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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Marguerite Yourcenar

Foi aniversário de M. Yourcenar dia 08 de junho, deixei passar...uma das minhas escritoras favoritas, este ano li alguns livros dela: Le Coup de Grâce (Golpe de Misericórdia), Alexis ou le Traité du vain combat, a biografia (que eu tinha começado no ano passado), reli L'Oeuvre au Noir (A Obra em Negro) e agora quero reler Mémoires d'Hadrien, só não reli ainda porque não tenho o livro aqui em francês, a primeira vez li em português, há muitos anos.

Marguerite Yourcenar nasceu no dia 08 de junho de 1903 e morreu no dia 17 de dezembro de 1987, ao que parece nunca botou os pés numa escola, foi educada em casa, era uma mulher muita culta (alguns diziam que até demais), a mãe morreu logo depois que ela nasceu de modo que a figura materna nunca existiu na vida dela e o pai era um homem meio maluco, mas que lhe ensinou muito e sempre a encorajou a seguir com a 'vida de escritora'.

Yourcenar é um anagrama de Crayencour, seu nome verdadeiro. Ela nasceu em Bruxelas, na Avenue Louise, uma avenida que conheço como a palma da minha mão, é onde fica também a embaixada do Brasil, mas a casa não existe mais.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Estrangeiro - Albert Camus

Esses dias reli L'Étranger, é muito bom pegar um livro tão pequeno, que a gente termina em poucas horas e que te oferece tanto. Uma parte me emocionou, é quando, no momento do enterro da mãe de Meursault - o personagem principal - o senhor Pérez, um dos velhos do asilo que era muito ligado a ela, começa chorar desesperadamente, o autor descreve a cena mais ou menos assim:Lágrimas de raiva e sofrimento rolavam pela sua face, mas, por causa das rugas, elas não escorriam, espalhavam-se, encontravam-se e formavam um verniz de água sobre este rosto destruído.
Eu achei essa imagem linda e triste. Lembrei-me de uma cena de criança, não sei que idade eu tinha, mas era bem nova, de observar muito longamente o rosto de uma senhora, tampouco sei que idade ela tinha, mas era um rosto bem maltratado, muito sol, muita secura....me lembrava um deserto, um deserto que eu nunca tinha visto, mas era assim. Nunca me saiu da memória aquele rosto e imagino que fosse assim o do senher Pérez.
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Agora estou lendo outro livro pequenininho (gosto de ler livros curtos quando não tenho muito tempo), Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Biografia: Marguerite Yourcenar


Estou quase terminando a leitura da biografia de Marguerite Yourcenar, autora que aprecio desde que li, há muitos anos, Memórias de Adriano e depois A Obra em Negro...Espero reler os dois em breve e em francês, já que na primeira vez li em português.

Marguerite teve uma vida interessante de ler, na verdade eu gosto de biografias de escritores, mas a dela é particularmente deliciosa. Era uma mulher de extrema inteligência, nunca botou os pés numa escola, foi educada em casa, pelo pai (a mãe morreu quando ela era ainda um bebê) e às vezes, por professores contratados. Fez o BAC (exame francês), mas passou com nota 'razoável'. Ao que parece pensava em fazer Letras ou filosofia, não se sabe se os resultados dos exames a desanimaram ou se preferiu mesmo outros caminhos, as viagens, por exemplo. Foram muitas: Grécia, Itália, França, Bélgica (país onde ela nasceu), Inglaterra e muitos outros.

O pai era um bom leitor e permitia que Marguerite tivesse acesso à sua biblioteca, sem restrições, o que irritava alguns membros da família que achavam que ele devia selecionar o que a menina podia e devia ler. Assim cresceu ela muito livre, uma personalidade autoritária até. Começou a viajar cedo, com o próprio pai que a deixava nos hotéis e ia para os cassinos e assim foi acabando com boa parte da fortuna da família. Marguerite parecia não se importar muito com este detalhe.

