terça-feira, 22 de agosto de 2006

Violência - Blogagem Coletiva



A Laura propôs para hoje uma blogagem coletiva sobre Violência e sugeriu que eu fizesse um mini conto sobre o tema. Não consegui escrever o mini conto a tempo...então vou falar sobre coisas que me vieram à cabeça....Uma delas foi o filme Cidade de Deus. Eu estava vivendo nos Estados Unidos quando ele saiu no Brasil, uma amiga também brasileira me contou que viu muita gente (americanos, suponho) saindo do cinema antes do fim do filme. Chocados! Sim, o filme pode chocar, deve ser parte do objetivo do cineasta, inclusive. Mas, para nós, a invasão do Iraque é uma violência igualmente chocante, não? Assim como outras atitudes dos Estados Unidos, os ataques à soberania de outras nações. Há 'violência' e 'violência'. Eu acho que existe uma violência típica brasileira. Já li em algum lugar, faz tempo e não posso citar a fonte (e isso não é um artigo científico) que o ladrão brasileiro não quer só roubar, ele quer deixar a marca dele. Ele destrói o sofá que não pode levar com ele, ele bate na velhinha que não tem nada. Isso também não deve ser uma regra...

Já nos Estados Unidos (nós falávamos muito disso lá) tem aquele cara normal, que todo dia se levanta e vai trabalhar no escritório, um belo dia ele chega no trabalho com uma metralhadora, mata a metade dos colegas e se mata depois.

Voltando ao Cidade de Deus e outros filmes...os próprios brasileiros que vivem fora, muitas vezes reclamam do Brasil mostrado no cinema, dizem que os cineastas deviam mostrar outras coisas, as belas praias, a música, Foz do Iguaçu, Pantanal, Bonito, carnaval e mais futebol ainda...o brasileiro imigrante é um ser estranho (talvez todo imigrante) ele critica muito severamente o país de origem, o país que o 'mandou pra fora', que não lhe ofereceu as condições de vida que ele esperava, que exerceu sobre ele uma violência porque era no Brasil que ele se sentia em casa. Não é exatamente um aventureiro, ele se sente empurrado, um rejeitado no seu país e mais rejeitado ainda no país que o acolheu. Uma situação esdrúxula. Esse brasileiro, por outro lado, não quer ouvir críticas ao seu país. Se alguém critica ele já se sente atacado. Até mesmo um filme bonito como Central do Brasil era um embaraço para muitos desses imigrantes, violência mais uma vez, poeira nordestina, tristeza...os europeus adoraram. Tenho amigos belgas que conhecem de cor a maioria dos diálogos do filme e têm um poster gigante dele na parede. Eu poderia enumerar muitos outros filmes e documentários, esses dois são os mais conhecidos. Esse não é o perfil de todo brasileiro que vive fora, explico para evitar confusões. É claro que há aqueles (me incluo aí) que irão ao cinema ver os filmes brasileiros e que o apreciarão pela estética ou pelo enredo e que saberão aceitar as críticas aos defeitos inerentes à nossa sociedade.

Esse é o universo que eu conheço melhor e por isso resolvi falar dele, assim, nessa minha confusão de última hora, misturando de tudo um pouco. Outros que estão participando dessa blogagem coletica abordaram o assunto de forma mais direta e vale a pena ler.

......

Rose Livros: A voz do escritor por Umberto Krenak

10 comentários:

Denise Arcoverde disse...

Excelente, Leila! eu também comecei a escrever sobre a nossa perspectiva da violência, ia falar sobre o quanto me irrita quando as pessoas repetem que, por estar fora do Brasil, "Não sabemos do que se passa por lá", o que é um grande equívoco, porque muitas vezes estamos mais bem infomados que muitos brazucas que vivem na terrinha (tem Internet pra quê?).

