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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lendo: CONTOS DA PALMA DA MÃO

Trechos:
“E, por fim, quando chegar o dia em que seu coração nublado e ferido fizer com que veja um gafanhoto como um autêntico suzumushi, ou se vier a sentir que o mundo está repleto de gafanhotos, então, nesses momentos, sentirei pena de você por não possuir meios de recordar esta noite; a brincadeira das luzes verdes de sua bela lanterna que desenhavam seu nome no peito daquela menina.” (p. 43)

“Atraído pelo olhar da moça, o homem também me olhou. Esboçou um sorriso safado, por um instante, e logo voltou à expressão séria de antes. No mesmo instante, fiquei sem graça. Então, a moça também corou um pouco e, como se ajeitasse os cabelos, levantou a mão esquerda para seu momoware. Seu rosto ficou oculto atrás da manga do braço erguido. Tudo isso aconteceu num instante, que se seguiu depois que ela tentou arrebatar a vara da mão do homem pela segunda vez. Sentindo ligeira revolta por aquele quê de maldade lançado pelo vendedor de óculos, e com um pouco de remorso por ter espiado os segredos dos outros, retomei a minha caminhada.” (p. 189-90)

“Quando vira o garoto passar na frente da lojinha, ela saíra voando, sem ter tempo de ajeitar o cabelo. Como se acabasse de tirar a touca de banho de mar, seus cabelos estavam em desalinho, deixando-a ansiosa. No entanto, na frente dele, ela era uma menina inibida que não conseguia arriscar um gesto para ajeitar os fios rebeldes de seus cabelos. O garoto, por sua vez, temia que pudesse ofendê-la se lhe pedisse para ajeitá-los.” (p. 334)

“Ela, que vivera sempre perseguindo amores intensos, mesmo agora que estava enferma, não conseguia conciliar o sono sossegado sem sentir, no seu pescoço ou no peito, o braço de um homem. Entretanto, quando seu estado se agravou, ela implorava:
— Segure meus pés! Não posso suportá-los tão tristes.
[...]
No entanto, inesperadamente, as mãos dele tremeram. Sentiu a sensualidade da mulher vinda dos pequenos pés. Aqueles pequenos e frios pés nas palmas de suas mãos suscitaram nele o mesmo prazer de tocar nos pés quentes e úmidos dela. Envergonhou-se das próprias sensações que pareciam profanar os momentos sagrados da morte da namorada. Mas aquele pedido para ele segurar os pés dela não teria sido seu último recurso da arte do amor? Ao pensar nisso, ficou aterrorizado ante a exacerbada feminilidade daquela mulher.” (p. 348-9)
...
Faz tempo que estou lendo estes contos, já devo ter falado deles aqui antes, às vezes, depois de terminar um livro, eu leio uns cinco contos, depois deixo o livro de lado por uns meses e um belo dia retomo a leitura. Como podem ver aí pelos trechos escolhidos pela Estação Liberdade alguns contos são belíssimos, outros são tão diferentes do que estamos acostumados a ler que a compreensão fica difícil, aliás a tradutora nos previne quanto a isso na apresentação.

Contos da Palma da mão
Yasunari Kawabata
Tradução de Meiko Shimon

terça-feira, 15 de junho de 2010

QUINQUILHARIAS NAKANO


Terminei a leitura de QUINQUILHARIAS NAKANO, é um livro bem pequeno (sobretudo se comparado a La Montagne Magique que acabei de ler outro dia), 284 páginas, tradução de Jefferson José Teixeira.

Gostei bastante do livro, da leveza, não acontece quase nada, acompanhamos os personagens no seu dia a dia, Hitomi, uma jovem que trabalha na Quinquilharias Nakano(sim, o título do livro é o nome da loja), o patrão, senhor Nakano, Takeo, outro funcionário da loja, Masayo, a irmã do senhor Nakano e ainda outros envolvidos emocionalmente com estes . Esse 'não acontece quase nada', é uma aparente banalidade, os personagens têm sua complexidade, o universo, de um modo geral é aquele da loja, clientes que entram, compram, vendem, saem, não compram, reclamam, as saídas do senhor Nakano para encontrar a amante, as angústias de Hitomi, sua solidão, seu interesse por Takeo e as dificuldades para se comunicar com ele que é um tanto bizarro.

