domingo, 25 de novembro de 2007

Carta de Caio Fernando Abreu para Hilda Hilst


[Eu não sei mais onde encontrei esta carta, estava dando uma vasculhada nos meus arquivos e me deparei com ela. É muito interessante a impressão que Clarice deixou no escritor. Ainda que ele tenha exagerado, é remarcável. Acho que já coloquei aqui o link para a entrevista com ela no youtube. Nesta entrevista já dá para sentir um pouco do que C. F. Abreu fala nesta carta.]

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29/12/1970

Hildinha, a carta para você já estava escrita, mas aconteceu agora de noite um negócio tão genial que vou escrever mais um pouco. Depois que escrevi para você fui ler o jornal de hoje: havia uma notícia dizendo que Clarice Lispector estaria autografando seus livros numa televisão, à noite. Jantei e saí ventando. Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível. Era ela. Me aproximei, dei os livros para ela autografar e entreguei o meu Inventário. Ia saindo quando um dos escritores vagamente bichona que paparicava em torno dela inventou de me conhecer e apresentar. Ela sorriu novamente e eu fiquei por ali olhando. De repente fiquei supernervoso e sai para o corredor. Ia indo embora quando (veja que GLÓRIA) ela saiu na porta e me chamou: - “Fica comigo.” Fiquei. Conversamos um pouco. De repente ela me olhou e disse que me achava muito bonito, parecido com Cristo. Tive 33 orgasmos consecutivos. Depois falamos sobre Nélida (que está nos States) e você. Falei que havia recebido teu livro hoje, e ela disse que tinha muita vontade de ler, porque a Nélida havia falado entusiasticamente sobre Lázaro. Aí, como eu tinha aquele outro exemplar que você me mandou na bolsa, resolvi dar a ela. Disse que vai ler com carinho. Por fim me deu o endereço e telefone dela no Rio, pedindo que eu a procurasse agora quando for. Saí de lá meio bobo com tudo, ainda estou numa espécie de transe, acho que nem vou conseguir dormir. Ela é demais estranha. Sua mão direita está toda queimada, ficaram apenas dois pedaços do médio e do indicador, os outros não têm unhas. Uma coisa dolorosa. Tem manchas de queimadura por todo o corpo, menos no rosto, onde fez plástica. Perdeu todo o cabelo no incêndio: usa uma peruca de um loiro escuro. Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Acho que mesmo que ela não fosse Clarice Lispector eu sentiria a mesma coisa. Por incrível que pareça, voltei de lá com febre e taquicardia. Vê que estranho. Sinto que as coisas vão mudar radicalmente para mim – teu livro e Clarice Lispector num mesmo dia são, fora de dúvida, um presságio. Fico por aqui, já é muito tarde. Um grande beijo do teu

Caio.

(Do livro de cartas dele organizado por Italo Morriconi)

'Perca um Livro'



Vejam esta campanha, gostei da idéia, já escolhi um livro para 'perder'. Vai saber se realmente incentiva a leitura, se é uma campanha publicitária da editora que eu não conheço...Por via das dúvidas, vou participar. Imagina, você está em um ponto de ônibus, metrô e encontra um livro em bom estado dando sopa. Não é interessante? Claro que dificilmente vai coincidir com o gosto da gente, mas vamos lá.

Este é o princípio que copiei lá do site:


'Perca um Livro' é uma iniciativa que pretende trazer para o Brasil uma prática internacional de incentivo à leitura. A idéia é "perder" um livro em lugar público para ser achado e lido por outras pessoas que, então, farão o mesmo. O objetivo é fazer do mundo inteiro uma livraria.
A prática consiste em três passos simples:
1. Leia um bom livro;2. Cadastre o livro e escreva seus comentários para pegar seu código único e a etiqueta correspondente ao livro;3."Perca" o livro em um lugar público.
De posse do código o leitor poderá rastrear pelo tempo que quiser os caminhos percorridos pelo livro.
A partida inicial do projeto será dada pela editora Zeiz que irá "perder" 150 exemplares do livro "A Unidade dos Seis - O Herdeiro Especial". Os livros "perdidos" estarão com orientações que levem o próximo leitor a repetir o mesmo procedimento: ler, cadastrar e "perder".
A idéia é que estes livros sejam a ponta de uma corrente que incentive outras pessoas a fazerem o mesmo com outros livros, disseminando entre pessoas o saudável hábito da leitura.
o site pra cadastrar o seu livro perdido é http://www.livr.us/

