terça-feira, 7 de março de 2006

Cartas desde el infierno

Ramón Sampedro

Grupo Editorial Planeta – Buenos Aires
Com prólogo de Alejandro Almenábar.

O autor trata, com grande coerência, do direito à euthanasia, palavra que significa ´boa morte`. Ramón defende com maestria o seu direito, rechaçando com argumentos sinceros e muito bem embasados todas as cartas que recebe de diferentes pessoas: médicos, jornalistas, estudantes que escrevem com o único objetivo de convencê-lo a continuar vivendo. Descobrimos em Ramón uma pessoa doce e respeitosa, mas que pode se mostrar direto e quase brutal com aqueles que desrespeitam ou não compreendem a sua causa, sobretudo se os argumentos que a apresentam forem de ordem religiosa já que ele é um ateu.
É interessante quando, na página 172 nos apresenta que a ‘arte da boa morte’ não nos foi ensinada porque aos dominantes interessa que o sofrimento seja visto como um dever moral porque esta é a sua fonte de prazer e bem estar. Assim, a sacralidade da vida teria sido ensinada por medo que os escravos renunciassem em massa ao inferno de suas vidas miseráveis.

O conhecido filme Mar Adentro foi baseado neste livro.
......
Este livro foi um presente da querida amiga Dani Sorris.

8 comentários:

Marilia Mota disse...

Entao preciso ver logo Mar Adentro.
Falar nesse uso do sofrimento me faz pensar no último papa, na ampla exibição de sua decadência, de seu desconforto, de seu sofrimento. Tão profundamente católico isso. Argh!

Manoel Carlos disse...

Um bom presente, afinal a leitura não é apenas entretenimento, por mais que algumas pessoas não gostem, é essencial a existência de livros que abordem temas que nos levem à reflexão. A leitura nem sempre é agradável, mas necessária.
Creio que fui econômico ao comentar sobre a publicação do seu conto na Cult, acho que já havia dito o quanto gostei dele.

Marilia Mota disse...

Leila, por gentileza,
me diz seu e-mail. Preciso lhe escrever e nao consigo ver seu-email aqui - falta alguma coisa no meu computador, que impede a leitura, quando clico em cima do e-mail, nos comentários. É uma observaçao sobre seu excelente conto na Cult. Lembra os maravilhosos momentos e tom de Virginia Woolf.
Bjs, parabéns!
mariliamotta@comcast.net

Sonia disse...

Marília, Mar adentro é imperdível. Quanto à eutanásia, Leila, objetivamente concordo plenamente. Mas não seria eu a ter coragem de executá-la para alguém. Sei lá, de qualquer forma não me considero apta a julgar quem adota essa atitude.

Thiago Quintella disse...

Este tema é um dos mais intrigantes da vida... pois lida com a morte sem ela se definir!!

carlos bruni disse...

É complicado, mesmo. Creio que eu não cometeria o ato, mas se me pedissem eu o faria.
Já pedi aos meus que, em caso de eu estar condenado e sem poder decidir por mim mesmo, deixem a coisa acontecer naturalmente. Nada de forçar uma vida provisória.
Ah, o filme é mesmo bom.

Laura disse...

'Mar adentro' é um filme maravilhoso, adorei. É um filme que dá vontade de viver e amar.
bj laura

rosangela disse...

Eta tema difícil, delicado e doloroso. Mas ninguém deve/pode mesmo se esquivar de pensar a respeito!