sábado, 8 de abril de 2006

Allah n´est pas obligé


Li, há alguns anos este livro de Ahmadou Kourouma que nasceu na Costa do Marfim e viveu parte da vida na França. Na época em que o li este livro me encantou tanto pela forma de narrar - o ponto de vista de uma criança-soldado - quanto pela história em si. O personagem principal é Birahima, um garoto negro de dez ou doze anos. Ele não sabe. No começo o garoto está na Costa do Marfim com a mãe e a avó, a mãe está muito doente, morre e ele é obrigado a ir para a casa de uma tia na Libéria, ali torna-se criança soldado ou small-soldiers (pequenos soldados) como também são chamados.
Enfim, não vou contar a história toda aqui, este livro foi traduzido para o português com o título Alá e as crianças soldado, publicado pela Estação Liberdade.
O que me fez lembrar deste livro foi um post que li no Briteiros, O FIM DE UM TIRANO, do dia 03/04/2006 sobre a prisão de Charles Taylor :
"o homem que criou, nesses dois países (Serra Leoa e Libéria), exércitos de crianças — rapazes e raparigas — raptadas, escravizadas, violadas, mutiladas, forçadas a drogar-se e a usar a kalachnikov para atacar as suas próprias aldeias e matar os seus próprios pais de modo a tornar impossível qualquer deserção ou regresso. "

3 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

Conversando com um amigo da Costa do Marfim, chegamos à conclusão de que a situação das crianças-soldados é pior do que as crianças-escravos, pois as primeiras não têm para onde voltar nem esperanças. E estamos em 2006.

Manoel Carlos disse...

Conheci alguns exilados, especialmente chilenos, que tinham imensa dificuldade em viverem longe da terra natal, mas nada comparável aos traumas dos africanos que são obrigados ao exílio, muitas vezes fugindo de um genocídio, no caso de crianças então... é de extrema gravidade o problema que a amiga nos apresenta. Sugestão de leitura anotada.

Sonia disse...

Estive olhando o link. Parece ser um desses livros que é preciso ler. Custo a acreditar que um dia li tanto e hoje mal encontro tempo. A pilha vai crescendo, a lista dos "a comprar" mais ainda.