sexta-feira, 27 de março de 2009

O poema da sexta-feira

Noite morta


Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.


Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.


No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.


O córrego chora.
A voz da noite . . .


(Não desta noite, mas de outra maior.)

Manuel Bandeira

Petrópolis, 1921

2 comentários:

O que elas estao lendo!? disse...

Oi, o blog hoje está cheio de novidades. Passe por lá.

Abracos

Lígia Guedes disse...

Emocionante!

Boa semana!