sábado, 18 de abril de 2009

Contos proibidos do Marquês de Sade


Ontem à noite revi o filme Quills, Contos proibidos do Marquês de Sade título dado no Brasil e, acabei de ver no wikipedia, Quills - As penas do desejo em Portugal. Adoro a palavra Quills (pena), gosto da sonoridade, mas o l tem que ser pronunciado, se se pronunciar ‘quiu’ como algumas pessoas pronunciam no Brasil já perde a graça. Eu tinha visto o filme no cinema, assim que saiu, eu morava em Cingapura. Parece que o filme me impressionou mais agora do que na época. Será que perdi muita coisa, lingüisticamente falando, ou será que eu me esqueci mesmo? Não gosto muito do final com o padre, Joaquin Phoenix substituindo o Marquês na loucura, não entendi bem.

A Kate Winslet está linda, muito mais que isso, é uma atriz e tanto, quer dizer, já era uma atriz e tanto e acho que quando vi Contos proibidos pela primeira vez nem sabia quem ela era. Já existia Titanic (acho) mas esse eu não vi até hoje.

Outro ator excelente é Michael Caine no papel de um médico famoso e muito vagabundo. Ele é usado no filme para mostrar que aqueles que julgam, os moralistas, são uns hipócritas não menos perversos do que aqueles que eles estão julgando. Pensando bem, agora enquanto me lembro do filme, acho que essa mensagem é óbvia demais, meio exagerada. Enfim, este médico que é enviado para ‘dar um jeito’ no marquês no hospício onde ele se encontra, Charenton, é um sádico (termo que não existia ainda, claro, já que o devemos justamente ao Marquês em questão) e pedófilo, ele casa-se com uma garota de uns 16 anos aproveitando da sua condição de órfã. O tal médico tem boas desculpas para praticar suas atrocidades, é o seu trabalho, ele vem para o hospício com toda a sua aparelhagem de tortura, está supostamente curando os loucos, mas percebe-se que ele se diverte bastante. Um nojo. O Marquês não é santo, estou falando do filme, não sei até que ponto é ficção, sabe-se que o escritor viveu anos e anos (uns 30, alguns biógrafos dizem) em prisões e hospícios, enfim, ele está longe de ser santo, mas – aqui no filme – simpatizamos muito mais com ele que é explícito do que com este doutor.

Outra coisa impressionante no filme é a obsessão do Marquês pela escrita, escreve de qualquer modo, em qualquer lugar, tiram-lhe a pena, escreve com o vinho, tiram-lhe o vinho, escreve com o próprio sangue e até mesmo com a própria merda. Mas desconfio que haja realmente muita ficção aqui. O ator que faz Sade parece que não tem nada em comum com o escritor que era bem menor e, nessa época deCharenton, bem mais gordo. Sabe-se também que o escritor não teve aquela morte horrível que tem no filme. Morreu durante o sono, tranqüilamente. É normal, a maioria dos filmes tende a dar umas pinceladas nas figuras literárias que retratam, não só literárias, quem viu o filme Frida e conhece um pouco da vida da pintora e de Diego Rivera sabe do que estou falando.

Do mesmo diretor, Phillip Kaufmann, é também Henry and June, outro filme sobre escritores, Henry Miller e Anais Nin. Este eu vi faz um século e nunca revi, nem saberia dizer se é bom ou não. Na época eu goste ‘mais ou menos’, mas as coisas mudam, os gostos também.

...

[uma noite depois...]

Acabei, meio por acaso (na realidade porque não encontramos o último episódio de Lost que está aqui nessa casa, em algum lugar), vendo outro filme sobre escritor, escritores no caso, trata-se de Verlaine e Rimbaud, Eclipse de uma paixão. Não gostei. Verlaine é um homem repugnante no filme, bebe, maltrata sua jovem esposa, é covarde, Rimbaud é um garoto irritante, sem educação, insuportável. Acho que é bem melhor ler a poesia deles do que ver uma obra destas. Eu sabia da natureza indomável de Rimbaud, das estrepolias de Verlaine e isso não faz deles um escritor pior ou melhor, mas não gostei da forma como é colocado tudo isso no filme. O problema não são os escritores, é o filme. Entretanto a cineasta, A. Holland é a mesma que fez o maravilhoso Europa, Europa.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Poema da sexta-feira

Amor Bastante

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminsk

quarta-feira, 15 de abril de 2009


Steve McCurry

domingo, 12 de abril de 2009

Descansei, li, relaxei. Viva a páscoa! Ah, sim, comi algum chocolate.Algum não, muito. Sejamos sinceros.
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Friozinho bom em Curitiba, daqui a dois meses duvido que eu esteja falando assim do frio, mas hoje está ótimo, já estava com saudades desse tempo.

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Lendo o volume dois de Les Mandarins, estou gostando muito. Romances longos às vezes me cansam, leva tempo e eu fico ansiosa querendo ler outras coisas. Na verdade acabo parando um pouco a leitura e lendo outras coisas mesmo e depois volto ao livro, mas estou gostando muito. Fazia tempo que Os Mandarins estava na minha lista, sobretudo depois de trocar algumas ideias com Wagner Campelo (infelizmente parou de publicar o blog dele, hebdomadário). Ele é um apaixonado pela S. de Beauvoir, criou até uma página muito bem feita sobre a escritora - aqui.
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Minha irmã me trouxe 4 livros de
Littérature chinoise, meio revista literária...ainda estou lendo. Muito interessante, tem alguns contos, extratos de livros, publicações culturais...tudo em francês, só a capa tem umas inscrições em chinês, foi impresso na China em 1978, 1980....A primeira história que li é muito boa, é sobre uma menina bem pobre que é usada por todo mundo, pelos pais, depois pelo marido, sogra. Vou tentar contar a história num post.
Minha irmã disse que estava olhando para aqueles livros e pensando em mim, 'será que levo isso para a Leila?', o dono da bagunça perguntou 'Está interessada?', ela disse 'humm...sim' e ele respondeu 'Então pode levar.' Assim de graça mesmo. Ainda bem.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

O poema da sexta-feira

Pour faire le portrait d'un oiseau

Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.

