quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira

Fui ver o filme assim que começou no Brasil, não no primeiro dia, no segundo ou terceiro...Tinha muita gente no cinema. Será que continua com muito público? Não tive tempo de ler as notícias nestes últimos dias.
Eu já tinha lido o livro há uns bons anos e estava bastante curiosa com relação ao filme, acompanhei o blog do Fernando Meirelles, as entrevistas com Saramago, o festival de Cannes. Eu gostei do filme, filme e livro são coisas diferentes, é inútil ficar comparando o tempo todo. O livro é mais impressionante na violência, nas sensações ligadas à cegueira, o personagem interpretado por Gael G. Bernal me parece bem pior no livro. No filme há um certo humor, aparentemente criado pelo próprio ator, que abranda a figura. Mas faz realmente muito tempo que li o livro.
O filme vale a pena, o próprio Saramago disse ter gostado muito.
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No mais minha vida tem sido trabalho, alguns episódios de Lost e alguma leitura, O Morro dos Ventos Uivantes que inventei de ler em inglês. Vamos ver no que vai dar.
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"... for what is not connected with her to me? and what does not recall her? I cannot look down to this floor, but her features are shaped in the flags! In every cloud, in every tree—filling the air at night, and caught by glimpses in every object by day—I am surrounded with her image! The most ordinary faces of men and women—my own features—mock me with a resemblance. The entire world is a dreadful collection of memoranda that she did exist, and that I have lost her!"

Wuthering Heights,
Emily Brontë,
Chapter 33 ("I am surrounded with her image!")

sexta-feira, 12 de setembro de 2008


Parece que vai chover...
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Acabei de ler Beleza e tristeza, Kawabata.
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Preciso de óculos novos, vou lá agora escolher. Agora! (É uma ordem)
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And I wish I knew how
It would feel to be free
I wish that I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that Id like to say
Say em loud say em clear
(...)
I wish I could be like a bird up in the sky

How sweet it would be
If I found out I could fly

Nina Simone, I wish I knew how it would feel to be free

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um artista do mundo flutuante

Kazuo Ishiguro nasceu no Japão, Nagasaki, em 1954, em 1960 a família se mudou para a Inglaterra. Ele é o autor de Vestígio do dia, suponho que seja seu livro mais conhecido pois deu origem ao filme com Anthony Hopkins, Emma Thompson. Um belo filme, por sinal, quando o vi não conhecia nada do autor do livro, não imaginava que fosse alguém de origem japonesa.

Em Um artista do mundo flutuante o tema é o país natal de Kazuo Ishiguro, os dilemas do país logo após a segunda guerra, a influência ocidental, ou americanização. O Japão saía de um nacionalismo radical, impossível evitar o conflito de gerações. Os mais jovens culpam os mais velhos por tudo o que tiveram que passar, sentem-se enganados. O artista, no caso, é um pintor famoso que acreditou e apoio a onda nacionalista. Alguns japoneses de sua geração encontraram no suicídio uma forma de reparar o engano, Masuji Ono, o velho pintor, prefere viver e rever os seus conceitos. Muita dessa análise é feita através do convívio com o neto de oito anos, por causa da sinceridade própria das crianças, ele faz as perguntas de forma direta, conta o que ouviu em casa, quer saber a razão das coisas, por exemplo, se o avô tinha sido um pintor famoso onde estão agora as suas pinturas? Algumas influências dos americanos também são vistas através do neto. Um dia ele está brincando de Zorro e o avô não entende nada, finalmente a mãe explica que o seu marido pensa que o herói ocidental pode ser uma melhor influência para as crianças japonesas do que Musashi. Acho que isso ilustra bem o início e a importância dessa transformação.

A expressão Mundo flutuante parece ser bastante comum na língua japonesa, designa as ‘coisas impermanentes’, efêmeras. Não sei muito mais sobre ela, talvez a importância seja bem maior que isso, há um estilo de gravura Ukiyo-e que também está relacionado a esta palavra. Se alguém souber mais me ensine, pois achei interessante.

sábado, 6 de setembro de 2008

o guerreiro sem cabeça


A faxineira da escola queria jogar fora um guerreiro chinês que temos aqui, perguntei indignada o porquê e ela disse que é porque ele não tinha cabeça. E não tem mesmo, nas inúmeras mudanças a cabeça dele se separou do corpo, guardamos, tentamos colar e um dia a encontramos dentro da boca do cachorro, tiramos e colocamos em algum lugar para tentar colocar depois, não sei onde anda agora. Assim temos um guerreiro sem cabeça, mas é uma peça que quero guardar, foi um presente, além do mais.

O guerreiro, claro, não é nenhuma obra de arte, é cópia da cópia da cópia....mas, ainda assim fiquei divagando, decerto fosse essa faxineira trabalhar no Louvre ela ia querer jogar fora a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia...
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Exército americano terá taxa de suicídios recorde em 2008

Folha de São Paulo

da France Presse, em Washington

O Exército americano está prestes a quebrar o recorde de suicídios militares do ano passado, e pela primeira vez desde a guerra do Vietnã pode superar o índice de suicídios civis dos Estados Unidos, informaram funcionários militares nesta quinta-feira.

Ao todo, 93 soldados se suicidaram este ano, quase somando os 115 suicídios de 2007, maior índice anual já registrado pelo Exército.

"Faltando quatro meses para terminar o ano, certamente ultrapassaremos os 115, afirmou o coronel Eddie Stephens, vice-diretor da política de recursos humanos.

Neste ritmo, o Exército superará o índice de suicídios entre a população civil de 19,5% de 2005, último dado compilado pelo centro de Controle de Doenças, segundo os funcionários.

Ainda de acordo com as fontes militares, a última vez que o índice de suicídios do Exército superou o de civis foi no final dos anos 60 e no início dos 70, quando os Estados Unidos estavam em guerra no Vietnã.

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Eu sei que tem gente que pensa que eles deviam mais é se matar mesmo, quem mandou ir para o Iraque em nome de Bush e seus interesses. Eu não penso assim porque, infelizmente na hora H todos temos nossas fraquezas, limitações, burrices, interesses....pode ser chamado de um mundo de coisas. O exército americano seduz, seduz sobretudo os mais pobres e sem perspectivas, alguns são uns coitados que esperam que se alistar pode lhes trazer um futuro diferente. Bom, às vezes traz, mas é um 'diferente' bem mais trágico do que o que eles tinham em mente. O que alguns queriam é poder ir para uma universidade sem ter que pagar aqueles valores exorbitantes, por exemplo. O que encontraram foi uma guerra sem sentido (existe guerra com sentido? Digo, além do econômico?)

Enfim, é fácil julgar, difícil é responder com honestidade o que faríamos no lugar deles.

domingo, 31 de agosto de 2008

O Clube de Leitura de Jane Austen

Ontem fazia um frio medonho aqui em Curitiba e não encontramos nada melhor para fazer do que ver filmes. Dois, um em seguida do outro, o primeiro foi esse O Clube de Leitura de Jane Austen que eu sequer conhecia, logo, não tinha nenhuma expectativa. Grudei no aquecedor e dali saí muito pouco durante os dois filmes. O outro foi.....como é mesmo o nome? I ♥ Huckabees. Gostei dos dois, meu sobrinho escolheu.

