sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Sylvia Plath


ESPELHO



Sou prata e exato. Eu não prejulgo.
O que vejo engulo de imediato
Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, tão somente veraz —
O olho de um deusinho, de quatro cantos.
O tempo todo reflito sobre a parede em frente.
É rosa, com manchas. Fitei-a tanto
Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.
Faces e escuridão insistem em nos separar.

Agora sou um lago. Uma mulher se inclina para mim,
Buscando em domínios meus o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me paga em choro e agitação de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã sua face reveza com a escuridão.
Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.

Sylvia Plath


7 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

Forte, muito forte. Mas muito bom. Havia lido "A redoma de Cristal" e duas antologias de poesias norte-americanas q

Allan Robert P. J. disse...

Forte, muito forte. Mas muito bom. Havia lido "A redoma de Cristal" e duas antologias de poesias norte-americanas que incluiam Silvia Plath, mas confesso ter-me perdido no mar de livros que sempre quero ler e vou protelando.
Tentei postar um comentário no texto abaixo, mas por um daqueles motivos inexplicáveis, não consegui abrir os comentários. Estou virando fã dos escritores chineses.
Ciao.

Manoel Carlos disse...

Aprendi a gostar, respeitar e aceitar as suas indicações, por puro pós-conceito.

Anônimo disse...

Sem duvida um belo e inquietante poema da bela desinquieta Sylvia.

Carlos Bruni disse...

Osd

Ana Paula disse...

Oi Leila, aqui é a Ana Lira. Achei o poema da Sylvia bastante inquietante, preciso ler com mais calma. Algumas coisas eu demoro um certo tempo para apreender.
Espero que tudo esteja tranquilo por ai. Abraço grande!

Luciane Lucas disse...

Sou leitora e admiradora explícita de Sylvia. Não pude me furtar de comentar a sua tradução do poema. Excelente.

Peço licença para postar no meu blog (sabedorias de almoxarifado) a sua tradução - com a devida fonte, claro. Pouco entendo dos meandros deste belo trabalho que é a tradução, mas sei uma coisa: no caso de Sylvia isto é mais do que importante. Pode fazer toda a diferença na captura do seu tom.

Um grande abraço. Será um prazer recebê-la no Sabedorias de Almoxarifado (sabedoriasdealmoxarifado.blogspot.com).

Luciane