Jacques Prévert

(04/02/1900 - 11/04/1977)

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No Mundo de K você pode ler a tradução do poema e um texto sobre Prévert.

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Margaret Bourke-White (1904-1971)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Passou por aqui (5 dias só) minha irmã com o sobrinho que está completando dois anos. Uma graça, nos fez rir muito. Agora foram para Minas, lá eles ficam uns dias e voltam para Bruxelas. Se tudo der certo pretendo ir vê-los lá em julho e fazer um curso para professores de francês que ainda não decidi se será na França ou na Bélgica. Se for na França será em Vichy, se for na Bélgica será em Louvain-La-Neuve, pertinho de Bruxelas.

Tenho trabalhado muito. Gosto de trabalhar, mas preferia trabalhar menos horas do que agora e ler um pouco mais, escrever, quem sabe....c´est la vie! Pelo menos por enquanto não sei mudar isso.

Acabei de ler o Volume 1 de Les Mandarins, gostei muito, mas estou dando uma pausa entre os dois volumes e lendo O Filho Eterno de Cristovão Tezza. Do autor eu tinha lido um só livro lá dos primórdios da carreira dele e este último é muuuuuuito melhor. É um livro sensível, maduro, mas não preciso dizer nada disso porque os 3 ou 4 prêmios que o livro recebeu devem significar mais que minha opinião.

Há uma crítica muito boa no Le Monde Diplomatique, para ler na íntegra clique aí :

"Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980. Vemos a persistência de um autor que acumula, em sua gaveta, cartas das editoras contendo avaliações negativas de suas obras, relembramos os absurdos sistemas de financiamento habitacional da era Sarney, além do amadurecimento de ponto de vista de um ser humano em seu papel de pai. Reflexões que poderiam facilmente se transformar em autocomiseração, dado o tema com forte apelo emocional, mas o texto foge disso."
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A fotografia que postei abaixo é de uma tia de Virginia Woolf (até já falei dela antes num texto sobre biografia de V. W. aqui), Julia Margaret Cameron. Vi
há alguns anos, em Charleroi, uma exposição dos retratos que ela fez. Ficou conhecida como 'retratista', começou bem tarde a carreira, aos 48 anos, mas tinha talento e dizem que até hoje influencia artistas. Eu acredito, basta observar alguns destes retratos.
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Agora é o cachorro aqui implorando para passear, faz parte da minha rotina. Vou lá, coitado, afinal ele não pediu para viver numa casa e ter que depender de 'gente' toda vez que quer sair, comer, se lavar (se bem que isto acho que ele não gosta muito).

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Julia Margaret Cameron (1815-1879)

Obs: Tia de Virginia Woolf

sexta-feira, 27 de março de 2009

O poema da sexta-feira

Noite morta


Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.


Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.


No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.


O córrego chora.
A voz da noite . . .


(Não desta noite, mas de outra maior.)

Manuel Bandeira

Petrópolis, 1921

quarta-feira, 25 de março de 2009


Morei perto desta praça por alguns anos, quer dizer, eles chamam isso de praça, muitos brasileiros estranham porque não tem bancos, nem árvores, está mais para uma rotatória. Tirei essa foto da minha janela, faz tempo, não é a vista mais linda do mundo, mas foram bons os anos que passei ali. Na primavera, a avenida que passa aí do lado ficava toda florida, bem rosa. Não sei que árvore era aquela, sou bem fraquinha nessas coisas.

Well, porque estou pensando em Bruxelas? Devo estar com saudades, não costumo tirar muito tempo para as saudades, mas pode ser que ela esteja rondando. Outra razão, minha irmã que ainda vive lá vem passar uns dias comigo, chega depois de amanhã com o sobrinho. Mal posso esperar. Na verdade a família toda está louca para ver o bambino que logo vai fazer dois anos. Essa é a minha irmã que a gente nunca acreditava que fosse ter filhos, na época da gravidez comentei aqui. Foi um choque, não porque ela fosse uma mocinha, tinha 39 anos, a surpresa foi ela ter decido 'ser mãe'. Enfim, é mãe e parece estar se saindo bem.

Estamos com outra francesa aqui em casa, trabalhando conosco na escola, amanhã ela já vai para sua Paris natal e agora vou a uma despedida que os alunos organizaram. Tem sempre gente chegando e gente partindo, minha casa parece uma estação. Por isso não posso me preocupar muito com saudades, fico contente de ter conhecido algumas pessoas e fico feliz se puder revê-las (a maioria, não todas que não sou madre Tereza), se não puder, c´est la vie! Valeu assim mesmo. Mas acho que essa francesa eu vou rever sim, em breve, porque ela 'invocou' que tem que voltar para...São Paulo. Estamos fazendo o possível para ajudar com o visto, já tirou até um CPF que é coisa fácil de se obter no Brasil, o resto vamos ver no que vai dar. Muita gente pensa que a coisa mais fácil para um gringo obter documentos para viver no Brasil. Não é.

Agora vou lá participar da despedida da demoiselle.

April Showers

sábado, 21 de março de 2009

Homossexualidade: luzes e sombras do poeta Federico García Lorca


MADRI (AFP) - Ignorada por muito tempo, evitada e até marginalizada, a homossexualidade do poeta espanhol Federico Garcia Lorca, fuzilado aos 38 anos por tropas franquistas, em agosto de 1936, é motivo de um estudo aprofundado por parte de seu biógrafo irlandês, Ian Gibson.


"Lorca e o mundo gay", da Editoria Planeta, que sairá à venda nesta quarta-feira, relata o "drama do grande poeta, ante a sociedade machista e intolerante" representada pela Espanha no começo do século XX, sobretudo sua Andaluzia natal.


Foi "muito difícil" para o autor de "Romancero gitano" (1928) "conviver com sua condição", explica o autor irlandês. "Temia ser tomado por um efeminado".


