quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os romances que ninguém deve morrer sem ler

De acordo com

Harold Bloom


O crítico Harold Bloom selecionou apenas dez títulos


A cartuxa de Parma – Stendhal

Emma – Jane Austen

Grandes esperanças – Charles Dickens

Crime e castigo – Dostoievski

Retrato de uma senhora – Henry James

Em busca do tempo perdido – Marcel Proust

A montanha mágica – Thomas Mann

Moby Dick – Herman Melville

Enquanto agonizo – William Faulkner

O leilão do lote 49 – Thomas Pynchon


Fonte: Revista Época

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Estou, neste momento, lendo A Montanha Mágica, mas não por causa da lista do Bloom (por causa da minha própria lista), é um livro que eu queria ler há tempo. O engraçado é que li em mais de um lugar que A Montanha Mágica não é a obra mais importante de Mann, mas foi a única dele que o H. Bloom colocou na lista. Será que ele não leu os outros? Brincadeira....

Exportadora de implantes mamários é investigada por fraude no silicone

Qua, 14 Abr, 10h35

PARIS, França (AFP) - A fabricante francesa de implantes mamários Poly Implant Prothese (PIP), que exportava 90% de sua produção e tinha clientes no Brasil, Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia, entre outros países, está na mira da justiça por um caso inédito de fraude na composição de seu silicone.
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As investigações abertas pela promotoria de Marselha, sul da França, se somou a uma primeira queixa apresentada por uma mulher em 2009 acusando os implantes de "colocar em perigo a vida do próximo".

A Poly Implant Prothese, que até há alguns anos era o número três do setor, sofreu um revés aparentemente irreversível nas últimas duas semanas.

No final de março, a Agência de Segurança Sanitária de Produtos de Saúde francesa (AFSSAPS) suspendeu o uso dos implantes mamários do gel de silicone desse fabricante e pediu sua retirada do mercado.

A autoridade de saúde baseou a decisão em uma frequência de ruptura do envoltório desses implantes mais elevada do que em outros produtos do gênero que também contém gel de silicone, e em reações inflamatórias locais.

Aparentemente, a PIP usava um silicone diferente do declarado.

No geral, estes implantes têm uma vida de 10 anos.

Segundo Jean Claude Ghislain, diretor de avaliação de dispositivos médicos da AFSSAPS, estas rupturas geralmente passam despercebidas por falta de sintomas, por isso a necessidade de que as mulheres que se submeteram a esse implante façam controles médicos periódicos.

Das 500.000 mulheres que se viram submetidas na França a implantes mamários com silicone - composição que voltou ao mercado em 2001 -, 30.000 delas utilizaram implantes fabricados pela sociedade Poly Implant Prothese.

Depois da recomendação da AFSSAPS de que as mulheres que usam implantes mamários dessa fábrica se submetam a uma ecografia anual, as autoridades sanitárias da Argentina e do Chile decidiram retirar o produto do mercado.

A abertura de uma instrução por parte da promotoria de Marselha coincide com a decisão do tribunal do Comércio de Tolón, também no sul da França, de declarar a empresa em falência.

Os 120 funcionários da Poly Implant Prothese reclamam de 10.000 a 15.000 euros de indenização e ameaçam atear fogo à fábrica que ocupam há duas semanas.
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fonte: yahoo notícias

sexta-feira, 9 de abril de 2010

o poema da sexta-feira

O Adormecido do vale

Era um recanto onde um regato canta
Doidamente a enredar nas ervas seus pendões
De prata; e onde o sol, no monte que suplanta,
Brilha: um pequeno vale a espumejar clarões.

Jovem soldado, boca aberta, fronte ao vento,
E a refrescar a nuca entre os agriões azuis,
Dorme; estendido sobre as relvas, ao relento,
Branco em seu leito verde onde chovia luz.

Os pés nos juncos, dorme. E sorri no abandono
De uma criança que risse, enferma, no seu sono:
Tem frio, ó Natureza – aquece-o no teu leito.

Os perfumes não mais lhe fremem as narinas;
Dorme ao sol, suas mãos a repousar supinas
Sobre o corpo. E tem dois furos rubros no peito.

Arthur Rimbaud

Traduçao de Ivo Barroso

sábado, 3 de abril de 2010

Mais estranho que a ficção


Acabei de rever este filme, Mais estranho que a ficção, e gostei mais ainda do que da primeira vez. Eu adoro a Emma Thompson, mas da primeira vez que vi o filme achei ela meio exagerada...hoje isso não me incomodou. Revi vários outros filmes esses dias, Tudo sobre minha mãe (como eu sabia o que ia acontecer já comecei a chorar nas primeiras cenas), Blade Runner que há tempos eu queria rever, Laranja mecânica...não foram todos neste feriado, senão eu não teria feito outra coisa. Queria muito ter visto A Fita Branca no cinema, mas infelizmente perdi, vou ver assim que sair em DVD ou assim que alguém copiar para mim. Quando o canadense estava aqui bastava dizer 'Estou com vontade de ver tal filme' e plim o filme aparecia na minha frente, a qualidade nem sempre era primorosa, mas não dá para exigir tudo. Claro que eu também posso aprender isso ao invés de esperar que um canadense faça por mim, but...não é necessário, ainda tenho muita coisa para ver aqui.
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

É longo, mas vale a pena escutar!

O Poema da sexta-feira

Noite morta


Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.


Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.


No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.


O córrego chora.
A voz da noite . . .


(Não desta noite, mas de outra maior.)

Manuel Bandeira

Petrópolis, 1921

sábado, 27 de março de 2010

Na Islândia as mulheres não estão à venda

[Muito interessante este post que li em Sexismo e Misoginia]

Na Islândia as mulheres não estão à venda e se calhar não é por acaso. Johanna Sigurdardottir[1], uma mulher, é primeira-ministra. Johanna conseguiu proibir no país os clubes de strip que, como facilmente se percebe, na maioria dos casos e das situações, são uma fachada para a prática da prostituição. Com esta medida, a indústria do sexo no país tem de fechar as portas e a Islândia passou a ocupar a posição 4 no ranking de 130 países quanto ao índice da diferença de género (os três primeiros também são países escandinavos).

continua....
...

