quinta-feira, 5 de maio de 2005

Japoneses, Luiza e cafuné

Manchetes:


Os japoneses inventaram um aparelho que traduz as emoções dos cachorros.

Adolescentes japoneses se fecham nos seus quartos durante anos a fio. Incomunicáveis.

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Luiza

A minha sobrinha de sete anos, Luiza, é um pequeno demônio…e linda como ela só. Às vezes temos os nossos conflitos porque eu também sei ser infantil e também porque nunca convivi muito com ela e com o seu gênio tenebroso. Mas tenho que reconhecer que ela é uma graça e cada dia me apego mais.


Estávamos no sítio, no ultimo feriado, e a pequena Luiza agora fala tanto que compete com o papagaio que meu pai tem lá. É normal que os adultos cansem as orelhas e parem de prestar atenção. Assim estávamos eu e o irmão dela, dez anos mais velho, no laptop estudando alguma coisa e não dando a mínima para as palavras que ela continuava a soltar apesar de nossa indiferença, de repente escutei:
‘Porque para viver a gente precisa de: água, ar, comida e cafuné.’

Epa, estava ficando interessante, a partir daí eu passei a prestar atenção. Como não?
‘Cafuné, Luiza?’
‘Cafuné, tia Leila!’ Repete professoral e contente por ter, finalmente, encontrado um interlocutor.
‘É assim, tia Leila, cafuné, quer dizer, carinho, né….ser educado, ter paciência…’
‘É mesmo, Luiza, eu concordo, mas parece que agora mesmo eu vi você lançar, com toda a força, uma sandália na cabeça do seu irmão!’
E Luiza ri. Aperto mais um pouco e ela muda o ‘a gente precisa’, lá do início por:
‘Tá bem, EU preciso.’

Ela é boa de discurso, mas quando os argumentos acabam é melhor a gente sair correndo.


7 comentários:

Laura disse...

Leila, boa esta historinha.
Hoje me referi a vc no post, eu devo responder ao questionário lá no meu blog? é isto?
BJ, laura.

Manoel Carlos disse...

Curioso, esta é a segunda vez que você revela um fato pessoal em Cadernos da Bélgica.
Caso bem contado, com senso de humor.
Eu adoro crianças, mas jamais tomo a iniciativa do contato, prefiro deixá-las à vontade, pois elas descobrem o jeito mais natural de estabelecerem comunicação.

Allan Robert P. J. disse...

Deve ser o nome. A minha Luiza é terrível e, ao mesmo tempo, um doce de pessoa. Todos a adoram, mas ela tem sempre uma resposta espirituosa na ponta da língua. Criança precisa mesmo é de atenção, como a sua Luiza deixou claro.
Ciao

Denise Arcoverde disse...

Adorei a Luiza! maravilhosa :)

carlos bruni disse...

Os japoneses são meio (meio, não; inteiros) neuróticos. Viu o caso daquele desastre ferroviário? Por causa de noventa segundos de atraso, o maquinista mandou mais de cem pessoas para um lugar onde o tempo não conta.

Quanto à sua Luiza, bem, Pedro Bloch já dizia que criança diz cada uma... Minha netinha, Luane, sempre tem na pontinha da língua algo que nos desarma totalmente. Ainda bem.

Anônimo disse...

As crianças são maravilhosas. Sabem o que querem, sobretudo, pedir o q querem. Por vezes são chatas porque não tem medo de uma "revelação". Há uma criança dentro de cada um de nós, morta mais um pouco a cada dia de obrigações sem sentido e regras sem explicações. Excelente texto.

Felicia Luisa disse...

Leila,
A luiza me fez lembrar de minhas sobrinhas, que eu amo. Mas, ui, é preciso amor. E paciência, muita paciência.
Vim tambem agradecer e retribuir a visita, atrasada como sempre devido ao meu atolamento crônico. Um beijo