sábado, 7 de março de 2009

Travesuras de la niña mala


Acabei de ler Travesuras de la niña mala, um dos livros que comprei no Chile, mais especificamente em Viña del Mar, num dos dias de muito calor em que nos refugiamos numa livraria. Quer dizer, eu me refugiei porque a minha amiga francesa não tinha problema nenhum com o calor.

Não gostei do livro, já no começo eu tive uma certa intuição de que não era para mim, mas continuei, li até o fim, li a última página neste instante. Continuei porque continuei, sem pensar muito e talvez porque o livro, bem o mal, desperta a curiosidade do leitor. Já é um trunfo, mas não pretendo reler nunca e vai demorar até que eu abra de novo um livro de Vargas Llosa. Não estou afirmando que seja ruim, estou afirmando que eu não gostei. Há autores bons de que não gostamos. Fazer o quê? O pior é que esse é o primeiro livro que leio de Vargas Llosa.

A personagem principal do livro, a tal Menina Má (por mim poderiam ter traduzido como 'menina mala' mesmo, é isso que ela é)é antipática do começo ao fim, só em duas passagens o leitor pode sentir alguma compaixão por ela, quando ela fica doente. Ela é fria, calculista, uma espécie de prostuta de luxo, se prostitui através de casamentos ricos. O outro personagem, o que conta a história e que é chamado de Niño bueno é o gato e sapato dela. É admirável tanta dedicação e tanta passividade.

De qualquer modo isto é só o enredo, poderia até dar uma história interessante. Junichiro Tanizaki já escreveu história semelhante em Noemi, mas é mil vezes melhor a sua forma de contar, isso muda tudo.
....
Semana cansativa e quente.

Revi um filme de B. Betolucci, O céu que nos protege, baseado em romance de Paul Bowles (1910-1999). É um filme interessante, basta ver a primeira (ou uma das primeiras) fala do filme:

Turner: Somos os primeiros turistas desde a guerra.

Kit: Somos viajantes, não turistas.

Turner: Qual a diferença?

Port: O turista pensa em voltar para casa assim que chega.

Kit: E o viajante pode nem voltar.

Esse "pode nem voltar" é significativo, não só no filme, mas para todo viajante.


4 comentários:

anlene gomes de souza disse...

Oi Leila, te descobri por um comentário no blog da Nora. Queria saber se posso incluir teu blog aqui:
http://www.mundopequeno.com/

É um site da Luciana Misura (blog Colagem: http://luciana.misura.org/).

Tenho ajudado na atualizaçao dos blogs. Se tiver interesse, me avise.
Bj

Allan Robert P. J. disse...

Tenho uma regra muito pessoal de leitura: não sou obrigado a ler um livro até o fim. O problema é quando simplesmente largo o livro sem tomar essa decisão e fico me sentindo em falta.

anlene gomes de souza disse...

Oi Leila, pois é, li tão rápido que nem me dei conta: você não mora mais na Bélgica ;), mas voltarei por aqui! beijos

Sonia disse...

Li a menina má em português mesmo. Não achei uma maravilha, mas também não me desagradou. De Vargas Llosa o que lembro de ter gostado muito foi Conversa na Catedral, republicado como A Cidade e os Cachorros, tradução fiel do título original. Concordo com quem disse aí acima que, se um livro não nos agrada, para que continuar lendo? E, concordando com você, diz Lobo Antunes, "Temos de aceitar que há livros muito bons de que não gostamos e livros de que gostamos que podem não ser bons."