No entanto, "a obra de García Lorca, de alcance universal, não existiria sem sua condição de marginalizado sexual; sem sua identificação, profundamente cristã, com todos os que sofrem, com todos os que se sentem excluídos ou rejeitados", escreveu Gibson.
O biógrafo, conhecido por seus trabalhos sobre a morte do poeta e por ter contribuído para localizar a fossa comum onde repousava García Lorca na província de Granada (Andaluzia, sul) explica ter querido fazer um "livro de militância"; no qual fique claro e que "se sinta indignação com tendências (homófobas)", que se tornaram "uns dos componentes do assassinato de Lorca", explicou este irlandês de 69 anos, atualmente nacionalizado espanhol e residente em Madri.
O poeta foi fuzilado poucas semanas depois da insurreição franquista, em companhia de dois anarquistas e de um professor, entre as aldeias de Alfacar e de Víznar, a poucos quilômetros de Granada.


Um dos presumíveis assassinos vangloriou-se, em Granada, por ter-lhe dado dois tiros "por el culo, por maricón", segundo Gibson. A ditadura de Francisco Franco que se seguiu à Guerra Civil (1936-39) censurou por muito tempo sua obra e reprimiu os homossexuais.
Gibson abordou de maneira extensa as estadas do poeta em Madri, onde podia fugir do pensamento provinciano andaluz e manter seu "relacionamento muito importante, fundamental", com o pintor Salvador Dalí, além de suas viagens a Nova York e a Cuba.


Mas o trabalho investigativo também versa sobre um amor "impossível" de juventude com uma refinada adolescente da aristocracia de Córdoba, María Luisa Natera Ladrón de Guevara, uma "menina" de olhos azuis que tocava Chopin com perfeição, com suas mãos de porcelana sobre o piano.


"Não foi admirada com ênfase suficiente a valentia do poeta ante sua difícil condição sexual", conclui Gibson.

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yahoo notícias

sexta-feira, 20 de março de 2009

O poema da sexta-feira

Quem está morrendo, amor
precisa de tão pouco
um copo d'água o rosto discreto de uma flor
um leque talvez uma dor amiga
e a certeza que nenhuma cor do arco-íris perceba
quando embora for

Emily Dickinson

Tradução de Ana Cristina César

quarta-feira, 18 de março de 2009

Path in the Oaks II - Louisiana
Monty Nagler

sábado, 14 de março de 2009

Tanta coisa e nada

Curtindo preguiça. Mas só comecei mesmo com a preguiça há uns 15 minutos, durante a semana trabalhei pra caramba. Resolvi aproveitar o momento 'preguiça' e passar por aqui. Passeei por uns blogs, li a Folha, devia ir ler meu livro (tenho lido pouco), estou lendo Simone de Beauvoir, Les Mandarins, já disse isso aqui, mas é que estou indo a passo de tartaruga. Ainda por cima parei para ler aquele Travessuras da menina má(la), antes deste eu li O Deserto dos Tártaros, um livro maravilhoso, mas acho que não falei dele aqui. Preferi falar do livro que não gostei, vá entender. Acho que foi pelo seguinte, terminei O Deserto dos Tártaros durante minha viagem ao Chile, sem pensar peguei aquele Travessuras, quando terminei este último já estava em casa tranquila e resolvi comentar a leitura. Levei um bom tempo lendo O Deserto dos Tártaros porque as letrinhas eram muito pequenas e não dava para ler a qualquer momento, em qualquer lugar, como costumo fazer, tinha que ter boa iluminação. Isso nunca tinha me acontecido antes na vida, de sofrer por causa da fonte, às vezes era tão difícil que me dava medo de que problemas de vista viessem realmente a interferir nas minhas leituras. Eu sou bastante míope, uso ora lentes de contato, ora óculos, nunca tive muitas chateação com isso. Até um ano atrás mais ou menos. Primeiro apareceram, as tais moscas volantes, além da miopia, e astigmatismo que me acompanham há anos. Agora é a vez da presbiopia, ou seja, não vejo bem nem de longe, nem de perto, tenho que ficar procurando a distância certa. É coisa da idade, claro. Já consultei a oftalmologista, ela disse que ainda aguento um tempo sem aqueles óculos (bifocais no meu caso, se não me engano), mas não muuuuito tempo. Estou pensando seriamente em fazer a cirurgia. Digo 'seriamente' porque pensar por pensar eu já penso há muito tempo, mas sou muito covarde para cirurgias, tenho que pensar com calma e tranquilidade.
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Acabei de ler uma entrevista, ou melhor, partes dela porque não tive estômago para ler tudo, com o bispo de Olinda que reitera o que já disse antes:
"Estou com a minha consciência tranquila. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso sentiria se tivesse ficado em silêncio"
(...)Em primeiro lugar, nós temos de colocar essa questão no âmbito religioso. Acreditamos em Deus? É sim ou é não. E eu suponho que a grande maioria das pessoas acredita. E acreditar em Deus significa aceitar que Deus é a origem de tudo e é também o nosso fim.
Esse é o Deus dele que, felizmente, muitos católicos rejeitam e mostraram isso agora, outros infelizmente preferem aceitar este deus cruel do que ter um pouco de compaixão por uma pobre garota de 9 anos vítima de abuso desde os seis. Uma crueldade sem limites.