Marguerite, embora tenha tido paixões também por homens, viveu a maior parte de sua vida com mulheres, a mais longa dessas relações foi com Grace Frick, mais de 40 anos. Viveram juntas nos Estados Unidos, Marguerite Yourcenar adquiriu a nacionalidade americana. Ela conheceu Grace em Paris, em um café aonde Marguerite ia, aparentemente, para encontrar mulheres. Grace traduziu alguns trabalhos de Marguerite para o inglês e a ajudava também na organização dos papéis, cartas, anotações.

Outro detalhe importante da biografia (que eu já sabia muito antes de ler aqui) é que M. Yourcenar foi a primeira mulher a fazer parte da Academia francesa, isso em 1980. Agora, o que eu não sabia é que, mesmo tendo sido tão tarde a entrada da primeira mulher ali, isso não se fez sem muita briga, muitos rumores, muita polêmica. E tem gente que ainda acha que as mulheres reclamam à toa, ok! É neste capítulo da entrada na academia que estou agora, cito um fato estarrecedor (pelo menos para mim), Claude Lévi-Strauss foi terminantemente contra a entrada dela na confraria alegando o seguinte “Não se mudam as regras da tribo”.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Feriado



Não viajei, li bastante, dormi bastante, andei com o cachorro, li as tristes coisas que continuam acontecendo no mundo (pela internet, há tempos não abro um jornal e muito menos ligo uma tv): chuvas, desabamentos, assassinatos, Boris Casoy destilando seus preconceitos. Mal conhecia esse Boris Casoy, agora conheço.
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Estou lendo a biografia de Marguerite Yourcenar, L'invention d'une vie (J. Savigneau), que comprei em Bruxelas, no sebo L'Évasion em julho 2009. Deixei a biografia de lado um pouco e li dois livros de M.Y. que comprei na mesma época: Alexis ou le Traité du vain combat e Le Coup de Grâce. Gostei dos dois, comecei a ler sem muita expectativa porque não são considerados seus melhores livros, digo, não são importantes como Memórias de Adriano ou A Obra em Negro, o que não quer dizer que sejam ruins. Comprei os dois livros numa edição só, o primeiro, Alexis, é uma carta escrita por um jovem músico à sua esposa, Monique, explicando porque ele está indo embora, porque não pode mais lutar contra a sua natureza, a homossexualidade (palavra que MY, também homossexual, detestava).
O segundo livro, gira em torno do mesmo assunto (a biógrafa comenta a obsessão de Yourcenar pela homossexualidade masculina), em Le Coup de Grâce (Golpe de Misericórdia, Editora Nova Fronteira) há um triângulo amoroso, Sophie, irmã de Conrad, ama Eric que ama Conrad. É uma história de amor trágica que se desenrola no meio de conflitos políticos nos países bálticos, em 1919. A própria Marguerite afirma que a política em si não conta para Eric, que ele é um aventureiro, mas o que parece é que ele está sempre à direita e Sophie à esquerda, ela "nunca escondeu sua simpatia pelos vermelhos", observa o próprio Eric. No final Sophie é presa junto com os inimigos, e cabe a Eric (poderia ter sido outro, mas ele pede que seja ele) matar Sophie, o que ele considera uma espécie de punição da parte dela, uma 'armadilha'.

Grosso modo é isso o assunto dos dois livros. Se não me engano Alexis foi escrito quando a autora tinha apenas 24 anos.
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Imagem: Susan Stephenson

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os Mandarins, Beauvoir

Acabei de ler, já faz alguns dias, o segundo volume de Les Mandarins. É um desses livros que estava nos meus planos há alguns anos e levei bem menos tempo do que pensava para a leitura dos dois volumes, cada um com mais ou menos 500 páginas nessa edição de bolso que comprei aqui mesmo em Curitiba, na FNAC. Não me lembro mais quanto paguei, mas não foi caro. 

