quarta-feira, 14 de maio de 2008

Entrevista: Contardo Calligaris

[Eu gostei muito desta entrevista, sobretudo desta parte que transcrevo. Se alguém quiser ler o restante é só ir aqui.]

PLAYBOY
- Você escreve bastante sobre o Brasil e os brasileiros. Para você, quais são as principais características da sociedade brasileira?

Contardo - O Brasil é uma sociedade ao mesmo tempo moderna e arcaica. Por um lado, somos extremamente modernos, porque a diferença social se dá por meio da riqueza e do consumo. Por outro, essa diferença social é vivida como se fosse uma diferença de casta. Depois de uns cinco anos vivendo no Brasil — e o Brasil pega na gente —, fui a Paris visitar meu filho. Estava num café e queria fazer um pedido. Então, levantei o meu braço e estalei os dedos. O garçom ouviu o barulho e, completamente paralisado, perguntou: “Você está falando comigo?” Eu me dei conta de que estava fazendo um troço completamente inaceitável. O cara ia me dar um soco, me mandar à puta que o pariu e o dono do café ia lhe dar razão. Mas, no Brasil, isso é normal. As pessoas se prevalecem dos apetrechos de seu sucesso narcisista para tratar os outros como escravos. É como se quisessem perpetuar uma ordem que não existe mais.

PLAYBOY - Você acha que é assim que os brasileiros são vistos lá fora: como uma sociedade arcaica e atrasada?

Contardo - Não. Mas, apesar dos esforços de modernização do Brasil, o país ainda é visto, sobretudo, como um sonho exótico. E é difícil ser visto como exótico, porque o exotismo é a face legal do racismo, por assim dizer. A vergonha desse exotismo é, certamente, uma face da identidade nacional.

PLAYBOY - Você é imigrante e teve muitos pacientes brasileiros que emigraram para os EUA. O que eles podem ensinar a nós que ficamos no Brasil?

Contardo - A conclusão a que a gente chega é que ninguém deveria nunca viajar. Quem começa a viajar — e não estou falando em passar férias, mas em se transplantar — não tem motivo para parar. A dúvida entre a continuação da viagem e o retorno se torna uma parte constante de sua vida. Em minhas viagens entre Nova York e São Paulo, conversei com diversos brasileiros que estavam sendo deportados para o Brasil e, curiosamente, se sentiam completamente aliviados. Não que eles quisessem ir embora dos Estados Unidos, mas estavam aliviados que a decisão tinha sido tomada por terceiros.

O resto da entrevista está aqui.

terça-feira, 13 de maio de 2008

livros e livrarias

Com relação ao post abaixo, O Ranking das livrarias, devo dizer que postei o artigo porque achei interessante. Todos nós que gostamos de livros, mesmo quando não pretendemos comprar damos uma circulada por livrarias ou, no meu caso, por sebos. Mas eu, tampouco concordo com os quesitos do jornalista, sou um pouco como a Sônia Sant'anna (refiro-me ao comentário) prefiro percorrer a livraria em paz, sem nenhum vendedor atrás de mim e também fujo dos sugestões. Eu tenho uma idéia bastante clara do que quero ler e quando vou oferecer algum livro de presente é para alguém com quem tenho afinidades e posso escolher eu mesma. Se procuro o vendedor é porque não consegui encontrar o preço ou o livro em questão. Sugestões, não obrigada. Trocar idéias é sempre bom e podemos descobrir autores, títulos, milhões de coisas, mas ainda prefiro que me deixem tranquila numa livraria com aquela montanha de best sellers, Zíbias Gasparettos, títulos de norte americanos atuais que amanhã estarão esquecidos e num cantinho solitário, quase escondido, de vez em quando encontro um autor japonês, turco ou outro que vale a pena.

domingo, 11 de maio de 2008


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esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem


Paulo Leminski

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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Puf


Este é o Puf, um cãozinho muito carinhoso que vivia lá no sítio dos meus pais. Vivia. Cheguei lá na semana passada e ele não veio nos receber pulando feito louco. E ele sorria, nisso até minha mãe concordava, ele abria a boca de um jeito muito parecido com sorriso. O cachorro do vizinho o matou, isso foi há um mês, meus pais não nos contaram, só ficamos sabendo ao chegar no sítio. "Cadê o Puf, vovó?" Minha sobrinha perguntou e depois ela foi chorar debaixo de uma árvore e eu de outra. Que tristeza sem ele por ali.
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quinta-feira, 1 de maio de 2008

O ranking das livrarias

Repórter percorre des lojas em São Paulo para comparar a qualidade deatendimento a organização e a estrutura


CYRUS AFSHAR Folha de S. Paulo - 26/4/2008


Comprar um livro é quase um ritual. Cada leitor tem seu jeito: uns escolhem por impulso, em passeios desinteressados, outros já saem preparados, sabendo exatamente o que querem e não são de muito papo.Tem os que chegam à livraria atrás de uma obra específica, mas nem sempre têm na ponta da língua o título completo ou a grafia do sobrenome do autor. Em qualquer um dos casos, vendedor atento e livraria bem organizada são fundamentais. Sem se identificar, a reportagem do Vitrine percorreu dez livrarias em São Paulo (grandes, pequenas e médias) e comparou o atendimento e a sinalização de cada uma. Para isso, foram feitos três testes.No primeiro teste, foi medido o tempo decorrido entre a entrada do repórter na livraria e o aparecimento de um funcionário oferecendo ajuda. No segundo teste, foi avaliada a agilidade do vendedor emlocalizar títulos. Aqui, o repórter pediu sempre o mesmo lançamento("O Sol do Brasil", de Lilia Schwarcz) e um livro mais acadêmico("Globalização, Democracia e Terrorismo", de Eric Hobsbawm), mas sem informar os títulos ou as grafias exatas dos nomes dos autores.No terceiro teste, a reportagem pediu sugestões de presente para o Dia das Mães. Nesse caso, não se levou em conta a rapidez ou a qualidadedo que foi recomendado, mas a preocupação do vendedor em atender aopedido de maneira mais personalizada.Além do atendimento, foram observados os recursos à disposição do consumidor para que ele se vire bem sozinho, como sinalização das seções, ordem dos livros nas seções e presença ou não de leitores decódigo de barra e computadores para pesquisa. Quem sabe vender livro? Martins Fontes e Da Vila têm melhor desempenho; Vozes é destaque em auto-atendimento.