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Meu irmão está na França, em Villefranche de Conflent, na casa da Violaine, aquela com quem viajei para o Chile...Villefranche de Conflent é aquele vilarejo de pouco mais de 200 pessoas, lembram-se? Então, meu irmão me escreveu agora dizendo que o pai de Violaine disse "Espere aí que vou ali pegar uma coisa" (disse em francês, evidentemente, os franceses não são lá muito fortes em línguas) e voltou com um disco de Benito di Paula. Meu irmão quase morreu de rir. É realmente inusitado encontrar isso num vilarejo do sul da França, muitos brasileiros mais jovens não devem nem se lembrar de Benito di Paula.
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Quem sabe um cinema agora...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Um arcebispo mais ou menos

Contardo Calligaris
Lula se expressou numa ordem perfeita: ele é (primeiro) cristão e (segundo) católico
NA SEMANA passada, no Recife, descobriu-se que uma menina de nove anos estava grávida de gêmeos. A mãe imaginava que a barriga crescente fosse o efeito de um parasito. Mas não era um parasito; era o padrasto, que abusava regularmente a menina e a irmã (de 14 anos, portadora de uma deficiência mental). O abuso começou quando as crianças tinham, respectivamente, seis e 11 anos.
O padrasto foi preso, e uma equipe médica, autorizada pela mãe, interrompeu a gravidez da menina, seguindo a lei brasileira, que permite a interrupção de gravidez em caso de risco de vida para a mãe e também em caso de estupro. Quem conhece alguma menina de nove anos pode facilmente imaginar o que significaria submeter aquele corpo a uma gravidez completa e a um parto duplo.Além disso, qualquer um pode intuir que carregar na barriga, parir e "maternar" o fruto de um estupro é devastador para a mãe assim como para os eventuais rebentos dessa catástrofe. Alguém dirá: "Mas a mulher acabará esquecendo o estuprador (que foi gentil, nem a matou, não é?), e o sentimento materno prevalecerá". Esse conto de fada (machista) não se aplica no caso da menina de Recife.

Continua aqui: Caminhar

O poema da sexta-feira

Haicai


a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

quarta-feira, 11 de março de 2009


Henri Silberman

terça-feira, 10 de março de 2009

Simpsons perdem a casa por causa da crise financeira nos EUA


Folha de São Paulo

09/03/2009 - 17h52


A família Simpson perdeu sua casa por falta de pagamento da hipoteca, de acordo com o último episódio da série exibido nos Estados Unidos, uma paródia da crise econômica no país causada pelos financiamentos "subprime" (de clientes de maior risco) de imóveis e do drama vivido atualmente por milhares de pessoas na nação.


Continua aqui.

sábado, 7 de março de 2009

Travesuras de la niña mala


Acabei de ler Travesuras de la niña mala, um dos livros que comprei no Chile, mais especificamente em Viña del Mar, num dos dias de muito calor em que nos refugiamos numa livraria. Quer dizer, eu me refugiei porque a minha amiga francesa não tinha problema nenhum com o calor.

Não gostei do livro, já no começo eu tive uma certa intuição de que não era para mim, mas continuei, li até o fim, li a última página neste instante. Continuei porque continuei, sem pensar muito e talvez porque o livro, bem o mal, desperta a curiosidade do leitor. Já é um trunfo, mas não pretendo reler nunca e vai demorar até que eu abra de novo um livro de Vargas Llosa. Não estou afirmando que seja ruim, estou afirmando que eu não gostei. Há autores bons de que não gostamos. Fazer o quê? O pior é que esse é o primeiro livro que leio de Vargas Llosa.

A personagem principal do livro, a tal Menina Má (por mim poderiam ter traduzido como 'menina mala' mesmo, é isso que ela é)é antipática do começo ao fim, só em duas passagens o leitor pode sentir alguma compaixão por ela, quando ela fica doente. Ela é fria, calculista, uma espécie de prostuta de luxo, se prostitui através de casamentos ricos. O outro personagem, o que conta a história e que é chamado de Niño bueno é o gato e sapato dela. É admirável tanta dedicação e tanta passividade.

De qualquer modo isto é só o enredo, poderia até dar uma história interessante. Junichiro Tanizaki já escreveu história semelhante em Noemi, mas é mil vezes melhor a sua forma de contar, isso muda tudo.
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Semana cansativa e quente.

Revi um filme de B. Betolucci, O céu que nos protege, baseado em romance de Paul Bowles (1910-1999). É um filme interessante, basta ver a primeira (ou uma das primeiras) fala do filme:

Turner: Somos os primeiros turistas desde a guerra.

Kit: Somos viajantes, não turistas.

Turner: Qual a diferença?

Port: O turista pensa em voltar para casa assim que chega.

Kit: E o viajante pode nem voltar.

Esse "pode nem voltar" é significativo, não só no filme, mas para todo viajante.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Jesus todo poderoso, ajude que hoje faça menos calor que ontem. Só isso, merci beaucoup.
...
A luz que surgiu por trás da colina, este é o blog do pessoal, meu irmão é um deles, que está fazendo o documentário de que já falei aqui antes. Eu os encontrei no Chile, estavam filmando uma parte lá porque o Afonso, o personagem, vamos dizer assim, do documentário viveu lá durante um período. Aquele período até o golpe do Pinochet, claro. Agora estão na Alemanha que foi onde Afonso se exilou. Aí no blog cada um fala um pouco das cidades por onde têm passado, dos sentimentos, memória, pessoas que encontram, impressões.
"O nome Colina tem sentido metafórico no título do documentário, dando a idéia de trazer a luz por trás de algo que a esconde, mas na verdade é a sigla do Comando da Libertação Nacional, do qual Afonso Lana fez parte.O Colina foi a organização brasileira de esquerda que combateu o regime militar a partir de 1964, com o objetivo de instalar um estado de inspiração soviética no Brasil. "

domingo, 1 de março de 2009

Henri Cartier Bresson

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

o poema da sexta-feira

Marcha de quarta-feira de cinzas

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
 


Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.


E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade...


A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.


Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...


Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Santiago

Santiago
...
De volta à vida normal, ou seja, Curitiba, aulas, preocupações. Santiago, Valparaíso, etc já começa a ser 'passado'. Tão rápido. Violaine, a francesa biônica, já toma hoje os rumos da Europa, volta para seu castelo em Villefranche de Conflent um vilarejo de pouco mais de 200 habitantes.
Comprei poucos livros no Chile: Vargas Llosa, Octavio Paz, Neruda (mais óbvio impossível), Gabriela Mistral (óbvio também), um livro de contos de vários autores e mais dois ou três para presente. Achei meio caro os livros por lá e não há tantas livrarias como em Buenos Aires. É verdade que não me sobrou muito tempo para explorar esse lado, pode ser que tenha alguma região mais interessante para livrarias e sebos. Estou lendo justamente o Vargas Llosa que comprei, comecei a leitura lá mesmo Travesuras de la Niña Mala. Confesso que não estou muito empolgada com esta leitura, mas vou continuar um pouco mais e depois comento aqui.
....