Quanto aos filmes, eu também não gosto muito quando as pessoas fazem um carnaval porque a imagem da gente é sempre de violência como no filme Cidade de Deus. Mas e somos o quê? a violência faz, sim, parte da nossa vida e da nossa hgistória, somos um país cruel com seus pobres e negros. Tapar o sol com a peneira e querer mostrar a Barra com seus condfomnínios e crises pequeno-burquesas ao invés de mostrar a dor e violência que é real pra maioria da população me lembra um comentario de um cara, no blog da Déia (In Other Worlds) criticando que a festa da Independência, em NY ia ter Banda Calypso e Babado Novo, ao invés da "verdadeira musica brasileira" (Marisa Monte etc.)... verdadeira pra quem, cara pálida?!

O negócio é que o Brasil não conhece o Brasil :-)

Puxa, fiz um post aqui!

Beijão pra você e um abraço pro sobrinho! :-)))

Elizabeth disse...

Quando assisti ao filme da Cidade de Deus, para mimfoi uma comédia: Sim porque me diverti com o jeito de falar dos rapazes, das roupas e cabelos tudo bem feito e tipico do inicio da decada de 70. O filme foi filmado na Cidade Alta em Cordovil onde fui criada. O bandito chefe de lá na epoca para que o filme fosse filmado lá sem problemas pediu um exemplar do mesmo antes que este fosse para as telas do cimena. fez várias cópias e na epoca da estréia centenas de pessoas da Alta já tinham assistido.
Quanto ao fato das tvs na EUA e USA passarem coisas "feias do Brasil" , é aceitaval a menos que não usem como propaganda para que as pessoas do pais venham a pensar que moram num paraiso comparado ao que nós vivemos.
É importante que se mostre a verdade, mas noticias positivas acredito que sejam necessárias para o telespectador tambem, não somente tragédia( até mesmo do próprio pais) mas infelizmente estas noticias não vendem jornais nem dão IBOPE.
Adorei o seu post, muito bom.
Abracos Beth

Leila disse...

Leila,

Eu concordo com o comentário da Denise. Inclusive eu vi o Cidade de Deus nos Estados Unidos e não me senti envergonhada não, achei um filmaço. A sessão estava cheia, com certeza o público era basicamente americano, e a reação foi muito boa. Os americanos também sabem que tem a violência diária nos guetos do seu país, não é exclusividade nossa. A diferença é que no Brasil ninguém está seguro, enquanto nos EUA só os moradores de bairros pobres é que sofrem no dia-a-dia.

Laura disse...

Menina, só agora te achei no meio de tanta gente hoje :) hihihi
gostei do seu post, tem mto brasileiro que só quer mostrar o Brasil turístico, eu vejo os dois, como não ver?
moro no nordeste, vivi no Rio, ali é tudo misturado.
Ih... já cansei, estou começando a não achar as palavras.
Obrigada pelo post de hoje. Sabe que tua visão é importante pois vive bastante fora tbm.
Um bj, laura

Sonia disse...

Violento é o mundo todo, cada um à sua moda. O ser humano, infelizmente, é violento, embora tente muitas vezes disfarçar essa violência com argumentos patrióticos, religiosos, sociológicos...

luma disse...

Assistiu Brasil 1985?? Retrata a verdadeira visão que os "gringos" têm do Brasil, um filme que não foi feito por nós brasileiros. Porque os filmes feitos por nós, além de retratar a violência, retrata a poesia da alma dos personagens. Mesmo vivendo em meio à violênicia, o brasileiro procura ter dignidade.
Sabe a história da mãe que reclama do filho?? Ela pode, mas outras pessoas não!!
Beijus

gugala disse...

Leila, é isso aí. A paz depende só de cada um. Paz e Amor.

eduardo disse...

Violência é um tema muito complexo. Gostei do seu texto fazendo referências dos cinemas.

Luci disse...

Leila, a violência existe em qq parte onde existam homens!
acho que o que acontece aqui é que a corrupção, a impunidade, dá aval à violência, aos bandidos, aos traficantes... efeito dominó.
É complicado!
bjs!

Anônimo disse...

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