Das dez livrarias testadas pela reportagem, oito tiveram desempenho bom ou muito bom na contagem final. As que se saíram melhor foram a DaVila e Martins Fontes. Ficaram um pouco abaixo da média Nobel,Siciliano e Cortez. Nessas lojas, o fator negativo que mais pesou foio tempo decorrido entre a entrada do repórter na livraria e o atendimento.Na Cultura, o repórter esperou mais de oito minutos para ser atendido."Queremos atender o mais rápido possível", disse Fábio Herz, 35, diretor comercial da Cultura, ao reconhecer a falha. "O que a gentereforça muito no treinamento é para o vendedor não ser ostensivo, masse mostrar sempre disponível". Ele afirmou que a demora foi causadapelo movimento acima das expectativas e que isso tem que ser levado em conta. Mas a Cultura foi uma das melhores nos demais testes, reflexo da preparação: seus vendedores são treinados por 40 dias antes docontato com o público.Os recursos de auto-atendimento da maioria das livrarias são satisfatórios. As que se saíram pior foram Cortez e Ícone. De acordo com o diretor-geral da Cortez, Ednilson Xavier, a sinalização pouco clara das seções do segundo andar da sua loja vai mudar. Já a gerente da Ícone, Carla Fanelli, afirmou que a sinalização da unidade da rua Augusta é adequada. "Os nomes das seções não são muito grandes, mas dá para enxergar", disse. No auto-atendimento, o destaque positivo foi a pequena livraria Vozes,que tem leitor de preço, computadores para busca, seções bem sinalizadas e ordem de livros por autor. (CA)


Atendimento personalizado

A Martins Fontes da Paulista privilegia livros de fi losofi a, que ficam na sala central. O atendimento é rápido, e o clima, de livrariapequena. Tem até consumidor que chama o vendedor pelo nome. A sinalização dasseções, apesar de discreta, funciona. A ordem dos livros, seguindo o sobrenome do autor, facilita a vida de quem gosta de se virar. Os computadores só podem ser usados pelos vendedores. A vantagem (para eles) é que o programa de busca tem ferramenta de sugestão de preenchimento automático, o que facilita a digitação de um sobrenome mais difícil. Quando o repórter pediu dicas de presentes para a mãe, a resposta não foi automática. O vendedor sugeriu, a partir do perfi l fornecido, os livros "QuemPagou a Conta", de Frances Saunders, "Nietzsche", de Martin Heidegger,e "Dom João VI", de Jorge Pedreira e Fernando Costa. av. Paulista, 509, tel. (11) 2167-9900, São Paulo. Seg. a sex.: 9h às22h. Sáb.: 9h às 19h:. CC: todos. Estacionamento: sim


Muita vigilância, pouco vendedor

A Nobel do shopping Center 3 nem é tão grande: são 250 metrosquadrados. Mas tem 11 câmeras de vigilância. Vendedor, que é bom, só havia dois, na tarde da última quarta-feira. Edemoraram para atender. Enquanto a funcionária procurava um livro parao repórter, outros quatro clientes fi caram na espera. O atendimentofoi ansioso. Um exemplo foram as sugestões para Dia das Mães, feitassem o cuidado de tentar atender a um gosto específi co, e restritas aos lançamentos direcionados a mulheres: "Marley e Eu", de John Grogan, "O Silêncio dos Amantes", de Lya Luft, e o best-seller "Comer, Rezar, Amar", de Elizabeth Gilbert. As seções são bem sinalizadas e os terminais podem ser usados pelos consumidores - onde dá, também, para ver o preço do livro. av. Paulista, 2.064, 3º andar, shopping Center 3, tel. (11) 3287-7387,São Paulo. Seg. a sáb.:10h às 22h. Dom.:13h às 22h CC.: Amex, Master eVisa. Estacionamento. : sim

Socorro tarda, mas não falha
A Vozes leva o nome da editora à qual é vinculada, mas tem muitasopções de lançamento de outras editoras também. Por ser uma livraria pequena (169 metros quadrados), fi ca fácil parao consumidor se orientar sozinho. Apesar de não haver muitosvendedores, eles estão sempre ao alcance da vista. Mas podem demorarbastante até abordar o consumidor. A loja tem dois computadores que podem ser usados pelos clientes, além de leitores de código de barrasque informam o preço, facilidades comuns em grandes livrarias. O atendimento foi cuidadoso e as sugestões dadas para presente do Diadas Mães foram personalizadas, feitas com base nas informaçõesfornecidas pelo repórter. r. Haddock Lobo, 360, tel. (11) 3256-0611, São Paulo. Seg. a sex.:9hàs 20h. Sáb.:9h às 13h. CC: todos.
Rápido, mas afobado
A livraria Cortez, em Perdizes, tem seções bem sinalizadas no térreo,mas no segundo andar os nomes das divisões estão em letras pequenas, oque difi culta a busca. Depois de mais de cinco minutos de espera, umavendedora ofereceu atendimento, que foi afobado e impaciente. "Como éque eu faço, sem saber o título do livro e o nome certo do autor?",perguntou ela, quando o repórter deu apenas o nome de um escritor, sema grafia.Na hora de sugerir um presente de Dia das Mães, ela não fez nenhumapergunta para refi nar as indicações. Em compensação, deu várias sugestões de lançamentos e até buscou ocatálogo novo da livraria, para mais opções. r. Bartira, 317, tel. (11) 3873-7111, São Paulo. Seg. a sex.: 9h às21h. Sáb.: 9h às 18h. CC: Amex, Master e Visa. Estacionamento: sim
Sugestões pouco inspiradas
O departamento de livros é o de menor movimento na Fnac de Pinheiros. Mesmo assim, os vendedores parecem estar sempre ocupados. A vendedora demorou mais de três minutos para abordar o repórter"perdido". Na hora de escrever os sobrenomes "Schwarcz" e "Hobsbawm",para achar os livros, a funcionária se enrolou. Quando deu sugestõespara Dia das Mães, se restringiu a livros que têm relação explícita com a data, tais como "Mãe, Tudo de Bom", "Querida Mamãe" e "UmPresente para Minha Mãe". Ela não perguntou ao repórter que gênero de livro seria o mais adequado. No entanto, foi paciente e usou também o sistema de buscapara dar outras opções. pça. dos Omaguás, 34, tel. (11) 3579-2000, São Paulo. Seg. a dom.:10hàs 22h. CC: Amex, Master e Visa. Estacionamento: sim Não precisa caçar funcionário"Você precisa de ajuda?". Na Livraria da Vila, a frase veio em menosde 30 segundos. Lá, os vendedores fi cam bem espalhados pela loja. Isso faz com quehaja sempre alguém perto de você. O destaque é o departamento infantil. Na hora de digitar os dados sobre o autor Eric Hobsbawm no sistema de busca, a vendedora optou por escrever o primeiro nome dele e achou olivro rapidamente. As sugestões para presente de Dia das Mães levaram em conta a preferência da pessoa. Os títulos recomendados foram "Na Praia", de Ian Mcewan, e "O Conto do Amor", de Contardo Calligaris. A organização espacial é boa, mas não há placas indicando quais seções estão em outros andares. Dá para usar o scanner de leitura de códigode barras para saber o preço, mas não o computador. r. Fradique Coutinho, 915, tel. (11) 3814-5811, São Paulo. Seg. asex.: 9h às 22h. Sáb.: 10h às 19h. Dom.: 11h às 18h.CC: todos.Estacionamento: sim
Tente um olhar de desamparo
Na Saraiva do shopping Ibirapuera, os funcionários ficam perambulandoe só param se forem abordados ou ficarem comovidos com o seu olhar dedesamparo. Mas, se você chamar a atenção de um, a compra poderá serrápida. No dia do teste, o vendedor localizou os livros pedidos em 13segundos e deu quatro dicas boas de presentes para Dia das Mães.Alguns dos lançamentos sugeridos ele mesmo já tinha lido. A Saraiva tem uma política de emprestar livros aos vendedores. av. Ibirapuera, 3.103, shopping Ibirapuera, loja 145, tel. (11)5561-7290, São Paulo. Seg. a sáb.:10h às 22h. Dom.: 13h às 21h. CC:todos. Estacionamento: sim
Prós e contras da pequena Menor livraria visitada pela reportagem, com 132 metros quadrados, a Ícone mostra as vantagens e desvantagens de uma loja pequena. Aabordagem do vendedor foi a mais rápida: bastaram segundos para ele perceber que um comprador em potencial precisava de ajuda. Porém, a Ícone não dispõe de muitos recursos tecnológicos para ajudara encontrar um livro. O computador, que só pode ser usado pelos funcionários, não tem sistema de busca por nome de autor - só por título - o que impediu a procura de uma obra recémlançada. Sobre o livro de Hobsbawm, o vendedor disse que ainda não tinha recebido. Já para as sugestões de Dia das Mães, o atendimento foi um dos melhores. Ele perguntou qual o estilo de livro que mais agradaria e, apartir disso, sugeriu cinco obras. r. Augusta, 1.415, tel. (11) 3288-9206, São Paulo. Seg. a sex.:8h às20h. Sáb.:8h às 14h. CC: Diners, Master, Visa. Estacionamento: não


