segunda-feira, 10 de julho de 2006

Livros recebidos: Regina Igel e Chico Lopes


Vou postando aqui, aos poucos, os livros que recebi dos amigos escritores e depois vou falar mais sobre eles, aqui ou lá no RoseLivros.
Já falei antes de alguns deles aqui no blog, mas na época eu não sabia colocar as fotografias. Aqui à esquerda, Regina Igel que me enviou o livro quando eu ainda vivia nos Estados Unidos. Ela vive e trabalha em Washington DC. À direita, o livro de contos de Chico Lopes.
E mais uma vez o meu 'muito obrigada' a todos os que me enviaram os seus livros.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Remexendo a gaveta

Omnibus


Sharp… Panasonic… Deus
Passeio na cidade desproibida
Suada… vazia
de sentido
O ônibus vai
e a minha retina retém
todos os letreiros
os números, as formas
disformes paradoxos
os meus ouvidos captam
o silêncio do homem triste
que olha sem ver
a cidade sem sentido
Há quem sorria
um riso educado
desconfortável
Há olhos que se olham
Susto
Sinal desrespeitado
(Talvez chova, faz tanto calor!)

Ponto final

.........

[um poema de 1996]
Imagem: Gustav Klimt, Il bacio.

Sítio


Entardecer no cerrado.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Atrizes belgas



Falando um pouquinho mais de cinema belga...vamos agora às atrizes. Para começar Cecile de France que nasceu em 1975, em Namur.O seu filme mais conhecido deve ser A Volta ao Mundo em 80 dias (2003) e L'Auberge espagnole (2001) pelo qual ela recebeu um prêmio, o Cesar. Este último filme é uma comédia sobre um grupo de estudantes de intercâmbio (Erasmus)que vive na mesma casa em Barcelona. Albergue espanhol é uma expressao francesa que quer dizer ‘bagunça’, como é de se esperar, a casa é assim, ali vivem estudantes de diferentes nacionalidades, diferentes línguas, diferentes modos de vida...uma micro Europa em Barcelona. Cécile de France faz o papel da estudante belga, lésbica, engraçada, linda, torna-se amiga do personagem principal e ensina-lhe alguns truques sobre as mulheres. Esse filme é muito conhecido na Europa...não sei se passou pelo Brasil. Vale a pena.


Outra atriz belga conhecida é Emilie Dequenne, já falei dela aqui antes quando escrevi sobre os irmãos Dardenne. O primeiro filme que ela fez foi Rosetta, dos dois irmãos, e logo de cara ganhou o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes, aos dezoito aninhos. Claro que depois disso já fez muitos outros filmes.

Aqui estão alguns:

Mademoiselle Julie
Le grand Meaulnes

Avant qu'il ne soit trop tard
La ravisseuse
L'Américain
The bridge of San Luis Rey
Claude Berri, le dernier nabab
L'équipier
Lysistrata
Mariées mais pas trop
Une femme de ménage
Jean Moulin
Oui, mais...
Le pacte des loups

Telefonema surreal


Esses dias recebi um dos telefonemas mais surreais da minha vida. Ainda cansada de uma viagem atendo o telefone. Normalmente me irrita um pouco quando a pessoa do outro lado, esguela: ‘QUEM tá falando?’ ao invés de dizer com quem quer falar. Se o tom for educado ainda passa. Nesse dia que atendi, a voz era rude e já foi logo perguntando:

QUEM?’ Eu não queria perder tempo, então respondi:
- Leila.
- É a Leila mulher do Alcides?
- Não.
- É SIM!
- ????

(Aparentemente era alguém que sabia mais que eu. Analisei o nome por uns segundos....Alcides, Alcides, não nunca conheci nenhum Alcides, nunca fui casada com nenhum)

E a mulher:
- É você SIM, escuta aqui ó....
- Minha senhora, a senhora está falando com a pessoa errada.
- Você sempre diz isso, eu só quero te falar o seguinte, você pára de ligar pro fulano e falar que tá com saudades dele....