Eu li muito pouco Jane Austen, quem conhece melhor a autora decerto vai curtir mais ainda o filme, mas também não é absolutamente necessário. O filme é bem leve, na verdade, mas era disso mesmo que eu estava precisando ontem.

Durante a semana terminei a leitura do livro Um artista do Mundo Flutuante, de Kazuo Ishiguro. Vou tentar escrever um pouco sobre ele em outro post. É o primeiro livro que leio do autor. Adorei este título.

E assim lá se foi mais uma semana. Ah, uma coisa boa aconteceu, li um pouco de poesia. Fazia tempo que eu não parava para esse tipo de leitura, só isso já valeu a semana. Na empolgação perguntei a um aluno particular se ele gostava de poesia, ele fez uma cara enojada e eu fiquei pensando que, se uma pessoa não estiver aberta ao gênero um poema pode soar a coisa mais ridícula do mundo. Imagine se eu tivesse inventado de trabalhar uma poesia com ele. Na verdade eu tinha inventado sim, mas mudei de idéia diante daquela cara e passei logo para outra atividade. Vida de professor nem sempre é fácil.


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Semana

Vi este filme há algumas semanas...acho que não falei dele aqui, ou falei? O livro eu ainda não li. O filme é muito muito estranho, um dos mais estranhos que já vi na vida. Drogas, alucinações de um escritor, complôs, monstros, mundos paralelos, processo de escrita, loucura. É muito maluco e talvez eu devesse ver de novo, não deixa de ser interessante. Parece que o livro é ainda mais estranho, uma espécie de experimento, com frases retiradas daqui e dali e coladas no meio da história....não deve ser nada fácil de ler.
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A semana transcorreu...bem, transcorreu. Não vi nada das Olimpíadas, não tenho tv, mas sei que já acabou e que o Brasil não teve as medalhas que esperava. Sei que os chineses colocaram uma garota bonitinha fingindo que cantava enquanto uma feinha (eu não a acheia feinha) cantava de verdade na abertura, sei que uma das atletas chineses tem cara de 12 anos e estão investigando para ver se ela tem mesmo 16. Acho que é tudo o que sei. Não conheço os atletas brasileiros...e muito menos os outros.
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Li, durante a semana, LE HORLA, um livro bem pequeninho de Guy de Maupassant. É bem diferente de tudo o que já tinha lido de Maupassant antes, é uma história meio fantástica, um homem está no hospício e conta para a equipe médica como veio parar ali, que era um homem normal, mas uma 'coisa' que ela denominou Le Horla tinha tomado conta de seu corpo. Dizem que o próprio autor já estava sendo atacado por uma crise de loucura , a mãe era depressiva, o irmão ficou louco e ele ainda tinha a sífilis para complicar o quadro.
Comprei este e vários outros livros de autores franceses no final de semana passado na FNAC, estava bem barato.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

BIENAL

Do blog do Santiago Nazarian:

Mas voltando à Bienal...

Achei um horror. Fiquei deprimido. A proposta em si já é bem discutível. Deveria afastar qualquer um que gosta realmente de ler. É grande demais, abafado demais, barulhento, não há um espaço para ver livros com calma, sentar, ler, é um mercadão interessado apenas na venda. E, como bem disse a Índigo, não há grandes descontos. Fui lá ontem e achei tudo tão feio, tudo tão decadente, tão longe do que eu acho que a literatura deve ser. (Fábio, que estava comigo, diz que eu achei decadente porque me acostumei a trabalhar no Fashion Week. Pode ser...).
Lá, me senti um daqueles tiozinhos que pára gente na rua perguntando: "Olá, jovem, gosta de poesia?"

"Devo dizer também que, apesar da Bienal ser patrocinada pela Volkswagen, e apesar de termos sido convidados a debater no Espaço Volkswagen (e acabarmos com uma enorme kombi colorida atrás), a Volkswagen mesmo não ofereceu cachê algum, nem ao menos ofereceu transporte. A gente faz de graça mesmo - por amor à literatura - uma propaganda da marca, ainda que o público que vá assistir PAGUE para entrar na Bienal. Faz sentido?"

Santiago Nazarian

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Bonjour Tristesse

É este o livro que estou lendo agora. Não tinha lido nada de Françoise Sagan antes, apesar de todos os meus anos de estudo de francês. Na verdade acho que as universidades ainda correm dela, não tenho nada contra nem a favor, estou nas primeiras páginas do primeiro livro e, mesmo quando chegar na última, não sei se quero julgar. Não sou crítica literária, dieu merci! Nem eu confiaria no meu julgamento, há autores, sobretudo brasileiros contemporâneos, pra lá de consagrados, com uma 'manada' de jabuti seguindo, que eu não aprecio nem um pouco. Suponho que seja uma questão de gosto pessoal.

Bonjour Tristesse foi escrito e publicado em 1954, sagan tinha 18 aninhos e um best seller queimando nas mãos. Um sucesso e dizem, um livro meio escandaloso para a época.

Gosto do título, Bonjour Tristesse, que foi tirado de um poema de Paul Éluard. Acho este título feliz, digo, foi uma escolha feliz. Soa bem, chama a atenção, é elegante.

O Poema:

Adieu tristesse
Bonjour tristesse
Tu es inscrite dans les lignes du plafond
Tu es inscrite dans les yeux que j'aime
Tu n'es pas tout à fait la misère
Car les lèvres les plus pauvres te dénoncent
Par un sourire
Bonjour tristesse
Amour des corps aimables
Puissance de l'amour
Dont l'amabilité surgit
Comme un monstre sans corps
Tête désappointée
Tristesse beau visage.

Paul Éluard, La vie immédiate
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Outra coisa que me levou, finalmente, a ler o livro são as inúmeras referências a ele, por exemplo jack kerouac, J. Grecco. Se a gente prestar atenção é um título que persegue. Outra razão ainda, parece que é um livro fácil de trabalhar com os alunos. Ah, mais uma razão, o livro é bem pequeno, umas 200 páginas nessa edição de Poche. Então, copiando mais ou menos Borges, se não for bom, tem a vantagem de ser curto.

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"Sur ce sentiment inconnu dont l'ennui, la douceur m'obsèdent, j'hésite à apposer le nom, le beau nom grave de tristesse. C'est un sentiment si complet, si égoïste que j'en ai presque honte alors que la tristesse m'a toujours paru honorable. Je ne la connaissais pas, elle, mais l'ennui, le regret, plus rarement le remords. Aujourd'hui, quelque chose se replie sur moi comme une soie, énervante et douce, et me sépare des autres." (Bonjour tristesse)
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PS: Esta edição tem exatamente 154 páginas, já terminei a leitura. Não é um livro que marca, não dá para colocar em nenhuma lista dos 100 mais. É um livro leve, para leitura rápida mesmo, despretensioso. E, como eu previa, é bom para se trabalhar nas aulas de francês. Vou propor a leitura a meus alunos.

sábado, 9 de agosto de 2008


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QUE FRIO!!!
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Quase terminando a leitura de OS PREMIOS, Cortazar.

