domingo, 14 de março de 2010

Tempo, contratempo, língua e lógica

Tenho trabalhado muito neste começo de ano, às vezes me pergunto se eu poderia ganhar mais tempo para mim se me organizasse mais, mas a organização do meu tempo, pelo menos neste momento, não depende só de mim. Tomara que mude logo.

Estamos aqui com uma amiga francesa, aquela do sul da França (quase Espanha). Aqui e aqui tem umas fotos da cidade dela, Villefranche de Conflent, estive lá em agosto 2009. É uma região linda, nos Pireneus, adorei a semana que passei lá, gostaria muito de voltar este ano. Hoje eu estava conversando com minha irmã que vive em Bruxelas, Violaine (a francesa) estava por perto e quis saber o que era 'uai'. Olha, é difícil explicar, minha irmã deu a explicação clássica: 'uai é uai, uai!' Minha irmã vive há anos fora do Brasil e nunca deixou o uai de lado.

Violaine está dando aulas aqui na escola, ontem os alunos me chamaram e queriam que eu explicasse a ela o que era 'dar um jeito' e o 'jeitinho brasileiro'....oh lá lá. Eles tinham tentado explicar, mas ela entendeu errado e eles estavam frustrados, ela tinha entendido de forma positiva, dizia 'eu entendi, é controlar uma situação', os alunos 'nãaao, quer dizer é, mas não é'. É muito cultural, difícil de explicar.

E outro dia a Violaine tentando falar português: 'Mas você vai sem migo?' Tem lógica, mas as línguas nem sempre seguem a lógica.

A Violaine me trouxe vários desses posters vintage que eu adoro, um deles este aí do Chat Noir, eu já tinha um, mas em formato diferente. Trouxe também este do Lavabos e outros ainda, cada um mais lindo que o outro.

O canadense que estava aqui foi mesmo embora, acho que ao todo ficou dois meses no Brasil, teria ficado 3, mas estava muito deprimido e ficou mais deprimido ainda longe de casa, dos jogos olímpicos. O pior, coitado, é que caiu num lugar em que quase ninguém entende de esportes, muito menos de competição, ele queria conversar sobre hockey! Imagine. Pelo menos se fosse futebol, não que eu saiba sobre futebol, mas há sempre alguém no Brasil disposto a conversar sobre o assunto, mas hockey....um dia alguém entendeu que ele estava falando de Rock, só para dar uma ideia da gravidade. Enfim, o rapaz não se interessou por viajar, foi só ao Rio e disse que detestou, não se 'sentiu bem'. Eu fui a Vancouver uma ou duas vezes (duas, acho) e adorei a cidade, poderia viver lá tranquilamente, é lindo o lugar, mas eu sempre ia querer outros lugares. É estranho este apego a um lugar, o mais estranho é que nem o pai nem a mãe dele são canadenses de origem, cada um de um país da África, ele vem de uma família muito internacional. Não vou mais tentar encontrar explicação para o comportamento dele, está doente e espero que procure tratamento ao chegar lá. Não considero que ele estava doente por não ter gostado do Brasil, não sou nacionalista, é que ele não estava bem mesmo. Agora se eu receber notícias de que ele melhorou consideravelmente ao chegar lá, vou ter que reconsiderar.

Estou lendo The God Delusion, de Richard Dawkins.

5 comentários:

Dani disse...

Oi Leila!! Eu queria só te dizer que gostava bem mais quando conversávamos sobre todas estas coisas ao vivo, mas ler o que você escreve traz você pra um pouco mais perto de nós.. estamos com saudades!! Beijão!!!

Sonia disse...

Deve ser muio bom conviver com gente de tantas nacionalidades. Que riqueza de experiências...
Mas quanto a explicar "uai", "jeitinho" e outras duvido que consiga. Estou traduzinho um livro, de uma irlandesa, cheio de gírias e expressões populares. Mesmo consultando os dicionários de idioms and slang que existem online, pode-se apenas dar uma pálida idéia do significado.

Allan Robert P. J. disse...

Para sentir-se bem em outro lugar, é necessário estar pronto para sair do seu lugar. Se levar ele dentro, comparando e resmungando as faltas será difícil divertir-se.

Aprender uma língua será tão difícil quanto a diversidade cultural do povo que a usa. Existem certos conceitos em italiano que não consigo traduzir para o português, ou traduzo com perdas.O mesmo acontece no sentido inverso. Mas o mais divertido é ver os italianos, que só entendem o que conseguem etiquetar, tentando compreender alguns brasileiros.

:)

Adeline disse...

"Uai", "jeitinho"... Bonne chance Violaine.

A minha palavra portuguesa preferida é "Jeito". Tem tantos sentidos!

Anônimo disse...

Minha amiga australiana aprendeu português e adorava uma palavra: janela!!!!! Vai entender....