sábado, 24 de novembro de 2007

Cisne

Acho que já publiquei esta foto aqui antes, em outro formato, ilustrando um conto meu...
Fiz esta foto em Cambrigde, em um 1900 qualquer. Podia ter sido em Bruxelas ou qualquer outro lugar, afinal é só um cisne, mas eu me lembro bem do lugar, da ponte sobre o rio Cam, do frio que fazia. Participei com essa foto, numa versão preto e branco, de uma exposição de fotógrafos amadores (claro!), com o pessoal de um photo club que se chamava Germinal. Apesar deste nome tão socialista, as reuniões do photo club se davam num castelo, o Château du Karreveld. Nós tínhamos lá um laboratório e uma sala b e m pequeninha, pequena mesmo, mas ficava num castelo e toda quarta lá estava eu. Eu era a única mulher do grupo, tiveram pouquíssimas mulheres em toda a história do clube, não sei qual a razão. Uma moça canadense passou umas semanas por lá enquanto estava estudando em Bruxelas, mas foi só essa presença feminina além da minha.
Diletante (mais fotos)
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Sylvia Plath lê Ariel



Ariel

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.
God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees! ---The furrow
Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,
Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks ---
Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.Something else
Hauls me through air ---Thighs, hair;
Flakes from my heels.
White
Godiva, I unpeel ---Dead hands, dead stringencies.
And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry
Melts in the wall.
And I
Am the arrow,
The dew that flies,
Suicidal, at one with the drive
Into the red
Eye, the cauldron of morning.

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(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César)
ARIEL

Estancamento no escuro
E então o fluir azul e insubstancial
De montanha e distância.

Leoa do Senhor como nos unimos
Eixo de calcanhares e joelhos!... O sulco

Afunda e passa, irmã
Do arco tenso
Do pescoço que não consigo dobrar.

Sementes
De olhos negros lançam escuros
Anzóis...

Negro, doce sangue na boca,
Sombra,
Um outro vôo

Me arrasta pelo ar...
Coxas, pêlos;
Escamas e calcanhares.
Branca
Godiva, descasco
Mãos mortas, asperezas mortas.

E então
Ondulo como trigo, um brilho de mares.
O grito da criança

Escorre pela parede.
E eu
Sou a flexa,
O orvalho que voa,
Suicida, unido com o impulso
Dentro do olho

Vermelho, caldeirão da manhã.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Meu canto



Uma vez alguém propôs que mostrassemos um pouco dos nossos livros nos blogs, isso já faz tempo e nem sei mais de quem foi a idéia. Só sei que, embora tenha gostado dela, não o fiz por pura preguiça. Fui deixando o tempo passar e agora me veio a vontade de ir mostrando o meu cantinho. Vou fazê-lo aos poucos. Fotografei tal e qual, não parei para arrumar nada. A iluminação também não é lá essas coisas, de modo que não dá para ver todos os títulos....mas eu adorei ver os livros fotografados, transferidos para cá. Essa coleção aí do alto eu comprei em Atlanta, quando vivia lá. Achava lindo esses livrinhos, a encadernação, tudo. Mas, fora eles, a maioria dos outros livros que aparecem aí são bem velhinhos, dá pra ver que eu gosto de um sebo. Compro muito também os 'livros de bolso', sobretudo em francês, é muito barato. Não tenho livros de coleção, nada raro. Só precioso.
Bom fim de semana a todos!
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domingo, 11 de novembro de 2007

Lendo....