Alguém deixou esta citação no comentário:
"essa terceira mão que às vezes se insinua fulminante num momento de poesia, numa pincelada, num suicídio, numa santidade, e que o prestígio e a fama mutilam imediatamente e substituem por vistosas razões, essa tarefa de quebrador de pedras leproso que chamam explicar e fundamentar. Ah, em algum bolso invisível sinto que se fecha e se abre a terceira mão, com ela quereria acariciar-te, formosa noite, esfolar docemente os nomes e as datas que estão tapando pouco a pouco o sol, o sol que uma vez adoeceu no Egito até ficar cego e precisou de um deus que o curasse." (Pérsio, a terceira mão de Cortázar)

domingo, 3 de agosto de 2008

Conrad



Jozef Teodor Konrad Korzeniovski, ou Joseph Conrad, um dos meus escritores favoritos, faleceu num 03 de agosto.

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E em outro 03 de agosto nascí eu. Bem podia ser uma reencarnação dele.
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Cena do filme Lord Jim baseado em obra de Conrad:

quarta-feira, 30 de julho de 2008

ortorexia

Descobri hoje que isso aí é uma doença, nunca tinha ouvido falar:

Quando a alimentação natural vira obsessão

Você já se atrasou para algum compromisso por ficar analisando os percentuais de gordura de algum alimento? Deu uma de chata enchendo garçons de perguntas sobre os ingredientes dos pratos do cardápio? Conhece mais o rótulo de alguns produtos do que sua mãe as músicas do Roberto Carlos? Cuidado! A obsessão pelo consumo de alimentos saudáveis é um distúrbio chamado ortorexia nervosa.

Continua aqui.

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Eu não sabia que isso era doença, pensei que fosse só chatice de algumas pessoas. Trabalhei com uma que era insuportável, fazia a gente se sentir um verme só porque tinha comido um pão de queijo ou um chocolate. Agora, se ela aparecer de novo vou dar o diagnóstico, 'Minha senhora, sinto anunciar, você é uma ortoréxica, me deixa em paz com meus pães de queijo.'
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Estou vendo preços de passagens aéreas no Brasil, preciso ir a Minas. Tenho vontade de chorar na frente do computador, como os preços podem variar desta maneira? Falei, no post abaixo, que ia viajar menos de avião (no caso, era uma tentativa de ser ecologicamente correta)...vou viajar menos mesmo, mas a razão é menos nobre, é o bolso. Li uma reportagem na Caros Amigos mostrando como os pobres poluem menos, andam mais, não podem consumir tanto. Vamos lá, quando estiver na estrada vou me concentrar nisso, mais tempo de leitura, reflexão, música...


sábado, 26 de julho de 2008

Semana

Acabei de chegar do cinema, fui ver este filme: O escafandro e a borboleta. Muito bom, recomendo. É a história de Jean-Dominique Bauby, um homem que tinha tudo, como ele mesmo diz, não conhecia a derrota até sofrer um derrame e tornar-se prisioneiro do próprio corpo. Bauby era um jornalista famoso, editor da revista da Elle. Depois do acidente cardio vascular aos 40 ou 41 anos, ele só consegue se comunicar piscando os olhos, é assim que ele escreve um livro sobre sua vida, o livro dá origem a este filme tão intenso e bonito.
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Renovei minha carteira de motorista que estava vencida há alguns meses, uns sete, talvez (?) isso mostra o quanto gosto de dirigir. Na verdade, o 'dirigir' em si não me incomoda, o problema é que tenho um péssimo sentido de orientação e me isso estressa muito quando estou ao volante, prefiro me perder a pé, tomar um taxi, ônibus, metrô, perguntar, qualquer coisa. Quando vivia em Atlanta tive, por algum tempo, um carro com GPS, era o meu melhor amigo daqueles tempos.

Pensei seriamente em nunca mais renovar esta carteira, há ainda outro fator, a poluição, o trânsito infernal do Brasil e a falta de educação dos motoristas em geral. Há carros demais nas ruas e eu não quero contribuir com isto, é claro que significa abrir mão de algum conforto, mas eu quero mesmo abandonar o carro, quero pensar e analisar muito antes de tomar um avião, quero apagar mais as luzes, quero usar menos a máquina de secar, o secador. Quer dizer, fazer algo mais do que separar o lixo que não sei para onde vai.

E por que renovei a maldita carteira? Primeiro porque tenho medo de algum caso de urgência, levar alguém da família correndo para o hospital, coisa que já me aconteceu antes. A outra razão foi essa 'lei seca', é melhor ter um motoristaa mais, just in case. São duas coisas que não me interessam muito, bebida e carro/direção. Dizem que a lei já está diminuindo muito o número de acidentes, se estiver, ótimo, mas será que o que está diminuindo não é o controle intenso? Se for o controle daqui a pouco tudo volta a ser como dantes no país de abrantes...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ana Cristina César


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Minha boca também
está seca
deste ar seco do planalto
bebemos litros d'água
Brasília está tombada
iluminada
como o mundo real
pouso a mão no teu peito
mapa de navegação
desta varanda
hoje sou eu que
estou te livrando
da verdade

te livrando

castillo de alusiones
forest of mirrors

anjo
que extermina
a dor

..

Ana Cristina César

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Para Dani no 'Planalto Central'.

Zorba, o grego

Acabei de ver o filme Zorba, o grego. Tenho o livro há muitos anos, mas nunca o li. Muitos anos mesmo...eu ainda me lembro como o livro veio parar nas minhas mãos. Quando eu era adolescente uma vizinha se mudou e não pode levar tudo, ficaram alguns livros e, com a permissão dela eu fui lá na casa vazia, ao lado da nossa e escolhi os livros que queria. Eram livros bons, li alguns pelo menos. Zorba, naquela época, era só uma marca de cueca. Alguns anos depois ouvi muito o nome do autor, Nikos Kazantzakis, por causa do filme A última tentação de Cristo. Mas o livro não ficou lá paradão enfeitando a estante, meu irmão o leu e, na verdade, é na casa do meus pais que o livro continua...eu disse 'tenho' acima, mas foi pro forma.

O filme é muito bonito, bem antigo, 1964 (ou algo em torno disso). O que me marcou foi a amizade entre os dois homens em princípio tão diferentes, um camponês grego, o Zorba, e um inglês tímido e bundão. Zorba é, pelo menos no filme, pode ser graças à atuação de Anthony Quinn, um personagem meio poético, cheio de vida, de alegria. A cena mais bonita acho que é a última, quando o inglês pede a Zorba que o ensine a dançar. A cena mais terrível é quando uma senhora francesa (antiga prostituta?) morre e as pessoas do vilarejo, mal ela tinha dado o último suspiro, invadem a casa dela e pegam tudo. A francesa não tinha família e tudo ficaria para o estado, as velhas de preto, parecem urubus avançado...um horror.