[Gostei também deste que li no Oriente-se]


O custo de nossa fé na redenção

Contardo Calligaris

GLAUCO MAL me conhecia, mas eu o conhecia bem: ele era presença familiar no meu café da manhã, a cada dia, há muitos anos. Dos personagens que ele inventou, em suas tiras na Folha, quais são meus preferidos? Gosto muito do silencioso Nojinsk, de Zé do Apocalipse e do Casal Neuras, mas Geraldão e Geraldinho são os que mais me tocam, talvez por serem retratos milagrosamente exatos da voracidade que é, hoje, um traço dominante, em todos nós, adultos e crianças. Por sorte, vou poder matar a saudade, pois os dois personagens ganharam coletâneas em livros (LPM e Companhia das Letras, respectivamente).

Continua...

segunda-feira, 22 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010

Tempo, contratempo, língua e lógica

Tenho trabalhado muito neste começo de ano, às vezes me pergunto se eu poderia ganhar mais tempo para mim se me organizasse mais, mas a organização do meu tempo, pelo menos neste momento, não depende só de mim. Tomara que mude logo.

Estamos aqui com uma amiga francesa, aquela do sul da França (quase Espanha). Aqui e aqui tem umas fotos da cidade dela, Villefranche de Conflent, estive lá em agosto 2009. É uma região linda, nos Pireneus, adorei a semana que passei lá, gostaria muito de voltar este ano. Hoje eu estava conversando com minha irmã que vive em Bruxelas, Violaine (a francesa) estava por perto e quis saber o que era 'uai'. Olha, é difícil explicar, minha irmã deu a explicação clássica: 'uai é uai, uai!' Minha irmã vive há anos fora do Brasil e nunca deixou o uai de lado.

Violaine está dando aulas aqui na escola, ontem os alunos me chamaram e queriam que eu explicasse a ela o que era 'dar um jeito' e o 'jeitinho brasileiro'....oh lá lá. Eles tinham tentado explicar, mas ela entendeu errado e eles estavam frustrados, ela tinha entendido de forma positiva, dizia 'eu entendi, é controlar uma situação', os alunos 'nãaao, quer dizer é, mas não é'. É muito cultural, difícil de explicar.

E outro dia a Violaine tentando falar português: 'Mas você vai sem migo?' Tem lógica, mas as línguas nem sempre seguem a lógica.

A Violaine me trouxe vários desses posters vintage que eu adoro, um deles este aí do Chat Noir, eu já tinha um, mas em formato diferente. Trouxe também este do Lavabos e outros ainda, cada um mais lindo que o outro.

O canadense que estava aqui foi mesmo embora, acho que ao todo ficou dois meses no Brasil, teria ficado 3, mas estava muito deprimido e ficou mais deprimido ainda longe de casa, dos jogos olímpicos. O pior, coitado, é que caiu num lugar em que quase ninguém entende de esportes, muito menos de competição, ele queria conversar sobre hockey! Imagine. Pelo menos se fosse futebol, não que eu saiba sobre futebol, mas há sempre alguém no Brasil disposto a conversar sobre o assunto, mas hockey....um dia alguém entendeu que ele estava falando de Rock, só para dar uma ideia da gravidade. Enfim, o rapaz não se interessou por viajar, foi só ao Rio e disse que detestou, não se 'sentiu bem'. Eu fui a Vancouver uma ou duas vezes (duas, acho) e adorei a cidade, poderia viver lá tranquilamente, é lindo o lugar, mas eu sempre ia querer outros lugares. É estranho este apego a um lugar, o mais estranho é que nem o pai nem a mãe dele são canadenses de origem, cada um de um país da África, ele vem de uma família muito internacional. Não vou mais tentar encontrar explicação para o comportamento dele, está doente e espero que procure tratamento ao chegar lá. Não considero que ele estava doente por não ter gostado do Brasil, não sou nacionalista, é que ele não estava bem mesmo. Agora se eu receber notícias de que ele melhorou consideravelmente ao chegar lá, vou ter que reconsiderar.

Estou lendo The God Delusion, de Richard Dawkins.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O Poema da sexta-feira

Caminhos Sensíveis

Sensível
é a terra por sobre as fontes: nenhuma árvore pode
ser derrubada, nenhuma raiz
arrancada

As fontes podiam
secar

Quantas árvores
derrubadas, quantas raízes
arrancadas

dentro de nós

Reiner Kunze

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Este eu descobri no Mundo de K.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O poema da sexta-feira

Brooklyn


Lee Harwood


The city isn’t necessary to our elegance

It’s not a matter of going back

to the land

but that kiss on the forehead

The wind is so strong and yet soft

almost tender

At night on the ferry – the lights of passing tugs and

freighters

It is hard, I know, to live without this,

“out of love” as they say.

What can I say? we kiss

with all the need and hope that

comes from this “lack”

You are beautiful the whiteness of your breasts

We have this
...

Brooklyn

A cidade não é necessária para a nossa elegância

Não é uma questão de voltar

para a terra

mas aquele beijo na testa

O vento é tão forte e é ainda macio

quase terno

À noite na balsa – as luzes de rebocadores e cargueiros

que passam

É difícil, eu sei, viver sem isto,

“sem amor” como eles dizem.