A Noiva libertada do escritor israelense A. B. Yehoshua. É o meu primeiro livro deste autor, ganhei de presente e estou adorando a leitura, não desgrudo dele no meu tempo livre, como já disse aqui antes, eu não consigo ler rápido, sobretudo quando se trata de algo interessante, que eu esteja curtindo. Leio com calma, volto um parágrafo inteiro, se for o caso. E este livro tem mais de 600 páginas.
Até aqui, acho que o único autor israelense que eu já tinha realmente lido era Amos Oz, bastante conhecido no Brasil. Agora Yehoshua vai também fazer parte da minha lista.
Assim que terminar o livro tentarei falar um pouco da história.
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No feriado passado fui para Florianópolis e fiquei no lugar mais adequado para mim, pelo menos naquele momento, praia da Solidão.
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Obrigada pelas sugestões aí no último post, recebi ainda alguns telefonemas do 'doutor', mas não atendi. o advogado que eu consultei me disse o que alguns disseram, se não assinei nada posso ignorar.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Á beira de um ataque de nervos

Sem tempo e sem vontade de escrever aqui...
Agora vai um desabafo e uma consulta. Eu já não estava lá muito calminha e hoje me telefonou um senhor 'doutor' fulano de tal (acentuou bem o doutor para a secretária, ela me disse), eu peguei o telefone pensando que fosse um médico, embora não estivesse esperando telefonema de médico nenhum. Daí o homem me explicou que eu tinha pedido (segundo ele, eu não me lembro de ter pedido coisa nenhuma) a inclusão de um número de telefone numa tal lista. Está claro para mim que se trata de pilatragem, vi na internet que é comum, inclusive. O problema é que, vi isso também na internet, eles podem mesmo mandar o meu nome para o spc (ou algo do gênero) e depois cabe a mim entrar com um processo por danos morais. Será possível uma coisa dessas? O povo é quase fantasma...Eu não quero perder meu tempo me defendendo de fantasmas. Já perdi uma manhã inteira no telefone com o pilantra. Caro leitor, você já passou por essa? Conhece alguém que já passou? Disseram-me que devo simplesmente ignorar...faço isso?

sábado, 20 de outubro de 2007

Ne me quitte pas com Nina Simone


No youtube.
Ou com Jacques Brel, se preferir sem o sotaque americano.
Sem mais para o momento. Só uma dorzinha de cabeça...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A Chave

A Chave
Junichiro Tanizaki

A Chave trata da história de um professor universitário que não consegue mais satisfazer sexualmente Ikuko, sua esposa voraz. Voraz e pudica ao mesmo tempo, ela não cansa de repetir uma ladainha sobre sua ‘educação tradicional’ que não a permite ultrapassar certos limites. Mas o pobre homem tenta, com muito empenho, encontrar uma solução para a sua fraqueza. Vai à procura de opinião profissional, opinião não profissional, massagens, remédios diversos ao ponto de comprometer sua saúde. Um dia, observando Kimura,um jovem estudante que freqüenta sua casa, e que seria, em princípio, um partido para sua filha, o professor descobre que o ciúme é um excelente estimulante. Assim começa um jogo perigoso. O mais interessante é que a história é contada através do diário do professor e da sua esposa. Cada um mantém um diário e desconfia que o outro o lê às escondidas. Ou quer que o outro leia? Resenha minha no RoseLivros


domingo, 14 de outubro de 2007

Parque Estadual de Vila Velha e Colônia Witmarsum

Neste feriado do dia 12 fomos visitar Parque Estadual de Vila Velha que fica a mais ou menos 100 kms de Curitiba. Eu já tinha visitado o lugar antes, quando ainda era turista aqui no sul. Vale a pena a visita, vejam aqui:
"Arenitos
Os monumentos geológicos encontrados em Vila Velha são constituídos por uma rocha denominada arenito, o Arenito Vila Velha, formado pela compactação e endurecimento de camadas sucessivas de areia, pertencentes à unidade geológica denominada de Grupo Itararé. A formação destes arenitos remonta há 300 milhões de anos no Período Carbonífero, quando a América do Sul ainda estava ligada à África, à Antártida, à Oceania e à Índia, formando um grande continente chamado de Gondwana. Nesta época a região onde se localiza Vila Velha estava mais próxima ao Pólo Sul e a temperatura média na Terra era muito baixa, período que corresponde a uma das grandes eras glaciais do passado terrestre denominada glaciação gondwânica permo-carbonífera."
Esta explicação está na página Mineropar, há muito mais ali para quem estiver interessado. Eu, infelizmente esqueci minha câmera, nem esta foto aí acima é minha.
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Na volta para Curitiba paramos na Colônia Witmarsum formada por menonitas que compraram ali uma fazenda em 1951 e se instalaram. No museu , um guia que é também professor de história, nos explicou com boa vontade tudo o que podia sobre os menonitas e a vinda deles para o Brasil. Era tanta a boa vontade que até me pergunto se não fomos os únicos visitantes daquele dia. Em todo caso, foi muito interessante, talvez o rapaz seja assim mesmo, entusiasmado. Depois da visita ao museu fomos tomar um café num lugar indicado pelo próprio guia do museu e compramos também, queijos, geléias e outros produtos do local.
Foi legal este programa, eu não estava com vontade de viajar para longe, como disse acima (abaixo?) estava cansada...
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E ontem, sábado, fui ver o tão falado Tropa de Elite. Ainda estou sob o impacto, falo dele depois. Nessa altura tanta gente já viu, já falou, já desceu a lenha, já elogiou o desempenho de Wagner Moura (elogiável mesmo). Só posso dizer gostei ou não gostei. Gostei. Enfim, as cadeiras do cinema até saltavam com tantos tiro e barulho, saí quase com dor de cabeça, mas valeu. Depois falamos mais do filme, agora vou ler um pouco sobre ele na internet. Ah, vi no cinema mesmo...
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A Academia Sueca concedeu na quinta-feira o Prêmio Nobel de Literatura à romancista britânica Doris Lessing. A seguir, veja alguns fatos sobre a escritora.
Leia no RoseLivros.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cansada