Este é o elenco: Anthony Quinn, Alan Bates, Irene Papas, Lila Kedrova, Sotiris Moustaka, Anna Kyriakou, Eleni Anousaki, Yargo Voyagis, Takis Emmanuel e Giorgios Fondas.
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Agora vou acabar de ler I Married a Communist, Philip Roth.

quarta-feira, 16 de julho de 2008


Bruges, Grand Place, verão 2004, quando meu irmão foi, finalmente, conhecer a Europa.
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Alguém chegou a este blog procurando por: "Feliz aniversario na língua belgica". É verdade que a Bélgica é um país complicado 'linguisticamente', mas não existe tal língua. Essa pessoa não vai voltar aqui para verificar a resposta e, se deu uma olhada na apresentação do blog, já entendeu quais línguas são faladas neste país. Mas é verdade que já me perguntaram se eu falava 'belga'.

Uma vez, nos Estados Unidos, eu fui ao médico com uma dor de cabeça diabólica e ele no maior blá blá blá, o famoso small talk americano. Num dado momento ele ficou confuso, eu disse a ele, para encurtar a conversa, que era professora de português e ele: "quer dizer que você nasceu no Brasil MAS numa família de língua portuguesa?" Eu estava realmente com muita dor de cabeça de modo que respondi simplesmente: "yes". Ele, se estivesse muito interessado, que procurasse depois no google, wikipedia, hoje é muito fácil se informar. E não adianta dizer que os americanos são 'burros' como muita gente diz aqui no Brasil, os brasileiros (de um modo geral, claro) tampouco entendem de geografia, línguas. Sim, até mesmo gente mais educada, ou melhor, gente que já passou por uma universidade. Lembram da história da minha prima com MBA e tudo que não sabia quem era Oscar Niemeyer? Escrevi aqui. Ela não é a única.
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sábado, 12 de julho de 2008

Filmes franceses

Saí da toca e fui ver um filme na cinemateca. Faz parte da Mostra de cinema francês contemporâneo. Eu vivo perdendo estas coisas, desta vez fiquei mais animada por causa da Violaine, a estagiária francesa que está aqui e por causa de uma aluna que dentro de um mês estará na França como au pair e por isso anda farejando tudo que seja francês, uma imersão. Vi um filme ontem e um hoje. Ontem foi Le petit Lieutenant e hoje foi À tout de suite com Isild le Besco (na foto). Filmes pouco conhecidos, mas muito bons. Quem disse que precisa ser conhecido para ser bom, não é?
Entrada franca e filmes interessantes. Não posso reclamar.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Visitas partindo aos poucos. E vai ser estranho ter a casa quase vazia. Quase, alguns ainda ficam até agosto, não em casa, viajando pelo Brasil. Nem tento mais entender os roteiros e as datas deles.

Eu tive uma tpm (na verdade antes durante e um pouco depois)das 'brabas', ainda está passando. Isto é, eu espero que seja só tpm. Sendo assim, passa.

Revi uma amiga que só vejo, quando muito, uma vez por ano. Au revoir, see you, até o ano que vem. C'est la vie!

Ah, e pela primeira vez na vida atravessei aquela 25 de março. Achei um inferno, mas não deixa de ser interessante. Minha amiga que nasceu e cresceu em São Paulo, mas está fora há bastante tempo estava completamente deslocada, amendrontada...achei engraçado. Acho que me acostumei um pouco com os mercados e as bagunças da Ásia e encaro a experiência com tranquilidade, mas prefiro não ter que passar ali todos os dias. Não entrei em nenhuma loja, só passamospelos camelôs mesmo, também não paramos para comprar, nosso destino era o mercado municipal. E não comi o famosa pastel de bacalhau nem o sanduíche com 3 kgs de mortadela. Era sábado e havia uma fila imensa para o pastel, não sou louca por bacalhau, não enfrentaria aquela fila por essa experiência gastronômica e muito menos pela mortadela. O cunhado da minha amiga ficou indignado quando soube que fui lá e não passei por isso. Não, eu preferi um caldo verde no restaurante do português, já me esqueci o nome.

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Psicanalista francesa lota tenda da Flip ao falar de perversão, no Oriente-se.
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imagem: flying crane fan, Lisa Danielle

domingo, 6 de julho de 2008

Neil Gaiman

"Me sinto como um jogador de futebol no Brasil", diz Neil Gaiman

GUSTAVO MARTINS
Repórter de UOL Diversão e Arte, em Paraty
Rogerio Cassimiro/Folha Imagem
Um dos autores mais assediados, Neil Gaiman participou de entrevista coletiva na tarde de sexta-feira
VEJA A PROGRAMAÇÃO DAS MESAS DA FLIP
ALMOÇO COM O PRÍNCIPE D. JOÃO
NEIL GAIMAN SE ENCANTA PELO CURUPIRA
O premiado autor de "Sandman", Neil Gaiman, disse em entrevista coletiva na Flip 2008 que às vezes se sente "como um jogador de futebol" no Brasil, tamanha a afeição demonstrada pelos fãs de seu trabalho no país. Como exemplos, ele citou a vez em que autografou para 1.250 pessoas na Fnac de São Paulo, em 2002, e uma palestra em 1996 na qual teve que ser retirado por seguranças após fãs invadirem o palco ("a única vez que isso aconteceu na minha vida", disse Gaiman).
Segundo o autor, que além da série de quadrinhos "Sandman" é conhecido por roteiros de cinema ("Beowulf", "Stardust"), livros adultos ("Deuses Americanos", "Os Filhos de Anansi") e infantis ("The Wolves in the Walls"), sua admiração pelos brasileiros é recíproca: "O Brasil foi o primeiro país depois dos Estados Unidos a publicar edições de 'Sandman', em 1989, e eram edições maravilhosas, eu tenho os pôsteres delas até hoje no meu banheiro. Foi um ótimo começo de relação", afirmou.

Neil Gaiman participa da mesa "A Mão e a Luva" este sábado, às 11h45, ao lado do escritor norte-americano Richard Price.

Continua aqui

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Cansada, chateada e com vontade de descansar de uma péssima semana, mas não, vou viajar. Ok, poderia ser uma maneira de descansar, não é? Acho que estou mesmo perdendo o gosto pelas viagens, penso em viajar já me dá preguiça, uma vontade de ver filmes, ficar na cama lendo um livro. E nem se trata realmente de 'uma viagem', vou a São Paulo para um fim de semana e volto. Ai, que preguiça! Grita logo o Macunaíma dentro de mim.

