Star belga, Tintin, numa das paredes da estação Midi. Anúncio de uma exposição sobre um dos personagens mais famosos da HQ.
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Mais fotos aqui
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É interessante, para mim pelo menos, ver este blog voltando a ser Cadernos da Bélgica. Não será por muito tempo.... Muitas vezes pensei em mudar o nome do meu cantinho já que este Bélgica aí não se justificava mais, foi ficando, foi ficando.
Ontem acompanhei minha irmã na visita ao pediatra, foi uma experiência cultural. Ela está morando em um bairro, por assim dizer, bem popular, na sala de espera havia muitas mães com o véu e outras tantas africanas com aquele monte de tecidos coloridos. Muito elegantes por sinal. Gosto daquele colorido todo e do modo como dispõem as roupas. Já não posso dizer o mesmo do véu, ainda que eu corra o risco de ser 'politicamente incorreta' ou coisa pior. Esse véu me cansa, acho que é pelo símbolo mesmo que ele ostenta.
(mais brasileiros entrando aqui no café internet...)
Voltando à consulta, o médico e enfermeira estavam observando o bebe e explicaram que ele está em ótima forma, só não estavam muito certos sobre um 'amarelo' que eles analisam nos olhos dos bebês e que não conseguem entender totalmente o do meu sobrinho porque a cor dele os confunde. Estão acostumados com bebes ou negros ou brancos e o meu sobrinho é uma bela duma mistura, mãe brasileira (que já é por si uma mistura daquelas) e pai ruandês (mãe ruandesa e pai pasquistanês). Minha irmã nunca facilitou a vida de ninguém. Eu não entendi bem essa história do olho, mas não deve haver nada de errado, o próprio médico disse que sao detalhes. Enfim, não sei se expliquei bem. Tanto médico quanto enfermeira foram muito atentos, sem pressa, prontos para todas as perguntas e fizeram esta observação de modo profissional mesmo e porque minha irmã é muita aberta também. Não é do tipo que melindrosa que ao menor comentário sai reclamando de racismo. Tenho certeza, eu também, de que não se tratava disso.
Depois fui à embaixada do Brasil (não escapei desta!) pedir algumas informações para minha irmã sobre o registro de nene, depois parei numa livraria (não um sebo desta vez) e encontrei os Tanizakis que eu queria, mas, retardada que sou, percebi que tinha só 5 € no bolso e tampouco tinha levado cartão. Esquecimento resultante da troca de bolsas. Bem, ainda achei um Tanizaki por 2 € em livro de bolso e depois volto para comprar os outros. imaginem que comprei um livro por 2€ e ainda ganhei um livro de brinde! Dessas coisas eu sinto falta no Brasil, outra coisa boa é quando os carros param para os pedestres. Como disse meu amigo cearense outro dia quando atravessávamos uma rua aqui: 'Acho isso um luxo!'
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Botei minhas roupas na máquina e vim dar uma espiada nos e-mails e blog. Andei muitos nestes últimos dias. De dia e de noite, batendo pernas. Ontem fui ao mercado das pulgas, depois caminhamos, eu, minha irmã, o companheiro dela e o bebe até a Grand Place, lá comemos pita e outras baguncinhas que minha irmã adora, depois passamos em mais alguns sebos e eu procurei mais Tanizaki. Não achei, mas achei Kawabata que me interessava muito também e consegui siar do sebo só com este livro. Minha irmã me vigiando porque eu já tinha feito umas extravagâncias no mercado, ia comprar uns cartões 'de arte' por 0,50 cada. Ia escolher uns 10 daí o cara me propôs a caixa toda por 20 €. Minha irmã, quando viu aquilo, queria quebrar a caixa na minha cabeça. Mas tudo terminou bem e ela até me ajudou a carregar. São lindos os cartões, pertencia a algum colecionador, estava tudo muito organizado, separado por artista, nacionalidade...
