quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mensagem de adeus de Stefan Zweig

Encontrei esta carta de despedida numa página francesa dedicada ao autor e procurando por aí achei a versão em português neste site da casa Stefan Zweig. Na verdade não sei em que língua ele redigiu sua mensagem, suponho que tenha sido em alemão. Faz pouco tempo reli um livro de Zweig, O Jogador de Xadrez, uma história bem curtinha e muito boa de um campeão de xadrez, um cara bronco, vaidoso, mas que joga muito bem. Um dia encontra um oponente à altura, mas fora dos campeonatos, esse oponente é que é a peça interessante da história, ele aprendeu a jogar durante o tempo em que esteve só, preso numa cela, ali encontrou um livro que descrevia várias jogadas, para não ficar louco na prisão ele foi guardando na memória as várias possibilidades.
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Declaração Stefan Zweig
Antes de deixar a vida, de livre vontade e juízo perfeito, uma última obrigação se me impõe: agradecer do mais íntimo a este maravilhoso país, o Brasil, que propiciou a mim e à minha obra tão boa e hospitaleira guarida. A cada dia fui aprendendo a amar mais e mais este país, e em nenhum outro lugar eu poderia ter reconstruído por completo a minha vida, justo quando o mundo de minha própria língua se acabou para mim e meu lar espiritual, a Europa, se auto-aniquila.Mas depois dos sessenta anos precisa-se de forças descomunais para começar tudo de novo. E as minhas se exauriram nestes longos anos de errância sem pátria. Assim, achei melhor encerrar, no devido tempo e de cabeça erguida, uma vida que sempre teve no trabalho intelectual a mais pura alegria, e na liberdade pessoal, o bem mais precioso sobre a terra.Saúdo a todos os meus amigos! Que ainda possam ver a aurora após a longa noite! Eu, demasiado impaciente, vou-me embora antes.
Stefan ZweigPetrópolis, 22. II. 1942

3 comentários:

louraidan larsen disse...

foi ele quem disse que o brasil era o país do futuro, né?

tem um texto na folha: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult2707u45.shtml

hoje que vi os comentários no blog. obrigado. ele é antigo... minha estadia na inglaterra foi de jan-jun 2007. abraços.

Gilberto G. Pereira disse...

Leila, muito boa essa sua lembrança de Stefan Zweig! Pelo que a gente lê em Morte no Paraíso, de Alberto Dines, foi um homem dotado de uma inteligência ímpar. Além disso, em muitas biografias de intelectuais europeus lemos o nome dele. Era um grande intelectual judeu, e rico também, que veio fugido da Áustria, para não ser morto pelos nazistas. Veja você, chegando aqui, foi praticamente obrigado por Getúlio Vargas a escrever o livro Brasil, um país do futuro. Eu queria ler mais coisas dele. Queria ler mais coisas de Alberto Dines também.
É isso, Leila.
Um grande abraço!

Laura Diz disse...

é estranho tirar a própria vida, mas eu acho que é um direito tb.
Ele e a mulher morreram. É triste porque trágico. Cansou de viver. Era querido, tinha amigos- vi um filme sobre ele, não lembro de quem, um brasileiro.
Viver no exílio mesmo por opção é mto difícil- eu me sinto meio exilada aqui, é mto solitário, difícil começar tudo de novo, entendo bem, Vc tb deve saber, viaja mto.
Bj querida, Laura
o tal Sarkosy, um amigo acaba de me dizer, roubou horrores e é odiado lá.