A semana foi assim, alguns amigos nossos que têm uma farmácia de manipulação foram roubados duas vezes só na última sexta-feira (umas cinco este ano). Passei lá na sexta à tarde e estava todo mundo ocupado com arrumações. É uma família japonesa, trabalham praticamente todos juntos. Fiquei morrendo de pena daquela situação, uma ainda chocada porque tinha passado uma boa parte da tarde trancada no banheiro com o técnico que tinha vindo arrumar o computador quebrado no roubo da madrugada. Eu sei que parece mentira...Na verdade, a hipótese da família é a de que podia se tratar dos mesmos ladrões que tinham destruído todo o sistema de alarme de madrugada e decidiram que seria fácil levar mais umas coisinhas à tarde. Tudo é possível, mas o pior mesmo aconteceu depois. Na segunda de manhã recebo um telefonema do rapaz nosso amigo dizendo que o pai, 58 anos, tinha morrido em consequência de um ataque cardíaco. É triste, mas é assim. Não tinha nenhum problema grave de saúde e, voilà. Uma desgraça para a família, inconsoláveis.
É muito triste um enterro, é tudo muito triste.

"Não alimente os escritores"

PLÍNIO FRAGA - Folha de S.Paulo Opinião 02/07/2008

RIO DE JANEIRO - No Brasil, o equivalente a 77 milhões de pessoas dizem não gostar de ler, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada em maio pelo Instituto Pró-Livro. As principais razões para aqueles não-habituados à leitura: lêem muito devagar (17%); não têm paciência para ler (11%); não compreendem o que lêem (7%); não têm concentração para ler (7%). O brasileiro que lê, em média, conclui 4,7 livros e compra 1,2 exemplar a cada ano.Se a genialidade é 10% inspiração e 90% transpiração, a leitura deve ser 90% instrução e 10% transpiração, entendendo que as dificuldades apontadas pelos não-leitores vêm do sistema de ensino.Hoje começa a sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Paraty se inspira em festas literárias como a realizada em Hay-on-Wye, na Inglaterra, talvez a mais celebrada do mundo, cuja edição deste ano se encerrou no mês passado. Celebrada e pouco conhecida. Quando Arthur Miller foi convidado para Hay-on-Wye, perguntou: "É um sanduíche?" Neste ano, os ingleses ouviram, por exemplo, Jimmy Carter, Salman Rushdie e Martin Amis -os dois últimos passaram pela Flip, que recebe Tom Stoppard, David Sedaris e Richard Price, entre outros.Haverá os que apontarão como crítica à Flip o domínio das editoras ou o domínio das paulistas entre elas; haverá os que dirão que nos anos anteriores os palestrantes foram mais bem escolhidos; os que reclamarão de convidados decadentes, de debates sem sentido, de restaurantes e hotéis sem infra-estrutura. E haverá os que vestirão em Paraty a camiseta-campanha contra a exploração sexual: "Não alimente os escritores". Mesmo que válidas algumas dessas restrições, a Flip ainda será um flerte sorridente com o livro num país de banguelas.

terça-feira, 1 de julho de 2008

sábado, 28 de junho de 2008

Lendo

Estou lendo este Kitchen de Banana Yoshimoto, uma das minhas visitas trouxe ontem dos Estados Unidos, comprou na Amazon (encomenda minha) por 1 ou 2 dólares mais o correio. É muito barato. Minha irmã também me trouxe alguns livros pelos quais pagou dois euros...

Eu já tinha lido um livro de Yoshimoto em francês, Dur Dur, duas novelas bem curtas, gostei bastante na época, dos japoneses modernos foi a única que me deu vontade de conhecer melhor. Kitchen é uma leitura bem fácil, conta a história de uma moça que supera as perdas, (morte dos pais, da avó com quem vivia e outras ainda) se refugiando na cozinha. Ainda estou na página 50, vou agora para o meu quarto tentar ler mais umas 30....estou com uma m. de uma dor de cabeça, só para variar um pouco, mas acho que vou conseguir ler. Não estou morrendo e já tomei uns comprimidinhos.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Dias


E os dias correm...

Passou por aqui, por menos de uma semana, minha irmã com o Dani, meu sobrinho de um ano e dois meses. É muito lindo, a família toda concorda, mas mais importante é um garoto esperto com energia para dar e vender, parece que está ligado na tomada e de um segundo para o outro, pluf, dorme. É muito engraçado. Já faz um bom tempo que não convivo com crianças, tinha me esquecido o trabalho que é, não para mim, claro, mas para as mães. Não sei como fazem, honestamente, está aí um trabalho que admiro. Será que eu conseguiria ser mãe? Não sei, tenho muitas dúvidas.
Enfim, minha irmã se foi, quer dizer, não voltou para a Bélgica, foi para Minas encontrar o resto da família, mas já está chegando mais gente aqui no meu 'hotel particular', dois americanos. Uma já estava aqui, faz duas ou três semanas, assim como a estagiária francesa bem humorada. Esta última tem me ajudado muito no trabalho, tanto com idéias quanto com os alunos, é bem nova, 24 anos, meio 'avoada', mas bem tranquila, fácil de conviver e prestativa. Tudo isso é importante quando temos que conviver com alguém que não conhecemos. Se por falta de sorte eu recebo um chato e exigente a coisa vai mal. Tenho tido muita sorte.
Bem, já sei que está uma confusão total isso aqui, sentei para refrescar a cabeça e ordenar um pouco as coisas, andei 'estressadinha' esses dias e hoje o blog está servindo como terapia.

Bom fim de semana.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Um conto meu na revista Maria Joaquina

imagem: La petite étagère, Christian Choisy
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Viagem

Eu olhava, da janela, a paisagem, quadros se faziam e se desfaziam. Um eterno café com pão, há quantas horas estava já eu dentro deste trem? Sebastião dormia, conseguiu dormir. Na minha frente, um moleque branco, de olhos mansos. Tão raquítico e coitado que lhe ofereci um pão de queijo, um dos pães de queijo que a mãe de Sebastião preparara para a nossa viagem. O menino olhou para a cara da mãe esperando o sinal de autorização, balançou a cabeça que sim, obrigado. Um cachorro corria com o trem, língua pra fora, passou por nosso vagão sorrindo. Sorrindo, um cão? A viagem era demorada e cansativa, por que decidimos fazê-la de trem se aqui ninguém mais viaja assim? Idéia de Sebastião. Queria experimentar e agora dormia. Experimentar antes que se acabe definitivamente, disse e contente entrou no trem, muito cedo, eu e ele com os pães de queijo, as mochilas e os olhos cansados, mal dormidos. Tudo era estranho olhado deste trem, o lá de fora e o aqui de dentro, as pessoas e as coisas. Um jeito de passado, Sebastião dormia e perdia. Numa estação paramos, entraram pessoas, ciganos, muitos ciganos barulhentos com crianças, mulheres de muitas saias, dentes de ouro. Um dos ciganos, cara de poucos amigos, carregava um gongo, o gongo bateu na lateral da locomotiva e nenhum passageiro arriscou um pio. Blum, blum. Sebastião acordou assustado, disse quê isso? Nem respondi, o cigano olhou para ele desafiador. Quer pão de queijo, Tião? Perguntei para mudar a rota dos pensamentos. Sebastião não quis. Quer outro? Perguntei ao menino. Não queria, tampouco, o cigano e o seu gongo mudara todo o ritmo. Peguei uma de minhas revistas e folheei, folheei sem vontade, olhei de novo para fora e nada tinha mudado, só o cachorro tinha ficado para trás. Vivia em algum daqueles sítios? Por certo.

