filme do diretor Paul Schrader sobreo autor, Mishima: Uma vida em quatro capítulos, de 1985.

Mishima nasceu em Tóquio, em 1925 e suicidou-se em 1970 segundo o ritual do Seppuku.

5 comentários:

Marilia Mota disse...

Eu li esse livro há muito tempo. Uma cena que me ficou foi ele pequeno ainda, pelos cinco anos, assistindo ao desfile de soldados-a sensorialidade, a volúpia da cena!E em uma criancinha! E tb isso de S. Sebastião. Eu nunca tinha pensado na forte sensualidade masoquísta daquela imagem lânguida e cheia de chagas. Me lembrei de um amigo homossexual que, incontrolavelmente promíscuo, corria grandes riscos, e adorava exibir, choroso, no dia seguinte, as marcas de pancadas. Estranho mundo, estranha essa nossa espécie humana. Acho que esta é uma das funções da literatura, a revelação, o confronto com o que somos.

sabios de siao disse...

Senhorita Leila, valeu pela visita; e valeu mais ainda pelos comentários e elogios gentis.
Abraço.

Sonia disse...

É um livro belíssimo. Lihá muito tempo, não recordo detalhes, mas lembro da impressão que me ficou.

rosangela disse...

Como todas as outras dicas, dá vontade de ler imediatamente.
Abraço, :-)

Manoel Carlos disse...

É um universo complexo representado pela iconolatria masoquista; há algum tempo tem sido mais Cadernos do Oriente do que Cadernos da Bélgica, talvez um indicador de que o Cadernos da Bélgica possa e deva ser passado para o papel.