Para quem não quer ajuda

A unidade da Siciliano do bairro Vila Olímpia é ampla é quase semdivisões. Foi pensada para o consumidor comprar sem ajuda: temcomputadores para buscar um livro por título, autor ou assunto. Junto das máquinas, leitores de código de barras mostram o preço; os poucos vendedores fi cam, na maior parte do tempo, organizando os livros nasestantes. Os funcionários, aliás, não se dão muito bem quando pesquisam noscomputadores, por autor. Se os nomes são de grafi a mais difícil, como"Lilia Schwarcz" e "Eric Hobsbawm", será preciso esperar algunsminutos e várias tentativas. Já para a sugestão de presente do Dia das Mães, o vendedor sugeriu ou lançamentos ou best-sellers, como os doafegão Khaled Hosseini e o "Mãe com Amor", de Helen Exley. av. Dr. Cardoso de Melo, 630, tel. (11) 3842-9811, São Paulo. Seg. aqui.:9h às 20h30. Sex. e sáb.:9h às 22h. Dom.: 10h30 às 20h30. CC:todos. Estacionamento: sim
O inferno dos tímidos
À primeira vista, a livraria Cultura é o paraíso do consumidor delivros. Contudo, a maior entre as lojas avaliadas, com 4.300 metrosquadrados, também pode ser o inferno dos mais tímidos, que não gostamde correr atrás de vendedor, e precisam de ajuda para achar um livro.Os vendedores estão sempre à vista, é só chamar. Mas se você apenasesperar... A abordagem levou quase dez minutos, no teste feito para a reportagem.A melhor forma de procurar um livro, na Cultura, é correr atrás de umdos funcionários, que, em geral, fi cam nos terminais. Os computadorestêm sistema de busca, mas não podem ser usados pelos clientes. Mas avendedora foi ágil na hora de checar na internet a grafi a do nome deum autor. av. Paulista 2.073, tel. (11) 3170-4033, São Paulo. Seg. a sáb.: 9h às22h. Dom.: 12h às 20h. CC: todos. Estacionamento: não


ENTENDA OS CRITÉRIOS

O atendimento da livraria foi considerado "excelente" quando algumfuncionário se dirigiu ao repórter em menos de dois minutos; quando ovendedor deu várias sugestões "personalizadas" de presente para o Diadas Mães; e quando a busca de um título demorou menos de dois minutos.O atendimento recebeu "bom" quando o tempo de espera para encontrar umlivro foi de até 2min45s, e quando a sugestão de presente foigenérica, mas com opções. O atendimento da livraria foi classificadocomo "regular" quando o vendedor deu só uma sugestão genérica parapresente de Dia das Mães, e quando levou até 3min30s para o repórterser atendido, e também para o vendedor localizar uma obra. Para darmais peso ao atendimento feito por vendedores, aspecto principal doteste, o conceito máximo do autoatendimento foi o "muito bom".Receberam esse conceito livrarias com seções bem sinalizadas, livrosem ordem alfabética de autor e computadores e leitores de preço àdisposição do consumidor.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Em Minas

Aqui estou. Vim ver a família e comprar queijo. O último é brincadeira, é que no Sul o povo pensa que em Minas a gente só vive de queijo. É verdade que alguns mineiros fazem jus à reputação, mas não vamos exagerar, tem também o pão de queijo, goiabada com queijo, doce de leite...
Falando por mim, o único aí que eu adoro e que comeria todos os dias é o pão de queijo.
Enfim, cá estou e morta de preguiça. No caminho li O Ciclo das águas, de Moacyr Scliar.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lendo: Invitation to a Beheading

Estou lendo um dos livros que minhas visitas trouxeram, Convite Para Uma Decapitação. Extremamente interessante, vou falar dele assim que terminar. O personagem principal é Cincinnatus C. que está preso esperando o cumprimento da sentença, a decapitação. O seu crime? «torpeza gnóstica».
De Nabokov eu tinha lido, como a maioria, Lolita que é um dos meus livros preferidos. Um dos.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Feriado

Estou chegando à conclusão de que um feriado na segunda é melhor do que na sexta. É muito bom acordar numa segunda e não ter que pensar na hora, nos alunos, em papéis para assinar, em compromissos. C'est très bon! E pela manhã fazia um tempo formidável em Curitiba, então fomos tomar café da manhã fora, tão tarde que a moça perguntou se queríamos café ou almoço. Depois fomos ao parque Tanguá e à Ópera de Arame com nossas visitas. Depois disso eles decidiram ir a uma churrascaria, ninguém pode passar pelo Brasil sem ir numa dessas. Parece. Eu não fui, voltei para casa e pensei em caminhar um pouco à tarde, só pensei, porque estamos em Curitiba e o sol que apareceu pela manhã se liquidificou. Cai a mesma chuva de ontem, tranqüila e monótona. o cachorro, coitado, fica inconformado. C'est la vie! Tento explicar para ele, 'uns dias chove, noutros dias bate sol.'
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imagem: L'Ange Bleu, Denis Nolet.

domingo, 20 de abril de 2008

Love Me Or Leave Me



Nina Simone - Love Me Or Leave Me
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Um bom domingo pra todo mundo, seja na Itália, em Brasília, em Manaus, na Bélgica, na China, na Austrália...todos os que passarem por aqui.
Em Curitiba chove uma chuvinha romântica.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A CASA DAS BELAS ADORMECIDA

Yasunari Kawabata

Além de A Casa das Belas Adormecidas li os seguintes livros de Kawabata: The Dancing Girl of Izu and Other Stories, O País das Neves, Kyoto e agora estou lendo Contos da Palma da mão. Gostei de todos eles, são histórias curtas, normalmente plenas de sensualidade ou são uma reflexão sobre a existência, sobre a velhice, sobre a vida do próprio autor já que muitas das histórias são retiradas do seu diário. A Casa das Belas Adormecidas foi um dos que mais me impressionou e não sei bem a razão, talvez seja a forma, mas pode ser também a ousadia do autor ao tratar o tema da velhice através do personagem Eguchi, um respeitável senhor bem passado dos 60 anos. Este senhor, primeiro tomado por certa curiosidade, começa a freqüentar o local cujo nome é título do livro. Esta casa não é um bordel, entretanto, pelo menos não nos termos convencionais, é um lugar mais de contemplação que de ‘ação’. Os velhos que pagam para passar a noite na casa estão proibidos de ter relações com as garotas que trabalham ali, elas são pagas, na verdade, para dormir e permitir que sejam contempladas no seu sono e beleza. Por vezes, acariciadas, mas muitas regras devem ser seguidas. As meninas não devem saber com quem passaram a noite e dormem profundamente, não um sono natural, mas induzido por um produto que devem tomar, o cliente também pode tomar o sonífero, se desejar.