Eu já disse antes que tenho preguiça de encarar romances muito longos, é que adoro contos, narrativas curtas. Assim que fechei Os Mandarins peguei um livro do D. Trevisan (falando em narrativas curtas, taí!), O Vampiro de Curitiba, por incrível que pareça eu nunca tinha lido este livro e li muito Dalton Trevisan na vida, muito muito antes de pensar em viver em Curitiba algum dia. A Curitiba que eu conhecia até algum tempo atrás era a dele. 

Voltando à Beauvoir. O livro começa logo depois do final da segunda guerra, mostra a euforia inicial, a alegria do recomeço, mas também a dor e o desespero de alguns personagens por terem perdido pessoas queridas, Nadine, por exemplo perde o namorado judeu, outro personagem perde a namorada também judia e ainda desconfia que o próprio pai pode tê-la entregado aos alemães. O universo é o intelectual, escritores, comunistas, jornalistas, pessoas que trabalharam juntas na resistência. Aprende-se bastante sobre a época com madame Beauvoir. Esse era o universo dela e de Sartre, na verdade. Há muito de auto-biográfico aqui.

Há uma parte em que Anne, uma das personagens principais, está viajando pela América Central com seu amante amante americano, num dado momento ela diz: Eles parecem felizes, estes índios. E Lewis, o amante americano, dá de ombros e responde: "É fácil dizer isso, quando a gente passeia por Little Italy numa bela tarde ensolarada, as pessoas também parecem felizes". Ela termina concordando com ele, percebe que seu olhar foi superficial. Eu achei interessante porque quando estamos viajando às vezes fazemos mesmo isso, julgamos muito rápido, pelo nosso humor ou baseado no nosso modo de vida. 

Honestamente não sei se entendo o que é o amor para os franceses. Quando este casal, Lewis e Anne (não se esquecer que Simone de Beauvoir também teve um amante americano, voilà, autobiografíssimo), enfim, quando a relação está chegando ao fim, Lewis diz que não a ama mais, ela diz: "Lewis, não sei se eu deixarei te amar, mas sei que toda a minha vida você estará no meu coração." Enfim, acho que ela quer dizer, 'eu deixarei de estar apaixonada', sei lá. Será que eu complico demais ou são os franceses?
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E, marco histórico na vida desta leitora, comecei a ler Os Irmãos Karamazov, escolhi a tradução da Editora 34, li que está bem melhor que as edições anteriores. O livro é bom desde as primeiras páginas. Se pudesse não faria nada por esses dias a não ser ler este livro, só pararia para um ou outro café. 

domingo, 4 de janeiro de 2009

Chuva de verão

Marguerite Duras por Robert Doisneau, 1955
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La Pluie d’été

Marguerite Duras (1914-1996)

Acabei de ler agora La Pluie d’été, um dos últimos livros escritos por Duras, foi publicado em 1990, depois dele veio L'amant de la Chine du nord que tenho aqui, mas ainda não li.

La Pluie d’été conta a história de uma família numerosa, a mãe é caucasiana, não se sabe exatamente de onde, o pai é italiano. O passado da mãe é bastante obscuro o que atormenta o marido. O casal tem sete filhos e vive de ajuda do governo, nenhum dos dois trabalha. A história se concentra no filho mais velho, Ernesto que se recusa a ir à escola por razões que ele não consegue explicar muito bem. Na verdade Ernesto é um gênio, aprende rápido demais e não consegue entender o sistema de ensino, prefere ficar atrás dos muros da escola escutando, assim que julga que aprendeu certa matéria passa para outro lugar, outro muro, outra escola.

Os pais, quando recebem o dinheiro do governo, vão para o centro da cidade beber, os filhos ficam sós e amedrontados, cabe a Ernesto cuidar de si e dos irmãos. Apesar de tudo a família é muito unida, nem que seja unida pelo medo. Ernesto ama sobretudo sua irmã Jeanne, ama a tal ponto que a relação termina incestuosa.

O gênio de Ernesto acaba chamando a atenção do professor da escola e depois de jornalistas.