Que posso dizer? nós beijamos

com toda a necessidade e esperança que

vem desta “falta”

Você é bonita a brancura dos seus seios

Nós temos isto

tradução: Virna Teixeira
...
obs: Eu já tinha postado este poema antes, mas não tinha encontrado uma tradução dele...agora encontrei e por isso posto de novo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

MEDO E TEMOR

Estou na casa da minha irmã, como não tenho tv em casa tomei um chá aqui e lá no sítio neste fim de semana, assisti de tudo um pouco, BBB, programa de esporte, novela, Jornal, filme (A Guerra dos Rose, revi, claro), de tudo que vi, o mais aproveitável foi um debate com o professor Leandro Karnal na TV Cultura, peguei só um pedaço e agora que estou só em casa (desculpe, com a cadelinha Mel) vim procurar o professor na internet. Achei essa paletra: MEDO E TEMOR, muito muito interessante. Ainda estou escutando, está difícil porque é longa e tenho que esperar, se não der para ouvir tudo agora vou voltar para escutar o todo quando estiver em casa. Até por isso posto aqui, para lembrar a mim mesma e para deixar como dica a quem se interessar pelo assunto. Esse medo de que o professor fala eu conheci bem na infância, minha avó que parecia uma daquelas espanholas católicas diretamente saída de uma obra de Garcia Lorca dizia que se eu não tivesse amor a deus tinha que ter pelo menos temor. Vejam que infância dramática. Eu fui salva pelo ateísmo.
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A crença em um ser superior pode gerar paz de espírito ou pode trazer medo. A Bíblia fala de dois patriarcas da fé: o Deus de Abraão é próximo e afetuoso; o Deus de Moisés lança raios e punições. Na origem da nossa cultura conhecemos um deus consolador e um deus terrível. Amor ou medo? Qual o principal motivo que leva as pessoas para a religião?

O historiador Leandro Karnal explica como essa natureza dupla da crença se reflete nos dias de hoje. Amor e Temor na experiência religiosa é o tema deste Café Filosófico.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Poema da sexta-feira

Poema do beco


Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco

Manuel Bandeira

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Filmes


Esses dias revi este filme, Lua de Fel, e fiquei surpresa comigo mesma, pensar que eu já tinha visto algo tão ruim e tinha me esquecido completamente. Eu até lembrava de muitas cenas do filme, mas nada me dizia que era um filme tão besta. Será que gostei na época? Cruzes! Achei o filme uma chatice e um rosário de maldades, detesto esses casais entediados e que não acham nada melhor para fazer na vida do que atormentar um ao outro, ou a mulher do filme que se anula completamente por 'amor'. Não é amor, é qualquer outra coisa, é falta do que fazer, falta de pensar em si mesma, de se assumir, de assumir responsabilidades. Fácil falar, eu sei...e tudo isso podia até ser bonito num filme, mas não é, tudo soa falso, piegas, não convence.
A única coisa interessante no filme é a presença de Kristin Scott e uma ou outra frase dita por ela ao marido banana.

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À parte este vi vários outros filmes bons: The Human Stain foi um deles, assim que acabei a leitura vi o filme. Eu sei que é quase um clichê dizer que o livro é melhor que o filme (e não é o caso para algumas obras), mas aqui é verdade, apesar de o filme ser bom, parece que ficou incompleto, corrido demais, não conseguiram explicar um mundo de detalhes que há no filme, por exemplo a professora francesa que inferniza a vida do Coleman Silk (personagem principal), mal aparece no filme.

Assisti também 500 days of summer e achei bem chatinho, acho que já esqueci o filme quase todo.
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Estou lendo A Obra em Negro de Marguerite Yourcenar, na verdade relendo, eu já o tinha lido em português há muitos anos e quando li a biografia dela fiquei com muita vontade de ler em francês tanto este quanto o Memórias de Adriano. Encontrei L'Oeuvre au Noir aqui em Curitiba num sebo, mas o estado do livro é tão lamentável que não tenho coragem de ler na cama, antes de dormir, como costumo fazer.

O resto é muito trabalho, início das aulas. Este fim de semana tiro, ainda assim, um tempinho, três dias e meio para ver papa e mama e irmã em Minas. Continuo com muita gente aqui, visitas, estagiários.....vou abandoná-los aqui por uns dias. Um dos nossos hóspedes é o canadense de Vancouver, falei dele aqui antes, infelizmente as coisas não estão se passando tão bem, ele é muito apegado ao cantinho canadense dele, BC, como ele diz e está sofrendo longe do seu habitat natural. Depois conto melhor, eu tenho muitas dificuldades em entender esse tipo de postura (ou sentimento, sei lá) porque sempre quis viver em lugares diferentes, sempre fiz o possível (quase impossível) para viver este tipo de experiência, a algumas pessoas isso é dado de graça e elas rejeitam...Ao que parece a família dele forçou um pouco, justamente porque queria que ele se desligasse, que visse um pouco o mundo. Bem, vamos ver no que dá, faremos o possível.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

o poema da sexta-feira

Aquela cativa

Endechas a ũa cativa com quem andava de amores na Índia, chamada Bárbora.

Aquela cativa
que me tem cativo,
porque nela vivo
já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
em suaves molhos,
que pera meus olhos
fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
nem no céu estrelas
me parecem belas
como os meus amores.
Rosto singular,
olhos sossegados,
pretos e cansados,
mas não de matar.

Uma graça viva,
que neles lhe mora,
para ser senhora
de quem é cativa.
Pretos os cabelos,
onde o povo vão
perde opinião
que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
tão doce a figura,
que a neve lhe jura
que trocara a cor.
Leda mansidão,
que o siso acompanha;
bem parece estranha,
Mas bárbora não.

Presença serena
que a tormenta amansa;
nela, enfim, descansa
toda a minha pena.
Esta é a cativa
que me tem cativo.
E pois nela vivo,
é força que viva.


CAMÕES, Luís de. Lírica completa. Vol.1. Prefácio e notas de Maria de Lurdes Saraiva. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, 1980.
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[Recordando as minhas aulas de literatura portuguesa que, infelizmente, não foram as melhores aulas que tive na vida. Foi uma pressão horrível, com um professor histérico e que odiava dar aulas, tenho certeza. Uma pena! Ainda assim, não me impediu de gostar de poesia.]