Como já disse antes, não conhecia a autora, Hiromi Kawakami, ela é jovem ainda, nasceu em 1958 em Tókio. Dos autores japoneses contemporâneos acho que só tinha lido até aqui Banana Yoshimoto, Haruki Murakami, Kazuo Ishiguro, desses só não gostei de Haruki Murakami, o mais famoso deles, na verdade. Uma vez li uma crítica (opinião, talvez) de outro escritor japonês cujo nome não me ocorre agora, dizendo qe na verdade Murakami não é exatamente um escritor japonês, quer dizer, ele é japonês, mas sua literatura não é japonesa e que a isso mesmo que se deve seu sucesso no ocidente, mas devo acrescentar que só li um livro dele, Minha querida Sputnik, já me aconselharam a tentar outro.

Trecho do QUINQUILHARIAS NAKANO:

— Diga, Hitomi, você considera o desejo sexual algo
importante? — perguntou Masayo bruscamente.
— Como?
— Tudo se torna desinteressante quando não há desejo,
não concorda?
Sem saber o que responder, mordi e engoli em silêncio
a massa da torta.
— Você, Hitomi, ainda deve ter um desejo sexual intenso.
Como a invejo! — declarou Masayo cheia de admiração enquanto
debicava com o garfo o merengue fofo e leve da torta
de limão. — A propósito, não acha que nos últimos tempos o
sabor dos doces do Poésie vem decaindo um pouco? — prosseguiu
ela num tom indiferente.
— Em geral não como muito, não saberia dizer — respondi
num tom educado.
— Entendi — replicou Masayo, colocando na boca
um grande pedaço de torta. — Mas hoje está deliciosa.
Seria em razão de minha condição física? De fato é duro
envelhecer.
Masayo o disse de modo jovial. “Desejo sexual”, procurei
repetir para mim mesma. Pareceu-me ter uma ressonância
curiosamente alegre, semelhante ao tom usado por Masayo.
“E eu não aprecio tanto assim as tortas de cereja”, pensei.
Mesmo assim, eu as acabo escolhendo, totalmente enfeitiçada
pelo vermelho parecendo molhado.
O aroma da manteiga da massa da torta espalhou-se pelo
interior de minha boca. O queixo de Masayo se agitava ao
devorar a torta de limão.
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sábado, 20 de junho de 2009

Minha querida Sputnik - trecho

“Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. À distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada.”

Trecho de ‘Minha querida Sputnik’ – Haruki Murakami

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Li há algum tempo já este livro de Haruki Murakami e não gostei tanto quanto eu esperava. Minha expectativa era muito grande, tinha lido muito sobre o autor e os resumos da história também prometiam muito. Além disso eu estava lendo muitos autores japoneses na época, Tanizaki e Kawabata, sobretudo. Depois de Minha querida Sputnik não li mais nada do autor, dizem que Kafka à beira mar é muito bom, acho que vou tentar. Ele lançou um novo livro,1q84, e está vendendo aos montes no Japão.
Encontrei na internet este trecho de Minha Querida Sputnik e achei bonito. Sputnik significa companheiro de viagem em russo, aqui nessa história são duas mulheres viajando juntas e Sumirê está completamente apaixonada pela outra, mais velha, cujo nome eu me esqueci. Elas vão para a Grécia e....
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um artista do mundo flutuante

Kazuo Ishiguro nasceu no Japão, Nagasaki, em 1954, em 1960 a família se mudou para a Inglaterra. Ele é o autor de Vestígio do dia, suponho que seja seu livro mais conhecido pois deu origem ao filme com Anthony Hopkins, Emma Thompson. Um belo filme, por sinal, quando o vi não conhecia nada do autor do livro, não imaginava que fosse alguém de origem japonesa.

