sábado, 23 de maio de 2009

Down and Out in Paris and London

Decidi pela pausa entre o volume 1 e o 2 de Os irmãos Karamázov e li, quer dizer, estou terminando de ler este Down and out in Paris and London* de George Orwell. Estava planejando ler este livro há algum tempo, desde a última vez que estive em Londres (há quase dois anos, talvez) e o marido da minha prima, um inglês, me falou do livro. Ele gosta muito de G. Orwell, como ele ainda estava lendo o livro eu não ousei pedir e também não comprei o livro naquela ocasião, não sei o porquê, decerto que não tinha mais tempo ou já tinha acabado a minha quota de livros. Agora acabo de receber uma visita dos Estados Unidos e o encomendei, deve ter custado no máximo 5 dólares, é usado e foi comprado pelo site da Amazon. É possível também ler online aqui.

O livro foi publicado em 1933, um dos primeiros trabalhos publicados de G. Orwell, ao que parece o livro foi recusado muitas e muitas vezes. O livro que é considerado biográfico (ou semibiográfico) começa com um relato da época em que Orwell estava vivendo uma vida de miséria em Paris, quando chegou dava aulas de inglês, depois o seu único aluno desaparece e ele se vê cada vez mais à deriva, descreve o hotel onde vivia, os arredores, o momento em que não tem mais dinheiro nem para pagar o quarto horrível onde vive, a fome, a vida dos outros tão miseráveis quando ele. Finalmente Orwell consegue um trabalho como plongeur em um hotel muito rico (ele nunca escreve o nome) na cidade. Plongeur é a pessoa que lava pratos num restaurante, trabalha até 15 horas por dia, o autor mesmo descreve este trabalho como sendo o pior de todos na hierarquia, um plongeur é o 'escravo do escravo'. A vida de um plongeur se resume a 3 coisas: sobreviver ao dia de trabalho, comer alguma coisa, dormir algumas horas. É horrivelmente triste. O cansaço e a falta de tempo mata qualquer desejo, qualquer possibilidade de mudança, qualquer reflexão, desumaniza. Além disso ficamos sabendo dos bastidores também, o hotel chiquérrimo na frente e nos fundos a porcaria total, comida preparada sem nenhum cuidado, pouca importava a higiene contanto que o prato estivesse apresentável, bonito. O autor até conta que uma vez foi lavar as mãos antes de pegar na manteiga e os outros riram dele. Li que os donos de hotéis parisienses reclamaram muito quando o livro foi finalmente publicado. Eu os entendo perfeitamente.

Um dia Orwell deixa a vida de plongeur em Paris e volta para Londres, um amigo tinha lhe arrumado um trabalho, quando chega a Londres entretanto, outra decepção, ia ter que esperar um mês pelo menos para começar o trabalho e aí começa a outra etapa, a vida de mendigo que ele descreve em detalhes, as caminhadas de um abrigo a outro (não se podia dormir no mesmo abrigo mais de uma vez), a sujeira, as doenças, a ignorância, a fome outra vez...

Eu não sei se Orwell decidiu viver essa experiência só para narrar depois, tem gente que diz que sim. Mesmo depois de ser um escritor já reconhecido ele vivia uma vida extremamente simples, como se tivesse feito um 'voto de pobreza' alguns amigos dizem.

O verdadeiro nome de Orwell é Eric Arthur Blair, ele nasceu em Londres, no dia 25 de junho de 1903 e morreu em 1950. Seus trabalhos mais conhecidos são Animal Farm** e 1984.

*Na Pior em Paris e Londres (no Brasil) e Na Penúria em Paris e Londres (em Portugal)
**A Revolução dos Bichos.

4 comentários:

Diz disse...

Eu li um livro dele há tanto tempo...nem sei qual foi-acho que o
1084.Todo mundo igual, é este não é?
bjs Laura

Gilberto G. Pereira disse...

Oi, Leila! Há muito também penso nesse livro. Orwel levava uma vida regrada, como você disse, né. Talvez porque quisesse, mas, veja você, hoje em dia seu talento sustenta muita gente, por causa do Big Brother, que, a rigor, também tem muito de Jeremy Bentham, né.
Olha, você deu um pulo lá no meu blog, respondi lá, mas digo aqui também. Seu comentário demorou para aparecer porque eu me mudei de cidade, estou em Goiânia agora, e fiquei uns dias sem acessar.
Grande abraço!

Sonia disse...

Fiquei curiosa, querendo ler. Jamais me passaria pela cabeça a idéia de que um autor tão conhecido (até por quem não o leu, graças à expressão Big Brother)tivesse passado por tantas agruras.

louraidan larsen disse...

realmente, o trabalho de plongeur é um dos piores do mundo. experiência própria: passei por isso em londres...

não sabia nada dessa história do orwel. contei pro pessoal aqui do trabalho, e alguns acham o que vc disse - que ele passou por isso só pra escrever depois. de qualquer forma, minha admiração pelo escritor aumentou.