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

THE DOORS

Você viu o acidente lá fora?
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cinzas do escritor Dino Buzzati serão jogadas nos Alpes italianos


ROMA (AFP) - As cinzas do escritor italiano Dino Buzzati (1906-1972), autor de "O deserto dos Tártaros", serão dispersadas na cadeia das Dolomitas, nos Alpes italianos, em virtude de uma nova lei na região de Veneza, que autoriza esse tipo de homenagem funerária na natureza.

Trinta e oito anos depois de sua morte, será cumprida assim a vontade do escritor. "Nossa família esperava apenas que Venza votasse uma lei para espalhar suas cinzas em Croda del Lago", declarou a viúva de Buzzati, Almerina Antoniazzi, falando ao jornal Il Corriere del Veneto.

As cinzas do escritor, que se encontram atualmente na Lombardia, serão espalhadas durante uma cerimônia cuja data ainda não foi fixada.

Dino Buzzati, alpinista amador, amava essas montanhas, às quais dedicou vários relatos.

Nascido em 16 de outubro de 1906 em Belluno (Vêneto), Buzzati morreu de câncer em 28 de janeiro de 1972, em Milão.


Acabei de ler esta notícia no yahoo. O deserto dos Tártaros está entre as minhas melhores leituras do ano passado e na minha última viagem comprei outros livros do autor, mas ainda não comecei a ler.

o poema da sexta-feira

agora ar é ar e coisa é coisa:traço

nenhum da terra celestial seduz
nossos olhos sem ênfase onde luz

a verdade magnífica do espaço.

Montanhas são montanhas;céus são céus -
e uma tal liberdade nos aquece

que é como se o universo uno,sem véus,

total,de nós(somente nós)viesse

- sim;como se, despertas do torpor
do verão,nossas almas mergulhassem

no branco sono onde se irá depor
toda a curiosidade deste mundo
(com júbilo de amor)imortal e a coragem

de receber do tempo o sonho mais profundo

e.e. cummings

Tradução: Augusto de Campos

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Persépolis



Assisti ontem este filme de animação baseado no livro (HQ) de Marjane Satrapi, na verdade esta adaptação para o cinema é também dela em colaboração com Vincent Parronnaud. Infelizmente ainda não tenho o livro, já o namorei várias vezes nas livrarias, mas nunca comprei.

Este filme foi um presente (assim como muitos outros filmes e livros e caixinhas e....) dos meus amigos Leo e Dani que partiram ontem para a vida de imigrante no Quebec. E foi triste a despedida. Trabalho ingrato o meu, tenho que preparar os alunos para imigrarem, torcer para que tudo dê certo, fazer da melhor forma o meu trabalho, daí, dá sempre certo (felizmente) e então, nesse processo todo já partilhamos tantas angústias, incertezas, certezas que, na maior parte dos casos, ficamos amigos e aí é hora de dizer 'Au revoir!'. Mas é assim mesmo, c´est la vie, felizmente o mundo está pequeno e sempre nos encontramos em algum lugar deste planeta, senão aqui, no skype. Eu mesma já mudei tanto, já me despedi tantas vezes, já parti sem despedida...

Voltando a Persépolis, o filme é lindo, engraçado, triste, instrutivo, ou seja, imperdível. O filme que é autobiográfico começa em Teerã, em 1978, quando Marjane tem 8 anos, é uma menina sapeca, curiosíssima, inteligente e que tem a sorte de ter pais modernos e cultos. Era ainda a época do Xá (mesma época de outro livro que comentei aqui, Lendo Lolita em Teerã e aqui) que logo foi substituída pelos aiatolás. Os iranianos ficaram completamente perdidos, passaram da euforia, otimismo com a queda do Xá ao desânimo e terror, foi quando começou para as mulheres, até para uma menina de 10 anos como era agora a Marjane, a obrigação do uso do véu. Dá muita pena ver o povo iraniano entre um crápula e outro e não adianta dizer que todo mundo tem o governo que merece, há alguma coisa muito errada nisso, não merecem não.
Marjane torna-se um problema para os pais porque não tem papas na língua, questiona a professora, encara os filhos dos torturadores que encontra na rua e assim vai, a mãe fica desesperada porque sabe dos riscos desse tipo de atitude naquele contexto, enviam a menina de (se não me engano) 14 anos para Viena, vai sozinha para estudar e viver sua adolescência como pode. Algum tempo depois volta, casa-se, descasa-se e vai para Paris onde torna-se essa pessoa famosa que é hoje.
Contei quase tudo, mas vale a pena ver. Na verdade ainda não falei de muita coisa, da avó de Marjane, por exemplo, um personagem hiper importante na história e na vida dela...e é muito engraçada essa avó. Adorei quando Marjane vem desesperada, chorando, contar para ela que está vivendo uma tragédia, o seu casamento está acabado e a avó 'Mas é só isso? Que susto, eu tenho problemas cardíacos...' enfim, a avó mostra para ela que não é assim tão dramático o divórcio depois de um ano de casamento, pior seria ser obrigada e levar um casamento fracassado o resto da vida. Numa parte importante do filme em que Marjane, para se safar dos controladores da moral e bons costumes (verificam se o véu está bem colocado, se as meninas não estão maquiadas e todas essas besteiras) ela , que estava maquiada, chama a atenção deles para um rapaz que estava tranquilo lendo o seu jornal, ela conta, e é verdade, que o rapaz tinha dado uma encarada nela, os policiais levam o rapaz preso. A avó, ao ouvir a história fica muito brava com ela, dizendo que ela não podia ter enviado o rapaz assim para a prisão, que ela sabia o que o avó tinha passado na prisão, e o tio e tanta gente...Marjane diz então que ela não tinha escolha, a avó responde:
"todo mundo tem uma escolha. há sempre uma escolha."


O filme recebeu vários prêmios na Europa, concorreu ao Oscar e perdeu para Ratatouille.

