domingo, 14 de janeiro de 2007


Lá se foi mais um ano...e já foi tarde. Bom, não vou ser tão ranzinza e renegar um ano inteiro, mas que foi duro foi, como deve ter sido o da maioria. Sentei aqui para pensar no 2006, fazer uma pequena reflexão, é bom fazer isso de vez em quando.Se essa reflexão não for digitada não ficará completa, eu vou me perder. A última sacudidela do ano eu me lembro bem, vou começar por ela. Foi a minha irmã telefonando de Bruxelas muitas vezes por semana para me falar da briga com o namorado - claro que eu não tenho nada com isso, o problema é o que veio depois, bem no meio da briga....ela me liga e diz, ‘acho que estou grávida’. Mas o problema ‘real’ por assim dizer não é minha irmã ‘se descobrir’ grávida no meio da confusão sentimental. O problema é (era, já é passado) a gravidez da minha irmã. A gravidez, un point c’est tout! Why? (Eu sempre escrevo why, perché ou pourquoi nesses casos aqui pela seguinte razão, é que eu me esqueço das regras do porque, por quê, etc ao invés de verificar eu tasco o correspondente em outra língua ....) Bem, a gravidez da minha irmã, no fundo, é também problema dela, mas ela nos pegou de surpresa. Minha irmã grávida, em princípio, causa muita estranheza. Nunca pensei que ela fosse ter filhos, nem eu nem ninguém da minha família. Até minha mãe, quando recebeu um telefonema dizendo “Você vai ser avó de novo”, pensou em todas as possibilidades exceto na dita irmã. Foi inesperado, minha irmã nunca demonstrou interesse por crianças, tinha horror de mulher grávida (desculpem, mas é verdade, ela achava muito estranho e dizia isso)...agora, quando o calendário dela ia apontando quarenta, ela pimba, sucumbiu ao instinto materno. Só pode ser isso. Bom, daí ela e o namorado fizeram as pazes, etc e tal e nós, a família, já estamos nos acostumando com ela ‘grávida’ e com mais um rebento. Assim falando parece que não estamos gostando, mas é difícil explicar esse choque. Eu gosto de crianças e já estou começando a curtir, eu só fico meio horrorizada é com a coragem das pessoas de colocarem mais uns serezinhos neste mundo. Mas o tal instinto decerto explica essa parte.
Antes disso muitas coisas aconteceram neste 2006, inclusive mais uma mudança, muita enxaqueca, desentendimento com um amigo, o que foi muito chato mas também faz parte da vida, acidentes com gente da família (disso eu não quero nem lembrar). Há sempre as pequenas alegrias, as risadas em família, com amigos...Não é só desgraça. E há os livros, ajuda muito. Sério.

O balanço das leituras, então. Poderia ter sido mais seletiva, mais organizada, mas está bom, li alguns bons autores, Mishima, Tanizaki, Bishop, reli Sartre, li mais um livro de Rubem Fonseca para constatar que não é mesmo o meu gênero. Não que ele não seja bom, eu é que não gosto dele, pelo menos do que li até aqui. Adorei uma HQ, O Menino do Kampung, de um desenhista malaio. Muito poética. Outra HQ importante foi Maus, de Art Spiegelman e Derrotista, de Joe Sacco. Li Dalton Trevisan, todo ano eu leio pelo menos uns três livros dele, todos bem pequenos, com aqueles contos minúsculos... sempre bom. Li Virginia Woolf. E li muitos trabalhos de amigos, excelentes trabalhos. Vi alguns bons filmes, um dos melhores foi Old Boy em dvd, um dos piores foi Brasília 18º, no cinema mesmo, fosse em DVD eu acho que teria desligado antes. No cinema eu não podia sair, estava acompanhada e não sabia se os outros estavam gostando. De qualquer modo é raro que eu abandone um filme pela metade no cinema.

Vixi, tanta coisa cabe num ano. Tantas alegrias e tristezas, encontros, desencontros, erros, acertos...vamos parando por aqui.

4 comentários:

Mirtes disse...

Leio sempre seu blog.Acho bom.
Hoje gostei muito porque eu tb fico horrorizada com a coragem que as pessoas tem de colocar um ser no mundo!!!
Acho qe não pensam ou ainda não sentiram o que é esse mundo!
Beijos
Mirtes

Wagner disse...

Entendo perfeitamente o choque a que você se refere (pôr uma criança no mundo). Se mais gente tivesse o mesmo choque talvez o mundo estivesse "salvo". Que paradoxo!

Eu queria ter lido tanto quanto você...

Beijo.

Sonia disse...

Huumm, Leila vou ocupar um pouco do seu espaço - você, com seu balanço, me provocou. Como todos os anos, este que acabou me trouxe coisas boas e más: Um livro que abandonei pelo caminho. Mas comecei um outro - que bom. Mas a necesidade de ganhar a vida revisando livro alheio me faz escrever devagar quase parando. Finanças? Nem me fale nelas - mais um ano assim e peço concordata. Quanto a ter coragem de pôr mais alguém neste mundo louco, nem tudo são flores, mesmo assim vale a pena. Filhos, quanto problema. Mas existe a neta - e sem filhos nada de neta - agradando (e desagradando a outros) com o que escreve em seu blog ousado. Será que um dia vai seguir esta profissão tão desvalorizada de escriba? Mas o que 2006 me trouxe de ruim mesmo foi a desilusão com meu país. Não me refiro apenas a uma eleição. É que deixei de crer neste Brasil, tão decadente em tudo. E isso tá doendo muito.

Manoel Carlos disse...

É difícil eu, um proletário, cujos bens são a prole, falar sobre ter filhos. Em um ano muita coisa mudou, inclusive você abordar aqui coisas tão pessoais, de forma tão ousada. Sua irmã lê?
Deve ter sido desagradável o desentendimento com um amigo, eu que valorizo muito as amizades avalio quanto você deve ter sofrido.
Certamente foi trabalhosa mais uma mudança, por mais que novos ares façam bem.
Costumo fazer dois balanços anuais, no Ano Novo e no meu aniversário, acho uma prática salutar.
De certa forma, ao contrário do estado de choque de sua família, o que mais marcou 2006, positivamente, foi a nascimento do meu primeiro neto; negativamente, o marco foi a consciência do processo de degradação material e moral em que nosso país está mergulhado.