Um trecho:

“A decrepitude hedionda dos pobres velhotes que procuravam aquela casa ameaçava atingi-lo dentro de alguns anos. Quanto da imensurável amplitude do sexo, da insondável profundidade do sexo ele teria tocado na sua vida de 67 anos? Além disso, em volta dos velhotes nasciam incontáveis peles renovadas de mulheres, peles jovens, de garotas bonitas. Os desejos de sonhos impossíveis, o lamento pelos dias que lhes escaparam e que estavam perdidos para sempre não estariam impregnando os pecados daquela casa secreta? Eguchi já havia pensado que as garotas adormecidas o tempo todo seriam uma eterna liberdade para os velhotes. As garotas adormecidas e mudas certamente lhes falavam tudo que eles gostariam de ouvir.”

Toda vez que se fala neste livro é obrigatório acrescentar que G. Márquez baseou-se nele para escrever o seu Memória de minhas putas tristes. Não há comparação entre os dois, na minha opinião, claro. Não estou negando que um tenha sido baseado no outro pois o próprio Márquez já o afirmou. Memória de minhas putas tristes é, sempre na minha modesta opinião, o pior livro deste autor. Ainda que eu não tenha lido todos. Não vejo neste último livro nada da beleza e da sutileza do livro de Kawabata.

Yasunari Kawabata nasceu em Osaka em 1899, estudou Literatura na Universidade Imperial de Tóquio, recebeu o prêmio Nobel em 1968.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

ESTÔMAGO

Estômago foi o filme deste fim de semana. Ótimo em todos os sentidos, engraçado, mas profundo...não é apenas mais uma comédia (nada contra comédias comédias, adoro rir), os atores são todos muito bons também, eu conhecia poucos, talvez só o Paulo Miklos. João Miguel que faz o papel do cozinheiro amoral, Raimundo Nonato, é o mais impressionante. Claro, ele faz o papel principal, tinha que impressionar mesmo. Bom, o filme já recebeu tantos prêmios por aí que só posso acrescentar, vá ver. Não vou começar a contar a história que fica sem graça. Tinha um amigo italiano com a gente no cinema e ele se divertiu mesmo sem entender. Está certo que em alguns momentos ele disse que riu mais da minha risada. Um momento muito engraçado é quando Nonato está conversando com a prostituta Íria e ela lhe fala do molho putanesca e ele entende 'puta vesga'. E ela fica puta mesmo.

Olha, o ficha técnica está dizendo que é um drama. Que coisa! Não deixa der ser, mas não pára aí.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Estômago
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 112 minutos
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Lusa Silvestri
Música: Giovanni Venosta
Fotografia: Toca Seabra
Produção: Claudia da Natividade (Zencrane); Fabrizio Donvito, Marco Cohen e Gabriele Muccino (Indiana)

Ontem foi aniversário de mi maman, dei os parabéns por telefone mesmo, fazer o quê? Na verdade ela pouco se importa com datas e a coisa mais difícil do mundo é escolher um presente para ela. Como vencer o seu pragmatismo extremo ? Não é vaidosa, nem quando era jovem (que eu saiba), não se interessa por livros, só aqueles que falam de plantas...já comprei um monte....cinema? Esqueça. Encontrarei alguma coisa antes de ir vê-la.
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Mais visitas dos isteitis com mais uma um monte de livros magníficos, sobretudo Nabokov e P. Roth. Ok, estes eu tinha pedido. E o tempinho tão propício à leitura por agora, queria me fechar em algum lugar por duas semanas....Não vai dar.
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imagem:European Travel, Arnie Fisk.

sexta-feira, 11 de abril de 2008



Calor em Curitiba.

O cachorro está ali ‘morto’ em cima do sofá, desconfio que ele não gosta muito de calor, mas no frio também se encolhe todo. Acho que é o beagle mais preguiçoso que já vi. Só não é preguiçoso quando a gente propõe um passeio, pula do sofá, dá uma sacudida, ajeita o pescoço para a coleira e começa a pular feito louco. E não gosta de enrolação, uma vez feita a proposta é melhor agir rápido.

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Alergia ou gripe? Não estou respirando bem.

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Lembrete:

Tomar pelo menos 1 litro de água por dia, comer no mínimo 3 frutas, mais proteína no cardápio, andar 40 minutos....oh lá lá. (já ajudou a lembrar, fui na cozinha e peguei o meu copão de água, deve conter pelo menos 300ml.)

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Foto: Tommy por Aaron.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Xantipa


[Um dos meus contos antigos, antigos...como não ando escrevendo e como estou gripada e sem coragem para nada, aí vai]

Xantipa

‘A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
à morte da cigarra’

Matsuo Bashô

Aqui dorme-se bem, o colchão é macio, os lençóis alvos e perfumados. Sim, aqui dorme-se muito bem, não é como no meu pequeno e imundo barraco. Eu gostei dessa ilha tranquila e silenciosa, sobretudo agora. Vou partir contrariada, com o coração aos pedaços, diria se fosse um pouco mais dramática. É duro abandonar tanto conforto mas já é tempo. Amanhã pego o barco e vou por aí, deixo todo mundo aqui que eu estou cansada dessa gente. Obrigada pela cama, pela boa comida, pelos vinhos, pela praia, pelo sol, por tudo….Vou-me. Depois de tantos anos, digo-lhes, finalmente, adeus!

Dona Adélia Campos Guimarães, minha patroa, nem responde, os outros também não. Ninguém mais responde e nem ordena: ‘Xantipa vá buscar isso, por favor.’ ‘Xantipa, nós vamos jogar tênis, prepare um lanche para daqui a duas horas, sim?’ ‘Xantipa, vamos jantar às oito horas, prepare os camarões.’