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ann Coulter


Ann Coulter (1961) é advogada e jornalista norte-americana, muito popular, sobretudo junto do eleitorado de direita, e conhecida pelas suas tiradas politicamente incorrectas. Escreveu vários livros, alguns dos quais se revelaram verdadeiros best-sellers e é colunista em diversos periódicos.
Embora lhe sejam conhecidos ex-namorados, ligados ao jornalismo e à direita, Coulter não casou nem tem filhos, mas é membro de uma igreja evangélica presbiteriana dirigida pelo pastor Timothy J. Keller.
Entre outras coisas, nas suas aparições públicas na rádio, na televisão e em palestras, Coulter ataca a teoria evolucionista, os homossexuais e os muçulmanos. O seu ódio aos democratas e às feministas é declarado e peçonhento.
Sobre as mulheres conhecem-se algumas tiradas suas que são verdadeiras pérolas de misoginia, embora, obviamente, ela negue esta interpretação; vejamos uma das mais badaladas:
"Eu acho que as mulheres deviam ter armas mas não deviam votar... as mulheres não têm capacidade para compreender como é que o dinheiro é ganho. Elas têm muitas ideias de como o gastar. E quando vão votar, querem sempre mais dinheiro para educação, mais dinheiro para cuidados infantis, mais dinheiro para creches."
Ann Coulter, Politically Incorrect, Fevereiro, 26, 2001

continua no blog Sexismo e Misoginia.
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Eu já conhecia essa senhora, não consigo entender o que se passa na cabeça de uma mulher dessas, não sei se é por dinheiro que ela presta esse desserviço às mulheres - ou melhor, a toda a sociedade - se é por poder, se é por odiar ser mulher ou se é estúpida simplesmente. Em todo caso, como diz a autora do blog, é melhor conhecer esse movimento até para preservar as conquistas que as mulheres já tiveram, é um movimento que tem poder e que não deve ter muita dificuldade em angariar fundos. Infelizmente.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

o poema da sexta-feira

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Deslumbramentos


Milady, é perigoso contemplá-la

Quando passa aromática e normal,

Com seu tipo tão nobre e tão de sala,

Com seus gestos de neve e de metal.



Sem que nisso a desgoste ou desenfade,

Quantas vezes, seguindo-lhes as passadas,

Eu vejo-a, com real solenidade,

Ir impondo toilettes complicadas!…



Em si tudo me atrai como um tesoiro:

O seu ar pensativo e senhoril,

A sua voz que tem um timbre de oiro

E o seu nevado e lúcido perfil!



Ah! Como me estonteia e me fascina…

E é, na graça distinta do seu porte,

Como a Moda supérflua e feminina,

E tão alta e serena como a Morte!…



Eu ontem encontrei-a, quando vinha,

Britânica, e fazendo-me assombrar;

Grande dama fatal, sempre sozinha,

E com firmeza e música no andar!



O seu olhar possui, num jogo ardente,

Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;

Como um florete, fere agudamente,

E afaga como o pêlo dum regalo!



Pois bem. Conserve o gelo por esposo,

E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,

O modo diplomático e orgulhoso

Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.



E enfim prossiga altiva como a Fama,

Sem sorrisos, dramática, cortante;

Que eu procuro fundir na minha chama

Seu ermo coração, como a um brilhante.



Mas cuidado, milady, não se afoite,

Que hão-de acabar os bárbaros reais;

E os povos humilhados, pela noite,

Para a vingança aguçam os punhais.



E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,

Sob o cetim do Azul e as andorinhas,

Eu hei-de ver errar, alucinadas,

E arrastando farrapos - as rainhas!


Cesário Verde

domingo, 31 de janeiro de 2010

American history X

No fim de semana passado assisti um filme que o nosso hóspede canadense (ele se chama Dock) tinha no computador, A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (American history X), já é meio antigo, 1998, mas eu nunca tinha visto. É a história de um rapaz, Derek, que, abalado com a morte prematura e violenta do pai, um bombeiro que foi abatido por marginais enquanto prestava um serviço num bairro negro, torna-se um um neo-nazista. Derek, representado por Edward Norton, mata brutalmete dois negros que tentam roubar o seu carro, toda a cena é presenciada por seu irmão mais novo, vai preso e é condenado a somente 3 anos de cadeia, mas nesses três anos ele aprende muito e muda muito. Primeiro junta-se a um grupo de neo-nazistas na prisão, depois, decepcionado com algumas atitudes do grupo, é estuprado por um deles como retaliação por tentar se afastar. Aprende sobretudo com um prisioneiro negro com quem divide as tarefas na prisão, primeiro ao saber que o rapaz foi condenado a, se não me engano, o dobro de sua pena por um roubo e depois porque, com o tempo ele começa a perceber que só conseguiu sair vivo da prisão por causa de alguma proteção e essa proteção só podia ter vindo deste amigo que, nos seus primeiros dias ali lhe diz para prestar atenção: 'Você é o negro aqui'. A palavra é bem mais pesada em inglês.

Enfim, quando Derek é posto em liberdade é recebido como um herói pelo grupo de neo nazistas e percebe também o quanto seu irmão mais novo está envolvido naquilo, ele tenta explicar ao irmão que esteve enganado e que engoliu aquela teoria estúpida porque estava perdido e etc e tal....Dito assim parece um desses filmes bem moralistas, com final feliz, quer dizer, final feliz é impossível num mundo daquele, mas talvez eu tenha deixado passar a ideia de que o filme é engajado demais, não é, é muito interessante. Há outros conflitos no filme, sobretudo ligado ao irmão, a seu professor, a relação entre os brancos e negros na escola, o sofrimento da família (mãe, irmã e padrasto) de Derek por vê-lo perdido nesse movimento.

Edward Norton foi indicado ao Oscar por esse papel.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O poema da sexta-feira

Se hei de morrer no caminho
que seja
entre os campos de trevo

Basho

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Morreu Salinger

Foi ontem, mas eu acabei de saber....

Morreu Salinger com 91 anos de idade. Este ano, justamente, eu tinha me proposto reler The Catcher in the Rye e Nine Stories, já estão separados ali no canto da estante...

