domingo, 30 de outubro de 2005

Lendo: Lisbela e o Prisioneiro

Lisbela e o Prisioneiro

Osman Lins
Editora Letras e Artes – 1964
Peça teatral, comédia.


Frederico, Citonho e Leleu falando de Boa Vista:

_ É um lugar muito macho, nem todo mundo se agrada. Basta dizer uma coisa: lá só se vende gravata preta.
_ Oi, e por quê?
_ Porque todo mundo está sempre de luto de algum parente que morreu na faca.
_ Então, é bom, é terra que endurece o coração. Pior é caruaru, que amofina gente e bicho. Sei de um camarada que criou lá uma onça; a onça terminou tão avacalhada que bebia leite num pires, feito gato.
_ Eu já ouvi falar desse negócio. Será verdade? Se fôr, não quero nem passar pela vizinhança.


(P. 46)

2 comentários:

Zed Lima disse...

Não li o livro. Vi o filme. Mas pelo trecho postado é excelente. Creio que se a velha máxima estiver certa ("livros bons dão filmes ruins"), a peça é um arraso. Depois nos dê o seu parecer! Um abraço!

Manoel Carlos disse...

Osman Lins é muito bom; eu ri muito; agrestinos até parecem cabo-verdianos, que resolvem a facadas as pequenas divergências filosóficas.