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mário de Andrade

No dia 9 de outubro de 1893 nasceu Mário Raul de Moraes Andrade na cidade de São Paulo. E morreu também em São Paulo no dia 25 de fevereiro de 1945.

Na universidade eu tive que ler Mário de Andrade, claro, mas a professora de literatura brasileira era tão insuportável e preguiçosa que não devo a ela nada do que sei e do que apreendi de Mário de Andrade. E na verdade não foi muito, fiz as leituras que a maioria fez, Macunaíma, Amar, verbo intransitivo, Paulicéia Desvairada...acho que este último foi só na Letras mesmo. Eu reli o Prefácio interessantíssimo quando viva nos Estados Unidos, 2001, talvez. Encontrei o livro na biblioteca do meu bairro, em Atlanta. Achei interessante dar de cara com o livro ali tão longe de tudo, quer dizer, do Brasil, de Macunaíma, de Macabéia...Não, de Macabéia, na verdade a gente é meio Macabéia quando é imigrante.
E num dia 25 de fevereiro faleceu Mário de Andrade, um dos nossos melhores autores.
...
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar de uma vez:
E só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.
Mário de Andrade.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


Robert Doisneau
Paris

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O poema da sexta-feira

TIERRA CHILENA

Danzamos en tierra chilena,
más bella que Lía y Raquel;
la tierra que amasa a los hombres
de labios y pecho sin hiel...

La tierra más verde de huertos,
la tierra más rubia de mies,
la tierra más roja de viñas,
¡qué dulce que roza los pies!

Su polvo hizo nuestras mejillas,
su río hizo nuestro reír,
y besa los pies de la ronda
que la hace cual madre gemir.

Es bella, y por bella queremos
sus pastos de rondas albear;
es libre y por libre deseamos
su rostro de cantos bañar...

Mañana abriremos sus rocas,
la haremos viñedo y pomar;
mañana alzaremos sus pueblos;
¡hoy sólo queremos danzar!

Gabriela Mistral

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chile - Santiago

De volta a Santiago e a coisa mais incrível, vou encontrar meu irmao aqui. Tudo por acaso. A coincidência nao seria incrível se viajássemos os dois o tempo todo pelo mundo, mas nao é o caso. Voilâ, daqui a meia hora o encontro na Plaza de Armas. Ele está aqui por conta do filme no qual está trabalhando (documentário ). Daqui eles vao, se nao me engano, para a Alemanha e eu volto para Curitiba mesmo.
Está um calor dos diabos aqui em Santiago e minha cara amiga francesa desfila com um foulard em torno do pescoço, quanto mais calor melhor para ela. Cruzes!
Fomos a Valparaíso, Vina del Mar, Los Andes e regiao. Ela queria porque queria ir para o norte que, eu acredito, é maravilhoso, mas....mais de 15 horas de ônibus par um veni vidi vici. Non non non. Eu disse que ela podia ir só, eu a esperaria em Santiago, nao quis, ou estamos juntas ou nao estamos. Oh la la. Enfim, fomos negociando tudo, juro que estou fazendo muito esforco, hoje fomos cavalgar na regiao de Los Andes, coisa que eu só tinha feito quando crianca. Foi uma aventura e tanto para mim, nao gosto. Sei que é bobagem, mas nao me parece justo que o animal me transporte assim, coitado. Nao sou tao pesada, nao é isso, mas me parece uma coisa completamente desnecessária, já existe carro, afinal de contas. Nao sou o tipo de turista que se faz fotografar em cima de camelo, elefante, odeio, nunca vou fazer isso. Claro que cavalo é diferente, mas sei lá, o coitado nao escolheu e me dava pena. Deve ser pura bobagem isso, mas nao é para mim. E meu cavalo, Violaine quase morreu de rir, parava para observar, para comer uma graminha...."Leilá, seu cavalo já está parecendo com você". Nao, nao como grama, minhas paradas sao para o cafezinho.
Bo, agora vou encontrar mi hermano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Valparaiso

Continuo andando pelo chile com minha amiga francesa que parece uma máquina, anda anda anda, sobe escadas, desce escadas - e escadas e o que há em valparaiso- nao se cansa, nao precisa tomar água, nao precisa de banho, nao precisa dormir. Quase me mata, mas estou me divertindo, os primeiros dias foram mais difíceis, hoje consegui fazer com que ela diminuisse um pouquinho o ritmo, até nos sentamos 5 minutos na praia para conversar calmamente. ok, um pouquinho mais....e comemos num restaurante de verdade, como é bom, até agora estávamos vivendo de empanadas.

Mas explico parte da energia de minha amiga, ela é maratonista e além disso é guia num castelo no sul da frança, todos os dias sobe e desce, mais de uma vez, mais de oitocentos degraus e anda o dia inteiro pelo castelo. Vou visita la ainda este ano, mas ela prometeu que vai ser boazinha comigo.

Estamos neste hostel, caracol, muito bacana, mas o caminho para chegar aqui....oh la la, uma subida daquelas. Para as pessoas normais existe um elevador lá embaixo, nós só o usamos no dia da chegada por causa das malas.

