segunda-feira, 15 de maio de 2006

A Guerra Conjugal


Dalton Trevisan

Editora Record – 9a edição 1987

A Guerra Conjugal é uma reunião de trinta contos curtos (não tão curtos quanto os últimos contos ou micro contos de D. Trevisan) em que todos os personagens principais se chamam João e Maria. Todos os joões médios são representados nestas páginas (assim como todas as Marias), é o João que ama a Maria que ama José ou que não ama ninguém, mas se casa assim mesmo por dinheiro ou estabilidade. É o João que se casa com Maria mas ama o Pedro e não pode aceitar. É a maria que se casa com João só para humilhá-lo, é o João impotente que faz a Maria pagar pela sua incapacidade externando a violência...Joões bons demais, capazes de reinterpretar os chifres, perdoar e perdoar de novo até ser escorraçado por ser tão pamonha; Joões maus, sádicos, ciumentos, exigentes, capazes de aniquilar as suas marias. Enfim, todos os joões e Marias representados com um humor ácido, sarcasmo, uma ironia que já começa nos próprios títulos: Grávida porém virgem, Tentações de uma pobre senhora, Agonias de virgem, etc.

Dalton Trevisan é considerado o mestre do conto no Brasil, o conto seco, com o mínimo de adjetivos. Dizer o máximo com um mínimo de palavras parece ser o seu objetivo. E diz. Transforma o banal, ou melhor, retrata o banal com grande eficiência.

Dalton Trevisan nasceu e vive em Curitiba, é autor de A Polaquinha, Cemitério de elefantes, O Vampiro de Curitiba e outros.
Este livro aí eu comprei no sebo, uma edição antiga, espero que tenha sido reeditado.
Resenha publicada no LeiaLivro, visitem.
......
Logo volto com mais 'belguices'.

6 comentários:

Manoel Carlos disse...

Leila, eu não sei.
Dalton Trevisan é considerado o mestre do conto no Brasil, da mesma forma, Rubem Braga (de quem eu gosto muito) é considerado o mestre da crônica.
Ainda considero Graciliano Ramos o mestre do conto no Brasil, como acho que Machado de Assis e João do Rio superam Rubem Braga.
Outro dia vi o resultado da votação de melhores jogadores de todos os tempos, todos muito recentes. Creio que é um fenômeno comum a todas as áreas, não temos memória e esquecemos as coisas mais antigas.
Preferências à parte, a sua postagem está excelente!

Thiago Quintella disse...

Eu gosto muito de Dalton Trevisan. Minha primeira leitura dele foi a morte de Dario, depois li os 20 contos menores e mais alguns! Curitiba muito bem representada!

Sonia disse...

Esse é um livro do Trevisan que ainda não li. É incrível como em poucas linhas, às vezes 3 ou 4, ele consegue contar uma história e nos emocionar.

Márcia disse...

Pense numa vontade de ler!
vou tratar de procurar.

Um beijo daqui.

marcelo disse...

Vou procurar (li o 111 Ais que me mandaste em uma tarde, de um só fôlego). Aliás, vou ver se te mando "O Homem que inventou a ditadura no Brasil". Beijo.

Allan Robert P. J. disse...

Valeu a dica. Vou procurar.