De manhã lhes sirvo café quente, pães, sucos, limpo a mesa, o chão, troco os lençóis, lavo as toalhas, milhões de toalhas que devem estar sempre limpas e cheirosas. Mas tudo isso é pretérito imperfeito, falo no presente por descuido e costume, agora estão todos lá fora, alguns com a boca já cheia de formigas, outros estão ainda na varanda onde lhes servi o camarão bem temperado. Camarão é uma comida estranha e facilmente perecível, eu mesma detesto camarões, sou alérgica, mas eles gostam, digo, gostavam. O Valter não deve ter comido bastante e me deu trabalho. Droga! Esse imbecil bebia tanto que não se importava em comer. Eu devia ter temperado as bebidas também. Da porta vi quando os outros começaram a sentir tonturas, alguns não tiveram a decência de procurar um canto escondido para vomitar e, vendo aquele espetáculo, vomitei também. Não suporto ver gente vomitando, tenho o estômago fraco, ele dá umas reviradas e, como num ato de solidariedade, vomito junto. Valter, que já estava bêbado, não entendia direito aquelas cenas. Alguns correram para o mar procurando, decerto, se refrescar, então, percebendo que não se tratava de uma brincadeira, Valter quis entrar para telefonar, eu empurrei a porta e me tranquei aqui dentro. Ele esmurrou-a e depois tentou as outras portas mas não tinha muita força, desistiu e tentou chegar ao barco, eu o segui e dei-lhe uma cacetada na cabeça. Merda, eu não contava com isso, mas tive que fazê-lo pois com o barco ele poderia, rapidamente, avisar um dos vizinhos. Foi chato isso, pois uma coisa é envenenar comidas, outra é sair distribuindo cacetadas em cabeça de bêbado. Para o envenamento eu tinha me preparado com muita antecedência, tinha estudado e, além disso, era colocar o veneno e esperar agir, já as cacetadas foram todas improvisadas, uma violência. Foi chato, muito chato, mas está feito.

Agora é apagar o que puder dos meus traços, juntar as minhas poucas roupas e desaparecer. Vou amanhã bem cedo antes que os curiosos apareçam por aqui, o telefone tem tocado cada vez mais, os recados preocupados se acumulam na secretária eletrônica. É tempo.

Leila Silva
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imagem:Bouquet di Tulipani, Eva Barberini

segunda-feira, 7 de abril de 2008

À la Claire Fontaine



Esta canção faz parte da trilha sonora do filme Despertar de uma paixão. É belíssima e a mesma versão do filme pode ser ouvida no youtube.

A la claire fontaine

A la claire fontaine
M'en allant promener
J'ai trouvé l'eau si belle
Que je m'y suis baigné.

Il y a longtemps que je t'aime,
Jamais je ne t'oublierai.
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"Esta canção faz parte de todas as listas folclóricas, tradicionais, infantis e dos Éclaireurs (Escoteiros) franceses. À la Claire Fontaine possui uma força mística e um significado mágico que transcende a simples tradução. Vive no coração dos gauleses."

Fonte: mallemont
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Ontem meu sobrinho que vive na Bélgica fez um ano, que pena que está tão longe, só ouvi o grito dele pelo skype. E como o tempo é relativo, passa tão rápido e tão devagar. Parece que faz um tempão que estive na Bélgica, que vi minha irmã 'aprendendo' a ser mãe, que balancei o Dani do meu jeito desajeitado enquanto escutávamos Nina Simone. Anos, meses, semanas, horas....tudo isso é realmente uma invenção.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

GEN - Pés descalços

Keiji Nakazawa, Conrad.

Li esses dias os 4 volumes de GEN - Pés descalços. É muito bom, vi em algum blog que uma professora de história estava indicando para os alunos, para que entendessem melhor o que aconteceu em Hiroshima. Achei excelente a idéia, o livro é, em certo sentido, meio didático mesmo, ou se presta a isso. O autor viveu aquele drama, perdeu o pai, irmã, irmão por causa da bomba e, por mais que tenha evitado abordar o assunto em seu trabalho chegou um momento em que ele sentiu necessidade de contar a sua versão. E que versão! É um livro impressionante, com imagens impressionantes, tristes, macabras, mas é um livro pleno de humor e esperança também. Pensar que até outro dia eu não o conhecia, um amigo 'de leituras' me emprestou os 4 volumes e eu os devorei. Um dos volumes tem prefácio de Art Spiegelman, autor de MAUS, outra HQ que eu (e muita gente) adoro.

"Gen é uma dessas raras histórias em quadrinhos que realmente conseguem realizar a mágica: traços em papel que adquirem vida" (Spiegelman)

Mais aqui.

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"A bomba que destruiu Hiroshima era de urânio. Em Nagasaki, eles testaram a de plutônio. Eram bombas sujas. Na década de 1950, houve o teste da bomba de hidrogênio. As pessoas pensam que a bomba nuclear é uma bomba, mas não é. É uma reação em cadeia. Havia um planejamento para uma bomba de cobalto, mas eles acabaram desistindo porque ninguém podia prever até onde essa reação em cadeia iria."

Paulo Francis

quarta-feira, 2 de abril de 2008

noites


Noite mal dormida. A cada vez que isso acontece eu tenho medo da insônia voltar, tenho horror da insônia. Não dormir uma noite é uma coisa, passar várias noites olhando nervosa para o teto, ligando e desligando a tv, tentando não acordar os outros da casa, tentando ler e não conseguindo se concentrar, pensando e pensando e pensando até que vem a manhã e você se sente um trapo, os nervos à flor da pele, o dia se arrasta e lá vem outra noite. Não, nunca mais, nem que seja à custa de remédio. Nessa época da insônia eu 'reclamei' para uma amiga muito querida, mas que não entendia nada do que eu estava sentindo, ela disse: 'Que maravilha, eu ia adorar, significa mais tempo...'Infelizmente não significa. Sei que não precisamos todos do mesmo número de horas de sono, mas precisamos de algumas horas pelo menos. Mas, enfim, hoje foi só uma noite e nem se compara aos tempos da insônia, nada que dois copos de café não resolvam.
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imagem: Sommeil, Salvador Dali

sexta-feira, 28 de março de 2008

Virginia Woolf

Hoje é aniversário de morte de Virginia Woolf, morreu no dia 28 de março de 1941.

Esta é a carta deixada para o marido, Leonard Woof, quem viu o filme As Horas, lembra-se da leitura desta carta. Emprestei esta tradução do Wikipedia.

"Querido,

Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade. Você sempre foi paciente comigo e realmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.

Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.

V."

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E a versão original:

Dearest, I feel certain I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.

I don't think two people could have been happier than we have been.

V.'

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terça-feira, 25 de março de 2008

Lendo (ainda) Lolita em Teerã.

Estou lendo muito devagar este Lolita em Teerã, por isso vou comentando assim aos pedaços. Achei curioso o comentário que alguém deixou no meu post logo abaixo sobre o livro "mulher que tem medo de morrer em luta pelos seus direitos merece a servidão imposta". Eu não sei quem é o autor do comentário, talvez seja alguém muito jovem e imaturo. No decorrer da leitura podemos ver, justamente, que as iranianas não ficaram de braços cruzados deixando que a 'revolução islâmica' tomasse conta da vida delas, tampouco ficaram as paquistanesas e tantas outras quando os brutamontes chegaram com suas armas modernas e barbas medievais. Infelizmente a vida não é assim tão fácil e 'servidão' não é só véu, chador, burca, servidão é também um salto de 15 cms, é botox, lipoaspiração, é obsessão por manequim 38 ou menos ainda, como já escreveu uma autora muçulmana. Nós conhecemos pouco esta cultura para julgar.

