sábado, 7 de março de 2009

Travesuras de la niña mala


Acabei de ler Travesuras de la niña mala, um dos livros que comprei no Chile, mais especificamente em Viña del Mar, num dos dias de muito calor em que nos refugiamos numa livraria. Quer dizer, eu me refugiei porque a minha amiga francesa não tinha problema nenhum com o calor.

Não gostei do livro, já no começo eu tive uma certa intuição de que não era para mim, mas continuei, li até o fim, li a última página neste instante. Continuei porque continuei, sem pensar muito e talvez porque o livro, bem o mal, desperta a curiosidade do leitor. Já é um trunfo, mas não pretendo reler nunca e vai demorar até que eu abra de novo um livro de Vargas Llosa. Não estou afirmando que seja ruim, estou afirmando que eu não gostei. Há autores bons de que não gostamos. Fazer o quê? O pior é que esse é o primeiro livro que leio de Vargas Llosa.

A personagem principal do livro, a tal Menina Má (por mim poderiam ter traduzido como 'menina mala' mesmo, é isso que ela é)é antipática do começo ao fim, só em duas passagens o leitor pode sentir alguma compaixão por ela, quando ela fica doente. Ela é fria, calculista, uma espécie de prostuta de luxo, se prostitui através de casamentos ricos. O outro personagem, o que conta a história e que é chamado de Niño bueno é o gato e sapato dela. É admirável tanta dedicação e tanta passividade.

De qualquer modo isto é só o enredo, poderia até dar uma história interessante. Junichiro Tanizaki já escreveu história semelhante em Noemi, mas é mil vezes melhor a sua forma de contar, isso muda tudo.
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Semana cansativa e quente.

Revi um filme de B. Betolucci, O céu que nos protege, baseado em romance de Paul Bowles (1910-1999). É um filme interessante, basta ver a primeira (ou uma das primeiras) fala do filme:

Turner: Somos os primeiros turistas desde a guerra.

Kit: Somos viajantes, não turistas.

Turner: Qual a diferença?

Port: O turista pensa em voltar para casa assim que chega.

Kit: E o viajante pode nem voltar.

Esse "pode nem voltar" é significativo, não só no filme, mas para todo viajante.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Jesus todo poderoso, ajude que hoje faça menos calor que ontem. Só isso, merci beaucoup.
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A luz que surgiu por trás da colina, este é o blog do pessoal, meu irmão é um deles, que está fazendo o documentário de que já falei aqui antes. Eu os encontrei no Chile, estavam filmando uma parte lá porque o Afonso, o personagem, vamos dizer assim, do documentário viveu lá durante um período. Aquele período até o golpe do Pinochet, claro. Agora estão na Alemanha que foi onde Afonso se exilou. Aí no blog cada um fala um pouco das cidades por onde têm passado, dos sentimentos, memória, pessoas que encontram, impressões.
"O nome Colina tem sentido metafórico no título do documentário, dando a idéia de trazer a luz por trás de algo que a esconde, mas na verdade é a sigla do Comando da Libertação Nacional, do qual Afonso Lana fez parte.O Colina foi a organização brasileira de esquerda que combateu o regime militar a partir de 1964, com o objetivo de instalar um estado de inspiração soviética no Brasil. "

domingo, 1 de março de 2009

Henri Cartier Bresson

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

o poema da sexta-feira

Marcha de quarta-feira de cinzas

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
 


Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.


E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade...


A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.


Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...


Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Santiago

Santiago
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De volta à vida normal, ou seja, Curitiba, aulas, preocupações. Santiago, Valparaíso, etc já começa a ser 'passado'. Tão rápido. Violaine, a francesa biônica, já toma hoje os rumos da Europa, volta para seu castelo em Villefranche de Conflent um vilarejo de pouco mais de 200 habitantes.
Comprei poucos livros no Chile: Vargas Llosa, Octavio Paz, Neruda (mais óbvio impossível), Gabriela Mistral (óbvio também), um livro de contos de vários autores e mais dois ou três para presente. Achei meio caro os livros por lá e não há tantas livrarias como em Buenos Aires. É verdade que não me sobrou muito tempo para explorar esse lado, pode ser que tenha alguma região mais interessante para livrarias e sebos. Estou lendo justamente o Vargas Llosa que comprei, comecei a leitura lá mesmo Travesuras de la Niña Mala. Confesso que não estou muito empolgada com esta leitura, mas vou continuar um pouco mais e depois comento aqui.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mário de Andrade

No dia 9 de outubro de 1893 nasceu Mário Raul de Moraes Andrade na cidade de São Paulo. E morreu também em São Paulo no dia 25 de fevereiro de 1945.

Na universidade eu tive que ler Mário de Andrade, claro, mas a professora de literatura brasileira era tão insuportável e preguiçosa que não devo a ela nada do que sei e do que apreendi de Mário de Andrade. E na verdade não foi muito, fiz as leituras que a maioria fez, Macunaíma, Amar, verbo intransitivo, Paulicéia Desvairada...acho que este último foi só na Letras mesmo. Eu reli o Prefácio interessantíssimo quando viva nos Estados Unidos, 2001, talvez. Encontrei o livro na biblioteca do meu bairro, em Atlanta. Achei interessante dar de cara com o livro ali tão longe de tudo, quer dizer, do Brasil, de Macunaíma, de Macabéia...Não, de Macabéia, na verdade a gente é meio Macabéia quando é imigrante.
E num dia 25 de fevereiro faleceu Mário de Andrade, um dos nossos melhores autores.
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Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar de uma vez:
E só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.
Mário de Andrade.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


Robert Doisneau
Paris

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O poema da sexta-feira

TIERRA CHILENA

Danzamos en tierra chilena,
más bella que Lía y Raquel;
la tierra que amasa a los hombres
de labios y pecho sin hiel...

La tierra más verde de huertos,
la tierra más rubia de mies,
la tierra más roja de viñas,
¡qué dulce que roza los pies!

Su polvo hizo nuestras mejillas,
su río hizo nuestro reír,
y besa los pies de la ronda
que la hace cual madre gemir.

Es bella, y por bella queremos
sus pastos de rondas albear;
es libre y por libre deseamos
su rostro de cantos bañar...

Mañana abriremos sus rocas,
la haremos viñedo y pomar;
mañana alzaremos sus pueblos;
¡hoy sólo queremos danzar!

