quarta-feira, 27 de abril de 2005

A Ostra e o Vento

Li na semana passada, seguindo sugestão do amigo Manoel Carlos, o belíssimo e poético A Ostra e o Vento. A narrativa, ou melhor, o clima é quase onírico e há sensualidade em cada linha, nada parece ser escolhido ao acaso, nem os nomes dos personagens: Marcela (Mar cela), por exemplo, nem as palavras para descrever os mesmos personagens ou a ilha.

Confesso que precisei do empurrão do Manoel Carlos para conhecer esta obra, às vezes, durante a leitura eu me perguntava, ‘Como pode um livro destes não ser mais conhecido?’, mas suponho que ele seja bastante conhecido no Brasil, já foi, inclusive adaptado para o cinema(estou procurando o DVD) por Walter Lima Jr., em 1997.

Quem quiser saber mais sobre o autor encontrará informações no Agreste ou no website da Editora Quartet.
A primeira edição do livro data de 1964, eu tenho aqui a sétima edição que é de 2000 e traz um prefácio do pesquisador americano Michael Fody. Copio aqui uma pequena parte deste prefácio:

“Considero importantes todos os romances de Lopes, mas se eu tiver que apontar um como merecedor do título de obra-prima, proporia sem hesitação A Ostra e o Vento.”



A ostra e o vento
Chico Buarque/1998Para o filme A ostra e o vento, de Walter Lima Jr.

Vai a ondaVem a nuvem
Cai a folha
Quem sopra meu nome?
Raia o dia
Tem sereno
O pai ralha
Meu bem trouxe um perfume?
O meu amigo secreto
Põe meu coração a balançar
Pai, o tempo está virando
Pai, me deixa respirar o ventoVento
Nem um barco
Nem um peixe
cai a tarde
Quem sabe meu nome?
Paisagem
Ninguém se mexe
Paira o sol
Meu bem terá ciúme?
Meu namorado erradio
Sai de déu em déu a me buscar
Pai, olha que o tempo vira
Pai, me deixa caminhar ao ventoVento
Se o mar tem o coral
A estrela, o caramujo
Um galeão no lodo
Jogada num quintal
Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo
Ai, meu amor para sempre
Nunca me conceda descansar
Pai, o tempo vai virar
Meu pai, deixa me carregar o vento
VentoVento, vento

5 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

A verdade é que as pérolas não se encontram facilmente: é necessário que alguém as vá garimpar e as traga à tona. (Foi só um trocadilho para concordar que realmente se trata de obra prima.)
Ciao

Denise Arcoverde disse...

Boa dica, Manoel e Leila! :) preciso ler esse livro um dia! beijos!!!

Manoel Carlos disse...

Leila, entrei nesta postagem com "Pilatos entrou no credo", como se diz em Pernambuco.
Tenho a honra e a felicidade de ser amigo do autor, o qual,certa vez, numa palestra sobre técnica literária, se referiu à minha filha (na ocasião com 13 anos) como escritora - para quase fazê-la desaparecer na cadeira.
Cito o episódio para ilustrar a simplicidade de Moacir, peculiar aos gênios, e o carinho com os amigos.
Moacir é um mestre da narrativa, um profundo conhecedor de literatura e um perspicaz leitor.
Creio que uma forma simples de provar isto é mostrar o comentário que ele fez sobre o seu poema formas: http://www.agrestino.blogger.com.br/2005_03_01_archive.html#35576808
que publiquei em: http://www.agrestino.blogger.com.br/2005_02_01_archive.html#35238061

Laura disse...

Leila, sabe que ainda naoh li, nem vi o filme? coisas que a gente faz... vou procurar ler.
Um bj laura.
bom que voltou a postar.

mariza disse...

Assisti o filme, belíssimo.
beijos.
mariza