Estou tired

fatiguée

cansada cansada

Que venha o feriado....

sábado, 6 de outubro de 2007

Leitura: CORES PROIBIDAS

Estou lendo este Cores Proibidas de Mishima, o mesmo autor de Confissões de uma máscara. O mesmo mesmo? Custo a acreditar, a não ser que o tradutor aqui seja realmente um traidor. Já avancei umas boas páginas e este Cores proibidas ainda está uma chatice. Pensei até em desistir, peguei outro livro, Baudolino, comecei a ler, depois voltei para o Mishima. Pensei que eu talvez estivesse muito mal humorada e julgando mal, afinal de contas os japoneses raramente me decepcionaram...Não sei. Voltei para o livro, mas ele continua chato, chato. Vamos ver no que dá, se eu tiver coragem para percorrer as páginas restantes.
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08/10 - Li mais algumas páginas esta noite. A mesma chatice, mas ainda quero saber do final. Agora vou passar para leitura dinâmica. Acho que este é o livro mais misógino que já li na vida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Visita ilustre


Minha irmã que vive em Bruxelas está aqui com meu sobrinho que completa seis meses esta semana. Chegaram na quarta passada, meia noite e ficam até segunda, na segunda seguem para Minas....

domingo, 23 de setembro de 2007

Banana Yoshimoto

Banana Yoshimoto nasceu em Tokyo no dia 24 de julho de 1964. Seu nome verdadeiro é Yoshimoto Maiko e escolheu este pseudônimo porque gostou da sonoridade. Seu pai, Yoshimoto Takaaki, é crítico literário, logo, Banana esteve, desde muito cedo, ligada ao mundo da literatura. Ela estudou artes e literatura na universida Nihon e ganhou seu primeiro prêmio literário em 1986 com sua novela "Moonlight Shadow". Em 1987, Banana escreveu a novela que a tornou mundialmente famosa, "Kitchen" que foi ganhadora do Kaien Magazine New Writer, um prêmio concedido a novos escritores.
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Dur, Dur. Resenha minha no RoseLivros.
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E também na RoseLivros:
Nobel 2006 - Pamuk destrincha a arte de escrever.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Se um viajante numa noite de inverno