Gabriela Mistral

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chile - Santiago

De volta a Santiago e a coisa mais incrível, vou encontrar meu irmao aqui. Tudo por acaso. A coincidência nao seria incrível se viajássemos os dois o tempo todo pelo mundo, mas nao é o caso. Voilâ, daqui a meia hora o encontro na Plaza de Armas. Ele está aqui por conta do filme no qual está trabalhando (documentário ). Daqui eles vao, se nao me engano, para a Alemanha e eu volto para Curitiba mesmo.
Está um calor dos diabos aqui em Santiago e minha cara amiga francesa desfila com um foulard em torno do pescoço, quanto mais calor melhor para ela. Cruzes!
Fomos a Valparaíso, Vina del Mar, Los Andes e regiao. Ela queria porque queria ir para o norte que, eu acredito, é maravilhoso, mas....mais de 15 horas de ônibus par um veni vidi vici. Non non non. Eu disse que ela podia ir só, eu a esperaria em Santiago, nao quis, ou estamos juntas ou nao estamos. Oh la la. Enfim, fomos negociando tudo, juro que estou fazendo muito esforco, hoje fomos cavalgar na regiao de Los Andes, coisa que eu só tinha feito quando crianca. Foi uma aventura e tanto para mim, nao gosto. Sei que é bobagem, mas nao me parece justo que o animal me transporte assim, coitado. Nao sou tao pesada, nao é isso, mas me parece uma coisa completamente desnecessária, já existe carro, afinal de contas. Nao sou o tipo de turista que se faz fotografar em cima de camelo, elefante, odeio, nunca vou fazer isso. Claro que cavalo é diferente, mas sei lá, o coitado nao escolheu e me dava pena. Deve ser pura bobagem isso, mas nao é para mim. E meu cavalo, Violaine quase morreu de rir, parava para observar, para comer uma graminha...."Leilá, seu cavalo já está parecendo com você". Nao, nao como grama, minhas paradas sao para o cafezinho.
Bo, agora vou encontrar mi hermano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Valparaiso

Continuo andando pelo chile com minha amiga francesa que parece uma máquina, anda anda anda, sobe escadas, desce escadas - e escadas e o que há em valparaiso- nao se cansa, nao precisa tomar água, nao precisa de banho, nao precisa dormir. Quase me mata, mas estou me divertindo, os primeiros dias foram mais difíceis, hoje consegui fazer com que ela diminuisse um pouquinho o ritmo, até nos sentamos 5 minutos na praia para conversar calmamente. ok, um pouquinho mais....e comemos num restaurante de verdade, como é bom, até agora estávamos vivendo de empanadas.

Mas explico parte da energia de minha amiga, ela é maratonista e além disso é guia num castelo no sul da frança, todos os dias sobe e desce, mais de uma vez, mais de oitocentos degraus e anda o dia inteiro pelo castelo. Vou visita la ainda este ano, mas ela prometeu que vai ser boazinha comigo.

Estamos neste hostel, caracol, muito bacana, mas o caminho para chegar aqui....oh la la, uma subida daquelas. Para as pessoas normais existe um elevador lá embaixo, nós só o usamos no dia da chegada por causa das malas.

Agora vou ler um pouco e descansar as pernas, assim que conseguir parar narro as aventuras com a mulher biônica.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Hopper

Office at night
E. Hopper
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O poema da sexta-feira

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

Mário Quintana

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Chile

Estamos com uma amiga francesa aqui, uma moça de 25 anos que veio trabalhar conosco no ano passado e este ano veio de visita por umas 3 semanas. Nessas 3 semanas queria fazer um montão de coisas, primeiro o sistema de transporte do Brasil mudou os planos dela. É caro e difícil viajar no Brasil....e olha que ela tem disposição para enfrentar os ônibus. A outra coisa que atrapalhou um pouco foi um bicho que a picou, o médico disse que pode ter sido uma aranha marron. Ficou mancando uns dois dias até que a convencemos que era melhor ver um médico, agora está melhorando, foi até para a ilha do Mel hoje cedinho.
Bom, ela se chama Violaine, disse que seu pai queria chamá-la Violeta (por causa de Violeta Parra), a mãe não concordou e conversando chegaram a Violaine. Então a família que sempre foi de esquerda tem assim um 'encantamento' pelo Chile. Sem poder sair muito esses dias, Violaine procurou e encontrou um bilhete por um preço razoável para Santiago e eu decidi ir com ela já que ela sai na sexta que é um dia em que não trabalho muito, durante a semana alguém vai me substituir. Não planejei nada e não vou ter muito tempo hoje. Violaine está planejando para nós duas, eu vou levar os guias e dar uma olhada durante a viagem. Nunca fui ao Chile, conheço mal a América do Sul, vai ser muito bom.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dali

The Businessman
Salvador Dali
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Poema da sexta-feira

Insomnia

The moon in the bureau mirror
looks out a million miles
(and perhaps with pride, at herself,
but she never, never smiles)
far and away beyond sleep, or
perhaps she's a daytime sleeper.

By the Universe deserted,
she'd tell it to go to hell,
and she'd find a body of water,
or a mirror, on which to dwell.
So wrap up care in a cobweb
and drop it down the well

into that world inverted
where left is always right,
where the shadows are really the body,
where we stay awake all night,
where the heavens are shallow as the sea
is now deep, and you love me.
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Elizabeth Bishop
(08/02/1911 - 06/10/1979)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Gomorra

O escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia após escrever o livro "Gomorra", afirma com resignação que sabe "muito bem" que cedo ou tarde pagará por ter contado em sua obra as atividades ilegais da Camorra napolitana.
"O que me mantém com vida, minha verdadeira proteção, é estar atento ao que acontece comigo e ao meu redor. Mas sei muito bem que um dia me farão pagar. Só é preciso saber como e quando", disse Saviano em entrevista que a emissora de TV "Euronews" exibirá amanhã.
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Eu vi no final do ano passado o filme baseado no livro de Roberto Saviano. Não conhecia o livro e também não tinha lido sobre o filme, estava em São Paulo já cansada de andar e de tomar chuva e decidi entrar num cinema que normalmente apresenta bons filmes (na Avenida Paulista, dentro de uma galeria, esqueci o nome).

