domingo, 1 de fevereiro de 2009

Depois da Chuva

Vi ontem à noite este que eu imaginava um dos filmes de Kurosawa, não é exatamente dele, ele escreveu o roteiro baseado num conto do autor japonês Shugoro Yamamoto (não conheço, mas deve ser bom) e quem dirigiu foi Takashi Koizumi que trabalhava com Kurosawa. Eu achei lindo o filme.

É a história de Misawa, um samurai, desempregado, um homem talentosíssimo, mas com dificuldades para permanecer num emprego porque lhe falta alguma coisa, não se integra embora seja uma pessoa boa, generosa, humilde, talvez humilde demais para um samurai. Ele está com a esposa numa hospedaria esperando que a chuva passe para poder atravessar o rio e continuar na sua busca. Na mesma hospedaria se encontra um grupo muito pobre e que, com o estômago vazio e a chuva incessante, já começava a ter problemas de relacionamento. Misawa, com pena deles, inventa de preparar uma festa, ele tampouco tem dinheiro, mas tem a sua espada, ele vai a um castelo das redondezas e desafia os outros samurais, luta por dinheiro, isso não é nada bom para o currículo de um samurai, mas ele arrisca a reputação assim mesmo.

Num de seus passeios enquanto esperava as águas do rio baixarem, ele encontra um grupo lutando e impede um duelo. O senhor do castelo daquelas terras percebe a sua interferência e fica encantado com sua atuação. Este senhor estava justamente à procura de alguém que pudesse se ocupar do treino de seus empregados e oferece o posto ao samurai peregrino, ele fica muito contente, claro, estava à procura de um trabalho, mas logo desperta a inveja dos outros conselheiros do castelo e tudo vai de novo pro brejo, coitado.

É bem interessante a parte em que dois conselheiros do castelo vão até a hospedaria para dizer a Misawa que infelizmente ele não tinha sido aceito para o cargo porque descobriu-se que ele tinha lutado por dinheiro. Ele diz que era verdade, tinha mesmo feito isso, que era indigno (bem japonês). Sua mulher que estava ouvindo a conversa diz aos dois que ele tinha lutado para poder oferecer comida e um pouco de alegria a algumas pessoas simples. Ela acrescenta que, embora ele tivesse prometido nunca mais lutar por dinheiro, ela o liberava da promessa já que ele o fazia por razões nobres, mas, claro, os dois que estavam ali na frente dela, eram idiotas demais para entender isso.

A mensagem do filme, eu acho que há uma, não é assim tão sombria, o samurai finalmente atravessa o rio com sua digníssima e amorosa esposa, ela gostaria que ele se integrasse, que tivesse um bom trabalho, mas ao mesmo tempo tem orgulho do caráter dele e o aceita tal qual ele é. Ele se lava numa queda d’água no meio do caminho e diz à esposa que está bem, pronto para a próxima, para continuar tentando.
...
Ame Agaru, JAP, 1999, Direção: Takashi Koizumi, Roteiro: Akira Kurosawa, Elenco: Akira Terao, Yoshiko Miyazaki, Shiro Mifune, Mieko Harada, Fumi Dan, Hisashi Igawa, Hidetaka Yoshioka, Tatsuya Nakadai, Duração: 91 min.

4 comentários:

bambucarlosdiz disse...

Engraçado, eu conheço um filme cm este nome, ma sé tcheco ou outra nacionalidade.
Amo os filmes de kurosawa, este deve ser ótimo. SAudades.
Vou pegar um, se achar.
Eu nunca pego filmes, tenho preguiça d edevolver no dia seguinte...
hihihi
menina, vou te responder por email o que disse lá.
Bjs Laura
vou ver o van gogh aqui em baixo, tb amo.

D. disse...

Ih! foi com o nome do meu irmão:) ele estava aqui fazendo um blog, se quiser vá ver. Estamos fazendo, ele trabalha com bambu e ferro.
Vou colocar umas fotos lá.
bjs Laura

D. disse...

Que alívio vc ser pior que eu em relação a atores novos Ufa! me canso de estar no meio de jovens não saber quem é fulano.
Bjs laura

Shihan Enomoto disse...

A mensagem que não é explicita no filme é sobre a nobreza e caráter do ser humano.
Os valores morais como a nobreza, benevolência, etc não tem valor visível, como as posses materiais e títulos.
Porém há pessoas que como o incenso, singelamente perfumam a vida com a sua existência, mesmo que breve.