Nota do NYT:

J. D. Salinger, literary recluse, dies at 91

Published: January 28, 2010

J. D. Salinger, who was thought at one time to be the most important American writer to emerge since World War II but who then turned his back on success and adulation, becoming the Garbo of letters, famous for not wanting to be famous, died Wednesday at his home in Cornish, N.H., where he had lived in seclusion for more than 50 years. He was 91.

Mr. Salinger’s literary representative, Harold Ober Associates, announced the death, saying it was of natural causes. “Despite having broken his hip in May,” the agency said, “his health had been excellent until a rather sudden decline after the new year. He was not in any pain before or at the time of his death.”

continua aqui

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A MARCA HUMANA

Voltei a ler o livro de Philip Roth, The Humain Stain, no kindle. Meu marido terminou de ler e, muito gentilmente, me cedeu o brinquedo por alguns dias. Infelizmente disponho só das noites para a leitura, às vezes um pequeno período de manhã. O livro é excelente, gostei de todos os livros que li do autor, mas (talvez seja a empolgação do momento) este é um dos meus preferidos até agora. Estou louca para terminar a leitura e ver o filme. Até agora li 35% do livro, como expliquei no outro post, aqui não há páginas e sim uma série de coisas estranhas onde a gente está acostumada a ver o nº de página, por enquanto não vou tentar entender tudo do kindle, quero terminar a leitura, já cometi a estupidez de apagar o livro uma vez, felizmente fica gravado no computador, não precisa comprar de novo, seria bastante doloroso para uma mineira.
Eu aconselho a leitura, não vou falar da história ainda. O título do filme em português é 'Revelações', há mesmo muitas revelações e acho que resumir o conteúdo aqui tiraria um pouco do prazer...e eu só li 35% do livro!
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Eis um pequeno trecho que encontrei na internet:

"Depois de cinco anos eu já havia me tornado perito em recortar cirurgicamente meus dias de tal modo que cada hora daquela minha existência em que nada acontecia tivesse sua importância para mim. Sua necessidade. Até mesmo sua animação. Eu não me permitia mais o hábito pernicioso de desejar uma coisa, e a última coisa que eu queria voltar a ter, pensava eu, era a companhia constante de uma pessoa. A música que ouço após o jantar não tem o propósito de me aliviar do silêncio, porém representa uma espécie de concretização do próprio silêncio: ouvir música durante uma ou duas horas todas as noites não me priva do silêncio - a música é a própria realização do silêncio. No verão, nado por meia hora na minha lagoa assim que me levanto, e no resto do ano, depois de passar a manhã escrevendo - a menos que a neve inviabilize minha caminhada -, percorro as trilhas da serra durante umas duas horas quase todos os dias. O câncer que levou minha próstata não voltou. Tenho sessenta e cinco anos e estou fisicamente bem, trabalhando bastante - e estou sabendo das coisas. Tenho de estar sabendo."
(Philip Roth, A marca humana, Companhia das Letras, 2002, págs. 62-63)

domingo, 24 de janeiro de 2010

The Brazilian Sphinx


Acabei de ler este artigo do The New York Review of book sobre a biografia de Clarice Lispector escrita por Benjamin Moser, essa que todo mundo (o mundo literário, bien sûr) está comentando. Eu ainda não li a biografia, nem tenho o livro, mas pretendo ler um dia desses. A crítica do The New York é muito interessante. Fiquei surpresa com a declaração de que E. Bishop não gostava das novelas de Clarice Lispector, considerava ruins, entretanto gostava dos contos e até traduziu vários deles para o inglês.

"Though Bishop believed that Lispector's novels were bad and that Lispector had read nothing (except Hesse, Spinoza, Flaubert, and Agatha Christie), Bishop admired Lispector's short stories and translated several of them."

O autor conta que antes de começar a escrever seu artigo resolver fazer uma pesquisa, saiu perguntando quem já tinha lido Clarice, alguns conheciam o nome, outros tinham uma percepção errada da biografia dela, achavam que era lésbica, que tinha morrido num incêndio:

"Before beginning this review, I took a quick unscientific survey: Who had read the work of the Brazilian writer Clarice Lispector? When I consulted with Latin American scholars (well, only four of them) they grew breathless in their praise. She was a goddess; she was Brazilian literature's greatest writer. Further inquiry revealed some misunderstandings about her life, a life that clearly had reached mythic proportions, with a myth's errors and idiosyncratic details. Still, Lispector was held in reverent esteem by all four, though one believed she had died tragically in a fire (not so, although in her forties Lispector was burned on one side of her body, including her right hand, by a fire she accidentally started by smoking a cigarette in bed). Others were under the impression that she was a lifelong lesbian (also not so)."

Achei muito engraçada essa frase retirada de uma carta de Clarice, quando morava na Suíça, para a irmã: "Esta Suíça é um cemitério de sensações".

O autor do artigo aponta alguns defeitos na biografia: repetições, assuntos que começam e depois são abandonados, o casamento de Clarice assim como a relação dela com os filhos não são explorados:

"If there are other weaknesses in Moser's biography, they are largely organizational: there are repetitions, as well as subjects that once begun are then dropped. The character and nature of her marriage seems almost completely missing for twenty-two chapters; as is, to a lesser degree, her relationship to her sons. Although we do see her observing her boys and writing down their cute remarks in notebooks, her relationship to mothering veers from being primary to less than secondary and then back again in a flash. Her love life seems to go almost completely out after the fire in her forties, and her lifelong attachment to the handsome gay poet Lucio Cardoso has unexplained hiatuses."

O melhor é seguir este link e ler todo o artigo, quem já leu a biografia pode dizer se concorda ou não.