No começo eu não estava entendendo nada do filme, é muito violento, bem pesado mesmo, como eu não tinha referências estava ali me perguntando que baderna era aquela, aquilo era filme, documentário, verdade, mentira...mas o filme é interessante nem que seja para uma tomada de consciência mesmo. Agora todo mundo está falando dele e o livro está aí nas prateleiras de todas as livrarias. O pobre do autor está numa situação parecida com a de Salman Rushdie há alguns anos. Um inferno.
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Essa semana assisti Kramer versus Kramer, um filme de 1979 que todo mundo já tinha visto exceto eu. Até pensei que já tivese visto também e esquecido, mas já nas primeiras cenas me dei conta que era a primeira vez mesmo. E como fui 'cinematograficamente' feliz até aqui sem ter visto este filme eu não entendo. Gostei muito muito muito, o garotinho do filme é a coisa mais linda. Tão triste ver o casal se separando, o cara sem se dar conta do que está acontecendo pelo envolvimento com o trabalho, a esposa com a mala na porta e ele ali achando que aquilo é só uma crise, uma tpm, continua a falar de sua promoção e ela apertando os botões do elevador. Às vezes ficamos cegos para o que está acontecendo em casa, não é só o homem. Isso me lembra Emily Dickinson:
"To live is so startling, it leaves little room for other occupations."
Não que ela estivesse falando de situações do gênero neste poema, quis dizer muito mais, mas ela me veio à cabeça.
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Lendo LES MANDARINS, Simone de Beauvoir.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Depois da Chuva

Vi ontem à noite este que eu imaginava um dos filmes de Kurosawa, não é exatamente dele, ele escreveu o roteiro baseado num conto do autor japonês Shugoro Yamamoto (não conheço, mas deve ser bom) e quem dirigiu foi Takashi Koizumi que trabalhava com Kurosawa. Eu achei lindo o filme.

É a história de Misawa, um samurai, desempregado, um homem talentosíssimo, mas com dificuldades para permanecer num emprego porque lhe falta alguma coisa, não se integra embora seja uma pessoa boa, generosa, humilde, talvez humilde demais para um samurai. Ele está com a esposa numa hospedaria esperando que a chuva passe para poder atravessar o rio e continuar na sua busca. Na mesma hospedaria se encontra um grupo muito pobre e que, com o estômago vazio e a chuva incessante, já começava a ter problemas de relacionamento. Misawa, com pena deles, inventa de preparar uma festa, ele tampouco tem dinheiro, mas tem a sua espada, ele vai a um castelo das redondezas e desafia os outros samurais, luta por dinheiro, isso não é nada bom para o currículo de um samurai, mas ele arrisca a reputação assim mesmo.

Num de seus passeios enquanto esperava as águas do rio baixarem, ele encontra um grupo lutando e impede um duelo. O senhor do castelo daquelas terras percebe a sua interferência e fica encantado com sua atuação. Este senhor estava justamente à procura de alguém que pudesse se ocupar do treino de seus empregados e oferece o posto ao samurai peregrino, ele fica muito contente, claro, estava à procura de um trabalho, mas logo desperta a inveja dos outros conselheiros do castelo e tudo vai de novo pro brejo, coitado.

É bem interessante a parte em que dois conselheiros do castelo vão até a hospedaria para dizer a Misawa que infelizmente ele não tinha sido aceito para o cargo porque descobriu-se que ele tinha lutado por dinheiro. Ele diz que era verdade, tinha mesmo feito isso, que era indigno (bem japonês). Sua mulher que estava ouvindo a conversa diz aos dois que ele tinha lutado para poder oferecer comida e um pouco de alegria a algumas pessoas simples. Ela acrescenta que, embora ele tivesse prometido nunca mais lutar por dinheiro, ela o liberava da promessa já que ele o fazia por razões nobres, mas, claro, os dois que estavam ali na frente dela, eram idiotas demais para entender isso.

A mensagem do filme, eu acho que há uma, não é assim tão sombria, o samurai finalmente atravessa o rio com sua digníssima e amorosa esposa, ela gostaria que ele se integrasse, que tivesse um bom trabalho, mas ao mesmo tempo tem orgulho do caráter dele e o aceita tal qual ele é. Ele se lava numa queda d’água no meio do caminho e diz à esposa que está bem, pronto para a próxima, para continuar tentando.
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Ame Agaru, JAP, 1999, Direção: Takashi Koizumi, Roteiro: Akira Kurosawa, Elenco: Akira Terao, Yoshiko Miyazaki, Shiro Mifune, Mieko Harada, Fumi Dan, Hisashi Igawa, Hidetaka Yoshioka, Tatsuya Nakadai, Duração: 91 min.

Van Gogh

Van Gogh
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sábado, 31 de janeiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O poema da sexta-feira

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Escritor John Updike morre aos 76 anos

John Updike, vencedor do prêmio Pulitzer, autor profícuo de cartas e crônicas sobre sexo, divórcio e outras aventuras do pós-guerra nos EUA, morreu nesta terça-feira aos 76 anos.

Na Folha de São Paulo.
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Acho que só li um livro de J. Updike, Brazil. O problema é que, pelo menos na época, eu não gostei nada deste livro, me parecia chato e cheio de clichês. Talvez eu esteja errada, eu estava começando a ler em inglês. Como não gostei deste livro, não tentei mais nada do autor, mas me lembro de ler entrevistas bem bacanas com ele. Eu devo ter escolhido o livro errado. Isso acontece.


domingo, 25 de janeiro de 2009

O Assassinato de um Presidente

O Assassinato de um Presidente (The Assassination of Richard Nixon, EUA/México, 2004)
Direção: Niels Mueller
Elenco: Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle, Jack Thompson
Duração: 96 minutos
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Vi ontem este filme, em DVD, claro. Tentei me lembrar de algum filme ruim que tivesse visto com Sean Penn, não consegui. Não digo que não exista, mas eu não conheço.

Gostei muito deste filme que conta a história de Samuel Joseph Byck, um cara atormentado, deprimido que planeja matar o presidente Nixon, não consegue, evidentemente. Este Samuel existiu mesmo, se quiser saber sobre ele siga o link acima.

Sam, como é chamado no filme, é representado por Sean Penn, esta cena com o cachorro é tristíssima "Pelo menos você gosta de mim, não é?". Ele é um cara difícil demais e problemático demais, desses de quem as pessoas saem correndo, a mulher, os filhos, até o irmão, ninguém o aguenta mais. O pior é que ele é 'gente boa', ele tenta, ele é honesto, mas não se enquadra no mundo, é muito desajustado e a vida já é difícil demais para todo mundo, ninguém quer um tipo tão difícil por perto.