Agora vou ler um pouco e descansar as pernas, assim que conseguir parar narro as aventuras com a mulher biônica.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Hopper

Office at night
E. Hopper
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O poema da sexta-feira

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

Mário Quintana

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Chile

Estamos com uma amiga francesa aqui, uma moça de 25 anos que veio trabalhar conosco no ano passado e este ano veio de visita por umas 3 semanas. Nessas 3 semanas queria fazer um montão de coisas, primeiro o sistema de transporte do Brasil mudou os planos dela. É caro e difícil viajar no Brasil....e olha que ela tem disposição para enfrentar os ônibus. A outra coisa que atrapalhou um pouco foi um bicho que a picou, o médico disse que pode ter sido uma aranha marron. Ficou mancando uns dois dias até que a convencemos que era melhor ver um médico, agora está melhorando, foi até para a ilha do Mel hoje cedinho.
Bom, ela se chama Violaine, disse que seu pai queria chamá-la Violeta (por causa de Violeta Parra), a mãe não concordou e conversando chegaram a Violaine. Então a família que sempre foi de esquerda tem assim um 'encantamento' pelo Chile. Sem poder sair muito esses dias, Violaine procurou e encontrou um bilhete por um preço razoável para Santiago e eu decidi ir com ela já que ela sai na sexta que é um dia em que não trabalho muito, durante a semana alguém vai me substituir. Não planejei nada e não vou ter muito tempo hoje. Violaine está planejando para nós duas, eu vou levar os guias e dar uma olhada durante a viagem. Nunca fui ao Chile, conheço mal a América do Sul, vai ser muito bom.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dali

The Businessman
Salvador Dali
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Poema da sexta-feira

Insomnia

The moon in the bureau mirror
looks out a million miles
(and perhaps with pride, at herself,
but she never, never smiles)
far and away beyond sleep, or
perhaps she's a daytime sleeper.

By the Universe deserted,
she'd tell it to go to hell,
and she'd find a body of water,
or a mirror, on which to dwell.
So wrap up care in a cobweb
and drop it down the well

into that world inverted
where left is always right,
where the shadows are really the body,
where we stay awake all night,
where the heavens are shallow as the sea
is now deep, and you love me.
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Elizabeth Bishop
(08/02/1911 - 06/10/1979)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Gomorra

O escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia após escrever o livro "Gomorra", afirma com resignação que sabe "muito bem" que cedo ou tarde pagará por ter contado em sua obra as atividades ilegais da Camorra napolitana.
"O que me mantém com vida, minha verdadeira proteção, é estar atento ao que acontece comigo e ao meu redor. Mas sei muito bem que um dia me farão pagar. Só é preciso saber como e quando", disse Saviano em entrevista que a emissora de TV "Euronews" exibirá amanhã.
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Eu vi no final do ano passado o filme baseado no livro de Roberto Saviano. Não conhecia o livro e também não tinha lido sobre o filme, estava em São Paulo já cansada de andar e de tomar chuva e decidi entrar num cinema que normalmente apresenta bons filmes (na Avenida Paulista, dentro de uma galeria, esqueci o nome).

No começo eu não estava entendendo nada do filme, é muito violento, bem pesado mesmo, como eu não tinha referências estava ali me perguntando que baderna era aquela, aquilo era filme, documentário, verdade, mentira...mas o filme é interessante nem que seja para uma tomada de consciência mesmo. Agora todo mundo está falando dele e o livro está aí nas prateleiras de todas as livrarias. O pobre do autor está numa situação parecida com a de Salman Rushdie há alguns anos. Um inferno.
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Essa semana assisti Kramer versus Kramer, um filme de 1979 que todo mundo já tinha visto exceto eu. Até pensei que já tivese visto também e esquecido, mas já nas primeiras cenas me dei conta que era a primeira vez mesmo. E como fui 'cinematograficamente' feliz até aqui sem ter visto este filme eu não entendo. Gostei muito muito muito, o garotinho do filme é a coisa mais linda. Tão triste ver o casal se separando, o cara sem se dar conta do que está acontecendo pelo envolvimento com o trabalho, a esposa com a mala na porta e ele ali achando que aquilo é só uma crise, uma tpm, continua a falar de sua promoção e ela apertando os botões do elevador. Às vezes ficamos cegos para o que está acontecendo em casa, não é só o homem. Isso me lembra Emily Dickinson:
"To live is so startling, it leaves little room for other occupations."
Não que ela estivesse falando de situações do gênero neste poema, quis dizer muito mais, mas ela me veio à cabeça.
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Lendo LES MANDARINS, Simone de Beauvoir.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Depois da Chuva

Vi ontem à noite este que eu imaginava um dos filmes de Kurosawa, não é exatamente dele, ele escreveu o roteiro baseado num conto do autor japonês Shugoro Yamamoto (não conheço, mas deve ser bom) e quem dirigiu foi Takashi Koizumi que trabalhava com Kurosawa. Eu achei lindo o filme.

É a história de Misawa, um samurai, desempregado, um homem talentosíssimo, mas com dificuldades para permanecer num emprego porque lhe falta alguma coisa, não se integra embora seja uma pessoa boa, generosa, humilde, talvez humilde demais para um samurai. Ele está com a esposa numa hospedaria esperando que a chuva passe para poder atravessar o rio e continuar na sua busca. Na mesma hospedaria se encontra um grupo muito pobre e que, com o estômago vazio e a chuva incessante, já começava a ter problemas de relacionamento. Misawa, com pena deles, inventa de preparar uma festa, ele tampouco tem dinheiro, mas tem a sua espada, ele vai a um castelo das redondezas e desafia os outros samurais, luta por dinheiro, isso não é nada bom para o currículo de um samurai, mas ele arrisca a reputação assim mesmo.

Num de seus passeios enquanto esperava as águas do rio baixarem, ele encontra um grupo lutando e impede um duelo. O senhor do castelo daquelas terras percebe a sua interferência e fica encantado com sua atuação. Este senhor estava justamente à procura de alguém que pudesse se ocupar do treino de seus empregados e oferece o posto ao samurai peregrino, ele fica muito contente, claro, estava à procura de um trabalho, mas logo desperta a inveja dos outros conselheiros do castelo e tudo vai de novo pro brejo, coitado.

É bem interessante a parte em que dois conselheiros do castelo vão até a hospedaria para dizer a Misawa que infelizmente ele não tinha sido aceito para o cargo porque descobriu-se que ele tinha lutado por dinheiro. Ele diz que era verdade, tinha mesmo feito isso, que era indigno (bem japonês). Sua mulher que estava ouvindo a conversa diz aos dois que ele tinha lutado para poder oferecer comida e um pouco de alegria a algumas pessoas simples. Ela acrescenta que, embora ele tivesse prometido nunca mais lutar por dinheiro, ela o liberava da promessa já que ele o fazia por razões nobres, mas, claro, os dois que estavam ali na frente dela, eram idiotas demais para entender isso.