O Manoel Carlos do Agreste sugeriu meu nome para participar de uma corrente. Correntes normalmente são chatas, essa é muito legal "se trata apenas de dizer que livro está na cabeceira, tecendo alguns comentários sobre o mesmo." (Copiei a explicação do blog dele). Falar de leituras é sempre bom, ele sabe que eu gosto, por isso deve ter me indicado. O livro que estava na cabeceira é este Le Coupeur de roseaux que eu tinha acabado de comprar e o li à noite mesmo, balançando o meu sobrinho até às 3 da manhã. O livro é bem pequeno, pouco mais de 100 páginas. De todos os livros que li de Tanizaki, uns seis ou sete, deste foi o que menos gostei. Isso não quer dizer que o livro seja ruim, os outros (Voragem, Le pied de Fumiko, journal d'un vieux fou, Naomi, As irmãs Makioka...) é que são muito bons. Nesse último que eu li, tem um cara que sai para apreciar a lua cheia numa determinada data que era muito propícia, ali, observando, ele encontra outro homem e este lhe conta a história de uma mulher linda que era amada por todos, quando fica viúva, sua própria irmã casa-se com uma homem só para permitir que ele fique perto de sua irmã que, tão bonita, não merecia viver na solidão a que a sua condição de viuva a obrigava. Tanizaki é um dos meus autores preferidos, muitos de seus livros jáo foram traduzidos para o português.
Hoje fui à Grand Place e tirei muitas, muitas fotos, só nao consegui passar para o computador ainda. Ficaram boas. Parece. A Grand Place e arredores continua linda, mas alguns cantos de Bruxelas estao muito feinhos. Uma pessoa me disse no Brasil 'Você vai para a Bélgica, dizem que a Bélgica é um cartao postal'. Ih, nao é bem assim, infelizmente. Se você passar com turista, correr a Grand Place, as cidades de Bruges, Antuérpia, Gand....é possivel ver imagens de cartao postal e voltar encantado. Se a gente adentrar um pouco mais, a coisa muda de figura. Na verdade isso vale para quase todos os lugares. Até Paris tem seus cantinhos feios, Londres entao, nem se fala. Ainda assim sao lugares com muitos encantos.
Hoje fui a um café internet, desses que simplesmente se apagam quando acaba o seu tempo. Eu, pateta que sou, me esqueci de prestar atenção ao tempo, fui escrevendo um post sobre minha estadia, sobre meu sobrinho, sobre rever Bruxelas depois de mais de um ano ausente e....quando estava no final, a tela foi desaparecendo. Não é o fim do mundo, nem fiquei muito nervosa. Quem mandou?
Cheguei, conheci o pequeno, muito bonitinho, ainda pequeno, pouco mais de 3 kilos. Minha irmã está cansada, acorda muitas vezes durante a noite...Nem eu nem o marido dela podemos ajudar nesta tarefa. O garotinho é pequeno, mas é bem guloso.
Confesso que estou muito ansiosa para ver meu sobrinho...ver fotos não é a mesma coisa. Na verdade nos deixa com mais vontade de vê-lo de perto. Claro que é melhor a foto que nada. O resto da família não tem a mesma sorte que eu, vão ter que esperar alguns meses quando minha irmã puder vir com o pequeno. Meu pai não entra nem em elevador, a não ser em casos extremos, prefere subri oito andares...num avião, então, jura que não põe os pés. Tem uma fobia terrível, não é frescura. Os outros da família ou não têm dinheiro ou não têm tempo, dois problemas bastante comuns. 


Mais nove dias....e ainda não tenho meu bilhete para São Paulo. Muita coisa por fazer ainda. Presentes para comprar é uma dessas coisas. Pouco tempo para escrever aqui e para deixar comentários nos blogs de vocês. Desculpem e obrigada por virem assim mesmo...

Reli, há algumas semanas, Noites do Sertão, Guimarães Rosa. Eu o tinha lido há uns 10 ou 12 anos. Meu livro ficou com um amigo que vive na Alemanha, é músico e disse que queria compor alguma coisa baseada no trabalho de Rosa. Comprei outro exemplar no sebo e me pus a ler sem me dar conta de que era o mesmo livro. Por incrível que pareça, tinha me esquecido. Já nas primeiras páginas percebi que já conhecia aquela história, claro, e ainda pensei, 'há tantos livros de G. Rosa que ainda preciso ler, não deveria reler este'. Mas, como parar? Não consegui, reli todo o livro e valeu a pena. É muito bonito, sobretudo a segunda história.
