quinta-feira, 5 de junho de 2008

Convite para uma decapitação

Invitation to a Beheading

Vladimir Nabokov

Vladimir Vladimirovich Nabokov nasceu em São Petersburg em 22 de abril de 1899 e morreu na Suíça em 1977. Escreveu em russo e em inglês. Dele ainda tenho aqui na fila Pnin e Fogo Pálido e já li, claro, Lolita.

Invitation to a beheading foi traduzido em Portugal como Convite para uma decapitação (Vladimir Nabokov, Convite para uma decapitação, Assírio & Alvim, Fevereiro de 2006, 217 pp. Tradução do inglês por Carlos Leite), pesquisando na internet não achei nada sobre ele no Brasil, mas não procurei muito.

Nem pretendo resumir aqui a história deste livro, seria muito difícil e insensato. A trama: Cincinnatus C foi condenado à decapitação pelo crime de ‘torpeza gnóstica’(“gnostical turpitude”) e cabe ao leitor deduzir o que vem a ser isso. Parece que torpeza gnóstica é ‘ser diferente’, é não poder ou não querer ver o mundo como os demais. O pobre condenado não consegue nem mesmo entender a natureza do crime e não há ninguém com quem possa dialogar ou tentar qualquer comunicação por mais básica que seja. Cicinnatus C. espera o cumprimento da sentença, temeroso, ansioso, ninguém quer lhe informar a data marcada para a decapitação, os personagens que o cercam são surreais e ele prefere passar seu tempo, o que lhe resta, a ler e a escrever. A parte do escrever é bastante interessante e já ia me esquecendo dela, (faz meses que terminei a leitura e não arrumava coragem para as anotações). Sempre que vai começar a anotar alguma coisa o personagem se pergunta se realmente vale a pena, dali a dois minutos podiam vir buscá-lo para a execução e de nada adiantaria ter começado. E não buscavam, então ele pensava, ‘bem que eu podia ter começado a escrever’.

É um desses livros que a gente não consegue largar, mas é bastante difícil falar dele, por isso adiei tanto. Sei lá, acho que é uma história para ser lida mesmo ou é incompetência minha. Tem livros assim que adoro, mas que na hora de comentar não sai muita coisa. Um deles, por exemplo, é Mrs Dalloway.

Vou mudar radicalmente de viés e vou dizer como foi o meu primeiro contato com este Invitation to a beheading. Isso é curioso, isto é, os caminhos que nos levam aos livros. Neste caso (e em muitos) é outro livro, Reading Lolita em Tehran, a autora, uma professora de literatura, fala deste Nabokov desde a primeira página do seu livro e volta a ele muitas e muitas vezes, eu, claro, fui ficando muito curiosa a respeito e o li na primeira oportunidade. Uma das citações que me deixou muito intrigada pela bizarrice da cena é a que diz que o prisioneiro tinha o direito de dançar com o guarda da prisão desde que o guarda consentisse. E eles dançam.



3 comentários:

Marco Oliveira disse...

Leila, obrigado pelas palavras. Eu, sempre que posso, dou uma passada por aqui, adoro os seus textos. Espero que se divirta com as insanidades dos meus. Abraço. Marco

Diz disse...

'LOlita' é delicioso, li um outro dele que não gostei, mas não lembro o nome, era sobre um cara mto decadente. Ou não seria dele?
minha memória me trai às vezes.
bj Laura

Sonia disse...

Fiquei curiosa. Certamente haverão de lançar por aqui.