Em Um artista do mundo flutuante o tema é o país natal de Kazuo Ishiguro, os dilemas do país logo após a segunda guerra, a influência ocidental, ou americanização. O Japão saía de um nacionalismo radical, impossível evitar o conflito de gerações. Os mais jovens culpam os mais velhos por tudo o que tiveram que passar, sentem-se enganados. O artista, no caso, é um pintor famoso que acreditou e apoio a onda nacionalista. Alguns japoneses de sua geração encontraram no suicídio uma forma de reparar o engano, Masuji Ono, o velho pintor, prefere viver e rever os seus conceitos. Muita dessa análise é feita através do convívio com o neto de oito anos, por causa da sinceridade própria das crianças, ele faz as perguntas de forma direta, conta o que ouviu em casa, quer saber a razão das coisas, por exemplo, se o avô tinha sido um pintor famoso onde estão agora as suas pinturas? Algumas influências dos americanos também são vistas através do neto. Um dia ele está brincando de Zorro e o avô não entende nada, finalmente a mãe explica que o seu marido pensa que o herói ocidental pode ser uma melhor influência para as crianças japonesas do que Musashi. Acho que isso ilustra bem o início e a importância dessa transformação.

A expressão Mundo flutuante parece ser bastante comum na língua japonesa, designa as ‘coisas impermanentes’, efêmeras. Não sei muito mais sobre ela, talvez a importância seja bem maior que isso, há um estilo de gravura Ukiyo-e que também está relacionado a esta palavra. Se alguém souber mais me ensine, pois achei interessante.

sábado, 28 de junho de 2008

Lendo

Estou lendo este Kitchen de Banana Yoshimoto, uma das minhas visitas trouxe ontem dos Estados Unidos, comprou na Amazon (encomenda minha) por 1 ou 2 dólares mais o correio. É muito barato. Minha irmã também me trouxe alguns livros pelos quais pagou dois euros...

Eu já tinha lido um livro de Yoshimoto em francês, Dur Dur, duas novelas bem curtas, gostei bastante na época, dos japoneses modernos foi a única que me deu vontade de conhecer melhor. Kitchen é uma leitura bem fácil, conta a história de uma moça que supera as perdas, (morte dos pais, da avó com quem vivia e outras ainda) se refugiando na cozinha. Ainda estou na página 50, vou agora para o meu quarto tentar ler mais umas 30....estou com uma m. de uma dor de cabeça, só para variar um pouco, mas acho que vou conseguir ler. Não estou morrendo e já tomei uns comprimidinhos.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A CASA DAS BELAS ADORMECIDA

Yasunari Kawabata

Além de A Casa das Belas Adormecidas li os seguintes livros de Kawabata: The Dancing Girl of Izu and Other Stories, O País das Neves, Kyoto e agora estou lendo Contos da Palma da mão. Gostei de todos eles, são histórias curtas, normalmente plenas de sensualidade ou são uma reflexão sobre a existência, sobre a velhice, sobre a vida do próprio autor já que muitas das histórias são retiradas do seu diário. A Casa das Belas Adormecidas foi um dos que mais me impressionou e não sei bem a razão, talvez seja a forma, mas pode ser também a ousadia do autor ao tratar o tema da velhice através do personagem Eguchi, um respeitável senhor bem passado dos 60 anos. Este senhor, primeiro tomado por certa curiosidade, começa a freqüentar o local cujo nome é título do livro. Esta casa não é um bordel, entretanto, pelo menos não nos termos convencionais, é um lugar mais de contemplação que de ‘ação’. Os velhos que pagam para passar a noite na casa estão proibidos de ter relações com as garotas que trabalham ali, elas são pagas, na verdade, para dormir e permitir que sejam contempladas no seu sono e beleza. Por vezes, acariciadas, mas muitas regras devem ser seguidas. As meninas não devem saber com quem passaram a noite e dormem profundamente, não um sono natural, mas induzido por um produto que devem tomar, o cliente também pode tomar o sonífero, se desejar.