Voltando ao livro, uma das maravilhosas mudanças que a revolução islâmica fez: mudar a idade legal de casamento para a mulher, antes era de 16 (ou 18, não me lembro bem) e depois da revolução passou a ser 9. Nove, dá para imaginar? Ou seja, legalizaram a pedofilia. E uma das análises de Lolita (o de Nabokov) aceitas por um professor da universidade de Teerã é a de que Lolita é uma garota sedutora que corrompe Humbert e acaba com a sua carreira, ele, um 'intelectual' com tudo para vencer. Se o professor leu o livro, leu muito mal.
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sexta-feira, 21 de março de 2008

Touradas


Touradas

A primeira e única vez que vi uma tourada foi em Barcelona, em 1968, em companhia de João Cabral de Melo Neto. Fiquei horrizado. Uma covardia, disse eu a João, que me respondeu: "Nada disso. A tourada é a afirmação da inteligência sobre a força bruta". Retruquei que a força bruta era a do toureiro, armado de espada para matar um bicho estonteado, depois de passar vários dias no escuro. E tudo isso para as pessoas se divertirem (!?). O jornal de hoje, dia 7 de abril, informa que o Conselho Municipal de Barcelona aprovou uma moção condenando as touradas. Com isto, elas não estarão proibidas na cidade mas de qualquer modo é um primeiro passo para que o sejam um dia, que espero não tardar. A tradição das touradas é milenar mas nem tudo o que é tradição deve ser considerado bom. Esta é uma tradição.

Ferreira Gullar

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Este texto eu encontrei no Portal Literal, já é meio antigo. Nem preciso dizer que concordo com Ferreira Gullar. Acho que a gente tem sim que questionar algumas tradições, muitas tradições deviam ser questionadas, na verdade. As que levam a maltrato de animais e à subserviência da mulher ou qualquer ser humano, por exemplo.


domingo, 16 de março de 2008

Lendo Lolita em Teerã

Comecei a ler este livro de Azar Nafisi meio por acaso. Uma das visitas americanas deste fim de ano deixou o livro aqui em casa e, mais de uma vez o folheei, sem começar a ler visto que tenho meus pré-conceitos com best-sellers. Outro dia, enquanto esperava a máquina de lavar concluir o seu trabalho, abri o livro e fui lendo, acabei presa da história....ou à história, tanto faz.
Ainda estou no começo, mas acho que vou levar a leitura até o fim. Tem, claro, muitas referências à literatura ocidental, sobretudo Nabokov, não poderia deixar de ser. Eu, ao contrário de muita gente, gosto de livros com referências. Às vezes é como se eu estivesse relendo Lolita ou ouvindo alguém comentar a 'sua leitura' de Lolita. E Nafisi é uma bem conceituada professora de literatura.


''Como Lolita, aproveitamos todas as oportunidades para exibir nossa insubordinação: uma pequena mecha de cabelo à mostra sob os véus, um pouco de cor insinuada na monótona uniformidade da aparência, as unhas compridas, apaixonando-nos ou ouvindo músicas proibidas.'' (trecho de Lendo Lolita em Teerã)

Aqui uma entrevista com Azar Nafisi: O véu é um inferno.

"A questão não é usar ou não o véu. É se a mulher tem o direito de escolha, se pode interpretar a religião como bem entender"
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Aqui o resultado do meu:

Existentialism 85%
Hedonism 45%
Nihilism 45%
Justice (Fairness) 40%
Utilitarianism 30%
Apathy 25%
Strong Egoism 20%
Kantianism 15%
Divine Command 0%

quinta-feira, 13 de março de 2008

Solitude

Solitude é o título desta bonita foto de D. Winston. E 'solitude' é o que eu queria por um tempinho, pelo menos. Estou sentindo falta do tempo em que eu tinha tanto tempo para mim. Tempo até para sentir tédio. Mas, na verdade, tédio mesmo é uma coisa que senti muito raramente, talvez mais na adolescência. Tenho sempre um bom livro por perto.
Hoje estou cansada, andei pela cidade com a nossa visitante francesa e amanhã vou andar mais ainda, no domingo ela volta para o seu castelo, ou seja, o castelo onde ela é guia, no vilarejo do sul da França que tem mais ou menos 200 habitantes. oh lá lá....
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Por que a vida é tão trágica? Tão semelhante a uma pequenina faixa de calçada acima de um abismo? Eu olho para baixo; tenho a sensação de vertigem; pergunto-me como terei que caminhar até o fim. Mas por que sinto isto? Agora que eu o digo, não o sinto mais. A melancolia diminui à medida que escrevo” (Virginia Woolf, Diário, p. 36).
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sábado, 8 de março de 2008

Como Falar dos Livros Que Não Lemos


Como Falar dos Livros Que Não Lemos

Autor: Pierre Bayard

Editora: Objetiva

R$ 29,90

Memoria?

“no momento em que estou lendo, eu já começo a esquecer o que li, e este processo é inelutável, prolongando-se até o momento em que tudo se passa como se eu não tivesse lido o livro e em que eu passo a ser o não-leitor”.
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Escrevi sobre este livro em março de 2007, agora ele foi publicado no Brasil e parece que está fazendo algum sucesso. Ainda não o li, mas fico curiosa...Pode-se ler um trecho aqui.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A francesa e o Canigou



Estamos aqui com uma francesa bastante simpática. Vai passar duas semanas conosco ajudando com as aulas de francês, dando idéias, falando com os alunos, contando da sua vida na França e conhecendo um pouco da nossa vida. Ela está terminando um mestrado (ou o correspondente francês) e a vinda dela faz parte do programa. Bom para nós e bom para ela. Ontem fomos à feira e de lá ao museu do olho, andamos muito, ela anda mais que eu e não tem medo de andar debaixo do sol. Eu adoro andar, mas não com sol. Ela é maratonista e já participou de maratonas até no deserto, então, não é o solzinho de Curitiba que vai assustá-la! Ela vive numa cidadezinha no sul da França, um lugar paradisíaco, perto do monte Canigou (foto), parte dos Pireneus

Enfim, tenho estado bastante ocupada com ela e com as aulas, tenho lido pouco, estou sentindo falta dos meus livros.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Nina Simone



Eunice Kathleen Waymon, é este o nome verdadeiro da última diva, Nina Simone. Ela nasceu no dia 21 de fevereiro de 1933, hoje estaria completando 75 anos. Eu a vi um dia, não em concerto, mas em um restaurante brasileiro em Paris, era aniversário dela, sei disso porque o restaurante colocou uma homenagem. Eu não falei com ela, não pedi autógrafo, não a ouvi cantar, nada disso. Só olhei. E vi.

Escute aqui 'Here Comes the Sun'

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Lendo: Travels With Charley

Estou quase acabando de ler este livro sobre uma viagem que J. Steinbeck empreendeu por 40 estados dos Estados Unidos com seu cachorro, Charley. Algumas passagens são muito engraçadas, assim que terminar falo mais sobre ele.