E na sua confusão mental ele tem a ideia de 'matar o presidente'.
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Acabei de ler O Homem Duplicado. Não é meu livro preferido de Saramago, gosto bem mais de Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho sobre Jesus Cristo e Levantado do chão. Este último eu li faz muitos anos.
Em O Homem Duplicado seguimos a história de um professor de história, Tertuliano Máximo Afonso que um dia, vendo um filme, descobre que tem um sósia perfeito, mais do que um sósia, é o seu duplo. Essa descoberta muda completamente a vida de Tertuliano.
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Vi ainda outro filme (pois é, eu já sou caseira e continua a fazer frio em Curitiba, entonces...), O Prazer é todo meu, um filme francês (Tout le plaisir est pour moi), com uma atriz belga, Marie Gillain que faz o papel de Louise, uma linda garota de uns trinta anos, independente, alegre, falante e que gosta muito de sexo. Tudo vai muito bem até que um dia, sem mais nem porquê, ela perde a capacidade de sentir prazer sexual. Um drama que ela sai dividindo com todos, pai, mãe, irmã, namorado. Nem todos concordam que seja exatamente um drama, mas é assim que ela vê e manda o namorado às favas porque acha que ele não está dando a importância devida ao seu problema.
Bom, infelizmente o DVD que eu aluguei também tinha um problema bem no finalzinho, fiquei sem saber se Louise encontrou uma solução ou se descobriu a causa deste infeliz acontecimento. Vi que ela reencontra o namorado e que ele estava indo para o Canadá, eles conversaram, ela parecia feliz e o resto eu fiquei sem saber. Amanhã vou reclamar na locadora.
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E hoje vou assistir Desde que Otar partiu.

Virginia Woolf 25/01


Adeline Virginia Woolf
nasceu no dia
25 de janeiro de 1882.
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Monet

DEJEUNER
Monet
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O poema da sexta-feira

Nada, Esta Espuma

Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.

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Ana Cristina César

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O assunto de hoje é um só. A posse. Não há como ficar indiferente. Eu estou cansada de saber que ele não vai consertar o mundo, tem gente da extrema direita que critica os de esquerda deste modo 'vão ver, que ingenuidade, que burrice pensar que um homem só pode mudar tudo'. Estúpidas são as pessoas que imaginam que quem acredita e torce por uma pessoa como Obama é ingênua a esse ponto. As mesmas coisas se ouvia quando o Lula ganhou as eleições. Não foi uma revolução, mas sim uma eleição, numa sociedade democrática um presidente não decide só. Bem, eu fiquei feliz que tenham votado em alguém como Obama, de não ter que ver mais a cara do Bush. E pelo jeito não era só eu que estava cansada dele, ninguém fala mais dele desde que Obama venceu, ele deixou de ser presidente antes de acabar o mandato dele.
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Há outro assunto hoje, o A Igreja Renascer em Cristo que desabou na cabeça dos fiéis matando nove pessoas e deixando não sei quantos feridos. Eu não gosto de falar muito porque tenho que reconhecer que sou implicada com religião, não consigo entender, sobretudo igrejas como essas...enfim, não vou me espantar se amanhã mostrarem uma multidão de gente na frente da igreja rezando e agradecendo a Deus (o quê, não sei). Ainda por cima os dirigentes da igreja mentiram sobre uma reforma, está nesta matéria acima.
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domingo, 18 de janeiro de 2009

Hopper


Edward Hopper
Chop-Suey
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Poema da sexta-feira

L'Albatros

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.
À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.
Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!
Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

— Charles Baudelaire
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O Albatroz

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem
Pegam um albatoz, enorme ave marinha,
Que segue, companheiro indolente de viagem,
O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,
Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,
Deixa doridamente as grandes e alvas asas
Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!
Ave tão bela, como está cômica e feia!
Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,
Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura
Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;
Exilado no chão, em meio à corja impura,
A asa de gigante impedem-no de andar.

— Charles Baudelaire

Tradução de Guilherme de Almeida

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aprendendo sempre


Uma coisa boa dos últimos tempos é que estou aprendendo a cozinhar. Claro que sempre fritei uns ovos, mas não ia muito além. Descobri o óbvio, como todas as outras coisas, cozinhar requer prática, já fiz um monte de besteiras e ainda vou fazer. Hoje, por exemplo deixei que as lentilhas cozinhassem demais, tudo bem, podia tentar transformar numa sopa, mas começou a queimar também. Enfim, não vou me irritar, embora não seja a primeira vez que isso aconteça. Preciso ficar mais atenta. Sou muito distraída, na cozinha isso põe muita coisa a perder.

Não preparo carne de jeito nenhum, odeio pegar em carne crua, tenho que me virar com outras coisas, muito ovo para substituir, um hambúrguer de soja de vez em quando (que eu compro pronto, claro).

E cozinho só para mim, pelo menos por enquanto. É que aqui ninguém (meu marido e meu sobrinho) está interessado no que eu cozinho, arroz integral, lentilhas, couve, abobrinha? Saem torcendo o nariz. Por isso mesmo eu comecei a cozinhar. Como também muita salada de tomate com agrotóxico e tudo, fazer o quê? Adoro tomates, todos os tipos. Às vezes compro orgânico.

Pode parecer que não é nada essa minha conquista, mas é, lhes asseguro.

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Lendo O Homem Duplicado, Saramago. Percebi que no ano passado não li nenhum livro dele e decidi começar por este que está na estante há uns 3 anos ou mais.

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Vi há algumas semanas já o filme O homem que copiava, é de 2002, acho, mas eu nunca tinha visto. Quem viu já deve até ter esquecido do filme, mas é bem legal, me diverti. Acho que até agora só vi um filme com L. Ramos que não gostei, ò paí, ó. Achei uma chatice, não o ator, claro, história mesmo.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Henri Cartier Bresson.
Londres
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“Fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão”.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Amores Brutos


Uma vez lia uma revista sobre os filósofos gregos, não era uma revista de filosofia, uma revista qualquer (belga) que trazia uma matéria sobre o assunto, uma matéria enorme sobre as diferentes correntes. Só me ficou uma coisa daquela leitura, de acordo com um daqueles filósofos (pena que não consigo me lembrar qual), viver é estar exposto o tempo todo a acontecimentos terríveis, disso todo mundo sabe, a gente só não quer pensar nisso. Bom, na opinião dele a gente devia pensar sim, imaginar mesmo coisas terríveis acontecendo conosco, assim, quando elas acontecessem (mais cedo ou mais tarde vão acontecer) estaríamos mais preparados para enfrentá-los. Está meio confuso mas é mais ou menos isso.