(Nesse ponto eu já estava morrendo de rir e tentando explicar para a mulher que ela, definitivamente, tinha chamado o número errado, mas ela não escutava. Tentei ainda)

- Minha senhora, eu não sou a mulher do Alcides, meu marido é o fulano.
- Pode SER que você tenha se casado de novo, não me interessa...

(Daí eu desliguei e fui rir à vontade, fazer o quê? E ela deve ter continuado a lista.)
.......
O Derrotista e Contos fantásticos no labirinto de Borges em Rosebud Livros.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Fromages de France

Estive muito ocupada nestes últimos dias, muita viagem, mudança de todo tipo, muito trabalho...por isso meu blog ficou tão abandonadinho e por isso também não pude visitar os blogs que visito sempre. Espero que a vida volte logo ao normal. Achei este cartão que enviei ao meu pai (que como bom mineiro adora queijo) em uma das minhas viagens. Tirei da geladeira dele para colocar aqui, logo devolvo. Não sei se os nomes dos queijos vão aparecer aí direitinho....
Em breve com assuntos mais sérios e já retomo também as visitas. Não se esqueçam do Rosebud Livros que está cada vez melhor.
Abraços
Leila

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Ayaan Hirsi Ali



[Deixando um pouco de lado os assuntos belgas e meus mini-contos para falar de um assunto holandês, africano e mundial]

Ayaan Hirsi Ali é a somaliana naturalizada holandesa que trabalhava com Theo Van Gogh (sobrinho do outro) quando ele foi assassinado em novembro 2004 por um muçulmano extremista. Eles fizeram juntos um documentário, submission, que mostrava a degradação, os maus tratos infligidos a muitas mulheres muçulmanas. Quase todo mundo já ouviu falar disso, se não me engano, até mesmo a revista Veja entrevistou essa moça. Junto com o corpo de Theo Van Gogh encontraram um bilhete dizendo que Ayaan Hirsi Ali seria a próxima.

Ayaan Hirsi Ali foi vítima da excisão aos cinco anos de idade, viveu em diferentes países fugindo dos problemas políticos da Somália. Pediu asilo à Holanda alegando estar fugindo de um casamento forçado pela família, estudou, em poucos anos obteve o título de doutora em ciências políticas, aprendeu línguas estrangeiras, apaixonou-se por cinema, foi extremamente ativa na defesa das mulheres e tornou-se deputada no país que a acolheu. As chances, segundo Mohamed Haddad, de uma mulher nas condições dela ‘aceder a uma vida digna são as mesmas são as mesmas chances de o leitor deste artigo ganhar na loto’.

E agora, o que está acontecendo e que eu ainda não consegui entender, é que Ayaan Hirsi Ali perdeu, ou pode perder, a nacionalidade holandesa por causa de alguma falha no seu processo de naturalização, algumas ‘mentiras’ que ela teria dito para poder obtê-la, isto é crime. Uma ministra holandesa deu origem a um processo, não sei quais seriam os interesses dessa senhora. Pior ainda é que não há muitos países europeus dispostos a acolhê-la pois com essa fatwa nas costas ela tornou-se um problema, um problema caro, assim como era o escritor Salman Rushdie há alguns anos.

Bem, a moça não é santa, mas eu acho triste tudo isso e diz Mohamed Haddad que os sites e jornais árabes estão nadando de braçadas, adorando a desgraça dela e fazendo tudo o que podem para sujar seu nome. Por uma ironia do destino, ou qualquer coisa do gênero, ela deve ser acolhida pelos Estados Unidos...ou já foi, estou lendo jornais atrasados aqui. Boa propaganda para os Estados Unidos e boa lição para os outros.
.....
Querelle de Jean Genet no Rosebud livros, por Wagner Campelo.