Um trecho:

“A decrepitude hedionda dos pobres velhotes que procuravam aquela casa ameaçava atingi-lo dentro de alguns anos. Quanto da imensurável amplitude do sexo, da insondável profundidade do sexo ele teria tocado na sua vida de 67 anos? Além disso, em volta dos velhotes nasciam incontáveis peles renovadas de mulheres, peles jovens, de garotas bonitas. Os desejos de sonhos impossíveis, o lamento pelos dias que lhes escaparam e que estavam perdidos para sempre não estariam impregnando os pecados daquela casa secreta? Eguchi já havia pensado que as garotas adormecidas o tempo todo seriam uma eterna liberdade para os velhotes. As garotas adormecidas e mudas certamente lhes falavam tudo que eles gostariam de ouvir.”

Toda vez que se fala neste livro é obrigatório acrescentar que G. Márquez baseou-se nele para escrever o seu Memória de minhas putas tristes. Não há comparação entre os dois, na minha opinião, claro. Não estou negando que um tenha sido baseado no outro pois o próprio Márquez já o afirmou. Memória de minhas putas tristes é, sempre na minha modesta opinião, o pior livro deste autor. Ainda que eu não tenha lido todos. Não vejo neste último livro nada da beleza e da sutileza do livro de Kawabata.

Yasunari Kawabata nasceu em Osaka em 1899, estudou Literatura na Universidade Imperial de Tóquio, recebeu o prêmio Nobel em 1968.


terça-feira, 16 de outubro de 2007

A Chave

A Chave
Junichiro Tanizaki

A Chave trata da história de um professor universitário que não consegue mais satisfazer sexualmente Ikuko, sua esposa voraz. Voraz e pudica ao mesmo tempo, ela não cansa de repetir uma ladainha sobre sua ‘educação tradicional’ que não a permite ultrapassar certos limites. Mas o pobre homem tenta, com muito empenho, encontrar uma solução para a sua fraqueza. Vai à procura de opinião profissional, opinião não profissional, massagens, remédios diversos ao ponto de comprometer sua saúde. Um dia, observando Kimura,um jovem estudante que freqüenta sua casa, e que seria, em princípio, um partido para sua filha, o professor descobre que o ciúme é um excelente estimulante. Assim começa um jogo perigoso. O mais interessante é que a história é contada através do diário do professor e da sua esposa. Cada um mantém um diário e desconfia que o outro o lê às escondidas. Ou quer que o outro leia? Resenha minha no RoseLivros


sábado, 6 de outubro de 2007

Leitura: CORES PROIBIDAS

Estou lendo este Cores Proibidas de Mishima, o mesmo autor de Confissões de uma máscara. O mesmo mesmo? Custo a acreditar, a não ser que o tradutor aqui seja realmente um traidor. Já avancei umas boas páginas e este Cores proibidas ainda está uma chatice. Pensei até em desistir, peguei outro livro, Baudolino, comecei a ler, depois voltei para o Mishima. Pensei que eu talvez estivesse muito mal humorada e julgando mal, afinal de contas os japoneses raramente me decepcionaram...Não sei. Voltei para o livro, mas ele continua chato, chato. Vamos ver no que dá, se eu tiver coragem para percorrer as páginas restantes.
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08/10 - Li mais algumas páginas esta noite. A mesma chatice, mas ainda quero saber do final. Agora vou passar para leitura dinâmica. Acho que este é o livro mais misógino que já li na vida.

domingo, 23 de setembro de 2007

Banana Yoshimoto

Banana Yoshimoto nasceu em Tokyo no dia 24 de julho de 1964. Seu nome verdadeiro é Yoshimoto Maiko e escolheu este pseudônimo porque gostou da sonoridade. Seu pai, Yoshimoto Takaaki, é crítico literário, logo, Banana esteve, desde muito cedo, ligada ao mundo da literatura. Ela estudou artes e literatura na universida Nihon e ganhou seu primeiro prêmio literário em 1986 com sua novela "Moonlight Shadow". Em 1987, Banana escreveu a novela que a tornou mundialmente famosa, "Kitchen" que foi ganhadora do Kaien Magazine New Writer, um prêmio concedido a novos escritores.
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Dur, Dur. Resenha minha no RoseLivros.
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E também na RoseLivros:
Nobel 2006 - Pamuk destrincha a arte de escrever.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