Ontem revi o filme Amores Brutos e me lembrei da idéia deste filósofo. Uma modelo de lindas pernas está super feliz porque o amante decide finalmente deixar a esposa e filhas para viver com ela, estão comemorando quando ela percebe que falta o vinho, não se comemora sem vinho, ela sai por poucos minutos para comprar a bebida e sofre um acidente, o resultado é uma perna amputada.

E outras histórias tão trágicas quanto essa se entrelaçam, quase todo mundo já viu este filme.

Um dos personagens ganha dinheiro colocando o seu cachorro para brigar. Aquelas brigas que os homens promovem, só pelo dinheiro - e algum prazer, claro (não posso entender qual) são terríveis, nem conseguia acompanhar as cenas. Claro que há cenas mais terríveis do que cachorro morrendo, Gaza está aí, não estou comparando, só uma observação.

Eu me lembrei de uma entrevista com uma criança francesa (agora comparando) quando perguntado sobre as cenas mais terríveis que ela já tinha visto na tv ele responde que eram cenas de animais mortos. O entrevistador pergunta se as cenas de pessoas mortas não o chocavam, ele responde que essas não porque ele as via o tempo todo, estava habituado.

Documentário sobre os brasileiros da Bélgica

[Eu me lembro de ter encontrado Susana no consulado do Brasil há muitos anos, ela já estava pensando neste documentário. Pena que não pude ver, me interessa muito...Na Radio France Internationale tem uma entrevista com a Susana, gostei.]

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No programa desta semana, a brasileira Susana Rossberg, que mora na Bélgica há quarenta anos e é editora para filmes de cinema, fala de seu primeiro longa documentário – Brasileiros como Eu.

Depois de ter dirigido alguns documentários curtas de encomenda, uma ficção curta e alguns filmes industriais, Susana teve vontade de retratar a comunidade brasileira de Bruxelas, que hoje não conta mais apenas com exilados da ditadura, como Susana, mas com muita gente que partiu do Brasil em busca de uma vida melhor.

Mais informações sobre Brasileiros como Eu no site da produtora de Susana (em francês).

Também no programa desta semana, a gente vai ao Moçambique, onde terminou ontem um grande festival de documentários que tinha o Brasil como país homenageado. É o Dockanema onde, durante dez dias, o publico pôde ter acesso a quase oitenta filmes do mundo inteiro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Poema da sexta-feira

O desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

Camões

domingo, 4 de janeiro de 2009

Chuva de verão

Marguerite Duras por Robert Doisneau, 1955
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La Pluie d’été

Marguerite Duras (1914-1996)

Acabei de ler agora La Pluie d’été, um dos últimos livros escritos por Duras, foi publicado em 1990, depois dele veio L'amant de la Chine du nord que tenho aqui, mas ainda não li.

La Pluie d’été conta a história de uma família numerosa, a mãe é caucasiana, não se sabe exatamente de onde, o pai é italiano. O passado da mãe é bastante obscuro o que atormenta o marido. O casal tem sete filhos e vive de ajuda do governo, nenhum dos dois trabalha. A história se concentra no filho mais velho, Ernesto que se recusa a ir à escola por razões que ele não consegue explicar muito bem. Na verdade Ernesto é um gênio, aprende rápido demais e não consegue entender o sistema de ensino, prefere ficar atrás dos muros da escola escutando, assim que julga que aprendeu certa matéria passa para outro lugar, outro muro, outra escola.

Os pais, quando recebem o dinheiro do governo, vão para o centro da cidade beber, os filhos ficam sós e amedrontados, cabe a Ernesto cuidar de si e dos irmãos. Apesar de tudo a família é muito unida, nem que seja unida pelo medo. Ernesto ama sobretudo sua irmã Jeanne, ama a tal ponto que a relação termina incestuosa.

O gênio de Ernesto acaba chamando a atenção do professor da escola e depois de jornalistas.

A história se passa em Vitry, subúrbio de Paris.

Como disse em post anterior a história já havia sido filmada, a própria M. Duras escreveu e produziu o filme, LES ENFANTS. Eu nunca vi o filme, nem sei se é possível encontrar.

O livro foi traduzido para o português, Chuva de verão, editora Nova Fronteira. Não sei quem traduziu, vi o título em português no site da Estante Virtual, mas não havia o nome do tradutor.

O Silêncio de Lorna


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Este é novo filme dos irmãos Dardenne (Jean- Pierre e Luc), vi no final do ano e gostei muito. Lorna é uma garota albanesa que se casa com Claudy, um drogado, para obter a cidadania belga, Claudy se casa por dinheiro. O casamento é organizado por uma espécie de máfia, os organizadores pretendiam fazer com que Claudy morresse de overdose algum tempo depois de se casar, assim não só eles economizariam o dinheiro do divórcio mas também Lorna estaria livre mais rapidamente para se casar, desta vez, com um russo que quer também obter a cidadania. É bem triste o filme, Lorna é bem confusa e não tem a frieza necessária para o tipo de negócio. Acaba se envolvendo emocionalmente com Claudy e, ao invés de morrer de overdose ele se dispõe a deixar o vício. Não vou contar todo o filme aqui, caso estejam procurando por um filme engajado, triste, militante, mas muito bom, aí está. É bem o estilo dos outros filmes dos irmãos Dardenne: La Promesse, Rosetta, Le Fils....
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sábado, 3 de janeiro de 2009

La pluie d'été - Marguerite Duras


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Comecei a ler ontem este livro, La pluie d'été, de Marguerite Duras. Eu não o conhecia, meu cunhado me enviou de presente no final deste ano, junto com outros livros. É bem curto, 150 páginas e, Duras que era também cineasta, já tinha filmado (fez o cenário, produziu) a história antes. Aí nesta entrevista ela explica porque resolveu, algum tempo depois, escrever a história, mas a entrevista está em francês, claro. Ela diz que escreveu a história porque o filme 'nunca' é suficiente para ela. Ah, ela escreveu o livro depois de sair de um coma de quase um ano.

O título do filme é Les Enfants.