Kristin Scott Thomas: 'I've been a very sad person, but I'm not any more'

Trata-se de uma entrevista que a atriz Kristin Scott Thomas deu a respeito de seu último filme, nowhere boy, no qual ela interpreta a tia do John Lennon, Mimi. Eu gostei muito.
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The moment that Kristin Scott Thomas knew she didn't want to be a typical movie star, the moment it seems she switched from playing romantic leads to infinitely more interesting roles, was when a director told her she should make her character more appealing. The idea didn't grab her. "I just thought, I don't want to do that," she says. "I don't want to have to be pretty. I don't want to have to be adorable. Because if I'm watching that on screen I get irritated." She sits back with a sigh. "I can't bear it."

Para ler o restante da entrevista e ver o trailer do filme clique aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

BLA BLA BLA

Relendo minhas anotações percebi que em fevereiro vai fazer um ano que estive no Chile. Gostaria de voltar, mas numa viagem bem diferente daquela, não que eu não tenha gostado, foi muito bom, viajar é sempre bom, no final das contas. Eu me cansei muito por causa do calor e por tentar seguir a Violaine (a francesa-mulher-maravilha com quem viajei). Agora estamos planejando ir de carro, eu, meu marido e quem sabe alguns amigos, vamos ver se conseguimos nos organizar.

Falando em Violaine ela vai estar aqui de novo no mês de fevereiro/março, preciso tomar muitas vitaminas para acompanhá-la. Ela vai trabalhar conosco durante um mês, o que vai ser muito bom. E tem mais gringo chegando, um canadense, chega hoje à noite...esse nem sei quanto tempo fica, também vai trabalhar conosco, mas até onde sei só fala inglês. Tomara que ele seja tranquilo, gosto muito de receber, mas há sempre um risco (não muito grande)quando é gente que não conhecemos (e até mesmo quando conhecemos) de ter algumas contrariedades. O meu balanço é que no final vale a pena, nós gostamos dessa troca e fazemos bastante amigos assim.
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Revi, agora mesmo, Trainspotting, falei com minha irmã e sobrinho por skype (estão lá na fria Bruxelas, neve e mais neve), passeei com o cachorro que já está querendo sair de novo. 'Boa ideia, Tommy, boa ideia' porque ele engordou no final de ano e está precisando de exercícios. É verdade! Tanto que até diminuí a ração dele, coitado. Fiquei com pena no começo, mas agora ele já se acostumou com a quantidade. E, evidentemente, parei de dar miolo de pão. Beagle tem tendência a obesidade, por isso tenho que ficar de olho, não é só para ele continuar lindão, é porque isso pode acarretar uma série de problemas. Muita gente chegou na escola no começo do ano e riu do fato de ele ter engordado "ha ha ha, o cachorro engordou com as festas de fim de ano?!" Não foi bem assim, é que ele está passeando menos, primeiro o meu sobrinho que passeia com ele no mínimo três vezes ao dia não está aqui, está de férias, alguns alunos que passeiam com ele estão igualmente de férias....Somos poucos para cuidar da tarefa, basicamente eu e o Leo, meu amigo e aluno e, no dia 05 de fevereiro, (isso o cachorro ainda não compreendeu!)Leo parte para o Canadá. Parte mesmo, não é 'viaja e volta', imigra. Vai ser um choque para o pobre Tommy. Mas é preciso entender que assim é a vida, um eterno ir e vir.
E lá vou para o décimo passeio.
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Tommy na foto acima por Aaron. Ia colocar uma foto divertidíssima dele com o próprio Aaron, mas como não pedi fica chato.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Poema da sexta-feira


Belo Belo


Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.


Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.


A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.


O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.


Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.


Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.


As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.


Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.


— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Manuel Bandeira

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Estrangeiro - Albert Camus

Esses dias reli L'Étranger, é muito bom pegar um livro tão pequeno, que a gente termina em poucas horas e que te oferece tanto. Uma parte me emocionou, é quando, no momento do enterro da mãe de Meursault - o personagem principal - o senhor Pérez, um dos velhos do asilo que era muito ligado a ela, começa chorar desesperadamente, o autor descreve a cena mais ou menos assim:Lágrimas de raiva e sofrimento rolavam pela sua face, mas, por causa das rugas, elas não escorriam, espalhavam-se, encontravam-se e formavam um verniz de água sobre este rosto destruído.
Eu achei essa imagem linda e triste. Lembrei-me de uma cena de criança, não sei que idade eu tinha, mas era bem nova, de observar muito longamente o rosto de uma senhora, tampouco sei que idade ela tinha, mas era um rosto bem maltratado, muito sol, muita secura....me lembrava um deserto, um deserto que eu nunca tinha visto, mas era assim. Nunca me saiu da memória aquele rosto e imagino que fosse assim o do senher Pérez.
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Agora estou lendo outro livro pequenininho (gosto de ler livros curtos quando não tenho muito tempo), Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Kindle, eu não ganhei um no natal


Mas meu marido ganhou...não é a mesma coisa, já deu para sentir que, como muitos outros objetos cada um tem que ter o seu, mas enquanto não tenho o meu vou fuçando no dele que eu não sou de ferro. Eu nunca tinha visto um, digo, tocado, apertado. Nos primeiros dias foi uma farra, ele deixava o kindle e eu ia correndo, parecíamos duas crianças disputando um brinquedo, mas não saiu briga. Quando ele queria ler eu largava logo e pegava os meus de papel mesmo.O problema é que começamos a ler o mesmo livro, P. Roth, The Humain Stain e não deu muito certo. Decidi deixar ele terminar e leio depois. Não deu certo pelo seguinte, ainda não conheço bem o aparelho e não sei, por exemplo, como marcar as páginas (na verdade nem existe página, mas 'location'), ainda vou descobrir, daí quando eu pegava para ler (nas pausas do proprietário do brinquedo)eu tinha que ficar procurando onde eu tinha parado. Outro detalhe - e foi uma coisa que eu adorei no kindle - a gente pode mudar a fonte, como eu sou muito míope (sim, tenho óculos, lentes, mas os olhos andam me incomodando cada vez mais) eu coloco a fonte ENORME e esqueço de voltar ao normal quando paro de ler. Não é difícil mudar, claro, mas....
Agora o kindle viajou, não vou terminar o meu primeiro livro no kindle tão cedo. Ainda não deu para decidir se quero um, quer dizer, querer eu quero, não sei se quero empregar dinheiro em um, é diferente. Ainda vou estudá-lo mais, ver se é realmente fácil comprar e transferir, sobretudo transferir, mas ao que tudo indica sim, é simples, não parece haver muitas complicações. Deve ser muito bom nas viagens, você pode levar quantos livros quiser, tem um dicionário, pode fazer anotações.