A história se passa em Vitry, subúrbio de Paris.

Como disse em post anterior a história já havia sido filmada, a própria M. Duras escreveu e produziu o filme, LES ENFANTS. Eu nunca vi o filme, nem sei se é possível encontrar.

O livro foi traduzido para o português, Chuva de verão, editora Nova Fronteira. Não sei quem traduziu, vi o título em português no site da Estante Virtual, mas não havia o nome do tradutor.

sábado, 3 de janeiro de 2009

La pluie d'été - Marguerite Duras


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Comecei a ler ontem este livro, La pluie d'été, de Marguerite Duras. Eu não o conhecia, meu cunhado me enviou de presente no final deste ano, junto com outros livros. É bem curto, 150 páginas e, Duras que era também cineasta, já tinha filmado (fez o cenário, produziu) a história antes. Aí nesta entrevista ela explica porque resolveu, algum tempo depois, escrever a história, mas a entrevista está em francês, claro. Ela diz que escreveu a história porque o filme 'nunca' é suficiente para ela. Ah, ela escreveu o livro depois de sair de um coma de quase um ano.

O título do filme é Les Enfants.

Vou ler mais um pouco do livro e depois escrevo sobre ele. Já passei da página 70 graças à chuva que caiu quase o dia todo aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Poema da sexta-feira

BOM-DIA, CÃO

Avisto na rua um cão
Digo-lhe: como vais, cão?
Pensa que me responde?
Não? Pois bem, mas ele responde-me
E isso não é da sua conta
Agora quando se vêem pessoas
Que passam sem sequer reparar nos cães
Sentimos vergonha pelos seus pais
E pelos pais dos seus pais
Porque uma tão má educação
É coisa que requer pelo menos... e não estou a ser generoso
Três gerações, com uma sífilis hereditária
Mas, para não vexar ninguém, devo acrescentar
Que um número considerável de cães não falam com muita freqüência

Boris VIAN (1920-1959)
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Bonjour, chien

J'avise un chien dans la rue
Je lui dis: comment vas-tu, chien ?
Croyez-vous qu'il me répondrait ? Non ?
Eh bien il me répond quand même
Et ça ne vous regarde pas
Alors quand on voit des gens
Qui passent sans même remarquer les chiens
On a honte pour leurs parents
Et pour les parents de leurs parents
Parce qu'une si mauvaise éducation
Ça demande au moins...et je ne suis pas généreux
Trois générations, avec une syphilis héréditaire
Mais j'ajoute pour ne vexer personne
Que bon nombre de chiens ne parlent pas souvent.

Boris VIAN (1920-1959)

domingo, 2 de novembro de 2008

Lendo: LE MUR

Estou lendo LE MUR, Jean-Paul Sartre que comprei no sebo em Bruxelas, no ano passado e até hoje não tinha tido (ou 'não tinha tirado') tempo de ler. Pensei que talvez já o tivesse lido no curso de Letras, mas é pouco provável, a não ser que eu não possa ter mais nenhuma confiança na minha memória.
O livro é composto de 5 contos (nouvelles): Le Mur, La Chambre, Erostrate, Intimité, L'enfance du Chef.
Estou lendo agora Intimité, a quarta história, as três primeiras são muito boas. Acho que Le Mur, que dá título ao livro é a mais conhecida. Depois volto ao livro, assim que terminar.
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Estou postando os meus contos em outro
blog, se alguém quiser dar o ar da graça....
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O resto é TPM, dor de cabeça, dor nas pernas e tudo aquilo que algumas mulheres sabem bem. Oh, céus! Uma vez conheci uma moça que disse não se importar em ficar menstruada, até curtia. Não posso acreditar, acho que ela estava 'tentando' ser diferente. Eu o d e i o. Sofro bastante, cada mês um drama, sempre penso que, se fosse ainda novinha, tentaria aquelas alternativas que interrompem o ciclo. Aquela amiga americana que esteve aqui para fazer inseminação disse que eu devia tentar mesmo agora, ela fez isso lá pelos 40. Bom, sei lá, vou conversar com a médica da próxima vez.
E falando nessa amiga, os gêmeos concebidos aqui, vão nascer em dezembro, em Atlanta, ela tem 43 anos e será mãe pela primeira vez. Ela disse que é cada vez mais comum, muitas das amigas dela, na mesma faixa, estão tendo filhos agora. Minha irmã que vive em Bruxelas também teve o primeiro aos 40. Minha irmã disse que só tem que se preparar para, no Brasil, escutar 'Como é bonitinho o seu netinho!'.

