sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ainda a polêmica em torno do livro de Tezza

Eu tinha reproduzido aqui parte de uma reportagem sobre o estardalhaço que algumas professoras do estado de Santa Catarina fizeram a respeito da escolha do livro de C. Tezza para trabalho com alunos, se não me engano, entre os 15 e 17 anos, ou seja, bem grandinhos. Nem todo mundo concordou comigo que é exagero a retirada dos livros e leram uma pequena parte da obra que foi publicada em algum jornal. Esse extrato era realmente bem "pesado" (por falta de palavra melhor agora), eu também o tinha lido, mas, como o autor e como uma professora de Santa Catarina (e esta leu o livro todo) eu achava que era difícil julgar a obra de 142 páginas por aquele trechinho. Não chamo de censura, concordo que existe livro mais ou menos adequado para certas pessoas/idades....sei lá. Os professores também têm que se sentir confortáveis, claro, mas eu ficaria contente se aproveitassem para rever as suas práticas antes de condenarem um livro e de subestimarem a capacidade dos alunos.

Texto de C. Tezza sobre a proibição do seu livro:

“Entre os danos materiais, está o dano moral do autor ao ver um trecho de seu próprio livro, duas ou três linhas, ser reproduzido nos jornais como se fosse um hai-kai, e não parte de um romance de 142 páginas, em que cada palavra se relaciona com o todo e é voz de um narrador-personagem capaz de dar significado à sua linguagem. Notem: não faço uma apreciação de valor. É simplesmente um dado técnico para o leigo entender como uma narrativa produz sentido."

O resto do texto pode ser lido aqui:

Gazeta do Povo

...

Aqui o comentário que a professora deixou lá no post:

Sou professora do ensino médio e garanto a vocês que o livro está adequado sim para os alunos. Li o livro na íntegra, não podemos justificar nossa opinião se apenas lemos um trecho. Inadequada é a postura de muitos educadores que negam ou ignoram nossa realidade social e perdem a chance de fazer um ótimo trabalho com os alunos. Em uma pesquisa que fiz com minhas turmas, constatei 80% deles têm acesso diário a sites pornográficos. A função da escola é ensinar o aluno a questionar essa realidade em vez de fingir que isso não acontece. Considero que o livro é muito profícuo para levantar tais questionamentos. Uma sociedade de ignorantes é também uma sociedade perigosa. A decisão foi arbitrária, pois a maioria dos professores não teve acesso aos livros.

Um comentário:

Diz disse...

Assunto delicado este.
Fico pensando que há interesses políticos por trás tb. Metem o pau nas pessoas que aprovsram os livros- li por ai.
É pena prejudicar o autor por isto.
Bjs Laura