terça-feira, 2 de novembro de 2010

Parabéns, Dilma!


NEM O APARTHEID DERROTARIA DILMA
Mesmo que o Nordeste - onde Dilma teve 10.717.434 de votos a mais do que Serra - fosse excluído do acesso às urnas, como acalentam o elitismo preconceituoso e a extrema direita política, ainda assim a petista venceria o tucano por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9%. (Carta Maior, com Valor; 02-11)
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É triste o que estamos vendo (lendo) hoje pela blogosfera, uma onda de mensagens cheias de preconceito, sobretudo preconceito contra nordestinos que alguns desinformados acham que foram os únicos responsáveis pela vitória de Dilma. Não foram, eu também fui resposável, sou de Minas, mas votei no Paraná que é onde vivo hoje. Os pais de uma amiga nordestina vivem em São Paulo há muitos anos e, temo, votaram Serra e outros amigos do sul e sudeste votaram Dilma. Não se pode generalizar, de qualquer modo Dilma teria sido eleita mesmo sem os votos do Nordeste, como se pode ler aí acima.

E o pior de tudo é que algumas mensagens anti-democráticas, machistas, elitistas foram escritas até por amigos meus. E amigas, pior ainda. Uma escreveu no facebook que estava com vergonha de ser brasileira, a essa que é muito jovem (aliás, muitos jovens estão surpreendendo pelo conservadorismo) eu respondi que na minha opinião ela não tinha razão para sentir vergonha, que eu, ao contrário, estava orgulhosa por ter uma mulher na presidência. E estou mesmo, muito. Não votei na Dilma só por ela ser mulher. Marina é mulher e não votei e não votaria nela, mas acho que este é um fator a se levar em consideração sim e é uma pena que tantas mulheres não tenham entendido isso ainda. O Brasil é um país machista e temos que mudar ainda muita coisa, para o bem das mulheres e dos homens. Eleger uma mulher foi um grande passo.

"Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados."

Leonardo Boff