Os brasileiros da França


[Artigo interessante - na RFI]

Cada vez mais um reflexo da sociedade no Brasil

Dos brasileiros que participam da lavagem das escadarias da basílica do Sacré-Cœur, na colina de Montmartre, em Paris, a maior parte nunca lavou a Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador. Mas isso não impede um grande entusiasmo. Porque viver no exterior tem dessas coisas : a gente desenvolve um saudosismo até do que não viveu mas tem gostinho nacional…
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Sentidos do Humor, trapaças da razão, a charge em Rosebud Livros por Vera do Val

Imprudência



Separei, sempre, o joio do trigo e, muitas vezes, fiquei com o joio. Não foi a sorte ou o azar, foi a imprudência. Eu podia ter escolhido o Luís, mas não, fiquei com o Lazinho. Imprudência! Está vendo minha cara quebrada? Significa que fiquei com o joio, entendeu, doutor? Uma lástima. Claro que não foi a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira. Olha também aqui na minha coxa, viu? Estragar umas coxas dessas, doutor? Modéstia à parte...Um dia o desgraçado quase me arrebentou a cabeça, está aí escrito, dei queixa. A imprudência me fez voltar. Daí, doutor, respondendo à sua pergunta, foram sete facadas de raiva, de dor, de medo. Imprudência pura. Devia ter dado um tiro.
Leila Silva
.....
imagem: Modigliani

The perfect European

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Cinema belga - Poelvoorde


Benoît Poelvoorde é cineasta, ator, roteirista, dialoguista e cenarista. Nasceu em Namur em 1964, depois mudou-se para Bruxelas onde foi estudar no Beaux-Arts, ali começa a se apaixonar pelo cinema. Eu adoro seus filmes e seu humor.

Um dos meus preferidos é Les convoyeurs attendent (1999) realisado por Poelvoorde e aqui ele representa Roger, um sujeito pacato que leva uma vida modesta, para melhorar de vida ele mete uma idéia na cabeça, entrar para o livro dos recordes e ganhar um carro prometido por uma associção local, na região de Charleroi, onde vive. O resto é o patético muito bem representado por Poelvorde.

Outros filmes conhecidos:

C'est arrivé près de chez vous (1992)
Atomik Circus (2004) ) comédia com Vanessa Paradis, Jason Flemyng, Benoit Poelvoorde.
Podium comédia com Benoit Poelvoorde, Jean-Paul Rouve, Julie Depardieu.
Akoibon comédia com Jean Rochefort, Nader Boussandel, Marie Denarnaud, Poelvoorde, Chiara Mastroianni (filha de Cathérine Denneuve e Marcelo Mastroianni)
Mais aqui
......
Simone de Beauvoir e Sartre em Rosebud Livros.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Cinema belga



Chantal Ackerman

Chantal Ackerman nasceu em 1950 em Bruxelas. É uma das cineastas belgas mais ousadas e já experimentou um pouco de todos os gêneros. Un divan à New York (1996) com Juliette Binoche e William Hurt deve ser o seu filme mais popular e mais conhecido fora da Europa. De l´autre côté (2002) é um documentário sobre os mexicanos que atravessam a fronteira para os Estados Unidos.

Alguns de seus filmes:

De l'autre côté, 2002
La Captive, 2000
Sud, 1999
Un divan à New-York, 1996
D'Est, 1993
Toute une nuit, 1982
Je tu il elle, 1974
Saute ma ville, 1968
Continuação do post sobre cinema belga: Les frères Dardenne