Enquanto isso fico com meus maravilhosos livros de papel, ensebados alguns, capa rasgada outros, canto mordido pelo cachorro - um dicionário (aquele que não tem a palavra tarado), cada um com sua história. Essa (na foto) é a minha estante (e da escola agora) fotografada pela querida aluna Dani.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Poema da sexta-feira

Intempérie —

infiltra-se o vento

até na minha alma


Basho

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Biografia: Marguerite Yourcenar


Estou quase terminando a leitura da biografia de Marguerite Yourcenar, autora que aprecio desde que li, há muitos anos, Memórias de Adriano e depois A Obra em Negro...Espero reler os dois em breve e em francês, já que na primeira vez li em português.

Marguerite teve uma vida interessante de ler, na verdade eu gosto de biografias de escritores, mas a dela é particularmente deliciosa. Era uma mulher de extrema inteligência, nunca botou os pés numa escola, foi educada em casa, pelo pai (a mãe morreu quando ela era ainda um bebê) e às vezes, por professores contratados. Fez o BAC (exame francês), mas passou com nota 'razoável'. Ao que parece pensava em fazer Letras ou filosofia, não se sabe se os resultados dos exames a desanimaram ou se preferiu mesmo outros caminhos, as viagens, por exemplo. Foram muitas: Grécia, Itália, França, Bélgica (país onde ela nasceu), Inglaterra e muitos outros.

O pai era um bom leitor e permitia que Marguerite tivesse acesso à sua biblioteca, sem restrições, o que irritava alguns membros da família que achavam que ele devia selecionar o que a menina podia e devia ler. Assim cresceu ela muito livre, uma personalidade autoritária até. Começou a viajar cedo, com o próprio pai que a deixava nos hotéis e ia para os cassinos e assim foi acabando com boa parte da fortuna da família. Marguerite parecia não se importar muito com este detalhe.

Marguerite, embora tenha tido paixões também por homens, viveu a maior parte de sua vida com mulheres, a mais longa dessas relações foi com Grace Frick, mais de 40 anos. Viveram juntas nos Estados Unidos, Marguerite Yourcenar adquiriu a nacionalidade americana. Ela conheceu Grace em Paris, em um café aonde Marguerite ia, aparentemente, para encontrar mulheres. Grace traduziu alguns trabalhos de Marguerite para o inglês e a ajudava também na organização dos papéis, cartas, anotações.

Outro detalhe importante da biografia (que eu já sabia muito antes de ler aqui) é que M. Yourcenar foi a primeira mulher a fazer parte da Academia francesa, isso em 1980. Agora, o que eu não sabia é que, mesmo tendo sido tão tarde a entrada da primeira mulher ali, isso não se fez sem muita briga, muitos rumores, muita polêmica. E tem gente que ainda acha que as mulheres reclamam à toa, ok! É neste capítulo da entrada na academia que estou agora, cito um fato estarrecedor (pelo menos para mim), Claude Lévi-Strauss foi terminantemente contra a entrada dela na confraria alegando o seguinte “Não se mudam as regras da tribo”.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Feriado



Não viajei, li bastante, dormi bastante, andei com o cachorro, li as tristes coisas que continuam acontecendo no mundo (pela internet, há tempos não abro um jornal e muito menos ligo uma tv): chuvas, desabamentos, assassinatos, Boris Casoy destilando seus preconceitos. Mal conhecia esse Boris Casoy, agora conheço.
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Estou lendo a biografia de Marguerite Yourcenar, L'invention d'une vie (J. Savigneau), que comprei em Bruxelas, no sebo L'Évasion em julho 2009. Deixei a biografia de lado um pouco e li dois livros de M.Y. que comprei na mesma época: Alexis ou le Traité du vain combat e Le Coup de Grâce. Gostei dos dois, comecei a ler sem muita expectativa porque não são considerados seus melhores livros, digo, não são importantes como Memórias de Adriano ou A Obra em Negro, o que não quer dizer que sejam ruins. Comprei os dois livros numa edição só, o primeiro, Alexis, é uma carta escrita por um jovem músico à sua esposa, Monique, explicando porque ele está indo embora, porque não pode mais lutar contra a sua natureza, a homossexualidade (palavra que MY, também homossexual, detestava).
O segundo livro, gira em torno do mesmo assunto (a biógrafa comenta a obsessão de Yourcenar pela homossexualidade masculina), em Le Coup de Grâce (Golpe de Misericórdia, Editora Nova Fronteira) há um triângulo amoroso, Sophie, irmã de Conrad, ama Eric que ama Conrad. É uma história de amor trágica que se desenrola no meio de conflitos políticos nos países bálticos, em 1919. A própria Marguerite afirma que a política em si não conta para Eric, que ele é um aventureiro, mas o que parece é que ele está sempre à direita e Sophie à esquerda, ela "nunca escondeu sua simpatia pelos vermelhos", observa o próprio Eric. No final Sophie é presa junto com os inimigos, e cabe a Eric (poderia ter sido outro, mas ele pede que seja ele) matar Sophie, o que ele considera uma espécie de punição da parte dela, uma 'armadilha'.

Grosso modo é isso o assunto dos dois livros. Se não me engano Alexis foi escrito quando a autora tinha apenas 24 anos.
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Imagem: Susan Stephenson

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Poema da sexta-feira

Irene no céu


Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.


Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Manuel Bandeira