Vou ler mais um pouco do livro e depois escrevo sobre ele. Já passei da página 70 graças à chuva que caiu quase o dia todo aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O poema da sexta-feira


ROMANCE SONÁMBULO





Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.
Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.
-Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los puertos de Cabra.
-Si yo pudiera, mocito,
ese trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
-Compadre, quiero morir,
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
-Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
-Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas,
¡dejadme subir!. dejadme
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.
Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal
herían la madrugada.
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.
-¡Compadre! ¿Dónde está, dime?
¿Dónde está tu niña amarga?
¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, pelo negro,
en esta verde baranda!
Sobre el rostro del aljibe
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en al puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.
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Federico García Lorca

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

J.D. Salinger chega aos 90 anos sem escrever há mais de 40



Washington, 30 dez (EFE).- Jerome D. Salinger, um dos escritores mais influentes dos Estados Unidos, completa 90 anos nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2009, imerso na reclusão pela qual optou desde o início de sua carreira, e sem publicar um trabalho há quatro décadas.


"Amo escrever", disse Salinger em 1974, em uma de suas raras entrevistas, ao jornal "The New York Times". "Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer".


Este desdém pela publicidade e a obstinada defesa de sua vida privada, tão afastada do culto à exibição atual, rodearam Salinger de um "mistério" que a imprensa retratou em diversos artigos.


Salinger já tinha 32 anos de idade quando estreou em 1951, com "O Apanhador no Campo de Centeio", uma história de um adolescente rebelde e suas experiências quixotescas em Nova York, que elevou o escritor ao topo da cena literária.


Sua descrição da alienação do protagonista, Holden Caufield, e da perda de inocência dos adolescentes e sua passagem para vida adulta, provou sua resistência com o passar dos anos: até hoje são vendidos anualmente cerca de 250 mil exemplares.


A primeira edição do romance, que causou polêmica pela liberdade com a qual o autor descrevia a sexualidade e a rebeldia adolescente, pode ser encontrada no eBay a preços que superam US$ 1.300.


Salinger não publica um trabalho literário com sua assinatura desde o romance "Hapworth 16, 1924" em junho de 1965. E não concede entrevistas desde 1980.


O autor, filho de um judeu importador de queijos kosher e de uma escocesa-irlandesa que se converteu ao judaísmo, cresceu em um apartamento da Park Avenue, em Manhattan, estudou durante três anos na Academia Militar de Valley Forge e em 1939, pouco antes de ser enviado à guerra, estudou contos na Universidade de Columbia.


Em relação a outros escritores, Salinger classificou Ernest Hemingway (1899-1961), que conheceu em Paris, e John Steinbeck (1902-1968) como de segunda categoria, mas expressou sua admiração por Herman Melville (1819-1891).


Em 1945, Salinger casou-se com uma médica francesa chamada Sylvia, de quem se divorciou e, em 1955, casou-se com Claire Douglas, união que também terminou em divórcio em 1967, quando se acentuou a reclusão do escritor em seu mundo privado e seu interesse pelo budismo zen.


Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como "Story", "Saturday Evening Post", "Esquire" e "The New Yorker" na década de 1940, e o primeiro romance "O Apanhador no Campo de Centeio" transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.


A fama, no entanto, provocou em Salinger a aversão à vida pública, a rejeição à entrevistas e à invasão de sua vida privada que se mantém até hoje.


Em 1953, ele publicou uma coleção de contos "Nove Histórias"; em 1961 outro romance, "Franny & Zooey", e em 1963 uma coleção de pequenos romances "Raise High The Roof Beam, Carpenters And Seymour: an Introduction".


Durante os anos 80, o escritor esteve envolvido em uma prolongada batalha legal com o escritor Ian Hamilton que, para a publicação de uma biografia, usou material epistolar escrito por Salinger.


Uma década depois, a atenção midiática que tanto evitava voltou a pousar sobre o autor, devido à publicação de dois livros de memórias escritas por duas pessoas próximas a ele: sua ex-amante Joyce Maynard e sua filha Margaret Salinger.


Yahoo Notícias.


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"I love to write. But I write just for myself and my own pleasure," Salinger told a New York Times correspondent in 1974, in a telephone interview. "There is a marvelous peace in not publishing."


Aqui.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Poema da sexta-feira





Silence

My father used to say,

"Superior people never make long visits,

have to be shown Longfellow's grave

nor the glass flowers at Harvard.

Self reliant like the cat --

that takes its prey to privacy,

the mouse's limp tail hanging like a shoelace from its mouth --

they sometimes enjoy solitude,

and can be robbed of speech

by speech which has delighted them.

The deepest feeling always shows itself in silence;

not in silence, but restraint.

"Nor was he insincere in saying, "`Make my house your inn'."

Inns are not residences.


Marianne Moore

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fanatismo e estupidez - Rubem Fonseca