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Este fim de semana fui para o litoral catarinense, Itapoá, bem perto de Curitiba. Não conhecia, aliás conheço bem pouco este litoral. Ótimo, vou explorar com calma, assim consigo ficar mais quieta por aqui. Fomos a um restaurante português bastante simples, mas aconchegante, vendo as fotos penduradas na parede percebemos que por ali passaram Tonia Carrero, Fernanda e Fernando Montenegro, Chacrinha, A. Botafogo e outros igualmente conhecidos. Eu me pergunto o que essas pessoas tão conhecidas vão fazer num lugar deste? Só pode ser uma coisa, se esconder.
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Harold Bloom - Gênio, Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura no RoseLivros por Kovacs.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Malásia


Pulau Tioman, Malásia.

Tirei esta foto em 2000, talvez, não me lembro bem. Esta ilha, Tioman, é bastante famosa, desses lugares meio paradisíacos, mas eu, infelizmente, não estava em plena forma quando fui lá e não há paraíso quando não estamos bem. Das crianças de lá eu me lembro com carinho, fotografei muitas delas, era fácil, pediam para ser fotografadas, pulavam na frente da minha máquina. Eram muito gentis. Havia também muitos macacos, alguns acorrentados, odiava ver aquilo, uma natureza tão rica e o animal ali, sem poder desfrutar.

Tenho mais fotos aqui.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Feriado de carnaval


Fui para o sítio lá nas Minas Gerais, a mil kms de Curitiba. Chovia e chovia, de modo que li uns 3 livros, comi, vi televisão, ouvi o coaxar dos sapos, brinquei com o cachorro, vi muitos tucanos. Depois a chuva parou um pouco e nós fomos visitar a Isabel. Levamos conosco dois americanos de nome até fácil desta vez, Mara e Emile que, para facilitar um pouco mais dizia logo que era ‘Emílio’. Falam espanhol, todos os dois, e se comunicaram com facilidade com os ‘campesinos’ que já se acostumaram um pouco com a gringaiada que eu levo. Isabel e Divino, os dois vizinhos do sítio onde vive meu pai e minha mãe, têm entre 60 e 70 anos. Nunca tiveram filhos, não puderam e vivem lá, sós com os cachorros e algumas vacas. Isabel fala muito e Divino não fala quase nada, quando cumprimenta a gente, ele mal toca nossas mãos, daquela forma bem relaxada, sem firmeza. A energia elétrica só chegou na casinha deles há uns dois ou três anos. Toda a família da Isabel vive por ali, o pai dela foi dono de todas as terras da região, o sítio do meu pai, o dela e de muitos outros, quando ele morreu a terra foi dividida entre os filhos, alguns deles venderam um pedaço para sobreviver ou para fazer festa. Sei lá. Dizem, dizem muitas coisas. Um fala do outro e depois minha mãe ou meu pai me contam. São histórias escabrosas, às vezes. As pessoas ‘da cidade’ nem imaginam. Tudo aquilo que Nélson Rodrigues escreveu, tudo aquilo que Woody Allen filmou, acontece também no campo ou nas cidades pequenas em volta, cunhado que deseja a cunhada, cunhada que dorme com cunhado e ainda tem filhos com ele. Humanos. Às vezes eu tenho vontade de escrever sobre as histórias deles, mas me falta alguma coisa. Coragem para sentar e escrever, talvez. Outra coisa que não falta na família da Isabel são loucos, loucos de pedra e loucos mais leves. Um dos sobrinhos dela vive o tempo todo sob medicação é a pessoa mais gentil do mundo, dizem, mas quando dá os 'cinco minutos' tenta estrangular até o pai. A mãe que é só um pouquinho menos louca, usa da doença do filho para conseguir do marido o que quer. Faz mais ou menos assim: ‘Quero ir para a cidade hoje’, se o marido responde ‘Hoje não vai dar’ ela manda o rapaz louco, que é enorme, agredir o pai e ele toma rapidinho o rumo da cidade.

Foi um carnaval na mais santa paz. Acabei falando demais da Isabel e não falei das minhas leituras...fica para outro post.
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Resenha de O Despertar, Kate Chopin, por mim no RoseLivros.
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Foto minha, tirada no sítio, já a publiquei aqui antes.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Escola joga livros no lixo

É incrível, não sei se viram esta notícia por aí...E não são 10 livros, são mais ou menos 400 obras e ali no meio tem Machado de Assis, Guimarães Rosa, etc. Não dá pra entender.
Leia a notícia aqui.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

The Awakening


Li, há algumas semanas, esta novela de Kate Chopin, O DESPERTAR, em português. Até então, só tinha lido um conto de Chopin, The Storm, fazia parte daquele livro Erotic Stories by Women, falei dele aqui.

O Despertar é a história de Edna, uma mulher casada e mãe de dois filhos, e a descoberta de si mesma através de uma paixão 'proibida' na sociedade da época que tinha a mulher mais como um ornamento do que como um ser humano. O livro mais conhecido de Kate Chopin trouxe-lhe muitos dissabores, tantos que ela não escreveu mais nada depois dele. Hoje ainda é muito lido é discutido nos Estados Unidos, sobretudo em meio de grupos feministas.
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Resenha aqui.

domingo, 27 de janeiro de 2008

O dia em que Manneken pis se vestiu de capoeirista

Quem já passou por Bruxelas deve ter visto o famoso Manneken Pis numa esquina perto da Grand Place, quem nunca se aventurou por lá, talvez não tenha ouvido falar dele. É um moleque de mais ou menos 50 cms que passa o dias a urinar, ou seja, é uma fonte.O nome Manneken Pis significa exatamente 'moleque que mija'.
Este molequinho veste tradicionalmente, em ocasiões especiais, roupas que lembram alguma profissão ou personalidade importante, Elvis Presley, por exemplo. Ano passado, no sete de setembro, vestiram-no de capoeirista, foi a primeira vez que vestiu um 'traje típico brasileiro', segundo a BBC. Eu só fiquei sabendo disso há pouco tempo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

(Lendo) A Mulher que Escreveu a Bíblia

Moacyr Scliar

A idéia do livro é bastante interessante:
"O crítico americano Harold Bloom deu a deixa para que o romancista gaúcho Moacyr Scliar criasse um empolgante romance. A Mulher que Escreveu a Bíblia (Cia. das Letras, 224 págs., R$ 21) é baseado numa hipótese levantada por Bloom de que a primeira versão da Bíblia teria sido escrita por uma mulher, “uma pessoa altamente sofisticada, culta e irônica, destacada figura da elite do rei Salomão”. Com essa informação, Scliar colocou sua cabeça de fabulista para funcionar a todo vapor, criando uma narrativa envolvente."Heitor Ferraz.

....mas, não é meu livro preferido do M. Scliar.


