terça-feira, 22 de maio de 2007

vida belga


É interessante, para mim pelo menos, ver este blog voltando a ser Cadernos da Bélgica. Não será por muito tempo.... Muitas vezes pensei em mudar o nome do meu cantinho já que este Bélgica aí não se justificava mais, foi ficando, foi ficando.

Ontem acompanhei minha irmã na visita ao pediatra, foi uma experiência cultural. Ela está morando em um bairro, por assim dizer, bem popular, na sala de espera havia muitas mães com o véu e outras tantas africanas com aquele monte de tecidos coloridos. Muito elegantes por sinal. Gosto daquele colorido todo e do modo como dispõem as roupas. Já não posso dizer o mesmo do véu, ainda que eu corra o risco de ser 'politicamente incorreta' ou coisa pior. Esse véu me cansa, acho que é pelo símbolo mesmo que ele ostenta.

(mais brasileiros entrando aqui no café internet...)

Voltando à consulta, o médico e enfermeira estavam observando o bebe e explicaram que ele está em ótima forma, só não estavam muito certos sobre um 'amarelo' que eles analisam nos olhos dos bebês e que não conseguem entender totalmente o do meu sobrinho porque a cor dele os confunde. Estão acostumados com bebes ou negros ou brancos e o meu sobrinho é uma bela duma mistura, mãe brasileira (que já é por si uma mistura daquelas) e pai ruandês (mãe ruandesa e pai pasquistanês). Minha irmã nunca facilitou a vida de ninguém. Eu não entendi bem essa história do olho, mas não deve haver nada de errado, o próprio médico disse que sao detalhes. Enfim, não sei se expliquei bem. Tanto médico quanto enfermeira foram muito atentos, sem pressa, prontos para todas as perguntas e fizeram esta observação de modo profissional mesmo e porque minha irmã é muita aberta também. Não é do tipo que melindrosa que ao menor comentário sai reclamando de racismo. Tenho certeza, eu também, de que não se tratava disso.

Depois fui à embaixada do Brasil (não escapei desta!) pedir algumas informações para minha irmã sobre o registro de nene, depois parei numa livraria (não um sebo desta vez) e encontrei os Tanizakis que eu queria, mas, retardada que sou, percebi que tinha só 5 € no bolso e tampouco tinha levado cartão. Esquecimento resultante da troca de bolsas. Bem, ainda achei um Tanizaki por 2 € em livro de bolso e depois volto para comprar os outros. imaginem que comprei um livro por 2€ e ainda ganhei um livro de brinde! Dessas coisas eu sinto falta no Brasil, outra coisa boa é quando os carros param para os pedestres. Como disse meu amigo cearense outro dia quando atravessávamos uma rua aqui: 'Acho isso um luxo!'

....

6 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

No norte da Itália os carros também param para os pedestres, mas as caras são sempre enfezadas. Já no sul os motoristas param com caras de preocupados: "Machucou?"

Marconi Leal disse...

Leila, sinto uma tristeza imensa quando vejo o preço de livros na Europa e o comparo com o deles no Brasil. 2 euros! Não à toa se lê mais por aí. Beijos.

laura disse...

Aproveite bastante:)
curta o bebê, tão gostoso, né? ainda mais que é só de vez em qdo, melhor ainda :)
bjs Laura
Ainda não fiz o tal memem, mas um dia faço, ando cansada com dores na scostas.

laura disse...

meme, não memem que ficou quase menen hihihi

Polly disse...

Aqui na Australia os motoristas param para os pedestres também e os pedestres só atravessam na faixa tudo flui...lindo!!!! bjos

Manoel Carlos disse...

A primeira vez que levei minha filha Luana (se Mônaco estivesse no seu roteiro, eu daria o telefone dela e certamente ela a receberia ou disporia de um apartamento para você ficar uns dias), quem a atendeu foi um médico jovem e ele ficou assustado com o amarelidão dela, provocado por hipervitaminose, o diretor da clínica acompanhava o exame e riu muito, mas justificou: num país de famintos, era mesmo um quadro assustador; Luana ficou proibida de consumir, por algum tempo, beterraba, cenoura etc.
Quanto aos véus, eu não tenho tanta implicância, se você andar por algumas aldeias, inclusive portuguesas, verá muitas mulheres de véus; claro que há um aspecto que você, corretamente, abomina, por isto, em 1919, foi muito importante as mulheres rasgarem os véus nas três repúblicas islâmicas da URSS.