Tive uma empregada que possuía oito irmãos e quatro irmãs, todos, por sua vez, com muitos filhos. Ela – vamos chamá-la de Sonia – já tinha três filhos, e o pai deles os havia abandonado. O mesmo ocorrera com os pais dos filhos de suas irmãs. Uma história comum, quase um chavão, que nem merece ser contada.
Sonia cuidava sozinha das crianças. Mas teve a sorte de trabalhar, durante algum tempo, na casa de uma médica da prefeitura, que, preocupada com a situação de Sonia, prevendo que ela certamente continuaria a ter filhos que seriam abandonados pelos pais, propôs a ela que fizesse a ligadura das trompas no hospital onde trabalhava. A médica, porém, obrigou Sonia a prometer que não diria a ninguém que sofrera aquele tipo de intervenção no hospital de sua patroa, pois esta poderia ser demitida, já que era terminantemente proibido fazer esse tipo de intervenção em hospitais públicos. Para todos os efeitos, a médica estaria cuidando de uma infecção urinária de Sonia.
É muito raro uma pessoa pobre ter tanta sorte. A filha de Sonia, de treze anos, não teve. Ficou grávida e, sem dinheiro para fazer um aborto numa clínica com médicos obstetras competentes, entregou-se a um desses carniceiros, que, apressado (eles têm muitas clientes esperando na fila), usando processos sem a menor higiene, deixou a filha de Sonia gravemente enferma. Ela foi internada num hospital público com infecção generalizada, falecendo após um mês. Isso não foi notícia de jornal, é algo muito banal para sair nas folhas. Como também os jornais não deram destaque ao fato de que em 2007 o Ministério da Saúde gastou dezenas e dezenas de milhões de reais com a internação de mulheres que abortaram clandestinamente sem recursos, como a filha da Sonia. Não existe, todavia, uma estatística – e se existe, é secreta – sobre o número de mulheres hospitalizadas e mortas em conseqüência de um aborto clandestino.
Isso acontece cada vez mais. Aumenta o número de mulheres (pobres, já que as ricas podem pagar por um aborto seguro) que morrem ou ficam com seqüelas doentias para o resto da vida devido a esse tipo de aborto ilegal. A mulher pobre que quer abortar neste país corre severos riscos de vida. A criminalização do aborto é resultante do fanatismo mais estúpido. A criminalização, além de iníqua (mais uma das injustiças, das violências e das opressões que a mulher tem enfrentado historicamente) é também anti-econômica. A criminalização do aborto é algo tão cretino que hoje existe apenas em países atrasados, como o nosso, a maioria na America Latina.
Mesmo assim, calcula-se que 20 milhões de abortos são realizados por ano nesses países onde esta prática é restringida ou proibida por lei. E milhões dessas mulheres sofrem danos irreparáveis para sua saúde ao realizar abortos praticados em condições extremamente precárias. O Código Penal brasileiro (e afirmo isso como ex-advogado criminalista que fui, durante algum tempo) está cheio de artigos ultrapassados, todavia o mais perverso de todos é esse que submete à pena criminal uma mulher que pratica o aborto.
O economista americano Steven Levitt fez um estudo, baseado em estatísticas e pesquisas de várias naturezas, no qual comprovou que com a descriminalização do aborto no Estados Unidos o índice de criminalidade em geral, naquele país, caiu drasticamente. As razões são óbvias. Essa conclusão não foi até hoje refutada.
A mulher carente, que se sente incapaz de ter um filho e criá-lo, tem que ter o direito de decidir se quer ou não fazer um aborto. Que deveria ser realizado em hospital público, com todos os recursos médicos.
Sei que não é fácil conseguir isso num país onde alegam que a pílula do dia seguinte é um atentado à vida – uma grosseira mentira, pois essa pílula impede a fecundação e nenhum feto "morre", o único prejudicado é o espermatozóide mais veloz, que perdeu sua chance de se aninhar num óvulo.
Este país está ficando cada vez mais triste. E os três dias de Carnaval são um devaneio extravagante e idiota, como na peça de Shakespeare – cheio de som e fúria, significando Nada.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Francesa que contaminou marido com Aids é condenada a cinco anos de prisão

[Não é a primeira vez que alguém é condenado por isso na França. Acabei de ler também na Folha que na Malásia, alguns estados pelo menos, estão exigindo teste de AIDS para muçulmanos que vão se casar, muitas mulheres estavam sendo contamidas depois do casamento.]
da France Press

A Justiça da França condenou nesta quarta-feira a cinco anos de prisão com direito a sursis (suspensão condicional da pena), uma mulher acusada de ter deliberadamente transmitido o vírus da Aids a seu marido.
Christelle Grard, 39, podia ser condenada a 15 anos de prisão. O ex-marido, Vincent Thellier, 36, prestou queixa em 2002. "Christelle Grard manteve relações sexuais sem camisinha com Thellier, com quem ia se casar. Ela sabia que era portadora do vírus da Aids desde 1991, e escondeu deliberadamente sua doença", declarou a procuradora-geral do Tribunal de Orleans, Jocelyne Amouroux.
Christelle e Vincent se conheceram em 1995 e se casaram em abril de 1997, depois de terem tido um filho. O marido, militar, afirmou ter descoberto que estava com Aids em agosto de 1997, depois de voltar de uma missão nos Camarões.
O filho do casal, hoje com 11 anos, não foi infectado pela doença. Christelle Grard, que pesa 35 kg, diz ter sido contaminada durante uma transfusão de sangue.

Folha de São Paulo 03/12/2008

O Poema da sexta-feira

BOM-DIA, CÃO

Avisto na rua um cão
Digo-lhe: como vais, cão?
Pensa que me responde?
Não? Pois bem, mas ele responde-me
E isso não é da sua conta
Agora quando se vêem pessoas
Que passam sem sequer reparar nos cães
Sentimos vergonha pelos seus pais
E pelos pais dos seus pais
Porque uma tão má educação
É coisa que requer pelo menos... e não estou a ser generoso
Três gerações, com uma sífilis hereditária
Mas, para não vexar ninguém, devo acrescentar
Que um número considerável de cães não falam com muita freqüência

Boris VIAN (1920-1959)
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Bonjour, chien

J'avise un chien dans la rue
Je lui dis: comment vas-tu, chien ?
Croyez-vous qu'il me répondrait ? Non ?
Eh bien il me répond quand même
Et ça ne vous regarde pas
Alors quand on voit des gens
Qui passent sans même remarquer les chiens
On a honte pour leurs parents
Et pour les parents de leurs parents
Parce qu'une si mauvaise éducation
Ça demande au moins...et je ne suis pas généreux
Trois générations, avec une syphilis héréditaire
Mais j'ajoute pour ne vexer personne
Que bon nombre de chiens ne parlent pas souvent.

Boris VIAN (1920-1959)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Luz que Surgiu por Trás da Colina

A Luz que Surgiu por Trás da Colina é um documentário no qual meu irmão está trabalhando, eu acho muito interessante. A equipe fez um blog que está muito bacana. Visitem.
"Escavar o passado e retirar as camadas da história, enfim, percorrer os caminhos traçados por Afonso Lana [Ciro], arquétipo de nossa luta, professor do curso de artes visuais da UFU [universidade federal de Uberlândia], mestre em literatura e ex-líder de uma das facções de resistência armada à ditadura militar."
direção: carlos segundoass.
direção: chico de assis
produtor: clovis cunha
dir. de fotografia: alderico lucas
produção local: edinardo lucas
pesquisa: ana maria said
fotografia still: paulo brasil
produção: rascunho digital
apoio: vertical filmes, sivolc
production e etcétera mídias

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Poema da sexta-feira




Se eu não estiver viva

na volta dos passarinhos,

dê ao de gravata rubra

lembranças minhas de alpiste.

Se eu não disser obrigada,

por estar adormecida,

saiba que fiz o que pude

com meus lábios de granito.




Emily Dickinson



Tradução Paulo Mendes Campos.