A mensagem do filme, eu acho que há uma, não é assim tão sombria, o samurai finalmente atravessa o rio com sua digníssima e amorosa esposa, ela gostaria que ele se integrasse, que tivesse um bom trabalho, mas ao mesmo tempo tem orgulho do caráter dele e o aceita tal qual ele é. Ele se lava numa queda d’água no meio do caminho e diz à esposa que está bem, pronto para a próxima, para continuar tentando.
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Ame Agaru, JAP, 1999, Direção: Takashi Koizumi, Roteiro: Akira Kurosawa, Elenco: Akira Terao, Yoshiko Miyazaki, Shiro Mifune, Mieko Harada, Fumi Dan, Hisashi Igawa, Hidetaka Yoshioka, Tatsuya Nakadai, Duração: 91 min.

Van Gogh

Van Gogh
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sábado, 31 de janeiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O poema da sexta-feira

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Escritor John Updike morre aos 76 anos

John Updike, vencedor do prêmio Pulitzer, autor profícuo de cartas e crônicas sobre sexo, divórcio e outras aventuras do pós-guerra nos EUA, morreu nesta terça-feira aos 76 anos.

Na Folha de São Paulo.
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Acho que só li um livro de J. Updike, Brazil. O problema é que, pelo menos na época, eu não gostei nada deste livro, me parecia chato e cheio de clichês. Talvez eu esteja errada, eu estava começando a ler em inglês. Como não gostei deste livro, não tentei mais nada do autor, mas me lembro de ler entrevistas bem bacanas com ele. Eu devo ter escolhido o livro errado. Isso acontece.


domingo, 25 de janeiro de 2009

O Assassinato de um Presidente

O Assassinato de um Presidente (The Assassination of Richard Nixon, EUA/México, 2004)
Direção: Niels Mueller
Elenco: Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle, Jack Thompson
Duração: 96 minutos
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Vi ontem este filme, em DVD, claro. Tentei me lembrar de algum filme ruim que tivesse visto com Sean Penn, não consegui. Não digo que não exista, mas eu não conheço.

Gostei muito deste filme que conta a história de Samuel Joseph Byck, um cara atormentado, deprimido que planeja matar o presidente Nixon, não consegue, evidentemente. Este Samuel existiu mesmo, se quiser saber sobre ele siga o link acima.

Sam, como é chamado no filme, é representado por Sean Penn, esta cena com o cachorro é tristíssima "Pelo menos você gosta de mim, não é?". Ele é um cara difícil demais e problemático demais, desses de quem as pessoas saem correndo, a mulher, os filhos, até o irmão, ninguém o aguenta mais. O pior é que ele é 'gente boa', ele tenta, ele é honesto, mas não se enquadra no mundo, é muito desajustado e a vida já é difícil demais para todo mundo, ninguém quer um tipo tão difícil por perto.

E na sua confusão mental ele tem a ideia de 'matar o presidente'.
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Acabei de ler O Homem Duplicado. Não é meu livro preferido de Saramago, gosto bem mais de Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho sobre Jesus Cristo e Levantado do chão. Este último eu li faz muitos anos.
Em O Homem Duplicado seguimos a história de um professor de história, Tertuliano Máximo Afonso que um dia, vendo um filme, descobre que tem um sósia perfeito, mais do que um sósia, é o seu duplo. Essa descoberta muda completamente a vida de Tertuliano.
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Vi ainda outro filme (pois é, eu já sou caseira e continua a fazer frio em Curitiba, entonces...), O Prazer é todo meu, um filme francês (Tout le plaisir est pour moi), com uma atriz belga, Marie Gillain que faz o papel de Louise, uma linda garota de uns trinta anos, independente, alegre, falante e que gosta muito de sexo. Tudo vai muito bem até que um dia, sem mais nem porquê, ela perde a capacidade de sentir prazer sexual. Um drama que ela sai dividindo com todos, pai, mãe, irmã, namorado. Nem todos concordam que seja exatamente um drama, mas é assim que ela vê e manda o namorado às favas porque acha que ele não está dando a importância devida ao seu problema.
Bom, infelizmente o DVD que eu aluguei também tinha um problema bem no finalzinho, fiquei sem saber se Louise encontrou uma solução ou se descobriu a causa deste infeliz acontecimento. Vi que ela reencontra o namorado e que ele estava indo para o Canadá, eles conversaram, ela parecia feliz e o resto eu fiquei sem saber. Amanhã vou reclamar na locadora.
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E hoje vou assistir Desde que Otar partiu.

Virginia Woolf 25/01


Adeline Virginia Woolf
nasceu no dia
25 de janeiro de 1882.
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Monet

DEJEUNER
Monet
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O poema da sexta-feira

Nada, Esta Espuma

Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.

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Ana Cristina César

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O assunto de hoje é um só. A posse. Não há como ficar indiferente. Eu estou cansada de saber que ele não vai consertar o mundo, tem gente da extrema direita que critica os de esquerda deste modo 'vão ver, que ingenuidade, que burrice pensar que um homem só pode mudar tudo'. Estúpidas são as pessoas que imaginam que quem acredita e torce por uma pessoa como Obama é ingênua a esse ponto. As mesmas coisas se ouvia quando o Lula ganhou as eleições. Não foi uma revolução, mas sim uma eleição, numa sociedade democrática um presidente não decide só. Bem, eu fiquei feliz que tenham votado em alguém como Obama, de não ter que ver mais a cara do Bush. E pelo jeito não era só eu que estava cansada dele, ninguém fala mais dele desde que Obama venceu, ele deixou de ser presidente antes de acabar o mandato dele.
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Há outro assunto hoje, o A Igreja Renascer em Cristo que desabou na cabeça dos fiéis matando nove pessoas e deixando não sei quantos feridos. Eu não gosto de falar muito porque tenho que reconhecer que sou implicada com religião, não consigo entender, sobretudo igrejas como essas...enfim, não vou me espantar se amanhã mostrarem uma multidão de gente na frente da igreja rezando e agradecendo a Deus (o quê, não sei). Ainda por cima os dirigentes da igreja mentiram sobre uma reforma, está nesta matéria acima.
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domingo, 18 de janeiro de 2009