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Um poema antigo

Sem tango e sem French kiss

Colo o meu rosto ao seu
E danço um tango imaginário.
Você detesta tango e detesta dançar.
Se insisto, me deixa só no salão.
Beijo-lhe os lábios
Com a boca fechada e a língua contida
Porque você não gosta de French-kiss….
Enquanto você dorme, tomo o rumo de Buenos
Aires.
Parto só porque você não gosta de viagens.
E vou-me, sem dizer adeus.
Você detesta despedidas.
***
Imagem: Bartol

domingo, 4 de junho de 2006

O Mundo de Jack e Rose

Este foi o filme do fim de semana, em DVD mesmo. O título original é The Ballad of Jack and Rose (2005), os personagens principais são Jack Slavin (Daniel Day-Lewis) e sua filha, Rose (Camilla Belle) de 16 anos. Pai e filha vivem numa comunidade, ou melhor, no momento em que se passa o filme, 1986, já vivem sós, todos já tinham abandonado o sonho utópico de viver daquele modo. Jack é teimoso, continua insistindo. Ele e Rose, às vezes parecem dois bichos do mato, sobretudo ela que foi criada realmente à parte, nesta ilha da costa leste dos Estados Unidos.
Jack descobre que está muito doente e começa finalmente a ter menos certezas e preocupações com relação ao futuro da filha. Numa decisão súbita, convida a namorada(Catherine Keener) e os dois filhos dela para virem viver com eles na ilha. Até então ela nunca tinha sido convidada a conhecer o lugar e muito menos a filha. Claro, isso vai provocar um desconforto e uma mudança na garota que adora o pai e não está disposta a dividi-lo com a estranha. O filme é bem mais que isso, alguns percebem também uma crítica ao sonho hippie. Pode ser. É um filme bonito e o mais intenso, na verdade, é a relação entre o pai e a filha que sai um pouco do convencional, ou seja, beira o incesto.

sábado, 3 de junho de 2006

Atlanta - Georgia - Gay Pride Parade



Foi no dia em que o Brasil ganhou a última copa e fazia um calor dos diabos em Atlanta.

Essas aqui, coitadas, estavam na hora errada no lugar errado, tiveram que pedir ajuda da polícia para sair do inferninho.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Les frères Dardenne



Jean-Pierre e Luc, conhecidos como ‘Os irmãos Dardenne’, são os cineastas belgas mais conhecidos no mundo e os mais premiados também, sobretudo em Cannes. Já li notícias de mostras dos filmes deles em São Paulo, mas não ouço falar muito deles no Brasil.
Desde 1978 os dois irmãos faziam documentários, em 1986 fizeram o primeiro filme. Tornaram-se mais famosos quando A PROMESSA, um filme sobre a imigração na Bélgica, ganhou vários prêmios importantes. Depois veio Rosetta pelo qual ganharam a palma de ouro, lançaram uma atriz, Emilie Dequenne que já começou no cinema com um prêmio de melhor atriz pelo desempenho nesse filme. Em 2005 receberam outra palma de ouro por L’Enfant. O cinema dos dois irmãos é mais voltado para as questões sociais e humanas: Desemprego, imigração, dramas íntimos e familiares... Na Bélgica há também bons comediantes, falarei deles em outro post.

Filmografia:


Chant du rossignol (1978)
Lorsque le bateau de Léon M. descendit la Meuse pour la première fois (1979)
Pour que la guerre s'achève, les murs devaient s'écrouter (1980)
R... ne répond plus (1981)
Leçons d'une université volante (1982)
Regard Jonathan/Jean Louvet, son oeuvre (1983)
Il court... il court le monde (1987)
Falsch (1987)
Je pense à vous (I Think Of You) (1992)
La promesse (The Promise) (1996)
Rosetta (1999)
Le fils (The Son) (2002)
L'Enfant (The Child) (2005)

***

O Darfur está a morrer. Leia em Briteiros.

sábado, 27 de maio de 2006

Mini Conto


Margaridas

Chegou com flores para enfeitar a casa. Margaridas. Adorava margaridas. O carro já na garagem era uma surpresa. Caminha pelo longo corredor. A porta do escritório fechada era outro fato inusitado.
Pelo buraco da fechadura vislumbra mãos e nádegas. Dá a volta na casa, espia pela janela. A boca de Maurício, gulosa, engolia uma língua, seus dedos roçavam um pescoço roliço. Outras mãos abriram seu fecho-éclair e acolheram o membro duro. Ela apertou as coxas, sentiu o líquido descer quente, como há muito não sentia. Maurício, disse num suspiro e seu olhar encontrou o do rapaz, reconheceu o aluno de Maurício.

