terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Há muitos anos, nem sei dizer quantos, não participava de um ‘amigo secreto’. Nunca vi isso fora do Brasil, lá nos Estados Unidos tem umas brincadeiras de final de ano, mas é um pouco diferente, a gente tem que comprar um presente, todos colocam os presentes em um canto, uma pessoa escolhe um dos presentes, outro escolhe outro e, se não gostar, pode tentar trocar com outra pessoa. Assim vai...Não me lembro bem como é, na verdade. Na Bélgica também não havia amigo invisível. Pois este ano, estou em um e ontem fui cuidar do presente, como minha amiga invisível (ou secreta, sei lá) é professora eu decidi não pensar muito e comprar um livro. Ela TEM que gostar de livros. Foi então que percebi, o povo tem mesmo razão de reclamar dos preços de livro no Brasil. Eu compro bastante em sebo, quando é pra mim, pra presente não dá, claro. Quando a gente quer uma edição mais bonitinha os preços são salgados, difícil encontrar qualquer coisa por menos de 40 reais. Na verdade, nem é edição tão bonitinha assim. Eu queria aproveitar para comprar também um para minha irmã, irmão, sobrinha, etc. É caro. Ok, outras coisas também são caras. Talvez, seu eu tivesse entrado no Boticário ia sair do mesmo tamanho, pode ser. Mas ia ser bom se livro fosse mais barato, não ia? E tem mais! Eu queria ler o livro novo da Cíntia Moscovich (self-presente), o Por que sou gorda, mamãe? Olhei daqui, olhei dali e não achei, achei foi uma vendedora bastante ocupada. Eu estava com pressa porque queria ver um filme, já tinha até comprado a minha entrada, daí perguntei para a moça onde eu podia achar os livros da C. Moscovich, ela me olhou como a dizer: Cíntia WHO? Eu não a culpo, sinceramente. Só que ela saiu dizendo, volto daqui a pouco pra lhe ajudar e nunca voltou. Quer dizer, pelo menos não antes de dar a hora do meu filme e eu paguei os livros que eu já tinha escolhido e fui embora ver o Filhos da Esperança.
Eu não gostei muito deste título Por que sou gorda, mamãe?, mas parece que o livro é bom, engraçado e tem muito da cultura judaica, isso me interessa.

O filme Filhos da Esperança é baseado na obra de P. D. James, levemente baseado, ao que parece. Eu entrei no cinema no escuro, não que eu tenha chegado atrasada, quero dizer que não sabia absolutamente NADA do filme. Sabe aqueles dias que a gente decide: “Hoje eu vou ao cinema!” Foi assim. E não tinha muita escolha, daí vi os nomes de Michael Caine e Julianne Moore. Gosto dos dois, decidi. O filme é muito interessante, mas quando cheguei em casa li um pouco sobre ele na internet e vi muita gente dizendo que é perfeito. Perfeito eu não achei, achei até meio confuso em algumas partes. A ação se passa no futuro, um futuro sem crianças, por alguma razão as mulheres não podem mais ter filhos. O garoto mais jovem do mundo é um argentino de 18 anos. Era, porque nas primeiras cenas do filme esse garoto é assassinado por um fã o que causa uma comoção internacional. O filme é dirigido por Alfonso Cuarón, o mesmo que fez "E Tua Mãe Também". Nada mal como como referência.
O ano é 2027 e o cenário é Londres. Uma Londres suja, feia onde os ilegais são tratados como animais, postos numas gaiolas e enviados para campos de concentração. Nem tudo é tragédia, porém, no meio do caos, uma moça aparece grávida dando nova esperança para a perpetuação da espécie.
Uma coisa engraçada, eu imaginava que P. D. James fosse um homem. Sempre ouvi o nome, nunca li....Santa ignorância! Só agora percebi que se trata de uma mulher e que ela resolveu enviar seu manuscrito a uma editora assinando só com essas iniciais justamente para criar confusão. E, vejam, está criando até hoje.
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E escrevi "homem" porque se às 10 semanas já são crianças, aos 4 anos (+ 9 meses) estão bem em idade de serem perigosos violadores.

4 comentários:

Wagner disse...

Sempre detestei amigo oculto (ou amigo secreto, ou amigo invisível), pois geralmente eu sorteava uma pessoa com quem não tinha afinidade alguma e vice-versa. O resultado era que eu quase sempre ganhava um presente que não me agradava — o que provavelmente devia acontecer com que eu presenteava.
Quanto aos preços altos dos livros no Brasil... tudo por causa da pouca procura: num país onde pouquíssimos lêem as tiragens precisam ser reduzidas, o que acaba onerando (e muito) o preço de cada unidade. Uma pena.

Beijo.

Sonia disse...

Eu ia falar o mesmo que o Wagner: pequenas tiragens encarecem o livro. E quanto mais caros, menos a gente compra, num eterno círculo vicioso. Eu ultimamente só tenho lido livros emprestados. Por falar nisso... Wagner, já terminei de ler os que você emprestou, traga mais na próxima visita, viu?

Polly disse...

eu tambem nunca gostei de amigo oculto, por razoes similares ao seu amigo wagner. lamentavel mesmo os precos dos livros serem tao altos no Brasil, da ultima vez que estive la (julho 06) fiquei perplexa e comprei bem menos do que queria.
xoxoxoxo

carlos bruni disse...

Minha cara, o que vc espera de um país onde seu (vá lá) lider máximo diz que ler é bobagem?
E o que dizer de "Grandes Sertões" custar 150 pratas (é edição comemorativa)só porque vem dentro de uma caixinha de papelão?