voragem


Tanizaki nasceu em 24 de julho de 1886 em Tóquio, em 1968 recebeu o prêmio Nobel de literatura.
O primeiro livro que li deste autor foi Le Pied de Fumiko (O pé de Fumiko) que, parece, não foi traduzido para o português. Descobri o livro e o autor por mim mesma, passeando numa livraria de Bruxelas. Coisa rara e, de certo modo, prova de ignorância, descobrir um autor desta importância por si, tão tarde, depois de ter passado por um curso de Letras. Mas este é o fato, eu nunca tinha ouvido falar no nome de Tanizaki até aquele dia e foi com ele que começou o meu ‘ardor’ pelos autores japoneses. Acho que nenhum deles cairá nas minhas mãos por acaso, como Tanizaki. Ele ainda continua sendo um dos meus preferidos, li dele tudo o que pude encontrar até agora. Depois vieram muitos outros, li, sobretudo, Mishima e Kawabata.


Resenha minha no RoseLivros.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Cobras e piercings

Esses dias saí para passear com o cachorro e parei no sebo. Ele, o cachorro, fica revoltado quando faço isso, quando interrompo o passeio dele para cuidar de meus interesses pessoais. Mas parei assim mesmo, por poucos minutos e dei de cara com este livro aí. O nome japonês chamou minha atenção, assim como a capa que é bastante bonita como a da maioria dos livros japoneses. Nunca tinha ouvido falar dessa autora. Refleti por uns segundos, o cachorro ansioso...pedi ao cara do sebo que guardasse o livro por um tempinho. Vim à escola, pensei, dei uma olhadinha na internet e, menos de 30 minutos depois, fui lá e peguei o livro por 10 reais em excelente estado. Custava 12, sem pedir ganhei 2 reais de desconto. Como estava lendo outras coisas entreguei o livro para meu sobrinho para ele ler e me dar a opinião. Leu numa noite, o livro é bem pequeno, desses que os editores vão esticando pra lá e pra cá pra dar pelo menos umas 100 páginas. Meu sobrinho disse: "Sei não, tia, acho que você não vai gostar". Ontem à noite li umas páginas, mais por cansaço, para não pegar nada sério agora. De fato não gostei. O livro é um best seller, foi escrito por uma menina de pouco mais de 20 anos que, aos 11 ou 12 já tinha abandonado a escola, disposta a se tornar escritora. O pai é ligado à literatura, crítico, professor....A autora ia escrevendo e enviando ao pai por e-mail, ele ia ajudando a lapidar. Bom, eu não estou achando lá muito lapidado, pode ser que muito tenha se perdido com a tradução ou eu não estou sabendo reconhecer o gênio. Estou achando até meio chato, mas o livro é tão pequeno que não custa saber do final, fosse grande eu o abandonaria.

domingo, 1 de julho de 2007

Le chat, son maître et ses deux maîtresses

A linda gata se chama Lily e, nas primeiras linhas, nós, leitores, já estamos tão apaixonados por ela, quanto Shozo, seu dono. Lily é usada por todos os personagens desta história, ela é o pivô, o bode expiatório e também serve como refém quando das confusões de um triângulo amoroso. Shozo é um tipo meio acovardado e comodista que, apesar desta sua personalidade, faz muito sucesso entre as mulheres. Quando sua mãe, seu tio e uma prima preguiçosa, maquiavélica e endinheirada envenenam suas relações com sua mulher, ele aceita o plano, termina o casamento e casa-se com a dita prima, Fukuko. Antes de viver com ele, Fukuko fingia aceitar bem Lily, sabia que precisava passar pela gata para conquistar Shozo.
Tanizaki
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Resenha minha no RoseLivros.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