No trem, pouca coisa acontecia além do barulho dos ciganos, suas risadas, um ajeitar de lenços na cabeça, só o do gongo continuava quieto, respondia a uma ou outro pergunta dos outros. Seria o chefe? Cigano tem chefe? Sebastião deu uma volta pelo trem, esticou-se, voltou a sentar e logo dormia de novo. Eu na contemplação. Mata, casinhas, cachorros, riachos, montes, crianças abanando as mãozinhas.....mais uma parada. O menino e a mãe ficavam ali, timidamente me disseram adeus. Ele a sorrir, pesaroso. Os ciganos se juntaram no fundo do vagão onde agora havia lugar para todos eles.

Tantas horas já. Tantas horas ainda. Era um viajar monótono, era um pensar. Viajar. Pensar. Revirei minha mochila em busca do livro, Noites do sertão, combinava. Mas eu ia conseguir ler nesse ‘virgem Maria que foi isso maquinista?’ E o trem parou mais uma vez, os ciganos desceram fazendo uma algazarra, como de propósito, o cigano do gongo fez novo barulho. Só eu e Sebastião continuávamos nessa viagem. Isso me deu uma estranha sensação, um medo. Se assim fosse, se não parássemos nunca de passar por esses lugares, nada mudasse, tudo se repetisse ad infinitum, se isso fosse uma condenação? Acordei Sebastião e ele me garantiu que em quarenta minutos, não mais. Jura? Eu não fico mais neste trem, não mais que quarenta minutos. Que bobagem, disse Sebastião e voltou a dormir. Sentou-se, na minha frente, um moleque branco, de olhos mansos. Tão raquítico e coitado que lhe ofereci um pão de queijo. Ele olhou para a mãe.

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Revista Maria Joaquina

segunda-feira, 16 de junho de 2008

frio.....


Faz um frio dos infernos esta manhã em Curitiba...e eu tive que me levantar de madrugada, às 8. Estamos com outra estagiária francesa (ah, não é mau humorada, muito pelo contrário. Não que as francesas o sejam, é uma referência a outro post), espero que ela não pense que isto seja o Brasil. Ontem fui com ela ao mercado/feira, o tempo estava ótimo, nem frio nem quente, agora esta catástrofe. Depois fomos ao Museu do Olho (MON), algumas exposições eu já tinha visto porque não faz muito tempo visitei com Pam, a americana que veio fazer inseminação artificial. Devo ter falado dela por aqui também.
O que eu vi de novo no museu foi uma exposição Anni e Joseph Albers - Viagens pela América Latina. Havia sobretudo trabalhos deles sobre o México que foi o país mais visitado por eles, Violaine, a francesa, adorou pois viveu no México por um ano e, muito provavelmente, vai voltar para lá para viver com o namorado mexicano.
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Mas que idéia maravilhosa:

Estudiosa defende a preguiça como estratégia de resistência

"A atual compulsão por trabalho criou pessoas sem consciência da própria existência. E isso não é saudável, nem no ambiente corporativo, nem no lar, de maneira geral. Isso atrapalha o trabalho em si", diz Scarlett Marton.

sábado, 14 de junho de 2008

Marie Trintignant - Kozmic Blues

Este Janis and John foi o último filme que vi com Marie Trintignant. Quando o filme saiu ela já estava morta e talvez eu tenha sido influenciada por isso, mas o fato é que gostei muito do filme e do papel dela. No começo ela é uma dona de casa tímida e sem graça e no final...bem, aí uma cena dela fazendo Janis Joplin.
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Marie Trintignant - Kozmic Blues
Time keeps movin’ on,
Friends they turn away.
I keep movin’ on
But I never found out why...

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não creio em bruxas, mas...

[Este meu conto está no Portal Literal deste mês. Já foi publicado aqui há muito tempo. Já deu para perceber que não tenho nada novo, não?]

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Lorena, com seu rosto de uma brancura alabastrina, nariz minúsculo e olhos que lembravam dois lagos plácidos comoveu-me à primeira mirada. Sou do tempo em que, para se descrever uma mulher, não temíamos os clichês. Casamo-nos depois de muito verbo, muitos presentes, muita amolação dos meus filhos que não queriam ver a herança escorrendo para mãos alheias. Um dia chego em casa ansioso por beijar minha doce Lorena e a encontro com Letícia, bebendo e rindo. ‘Minha melhor amiga’, disse ao apresentá-la. Semanas seguidas, ao chegar, tinha que fazer face àquela irritante presença. Insisti com Lorena para que fizéssemos uma viagem, ela recusou, não só recusou como explicou que ela e Letícia iam viajar juntas para uma convenção de bruxas, sim, que eu acreditasse, eram bruxas, eu podia esquecer tudo aquilo que conhecia sobre velhas de dentes pretos e nariz cheio de verrugas. Fez até uns truquezinhos para provar. Esperneei, aquilo já era abuso, ela ameaçou anular o casamento e eu cedi porque, apesar de todas as estranhezas, não queria arriscar-me a perdê-la. Por mais de um mês estiveram a viajar, meus filhos aproveitaram o tempo para aporrinhar-me, tratando-me como um velho gagá que tinha abandonado por completo o bom senso. Mas não era o meu senso que os preocupava.

Chegaram as bruxas, sim, chegaram, no plural. Encontrei-as dormindo na sala, livros jogados aqui e ali. ‘E então?’ Resmunguei alto com o claro intuito de acordá-las. Abriram os olhos se espreguiçando como duas gatas, disseram que estavam estudando bruxarias e caíram no sono....Olhei para as capas: Anaïs Nin, Virginia Woolf? Nunca me ocorreu que tivessem sido bruxas. Riram a mais não poder da minha observação e nem se deram o trabalho de explicar a bizarrice. Maldito o dia em que sucumbi, em que olhei para aqueles olhos, estava mesmo senil. Suspirei desanimado e sentei-me no sofá na frente delas. Comovidas pela minha resignação, vieram as duas, sentaram-se cada uma de um lado, passaram as mãos na minha cabeça e perguntaram, com uma doçura que me espantou, se eu estava bem e se desculparam pela risada sem propósito. Vocês são mesmo bruxas? Perguntei. Somos umas bruxinhas amadoras. Foi Letícia que respondeu, com uma voz brincalhona. Olhei para ela e só então percebi como era bonito o seu sorriso. Você vai morar aqui, Letícia? É um convite? Foi sua resposta. Era certo que eu estava perdendo a cabeça. Correu para a cozinha dizendo que ia preparar um banquete para comemorarmos, e preparou mesmo, fazia tempo que eu não comia e bebia tão bem. Preparam ainda meu banho, minha cama, contaram-me histórias até eu dormir, mas, quando acordei, não era em minha cama que Lorena estava. Levantei cedo e lá vieram as duas dar-me bom dia com beijinhos de filhas comportadas, agradecendo por eu ter ‘deixado’ Letícia morar conosco.

Agora nossos dias correm tranqüilos, adequei-me a esse estilo. É faltar uma delas em casa e já fico confuso.