Acabei de ler este livro durante minha viagem para Minas. Esta leitura foi m u i t o recomendada, não peguei o livro por acaso. Na verdade fui à FNAC com um vale-presente (é esse o nome?) oferecido por nosso hóspede americano. Ele queria me oferecer, além dos livros, 'as horas de escolha'. É claro que é bom receber o livro em si de presente, mas essa idéia do vale presente não me desagradou.
Eu estava procurando outro livro de ìtalo Calvino, As Cidades Invisíveis, igualmente recomendando. Por incrível que pareça não o encontrei no meio daquele mundo de livros da FNAC. A atendente olhou lá no sistema e disse que tinha UM na livraria, mas não estava no lugar, podia estar em qualquer canto da loja. E aí eu encontrei Se um viajante....e fui embora com ele. Ele e alguns outros.
Eu até queria falar um pouco do livro, enquanto ainda está fresco na minha cabeça, mas estou morrendo de cansaço. Vou tentar outro dia.
Passou por aqui esta semana uma canadense muito simpática e muito animada. Animada para beber e para conversar. Saímos numa plena terça-feira, depois de uma viagem, mais de um dia de trabalho, ela ainda encontrou ânimo para contar histórias da vida dela e da família....e que família, 7 irmãos e 6 irmãs. Não é o primeiro canadense que eu conheço com uma família tão numerosa.
Dentre as muitas coisas que ela contou, eu me lembro, acho que isso me chocou um pouco, da história de um irmão que se suicidou por volta dos 30 anos, ela tinha 14 na época, mas essa diferença não impedia que o irmão se abrisse com ela. Disse que ele era muito infeliz, não conseguia se adaptar ao mundo, só se sentia bem em contato com a natureza. Ela disse que ele era tão infeliz que ela, apesar da angústia e de ter sofrido com a morte dele, não podia deixar de achar que ele tinha feito a coisa certa. E disse que aprendeu com o irmão esta lição, ou você é feliz ou toma uma atitude. Talvez ela já tivesse tomado vinho demais quando emitiu essa opinião...não sei. Talvez existam vários graus de inadaptação a este mundo, eu me sinto frequentemente uma 'inadaptada' e acho essa conversa de 'felicidade' um papo furado. Alegria sim, mas felicidade eu não entendo bem o que seja. Como eu posso ser feliz num mundo destes? Só sendo completamente egoísta. Sei que é uma lógica muito pessoal, mas...Será que devo fazer um haraquiri? Ou tomar um daiquiri? Já divaguei demais...é o cansaço.
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domingo, 16 de setembro de 2007

Bernardo Carvalho na Rascunho

Parte de uma ótima entrevista com Bernardo Carvalho na Rascunho:

"Se eu tivesse de responder em uma frase à pergunta "qual a importância da literatura no Brasil", eu diria: "nenhuma". É um país de analfabetos. Durante algum tempo, trabalhei na periferia de São Paulo com o grupo de teatro
Vertigem. Ali, fiz alguns ateliês e oficinas de criação literária com jovens. Foi a pior experiência da minha vida. Eu me dei conta, não só que as pessoas são analfabetas, mas que o texto não faz parte da cultura brasileira; faz parte apenas de uma cultura de classe média irrisória no país. Mas o texto - e não precisa ser necessariamente literatura - não faz parte do cotidiano das pessoas. Além disso, o Brasil tem uma elite muito grosseira, muito iletrada. Em comparação com a elite de outros países, a brasileira é especialmente ignorante, e cultiva e reproduz a ignorância para os seus filhos. Isso é muito chocante e revoltante."
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"Recentemente, passei dois meses na Itália, na casa de uma baronesa que recebe escritores do mundo inteiro para ficar lá escrevendo. E essa baronesa está meio falida e recorre a países que dão dinheiro para esse tipo de iniciativa: Estados Unidos e Inglaterra. Então, a maioria dos escritores é composta por ingleses e americanos. Passei dois meses convivendo com alguns escritores anglo-saxões e me dei conta de que a importância do mercado é um negócio chocante. Esses escritores só funcionam em função do mercado porque se você for um escritor nos Estados Unidos e na Inglaterra e não funcionar no mercado, você não existe. Não tem vez para você. Para mim, fazer literatura com essa preocupação é algo muito sem graça."

Se quiser ler o resto clique aqui.

Como seria o Brasil socialista

"Que livrinho delicioso! Nestor de Holanda Cavalcante Neto nasceu em 1921, em Vitória de Santo Antão (Pernambuco) e faleceu no Rio de Janeiro em 1970. Descendia do farmacêutico Nestor de Holanda Cavalcanti Filho e da médica Maria de Lourdes Galharda. de Holanda Cavalcanti. Sua vocação para as letras e para o jornalismo manifestou-se quando era bem jovem, tendo trabalhado em órgão da imprensa e lançado “Fontes Luminosas”, o seu primeiro livro, quando tinha 17 anos e residia em Recife. Em 1941 botou o pé na estrada e veio atrás de luz, do brilho e do espetáculo, migrando para cidade grande, para o Rio de Janeiro, então capital da República."