As irmãs Makioka

Terminei, hoje de manhã, a leitura de As irmãs Makioka. Foi como se despedir de um amigo. Vou tentar escrever alugma coisa sobre o livro. Logo, logo.
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obs: Esta imagem não é a capa do livro, eu só achei bonito e usei para ilustrar. A edição que eu li está aqui, uma edição Biblos, Gallimard.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

bungakuuu - Literatura japonesa


Este livro tem 4 novelas de Tanizaki e eu o comprei por 8 euros num sebo em Bruxelas, em excelente estado, no final de 2005. Pois é, ler em francês tem suas vantagens...econômicas, inclusive. Outra vantagem é que muitos dos autores, japoneses, por exemplo, não são traduzidos para o português. Alguns brasileiros, às vezes, levam a mal este tipo de comentário, como se ler em língua estrangeira fosse esnobismo. Eu tenho facilidade para 'ler' em línguas estrangeiras mais do que 'falar'. Talvez porque eu goste mais de ler do que de falar...ou, talvez, porque eu tenha ensinado um curso voltado para a leitura, somente leitura, do francês. Muita gente deve conhecer, chama-se 'francês instrumental'. Assim, emprego o método a outras línguas, é preciso alguma paciência no começo, mas funciona bem. Infelizmente é difícil de aplicar a línguas como o chinês, o japonês e outras tantas...
Deixando isso de lado e voltando aos japoneses, gostaria de falar deste blog bungakuuu Clube de Literatura Japonesa. Uma das coordenadoras, Sara F. Costa, para minha felicidade, me achou lá no RoseLivros e me convidou para participar com eles do bungakuuu . Se tiverem algum interesse pela literatura deste país, não vão se decepcionar.
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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Svastika


Acabei de ler esta novela (não nesta edição que coloquei aí) e já parti para outra de Tanizaki. Estou completamente envolvida por este universo dele. Vou tentar fazer uma resenha de svastika para o RoseLivros. É muito, muito bom. Preciso falar mais dele e vou também verificar se foi traduzido para o português.
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sexta-feira, 2 de março de 2007

The Dancing Girl of Izu and Other Stories
Kawabata

Foi com este livro, publicado em 1925, que Kawabata começou a ser reconhecido. Ele é dividido em duas partes, a primeira claramente autobiográfica e a segunda com contos bem curtos, alguns baseados em lendas japonesas, com alguns elementos fantásticos. O belo conto que dá título ao livro está na primeira parte, é, aliás, o primeiro conto e um dos mais longos do livro. O narrador encontra um grupo de artistas itinerantes e se encanta com uma das meninas, Kaoru, que, por causa da maquiagem, ele imaginava mais velha, ela tem apenas treze anos. Em Diary of my sixteenth year (Diário dos meus dezesseis anos), o autor narra, em detalhes, a decadência física do avô. Nessa época Kawabata já tinha perdido o pai, a mãe, uma irmã e a avó, agora vivia só com o avô que estava morrendo.
Resenha minha no RoseLivros
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quinta-feira, 16 de março de 2006

Confissões de uma máscara

Yukio Mishima
Vertente Editora

Tradução de Manoel Paulo Ferreira

Romance auto-biográfico, trata principalmente da infância e adolescência de Mishima. Nesse que foi seu primeiro livro de sucesso, o autor afirma que se lembra do exato momento do seu nascimento e parte deste instante. Narrado em um estilo quase poético, próximo do leitor, sem esconder dúvidas e a complexidade que envolve o personagem/autor Mishima, pseudônimo de Kimitake Hiraoka.

O autor cita aqui muitos personagens da mitologia cristã, Joana D’Arc que, por algum tempo o narrador tomava por um homem, São Sebastião que conheceu em pintura de Guido Reni e cuja beleza tanto apreciava, foi observando este quadro que ele teve sua primeira ejaculação. A imagem do santo perseguiu-o por muito tempo. Há inclusive uma famosa foto de Mishima em pose de São Sebastião.

Neste livro Mishima já trata também da questão da homossexualidade, descrevendo, por exemplo, a paixão que nutriu por Omi, aluno que estudava na mesma escola que ele.

Dentre os autores ocidentais citados no livro destaco Oscar Wilde e Stephan Zweig.

Mishima foi um leitor ávido, ainda muito jovem teve contato com autores franceses e ingleses. Antes dos quatorze anos, para infelicidade do pai que considerava a literatura um verdadeiro veneno na sua vida, Mishima já trilhava o caminho das letras.

Há um filme do diretor Paul Schrader sobreo autor, Mishima: Uma vida em quatro capítulos, de 1985.

Mishima nasceu em Tóquio, em 1925 e suicidou-se em 1970 segundo o ritual do Seppuku.