Hopper


Edward Hopper
Chop-Suey
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Poema da sexta-feira

L'Albatros

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.
À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.
Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!
Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

— Charles Baudelaire
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O Albatroz

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem
Pegam um albatoz, enorme ave marinha,
Que segue, companheiro indolente de viagem,
O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,
Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,
Deixa doridamente as grandes e alvas asas
Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!
Ave tão bela, como está cômica e feia!
Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,
Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura
Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;
Exilado no chão, em meio à corja impura,
A asa de gigante impedem-no de andar.

— Charles Baudelaire

Tradução de Guilherme de Almeida

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aprendendo sempre


Uma coisa boa dos últimos tempos é que estou aprendendo a cozinhar. Claro que sempre fritei uns ovos, mas não ia muito além. Descobri o óbvio, como todas as outras coisas, cozinhar requer prática, já fiz um monte de besteiras e ainda vou fazer. Hoje, por exemplo deixei que as lentilhas cozinhassem demais, tudo bem, podia tentar transformar numa sopa, mas começou a queimar também. Enfim, não vou me irritar, embora não seja a primeira vez que isso aconteça. Preciso ficar mais atenta. Sou muito distraída, na cozinha isso põe muita coisa a perder.

Não preparo carne de jeito nenhum, odeio pegar em carne crua, tenho que me virar com outras coisas, muito ovo para substituir, um hambúrguer de soja de vez em quando (que eu compro pronto, claro).

E cozinho só para mim, pelo menos por enquanto. É que aqui ninguém (meu marido e meu sobrinho) está interessado no que eu cozinho, arroz integral, lentilhas, couve, abobrinha? Saem torcendo o nariz. Por isso mesmo eu comecei a cozinhar. Como também muita salada de tomate com agrotóxico e tudo, fazer o quê? Adoro tomates, todos os tipos. Às vezes compro orgânico.

Pode parecer que não é nada essa minha conquista, mas é, lhes asseguro.

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Lendo O Homem Duplicado, Saramago. Percebi que no ano passado não li nenhum livro dele e decidi começar por este que está na estante há uns 3 anos ou mais.

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Vi há algumas semanas já o filme O homem que copiava, é de 2002, acho, mas eu nunca tinha visto. Quem viu já deve até ter esquecido do filme, mas é bem legal, me diverti. Acho que até agora só vi um filme com L. Ramos que não gostei, ò paí, ó. Achei uma chatice, não o ator, claro, história mesmo.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Henri Cartier Bresson.
Londres
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“Fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão”.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Amores Brutos


Uma vez lia uma revista sobre os filósofos gregos, não era uma revista de filosofia, uma revista qualquer (belga) que trazia uma matéria sobre o assunto, uma matéria enorme sobre as diferentes correntes. Só me ficou uma coisa daquela leitura, de acordo com um daqueles filósofos (pena que não consigo me lembrar qual), viver é estar exposto o tempo todo a acontecimentos terríveis, disso todo mundo sabe, a gente só não quer pensar nisso. Bom, na opinião dele a gente devia pensar sim, imaginar mesmo coisas terríveis acontecendo conosco, assim, quando elas acontecessem (mais cedo ou mais tarde vão acontecer) estaríamos mais preparados para enfrentá-los. Está meio confuso mas é mais ou menos isso.

Ontem revi o filme Amores Brutos e me lembrei da idéia deste filósofo. Uma modelo de lindas pernas está super feliz porque o amante decide finalmente deixar a esposa e filhas para viver com ela, estão comemorando quando ela percebe que falta o vinho, não se comemora sem vinho, ela sai por poucos minutos para comprar a bebida e sofre um acidente, o resultado é uma perna amputada.

E outras histórias tão trágicas quanto essa se entrelaçam, quase todo mundo já viu este filme.

Um dos personagens ganha dinheiro colocando o seu cachorro para brigar. Aquelas brigas que os homens promovem, só pelo dinheiro - e algum prazer, claro (não posso entender qual) são terríveis, nem conseguia acompanhar as cenas. Claro que há cenas mais terríveis do que cachorro morrendo, Gaza está aí, não estou comparando, só uma observação.

Eu me lembrei de uma entrevista com uma criança francesa (agora comparando) quando perguntado sobre as cenas mais terríveis que ela já tinha visto na tv ele responde que eram cenas de animais mortos. O entrevistador pergunta se as cenas de pessoas mortas não o chocavam, ele responde que essas não porque ele as via o tempo todo, estava habituado.

Documentário sobre os brasileiros da Bélgica

[Eu me lembro de ter encontrado Susana no consulado do Brasil há muitos anos, ela já estava pensando neste documentário. Pena que não pude ver, me interessa muito...Na Radio France Internationale tem uma entrevista com a Susana, gostei.]

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No programa desta semana, a brasileira Susana Rossberg, que mora na Bélgica há quarenta anos e é editora para filmes de cinema, fala de seu primeiro longa documentário – Brasileiros como Eu.

Depois de ter dirigido alguns documentários curtas de encomenda, uma ficção curta e alguns filmes industriais, Susana teve vontade de retratar a comunidade brasileira de Bruxelas, que hoje não conta mais apenas com exilados da ditadura, como Susana, mas com muita gente que partiu do Brasil em busca de uma vida melhor.

Mais informações sobre Brasileiros como Eu no site da produtora de Susana (em francês).

Também no programa desta semana, a gente vai ao Moçambique, onde terminou ontem um grande festival de documentários que tinha o Brasil como país homenageado. É o Dockanema onde, durante dez dias, o publico pôde ter acesso a quase oitenta filmes do mundo inteiro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Poema da sexta-feira

O desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

Camões