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Emily Dickinson nasceu no dia 10 de dezembro de 1830.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livros

Estou me sentindo tão cansada esta semana que revolvi tomar vitamina c e descansar quando posso. Já estava cansada, com muita dor nas pernas e ainda por cima não consegui dormir de domingo para segunda, a segunda foi, claro, catastrófica. Mas acho que já estou melhorando e que até o final desta tarde volto ao 'normal'. O tempo também mudou, estava bastante fresco e ontem começou a fazer calor, foi meio brusco.
....
ATONEMENT (respondendo ao comentário da Sônia).

Sônia, ainda estou na página centoealgumacoisa, só agora comecei a mergulhar na história, estou adorando e louca para terminar e ver o filme. Assim que terminar 'conversamos' melhor sobre ele. Puxa, mas você é mesmo uma leitora voraz, quase tudo o que 'estou lendo' você 'já leu'. Muito bem, madame. Esqueci também de falar do seu comentário sobre O Morro dos Ventos Uivantes...Eu concordo com você, é mesmo impressionante o fato de uma moça naquelas circunstâncias ter escrito tal livro. Li que na época algumas pessoas acreditavam que tivesse sido escrito por um homem.

O comentário da Sônia:

"Entre as coisas que me assombram nesse livro uma é o fato de uma mulher solteira (solteira no sèculo XIX), criada num local ermo por um pai severo, com pouquíssimos contatos com o mundo, pôde descrever tamanha paixão. Paixão para além da vida, que une Catherine e Heathcliff. É uma obra gótica, que permanece sempre à beira do kitch e do dramalhão, mas jamais resvala. (ou resvala e é belíssima assim mesmo?) Já sentiu, né, minha paixão absoluta pelo livro."

...

Ganhei, já de presente de natal, a edição/tradução nova de Os Irmãos Karamázov, da editora 34. Li que a tradução está excelente e não consegui resistir, não comprei, mas estava claro que eu adoraria recebê-la de presente. Quando vou ter coragem de enfrentar aqueles dois volumes? Não sei.
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imagem: Henri Matisse.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Garotas fogem de casa para escapar de circuncisão no Quênia

Folha de São Paulo, 05/12/2008

da BBC Brasil

Pelo menos 300 meninas no sul do Quênia fugiram de suas casas e buscaram refúgio em igrejas para tentar escapar de rituais de mutilação genital feminina, de acordo com a polícia queniana.

Fontes policiais da Província de Nyanza disseram à BBC que meninas de até nove anos de idade estão refugiadas nas duas igrejas, que funcionam como centros de apoio às meninas na região.

A mutilação genital feminina, ou circuncisão, é proibida no Quênia, mas continua sendo praticada em áreas rurais do país, onde é considerada um rito de passagem para a vida adulta.

Os rituais acontecem geralmente entre novembro e dezembro.

Tradição

A polícia vem protegendo as duas igrejas para impedir que as garotas sejam removidas.

Segundo a integrante do governo local e ativista em defesa dos direitos das mulheres, Beatrice Robi, cerca de 200 meninas vêm sendo circuncisadas por dia, inclusive uma de sete anos de idade teve seus órgãos genitais mutilados.

"Um número ainda maior de garotas, que estão em suas casas, estão sendo mutiladas, seja voluntariamente ou à força", disse ela.

O administrador do distrito de Kuria, Paul Wanjama, disse que, geralmente, as meninas fogem de casa nesta época, esperando o fim da temporada.

"Alguns dos pais são contra (a mutilação) mas são pressionados pelos tradicionalistas", disse ele.

Números

Perda do prazer sexual, infecções urinárias, relações sexuais dolorosas e infertilidade estão entre as conseqüências da mutilação para a saúde das mulheres, sem contar uma série de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

A prática é justificada como forma de promover a virgindade, a fertilidade e prevenir a promiscuidade feminina.

A cada ano, cerca de 2 milhões de mulheres são vítimas de algum tipo de mutilação genital em todo o mundo, a maioria na África.

Estima-se que cerca de 130 milhões de mulheres vivam com o clitóris e os lábios vaginais parcialmente ou totalmente removidos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Phone Sex Operators

Vi este ensaio fotográfico na Mother Jones, quem quiser ver as outras fotos e testemunho basta clicar aí. É bastante interessante. Conheci uma vez na Alemanha um brasileiro que fez este trabalho por uns tempos, assim que ele chegou na Alemanha e não tinha ainda trabalho fixo. O engraçado é que esse rapaz trabalhava como se fosse mulher, ele tinha uma voz bastante feminina. Disse que enquanto falava ia limpando a casa, descascando batatas...
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My name is Ray. I've been having phone sex off and on for 14 years.
I was 19 when I started to embrace my sexy self.
I see myself as a love doctor, or even a psychiatrist. I am a Venus or goddess of love.
I create a sense of community for my regulars, including the closeted & married bi or gay men.
I try to heal the wounds that our closed-minded society inflicts. It may sound weird, but it's true. We as people should learn to talk and listen to our neighbors and share our inner light.
I wish the world was run by phone sex operators.

O poema da sexta-feira



Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

Florbela Espanca

Florbela morreu em 08 de dezembro de 1930, dia em que completaria 36 anos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

é assim que é

O irmão da minha aluna foi para a França, ela pediu que ele trouxesse para ela um CD da Patricia Kaas, chegando lá ele já não se lembrava mais do nome e comprou o mais óbvio, Carla Bruni. Minha aluna odiou, achou chato e disse que não vê nada nela, nem mesmo a acha bonita. Bom, ganhei o disco novo da Carla Bruni, não morro de amores por ela, sobretudo depois que se casou com 'aquela coisa', mas acho ela bonita sim e até gosto de sua voz. Eu acho que ela tem um jeito meio falso mesmo, mas é verdade que impliquei depois do casamento.
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Lendo ATONEMENT, Ian McEwan. Não pretendia ler agora, mas temos aqui na escola um clube de leitura e no mês passado apareceu um rapaz muito interesante (um leitor interessante) e falou de tal modo do livro que pus ele na frente de outros. Ainda não vi o filme, vou terminar o livro primeiro.
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No trabalho algumas chateações, mas logo passa. Queria passar pelo menos 3 dias tranquila, lendo, escutando música. Saudades dos tempos em que eu tinha tempo.
Não coloquei trema em tranquila para já ir me adaptando à nova regra: "Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Love for All



Adorei esta propaganda, copiei do Síndrome de Estocolmo.