domingo, 13 de março de 2005

La Cucaracha

Estou relendo o Diário de um Cucaracha, do Henfil…Meu irmão disse que eu tinha que reler o livro agora que eu vivi a experiência de cucaracha. Obedeci e cá estou, ainda na página 85. Fiquei pensando que, se fosse hoje, o Henfil teria feito um blog…achei os textos com cara de Post. E com todo o respeito.

Já ouvi dizer que fizeram duas versões deste livro, uma com a foto, muito realista, da barata e uma edição, soit disant, feminina, sem a barata. A edição que eu tinha, há uns 15 anos, era com a bendita barata, alguém me deu de presente ou me repassou o livro, não me lembro mais e, tampouco, sei onde o livro se encontra hoje. A edição que estou lendo agora e que meu irmão comprou no sebo (vai ver é o mesmo livro dando voltas) traz também a barata horrorosa. Isto para dizer que nunca nunca vi essa edição sem a barata….

O livro é bacana, engraçado e por vezes triste. Foi escrito quando Henfil estava nos Estados Unidos procurando um tratamento por causa da famosa hemofilia, em 1973.

Bom, aqui encontrei uma das melhores explicações para Thanksgiving, eu também tinha dificuldades em entender esse dia, como todos os estrangeiros. Segundo Henfil:

“Impressiona mesmo é ver este traço da forte e preservada cultura Americana. A história parece que começou no tempo dos pioneiros, que, um dia, vendo que finalmente tinham conquistado e dominado a terra (dos índios), resolveram das graças a Deus. Isto há mais de um século. Aí fizeram um festão e foram convidar quem? Os Indios. Que, Segundo a gravura dos livros escolares, estavam ressabiados olhando a alegria religiosa dos novos senhores da terra. E, nessa primeira festa, o peru foi acompanhado por uma frutinha vermelha que serviu muitas vezes de alimento para os pioneiros esfomeados. Pois bem, Zé, esta frutinha nativa foi conservada no hábito da festa e até hoje é comida junto com o peru. Mas é ruim, quase intragável.”

Bom, a tal frutinha a que ele se refere é cranberry, a fruta em si não é ruim* mas o modo como a preparam para o tanquisguívim* é mesmo quase intragável.

É isso, volto à minha leitura.


*Bem, me parece que hoje em dia existe no Brasil
*Grafia de Henfil.


leilasilva100@hotmail.com

3 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

E pensar que dei minha coleção do Baixim para um amigo...
(Duro viver num país onde os nossos heróis morrem por coisas banais ou violentas.)

Sugiro que você mude o seu e-mail. No lugar da @ você pode colocar @NOSPAM, ou ARROBA, caso contrário poderá receber muito, muito, mas muito spam.

Ciao

Manoel Carlos disse...

Eu lembro, de fato, da tal edição para mulheres.
Seria engraçado, muitos anos depois, o seu irmão comprar no sebo o livro que foi seu.
Muita gente lia apenas as tirinhas, mas eu lia primeiro as Cartas de N Y.
Depois que retornou, Henfil foi morar na Paraíba e também escreveu coisas interessantes sobre a experiência.
Há uma diferença fundamental entre as cartas de Henfil e os seus cadernos.
Embora ambos às vazes pareçam diários, Henfil relata experiências e observações próprias, num estilo não tradicional de crônicas; você escreve contos. Ambos demonstram muita sensibilidade ao retratarem a situação dos brasileiros no exterior.

Denise Arcoverde disse...

Ôpa, Lembrei desse livro agora! tem razão, seria interessante lê-lo morando por aqui... vou procurar agora mesmo... beijo!