El vendedor de alcatraces
Tioman é uma ilha da Malásia, no mar da China, um lugar turístico e bastante bonito. É uma ilha que vive essencialmente do turismo. De Tioman eu me lembro das crianças, muitas crianças que olhavam para a minha máquina e começavam a fazer poses, brigavam para aparecer nas fotos. Tenho várias. Estas duas meninas estavam quase nos tapas, a menor queria aparecer em todas, aí parece que ela está de má vontade, mas é porque a outra tinha brigado com ela.
"A única e definitiva obsessão na vida do Capitão Acab é encontrar e acabar de uma vez com a grande baleia branca que arrancou uma de suas pernas. Não se deterá diante de nada; sacrificará sua vida e a dos outros; não dormirá; não descansará. A saga de Acab transforma seu navio e seus tripulantes em uma cruzada contra o que ele considera o Mal."
Este foi o filme deste fim de semana, é o segundo da trilogia de Lars Von Trier sobre os Estados Unidos (U.S.A. Land of Opportunity), o primeiro é Dogville, excelente. Todo mundo diz que o primeiro é melhor que Manderlay, deve ser, mas eu ainda estou sob o impacto deste e até agora não me parece que aquém.
Falei num num post anterior de minha irmã que estava grávida, uma que nunca imaginamos fosse ter filhos....mas, os 40 estavam batendo, ela pensou: Now or never. NOW.
Existe um problema de saúde chamado SAD (Seasonal Affective Disorder). Conheço alguém que vive em Seattle e que foi gravemente afetado por esta ‘disorder’ que é relacionada, mais comumente, ao inverno. Tanto que é também conhecida como winter depression ou, mais bonitinho, winter blues. Pois, ao que parece, comigo é exatamente o contrário do blues de inverno, hoje eu acordei super bem e o dia está fresquinho em Curitiba depois de alguns dias de um calor infernal. Sim, acreditem, faz calor em Curitiba. Eu vivi por muitos anos na Bélgica, enfrentei não sei quantos invernos e não tive nenhum problema relacionado ao tempo. Confesso que tinha dias que a gente sentia falta de um solzinho básico, eu tentava me organizar para vir ao Brasil pelo menos uma vez durante o inverno, mas não era nada que pudesse ser considerado ‘problema’. Em Singapura, onde também vivi, era quente, terrivelmente quente e úmido. Acho bem mais difícil viver num clima assim do que no frio. Você sai do banho e já está suando de novo, é um horror e me dá muitas dores de cabeça também. ....
Imagem: Bloom, V. Van Gogh
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Meu irmão estava de férias e veio passar uns dias comigo, chegou aqui falando tanto deste filme que eu mal podia esperar para ver. E lá foi meu irmão ver pela segunda vez, e riu tudo de novo, aliás já ria com antecedência, só de lembrar das cenas que estavam por vir. Eu também dei boas risadas, embora o filme seja, em alguns momentos, muito politicamente incorreto. Meio nojento também. É bom saber logo de cara que o criador do personagem e ator Sacha Baron Cohen é judeu, não fosse a coisa ia ser feia.






Este livro de Pierre Bayard me deixou curiosíssima, Como falar de livros que nós não lemos? É este o título. Eu suponho que seja uma ironia, mas não tenho tanta certeza. É que estou falando de um livro que não li, obviamente. Já me disseram 'só mesmo os franceses!' Os franceses dão muita importância aos livros e à literatura, disso todo mundo sabe....e, como é impossível ler tudo, o autor diz que dá umas dicas para a pessoa se sair daquelas situações embaraçosas em que não leu um livro que é citado num grupo ou por alguém numa conversa. Diz ele que dá para discutir longamente sem ter lido o livro em questão. Ele mesmo é professor de literatura...logo. No Brasil acho que o livro dele não é muito necessário, as pessoas, de um modo geral, não têm problema em confessar que não leram ou que nunca ouviram falar de tal escritor ou livro. Outro dia sugeri a um aluno (não meu, da escola)um livro, um bem fininho para não assustar, e ele respondeu tranquilo: 'Sô muito chegado não." Honestidade é isso. Se os alunos de língua estrangeira soubessem quantos anos de curso não economizariam se tentassem ler um pouco. Só isso já seria uma boa razão. 
The Dancing Girl of Izu and Other Stories