Excelente resenha de Aluízio Alves Filho no RoseLivros

sábado, 15 de setembro de 2007

O Diário de Fernando Meireles

Descobri no Mundo de K que F. Meireles está escrevendo um blog onde conta sobre as filmagens de Ensaio sobre a Cegueira, o Diário de Blindness. Blindness será o título do filme em inglês.
O blog é muito bom, ainda está bem no começo, já li todos os posts. Tenho a impressão de que vai dar um excelente filme, este é um dos meus livros preferidos de Saramago, outro é o Evangellho sobre Jesus Cristo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Nestlé pede, e prefeito piora a qualidade nutricional de alimento

Por solicitação da Nestlé, que queria participar de licitação, Prefeitura de São Paulo piorou a qualidade nutricional do alimento

Nutricionistas haviam previsto 7 kg de carne a cada 100 kg de sopa; com a mudança, administração passou a exigir só 0,5 kg

Matéria de José Ernesto Credendio e Alencar Izidoro, da reportagem local da Folha de São Paulo.


A pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um programa que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais.

A gestão Gilberto Kassab (DEM) diminuiu a quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa depois de um apelo feito pela multinacional durante uma consulta pública para a compra do produto.

A previsão das nutricionistas do município era que uma das sopas tivesse 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de "outras" hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída).

Com a mudança feita diante da manifestação da Nestlé, a mesma sopa deverá ter só 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de "outras" hortaliças.

A redução na quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa é condenada pela presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Andrea Galante, que também contesta a escolha desse alimento para ser distribuído nas escolas municipais.

"Baixar a quantidade de verduras e hortaliças vai contra aquilo que preconiza a OMS [Organização Mundial da Saúde]. Uma maçã tem os mesmos nutrientes que uma porção dessa sopa, que ainda será servida em uma época de calor."

O edital prevê a compra de 750 toneladas de sopa desidratada por mês. O Sábado na Escola está previsto para começar no final de semana.

O TCM (Tribunal de Contas do Município), no entanto, determinou ontem a suspensão do pregão que ocorreria hoje para definir a fornecedora. Um dos motivos contestados pelo tribunal foi a exigência de que a entrega da sopa, com embalagem personalizada, começasse no dia 15, três dias depois do anúncio do resultado.

O TCM avaliou que a condição só poderia ser atendida por alguém que já tivesse pronta toda a infra-estrutura para distribuição, algo que abriria margem para direcionamento.


R$ 46 milhões

O TCM também considerou que a prefeitura precisa explicar a razão para a contratação de um único fornecedor do programa. Empresas menores alegam que apenas as grandes do segmento teriam condições de entregar a quantidade exigida.

A Nestléatualmente mantém contrato com a prefeitura para a distribuição de leite nas escolas , tendo pronta sua estrutura logística de entrega.

Tanto a multinacional como a gestão Kassab não quiseram se pronunciar ontem. O valor total do contrato para a compra da sopa não foi informado pela prefeitura. Só na semana passada, Kassab destinou R$ 46 milhões ao programa.

A prefeitura também atendeu a outro apelo da Nestlé: a inclusão de pimenta na sopa com carne, que é produzida pela multinacional.

A liberação foi considerada "estranha" pela Pink Alimentos, uma das concorrentes da licitação. Em quase quatro décadas fornecendo merenda escolar no país, a empresa afirma desconhecer outros casos de inclusão do produto. Nutricionistas consultadas pela Folha também disseram que a pimenta não agrega nenhum valor nutritivo à sopa.

Na sua solicitação para alteração do edital de compra da sopa, a Nestlé alegou que a redução dos componentes permitiria a participação na licitação dos maiores fabricantes do setor, que costumam trabalhar com menor proporção dos referidos nutrientes. Sugeriu, dessa forma, uma formulação mais próxima dos produtos vendidos por ela no varejo.

A Secretaria de Gestão, em resposta à solicitação da empresa, acata a sugestão "a fim de possibilitar a participação do maior número de participantes na licitação", conforme ata obtida pela reportagem.

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Retirei esta notícia do Síndrome de Estocolmo.