Bruxas? Não acredito.
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Leila Silva Terlinchamp

quinta-feira, 12 de junho de 2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ganesha e eu e o mau humor

Kuala Lumpur, Batu Caves
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Uma das minhas fotos da Ásia que eu já devo ter postado por aqui.
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Hoje está um dia assim, um saco e nem sei o porquê. Tomara que seja um mau humor passageiro, mau humor que dura ninguém merece, que o diga os pobres coitados que precisam conviver comigo. É triste. Quem sabe eu não devia rezar para o Ganesha aí, com essa cara engraçada dele deve ser um deus bom para espantar mau humor. Lembrei-me de um dia, em Singapura, em que fui com um amigo a um templo da religião dele (esqueci qual, eram tantas diferentes). Eu entrei, antes eu tirei os sapatos, claro, e fiquei sentada no chão com as pernas cruzadas esperando o meu amigo terminar as orações dele. Passado um tempo veio alguém me dizer que eu não podia ficar ali, eu não entendi a razão, mas disse 'ok' e fui esperar meu amigo fora do templo, aí o cara veio me explicar que não estava pedindo para eu sair do templo, eu só não podia ficar ali onde estava. Parece que eu tinha escolhido exatamente o lugar que não podia, o meio do templo. Jamais entendi. Sempre achei difícil entender as nuances das religiões, ou melhor, dos ritos e regras.

Essa semana chega outra estagiária francesa, tomara que não seja mau humorada....cruzes!

terça-feira, 10 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

BENJAMIN

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Lendo BENJAMIN, Chico Buarque.
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sábado, 7 de junho de 2008

Caminante, no hay camino

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
Antonio Machado

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Convite para uma decapitação

Invitation to a Beheading

Vladimir Nabokov

Vladimir Vladimirovich Nabokov nasceu em São Petersburg em 22 de abril de 1899 e morreu na Suíça em 1977. Escreveu em russo e em inglês. Dele ainda tenho aqui na fila Pnin e Fogo Pálido e já li, claro, Lolita.

Invitation to a beheading foi traduzido em Portugal como Convite para uma decapitação (Vladimir Nabokov, Convite para uma decapitação, Assírio & Alvim, Fevereiro de 2006, 217 pp. Tradução do inglês por Carlos Leite), pesquisando na internet não achei nada sobre ele no Brasil, mas não procurei muito.

Nem pretendo resumir aqui a história deste livro, seria muito difícil e insensato. A trama: Cincinnatus C foi condenado à decapitação pelo crime de ‘torpeza gnóstica’(“gnostical turpitude”) e cabe ao leitor deduzir o que vem a ser isso. Parece que torpeza gnóstica é ‘ser diferente’, é não poder ou não querer ver o mundo como os demais. O pobre condenado não consegue nem mesmo entender a natureza do crime e não há ninguém com quem possa dialogar ou tentar qualquer comunicação por mais básica que seja. Cicinnatus C. espera o cumprimento da sentença, temeroso, ansioso, ninguém quer lhe informar a data marcada para a decapitação, os personagens que o cercam são surreais e ele prefere passar seu tempo, o que lhe resta, a ler e a escrever. A parte do escrever é bastante interessante e já ia me esquecendo dela, (faz meses que terminei a leitura e não arrumava coragem para as anotações). Sempre que vai começar a anotar alguma coisa o personagem se pergunta se realmente vale a pena, dali a dois minutos podiam vir buscá-lo para a execução e de nada adiantaria ter começado. E não buscavam, então ele pensava, ‘bem que eu podia ter começado a escrever’.

É um desses livros que a gente não consegue largar, mas é bastante difícil falar dele, por isso adiei tanto. Sei lá, acho que é uma história para ser lida mesmo ou é incompetência minha. Tem livros assim que adoro, mas que na hora de comentar não sai muita coisa. Um deles, por exemplo, é Mrs Dalloway.

Vou mudar radicalmente de viés e vou dizer como foi o meu primeiro contato com este Invitation to a beheading. Isso é curioso, isto é, os caminhos que nos levam aos livros. Neste caso (e em muitos) é outro livro, Reading Lolita em Tehran, a autora, uma professora de literatura, fala deste Nabokov desde a primeira página do seu livro e volta a ele muitas e muitas vezes, eu, claro, fui ficando muito curiosa a respeito e o li na primeira oportunidade. Uma das citações que me deixou muito intrigada pela bizarrice da cena é a que diz que o prisioneiro tinha o direito de dançar com o guarda da prisão desde que o guarda consentisse. E eles dançam.



domingo, 1 de junho de 2008

Amélie Poulain

Vi de novo Amélie Poulain esta semana e acho que gostei até mais do que da primeira vez. Talvez seja porque agora estou longe da Europa e foi bom rever Paris assim num filme tão bonito e colorido. A maioria das pessos gosta de Amélie, alguns adoram, poucos detestam, por isso é um filme bom para se trabalhar com alunos de francês. Audrey Tatou está com umas caras muito engraçadas aqui e muito simpática. Vi poucos filmes com ela, L'Auberge Espagnole foi um deles, mas o papel dela não é muito relevante ali.
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NINA SIMONE: Young, Gifted And Black

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Mulher lê mais que homem, aponta pesquisa nacional

da Folha de S.Paulo, em Brasília

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.

O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco --ou quase nenhum-- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.

Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira --43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.

O segundo colocado é o livro "O Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

Prêmio Literário - São Paulo


Folha de S. Paulo - 29/05/2008 - por Eduardo Simões

A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo vai lançar nos próximos dias o mais bem pago prêmio literário do Brasil. O Prêmio São Paulo de Literatura pagará R$ 200 mil para o melhor livro de ficção do ano, mais R$ 200 mil para o melhor livro estreante, também ficção. Segundo o secretário estadual de Cultura, João Sayad, o prêmio segue os moldes do Booker Prize, o mais tradicional do Reino Unido, e terá duas etapas: na primeira, um corpo de cinco jurados vai indicar os dez livros finalistas; na segunda etapa, outro grupo de cinco jurados vai apontar os dois livros vencedores. Indicados pelo Conselho Estadual de Cultura, os dois júris serão compostos por um crítico literário, um editor, um escritor, um livreiro e um jornalista da área. Os nomes serão anunciados posteriormente. O resultado do primeiro Prêmio São Paulo de Literatura já tem data marcada: 23 de novembro.
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imagem: Books of pleasure, 17th Century

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Fraternidade É Vermelha

Ontem (re)vi este filme da trilogia de Trois couleurs. Até devia dizer 'vi' mesmo porque percebi que não me lembrava de muita coisa. Que traiçoiera é a memória, dizem que é melhor assim, que precisamos nos esquecer, a vida seria horrível (mais) se nos lembrássemos de tudo. Talvez seja assim mesmo, mas porque limpar da minha memória filmes tão bons?