Trecho: "Bastava-me o ato de escrever. Colocar no pergaminho letra após letra, palavra após palavra, era algo que me deliciava. Não era só um texto que eu estava produzindo; era beleza, a beleza que resulta da ordem, da harmonia. Eu descobria que uma letra atrai outra, essa afinidade organizando não apenas o texto como a vida, o universo. O que eu via, no pergaminho, quando terminava o trabalho, era um mapa, como os mapas celestes que indicavam a posição das estrelas e planetas, posição essa que não resulta do acaso, mas da composição de misteriosas forças, as mesmas que, em escala menor, guiavam minha mão quando ela deixava seus sinais sobre o pergaminho."(p.41)
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

PESSOA



TABACARIA (15-1-1928 )

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
(....)
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A catedral de Fernando Pessoa por Antonio Caetano.
"Hoje, dia 15 de janeiro, Tabacaria faz 80 anos de criação."
No
RoseLivros.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Amar e adorar

Essa semana estava dando uma aula de francês quando deparei-me com um problema de semântica. Um aluno disse:"Professora, aqui no livro o verbo ADORER está acima do AIMER".
Havia uns sinais mostrando a gradação. Eu disse que sim, existia aquela gradação, assim como em português e ele disse: "Em português não!"
Fiz uma enquete em sala e todos concordaram com ele, uma aluna que é professora de português disse que entendia a minha dúvida, mas que as coisas tinham mudado nos últimos anos. É verdade que eu tenho ouvido muito o verbo AMAR de uma forma diferente de há uns 10 anos, as pessoas dizem 'eu aaaamo isso, eu aaamo aquilo". O adorar tem a conotação religiosa, ou talvez seja melhor dizer sagrada, e por isso, inatingível. Uma das alunas até disse que se o marido disser que a adora ao invés de dizer que a ama, ela o joga pela janela. Será regional isto ou será que eu estou assim tão por fora? Em francês é claro que o JE T'AIME é muito forte quando dito a uma pessoa, mas o adorar ainda é muito usado. Dizer que se adora uma coisa é mais forte do que dizer AIMER, 'jaime le chocolat' e 'j'adore le chocolat', por exemplo, o segundo não deixa dúvidas. Esse mesmo aluno que fez a observação disse que em italiano também amare e adorare têm a mesma gradação do português (brasileiro), ou seja, amar é mais que adorar. (Allan, se você passar por teste post, esclareça a minha dúvida, per favore.)
...
O Allan até já me mandou a resposta dele:
"O problema, acho eu, é que ambos os verbos foram banalizados. Na realidade os italianos têm preferido evitar as duas formas: "ti amo" e "ti adoro" podem ser usadas igualmente, apesar da última opção "ti adoro" indicar mais um momento de paixão que uma condição de amor, mesmo. Portanto, sim, "ti adoro" soa mais forte que "ti amo", mas quando querem demonstrar um sentimento forte, o italiano prefere dizer "ti voglio tanto bene".
Mas isso também não serve como um regra.
Desculpe ter confundido mais que esclarecido."
Obrigada, Allan.
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A catedral de Fernando Pessoa por Antonio Caetano.
"Hoje, dia 15 de janeiro, Tabacaria faz 80 anos de criação."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Dias


Muitas visitas de dezembro para cá, muitas mesmo. Tem sido agradável, mas o tempo ficou curto. Nem sei quantas pessoas passaram por aqui até agora, minha casa e minha escola (de línguas) mais parece um albergue. Felizmente todas (ou quase) as pessoas que recebemos são bastante independentes e entendem que não posso sair visitando a cidade com todos os que passam por aqui. Recebemos muitos americanos que não falam mais que duas palavras em português, às vezes é preciso ajudar em uma coisinha ou outra, mas mesmo estes se viram.

E com tantas visitas americanas minha estante tem aumentado muito na parte 'English'. O Fun Home, por exemplo, foi trazido por uma das visitas, na verdade foi uma encomenda minha, mas há vários livros que vieram de forma espontânea, alguns autores eu nem conheço, outros são ótimos, outros são curiosidades modernas, nem tive tempo catalogar ainda, joguei todos na prateleira. Depois falo deles aqui....


Tenho aproveitado o começo do ano também para ver alguns médicos que espero ver de novo só daqui a dois anos, de um modo geral estou em ótima forma e não quero gastar meu tempo em consultórios folheando Caras. Quando escrevi aí 'ótima forma' eu não quis dizer que estou magrinha e dentro dos padrões (só agora percebi o que escrevi), eu quis dizer que 'estou saudável' em quase todos os sentidos. Perfeição não existe, não é? Tenho lá meus probleminhas, mas estão sob controle.


Well, sentei aqui, percebi que há dias não atualizava o blog e fui escrevendo. Espero que não tenha saído muita besteira.


Abraços a todos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

FUN HOME


Fun Home
Uma Tragicomédia em Família
Alison Bechdel
Editora: Conrad



Fun Home foi lançada no Brasil no final de 2007, pela Conrad, eu tinha lido em algum lugar que seria em 2008. Será que adiantaram? Pode ser, a HQ já estava a toda nos Estados Unidos, onde foi lançada em 2006, e também na Europa. Trata-se da biografia de Alison Bechdel, uma moça corajosa e honesta, pelo menos é isso que ela passa através da história, a sua história e a do seu pai, principalmente. A mãe também está bastante presente, mas a prioridade é dada à figura do pai, um homossexual que nunca teve coragem de sair do armário, que mantinha relações com o baby-sitter dos filhos ou seus próprios alunos. Alison conta tudo, é a impressão que temos. A história não é linear, num momento ela trata da infância, no quadrinho seguinte já está na universidade lendo uma carta do pai com quem a autora tinha muitas afinidades intelectuais. Ela e o pai são leitores compulsivos, a história está repleta de referências literárias: Proust, Wilde, Joyce, Colette e uma longa lista. Referências são sempre um risco, pode resvalar certo pedantismo. Não é o caso aqui, são bem colocadas, são irônicas e verdadeiras e todo mundo que gosta de literatura se diverte encontrando ali os autores, citações, capas de livros.


O título é bastante interessante, o FUN remete primeiramente à idéia de uma casa divertida, mas é também uma alusão à casa funerária, Funeral Home, que era propriedade de sua família e que eles costumavam chamar de Fun Home. Quem já viu a série Six feet under, não vai deixar de perceber uma relação. Sobretudo que Alison é gay, assim como um dos personagens de Six feet under. Ela, ao contrário do pai, sai logo do armário, antes de ter a sua primeira relação já vai abrindo o jogo para a família e colegas de universidade.

Alison Bechdel nasceu em 1960, na Pensilvânia, é também autora de Dykes To Watch Out For, já recebeu um prêmio Eisner.Não é pouco.

Aqui dá para ler uma parte.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Henri Cartier Bresson




Henri Cartier Bresson (1908-2004) no youtube

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Sidarta - Herman Hesse

Encontrei este Sidarta (que talvez seja meu mesmo, ou não) na casa da minha irmã. Eu o li, como muita gente, lá pelos dezesseis anos, o que quer dizer que faz um bom tempo.

Queria alguma coisa para ler nas esperas da Gol, pensei, 'vou reler este livro'. Não foi (re)leitura planejada, não pensava em reler Sidarta embora este livro tenha me marcado de algum modo. Não é o livro mais interessante do mundo, mas foi legal reler, uma viagem no tempo. Ainda me lembro quem o recomendou e que talvez tenha me emprestado o livro naquela época, foi um amigo que hoje é psiquiatra. Sei que ele me disse assim: "Leila, dizem que estes dois livros podem mudar a sua vida." Que coisa mais engraçada, não? Éramos ingênuos, eu sei. O pior é que me esqueci qual era o 'outro livro' que supostamente poderia mudar os nossos rumos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Pink Martini - Hey Eugene


Uma delícia essa música: Pink Martini - Hey Eugene
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FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!