domingo, 24 de janeiro de 2010

The Brazilian Sphinx


Acabei de ler este artigo do The New York Review of book sobre a biografia de Clarice Lispector escrita por Benjamin Moser, essa que todo mundo (o mundo literário, bien sûr) está comentando. Eu ainda não li a biografia, nem tenho o livro, mas pretendo ler um dia desses. A crítica do The New York é muito interessante. Fiquei surpresa com a declaração de que E. Bishop não gostava das novelas de Clarice Lispector, considerava ruins, entretanto gostava dos contos e até traduziu vários deles para o inglês.

"Though Bishop believed that Lispector's novels were bad and that Lispector had read nothing (except Hesse, Spinoza, Flaubert, and Agatha Christie), Bishop admired Lispector's short stories and translated several of them."

O autor conta que antes de começar a escrever seu artigo resolver fazer uma pesquisa, saiu perguntando quem já tinha lido Clarice, alguns conheciam o nome, outros tinham uma percepção errada da biografia dela, achavam que era lésbica, que tinha morrido num incêndio:

"Before beginning this review, I took a quick unscientific survey: Who had read the work of the Brazilian writer Clarice Lispector? When I consulted with Latin American scholars (well, only four of them) they grew breathless in their praise. She was a goddess; she was Brazilian literature's greatest writer. Further inquiry revealed some misunderstandings about her life, a life that clearly had reached mythic proportions, with a myth's errors and idiosyncratic details. Still, Lispector was held in reverent esteem by all four, though one believed she had died tragically in a fire (not so, although in her forties Lispector was burned on one side of her body, including her right hand, by a fire she accidentally started by smoking a cigarette in bed). Others were under the impression that she was a lifelong lesbian (also not so)."

Achei muito engraçada essa frase retirada de uma carta de Clarice, quando morava na Suíça, para a irmã: "Esta Suíça é um cemitério de sensações".

O autor do artigo aponta alguns defeitos na biografia: repetições, assuntos que começam e depois são abandonados, o casamento de Clarice assim como a relação dela com os filhos não são explorados:

"If there are other weaknesses in Moser's biography, they are largely organizational: there are repetitions, as well as subjects that once begun are then dropped. The character and nature of her marriage seems almost completely missing for twenty-two chapters; as is, to a lesser degree, her relationship to her sons. Although we do see her observing her boys and writing down their cute remarks in notebooks, her relationship to mothering veers from being primary to less than secondary and then back again in a flash. Her love life seems to go almost completely out after the fire in her forties, and her lifelong attachment to the handsome gay poet Lucio Cardoso has unexplained hiatuses."

O melhor é seguir este link e ler todo o artigo, quem já leu a biografia pode dizer se concorda ou não.

4 comentários:

Polly Etienne disse...

Ei leila, ganhei um gift card da amazon e vim aqui correndo pegar dica de leitura, hahahahha..lembrei de vc na hora...
bjs

Diz disse...

Qrda, eu estou lendo, lá pela pag 400, hj li sobre a Bishop por acaso. Sabe o q ela diz de Natal(cidade)? cidadezinha sem caráter, mas repete tb sobre Berna, acho-detestava.
Ele repete algumas coisas, mas não me incomoda, não é um escritor maravilhoso, mas sabe contar a história. Ela teve tts amigos interessantes e mm assim se sentia só- sei o que é isso. Tenho mt em comum c a Clarice- mulher.
Gosto dela, não me desaponta o q leio- pelo contrário. Tinha um filho esquizofrênico-isto já basta p dar a dor q ela sentia.
Bjs Elianne-Laura

Kovacs disse...

Leila, estou terminando a biografia que é realmente excelente! Depois vou comentar lá no meu mundo.

Diz disse...

Acabei de ler o livro- ele se repete, sim, não explora as rels dela c o marido e filhos, nem as amorosas- foi amante de Paulo Mendes Campos. Fala deo Lucio Cardoso, seu amor platônico bastante com oamigo, leitor, com quem ela dividia o que escrevia...
mas eu acho q seria demais invadir este terreno- os filhos estão vivos, não é?
sei lá... tem mta coisa curiosa sobre ela, vou postar mais um pouco p a Madoka q está no Japão e não tem acesso ao livro- e p vc q lerão e podem discordar de mim tb.
Bjs