Anna Gavalda

Tomei conhecimento dessa escritora há alguns meses, através de uma lição de francês que eu estava ensinando, lá aparece um extrato do livro dela Je voudrais que quelqu'un m'attende quelque part (Eu gostaria que alguém me esperasse em algum lugar - algo assim, pode escolher uma tradução diferente se quiser) Eis um pequeno trecho que aparece na contracapa:


" Quand j'arrive à la gare de l'Est, j'espère toujours secrètement qu'il y aura quelqu'un pour m'attendre. C'est con. J'ai beau savoir que ma mère est encore au boulot à cette heure-là et que Marc n'est pas du genre à traverser la banlieue pour porter mon sac, j'ai toujours cet espoir débile. "

São 12 contos que tratam do cotidiano, bem angustiantes, numa linguagem bem moderna, com muitas gírias, ainda assim dá para trabalhar em sala de aula, em grupos de nível intermediário, por exemplo. Eu gostei bastante dos contos (nouvelles), li em um dia e meio, é de ler rápido mesmo, como já disse aqui antes, eu não sou dessas leitoras que devoram um livro em poucas horas, quando leio rápido é porque todo mundo pode ler rápido. Anna Gavalda é bem nova (para uma escritora conhecida, pelo menos), nasceu em 1970 e parece que é o novo fenômeno literário francês, um de seus livros já foi adaptado para o cinema e la já recebeu vários prêmios. É claro que, como todo autor contemporâneo, está sujeito a pedradas e louvores.

Eu estava com visitas 'belgas' esta semana, meu cunhado, sobrinho e um amigo, vieram todos juntos e eu encomendei este livro. Este e outros, claro, por exemplo, Les Mandarins, S. Beauvoir. Este ainda não li, vai demorar mais. Além dos livros trouxeram também os chocolates belgas, ninguém que venha de lá atravessa o portal sem os bombons.
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E...Madame Vera do Val foi buscar seu Jabuti nesta sexta. Queria muito ter visto isso, mas não pude ir a São Paulo. Parabéns, Vera!
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E chove, chove por aqui, mas está bem gostoso o tempo, bom para ler e ver filmes. Nem todo mundo concorda comigo, evidentemente.


segunda-feira, 11 de junho de 2007

Carta - Simone de Beauvoir

Nelson, meu amor,
Foram só vinte e três horas até Paris, aportamos às 6h, amanhecia. Eu estava muito cansada depois de duas noites sem dormir, bebi café e tomei dois pequenos comprimidos para me manter acordada durante o longo dia. Paris estava muito bonita, um pouco nevoenta, com um céu cinza, suave, e o aroma das folhas mortas. Fiquei muito contente ao descobrir que tinha muito a fazer aqui, tanto que só devo ir para o campo o mês que vem. Primeiro, o rádio dá ao Temps Modernes uma hora inteira a cada semana para falar sobre o que quisermos, da maneira que quisermos. Você sabe o que significa a possibilidade de chegar a milhares de pessoas e tentar fazer com que eles pensem e sintam do modo que acreditamos seja correto pensar e sentir. Isso tem de ser manejado com muito cuidado, e hoje de manhã tive uma espécie de conferência para falar sobre o assunto. Segundo, o Partido Socialista quer nos consultar sobre a possibilidade estabelecer uma conexão entre política e filosofia.

no RoseLivros.