À medida que fui vendo o filme consegui me lembrar de uma coisa ou outra, do momento em que a moça, Valentine (essa da foto) atropela uma cadela, por exemplo. E essa cadela que ela atropela chama-se Rita, Valentine verifica o endereço numa etiqueta e vai tentar devolvê-la, entretanto o dono parece não fazer muita questão de Rita, na verdade não se importa com nada o que irrita ou choca de certo modo a moça. E disso nasce uma amizade. Pois é.
Este homem representado por Jean-Louis Trintignant é um juiz aposentado que passa os dias a escutar a conversa telefônica dos vizinhos, é amargo e cínico, mas encontra em Valentine um motivo para 'reviver', rever o mundo, sem romantismos, amizade mesmo. O juiz é um homem extremamente inteligente e questionador, questiona sobretudo o seu antigo poder de 'julgar' as pessoas, teria acertado, teria errado e que diferença faz?

Valentine é interpretada por Irène Jacob, não a vejo muito no cinema. É uma mulher linda, não dessas belezas gamourosas, uma beleza real, próxima, delicada.

O filme é mais complexo do que isso, várias histórias se entrelaçam, por exemplo, vemos a juventude do juiz se repetindo na vida de um vizinho de Valentine, tal e qual, enquanto o juiz conta o passado, o presente se desenrola ali.
Bonito.
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Preço do livro, carestia sem fim
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Abaixo uma cantora francesa, Patricia Kaas interpretando Quand on n'a que l'amour do poeta/cantor/compositor Jacques Brel. Parece que ela é pouco conhecida por aqui, meus alunos não a conhecem, mas é muito boa e muito conhecida na Europa. Jacques Brel é mais conhecido, nem que seja só pelo Ne me quitte pas.

sábado, 24 de maio de 2008

patricia kaas - Quand on a que l'amour


Sofri com uma sinusite todos estes dias, fazia tempo que ela não atacava, tanto que custei a entender que era isso, quase fui ao dentista por causa da dor nos dentes, maxilar, gengiva...Quando vivia em Singapura a Sinusite era quase constante, acho que era por causa do clima e do uso exagerado que se faz lá do ar condicionado. Fui para Florianópolis na quinta e voltei na sexta, não aproveitei nada, não dormi, morri de calor, tudo me parecia um esforço supremo, pensei até que tivesse perdido o gosto por viagens. Tudo o que eu queria era estar em casa onde eu sabia onde ficam as aspirinas, onde faz frio à noite, onde eu tinha filmes para ver...Enfim, um armagedon, como diria um conhecido italiano muito dramático.
Chegando em casa, consultei o doutor Google e ele diagnosticou: 'sinusite mesmo':

"Na sinusite aguda, costuma ocorrer dor de cabeça na área do seio da face mais comprometido (seio frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). A dor pode ser forte, em pontada, pulsátil ou sensação de pressão ou peso na cabeça. Na grande maioria dos casos, surge obstrução nasal com presença de secreção amarela ou esverdeada, sanguinolenta, que dificulta a respiração. Febre, cansaço, coriza, tosse, dores musculares e perda de apetite costumam estar presentes."

Mas tout est bien qui finit bien, tomei alguns remédios e a dor passou, agora só estou espirrando na proporção de mais ou menos 100 espirros por minuto. No caminho de volta de Floripa, graças aos amigos Allan e Marina, conheci os CDs novos (não sei se é tão novo assim ou se eu é que estava por fora mesmo) da Fernanda Takai, Onde brilhem os olhos seus e da Adriana Calcanhoto. Adorei os dois.
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imagem: Rest, Pablo Picasso
Excelente esta entrevista de Roth no RoseLivros:

Spiegel
- O que vai ficar do presidente atual, George W. Bush? Será que ele vai ser esquecido depois de sair do governo?
Roth - Não, ele foi horrível demais para ser esquecido. Haverá muita coisa escrita sobre isso. E há muito a ser escrito sobre a guerra. Há muito para ser escrito sobre o que ele fez com o reaganismo, uma vez que ele foi muito mais longe que Reagan. Então ele não será esquecido. Já disseram que ele foi o pior presidente que os Estados Unidos já tiveram. Na minha opinião, isso é verdade.

Spiegel - Por quê?
Roth - Bem, principalmente por causa da guerra, da decepção com a entrada na guerra. O cinismo absoluto que envolveu a decepção. O custo da guerra, o Tesouro e as vidas dos americanos. Foi hediondo. Não há nada parecido com isso. Em segundo lugar, por causa de sua atitude em relação ao aquecimento global, que é uma crise mundial; e eles foram extremamente indiferentes, até mesmo hostis, em relação a qualquer tentativa de enfrentar o problema. E mais isso, mais aquilo, mais isso, mais aquilo... Ou seja, ele fez um grande estrago.

Spiegel -
Já que o seu livro se passa na semana das eleições de 2004, você saberia explicar por que os americanos votaram em Bush pela segunda vez?
Roth - Acho que foi pelo fato de estar em guerra e não querer mudar, além de estupidez política. Por que alguém elege uma determinada pessoa? Pensei bastante sobre John Kerry quando ele começou a campanha, mas ele não conseguia competir com Bush. Os democratas não são brutos, o que é muito ruim, porque os republicanos são brutos. E os brutos vencem.

Klaus Brinkbäumer e Volker Hage
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Mais aqui.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

a igualdade é branca

Revi ontem este filme A igualdade é branca (Trois couleurs: blanc), faz parte da famosa trilogia de Krzysztof Kieslowski baseada nas cores da França, os outros dois são: A Liberdade é azul, A fraternidade é vermelha. Comprei os três por menos de 40,00 nas lojas Americanas.

Este A igualdade é branca é de 1993 e foi entre 94 e 95 que eu o vi, há uns bons aninhos, já tinha me esquecido de muita coisa, muita mesmo. É a história de um casal, ele polonês e ela francesa, tem momentos que parece que eles estão fazendo um concurso para ver quem consegue ser mais cruel. O filme começa com o casal na frente de um juiz, Dominique, a esposa, está pedindo o divórcio alegando que o marido não consegue cumprir com seus deveres conjugais. Karol , o marido, fica completamente perdido, sem dinheiro, sem língua (quase não fala francês), sem mulher, sem nada. É um personagem triste, com um ar ingênuo, mas vingativo. Volta para a Polônia dentro de uma mala porque não tinha mais seu passaporte e a polícia estava a sua procura por causa de um acidente propositalmente provocado por Domique para complicar um pouco mais sua situação. E, por incrível que pareça, a idéia que fica é a de que os dois se amam nesse tumulto todo. Karol está no metrô tocando uma música polonesa usando um pente como instrumento (ele era cabeleireiro) e encontra um compatriota, Mikolaj que passa a fazer parte de sua vida e tenta ajudá-lo sem muitos questionamentos, uma bela amizade começa quando o relacionamento com a mulher está terminando.
Gostei muito de revê-lo....
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E o resto da semana foi:
Aulas. Leitura Seis Passeios pelos Bosques da Ficção. Aulas. Espera. Faxina. Chateações. Aulas. Começo de outro Hermann Hesse O Lobo da Estepe. Aulas. Filme Bonequinha de Luxo. Chateação. Sono. Frio. Papo furado. Aulas. Passeio com o cachorro. Espera.