Seu pé vacilou sobre a pedra ao sentir que uma língua lhe lambia as pernas.

Era o cachorro.
***
Logo volto com mais assuntos belgas, cinema desta vez. Por enquanto deixo meu mini-conto.
Ilustração:
Miriam Terlinchamp.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Como perdi 144 minutos da minha semana passada.

Fui ver o filme Brasília 18% e ainda insisti para que duas pessoas fossem comigo, durante o filme eu só pensava ‘Ai, no final eu vou ouvir!’ Dito e feito, quem escolhe o filme é sempre o responsável. E quando você também odeia o filme tem que balançar a cabeça e ouvir as reclamações ou desviar o assunto. ‘Ok, vamos comer uma pizza!’ Afinal tudo termina em pizza mesmo....

É chato chato chato.... Foi duro esperar o final. O Ricceli está parecendo um boneco que tenta um ar existencialista, falando pouco, fingindo ser compenetrado, resignado. Fingindo mesmo e não representando. A Malu Mader está patética como taradinha do Planalto. Cada um mais superficial que o outro. Na verdade, quem desempenha melhor o seu papel é a morta.

Fui ver porque era Nélson Pereira dos Santos, claro, e tenho respeito por ele, como todo mundo, mas algo saiu errado com esse filme. Ou será que foi só pra mim e os que me acompanhavam?

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Ecrivains belges


Já escrevi isso aqui antes, mas vou relembrar, a Bélgica é um dos menores países da Europa com uma extensão territorial de 30.518 km² e três línguas oficiais : o francês, o neerlandês (holandês) e o alemão, muitos falam também o inglês. Nem todo mundo fala as três línguas, mas o neerlandês e o francês são comuns a boa parte da população. A Bélgica existe enquanto nação desde 1830, então, como falar em escritores belgas, pintores belgas antes disso ? Não sei, vou ficar aqui com os modernos para não complicar a minha vida. Aliás, já falei de dois que na minha opinião representam bem : Amélie Nothomb e Simenon e tem gente que já me escreveu dizendo : ‘Pensei que fossem franceses !’ C´est la vie. É assim mesmo, até eu antigamente imaginava que Jacques Brel, por exemplo, fosse francês.

Antes de terminar o assunto dos escritores belgas eu queria falar de Marguerite Yourcenar (1903-1987) que nasceu em Bruxelas, na Avenue Louise (uma das avenidas mais conhecidas e onde fica a Embaixada do Brasil). Ela entretanto, nunca teve a nacionalidade belga, a mãe era belga e o pai francês (se não me engano). Em todo caso a mãe morreu quando Marguerite nasceu e ela foi com o pai viver na França, anos depois foi viver nos Estados Unidos e lá mudou de nacionalidade, passou a ser americana para poder viver com sua companheira no país e voltou a ser francesa, anos depois, para fazer parte da Academia Francesa de Letras. Foi a primeira mulher a pertencer à academia francesa e pertenceu também à academia belga. Bom, é mais ou menos isso, ela é o exemplo de cidadã do mundo, uma pessoa para quem a nacionalidade não tinha importância. Então essa não entra como ‘escritora belga’, mas como curiosidade.

Outros escritores belgas conhecidos são Henri Michaux [A1] (1899-1984) que nasceu em Namur, Maurice Maeterlink que nasceu em Gand em 1862 Pierre Mertens (1939 - ), Jacqueline Harpman que é psicanalista, nasceu em Bruxelas em 1929 e vive ainda ali. Acho que vou pular os escritores flamengos, conheço muito poucos e acho que não são traduzidos. Se alguém quiser acrescentar algum nome importante é só me escrever e facço mais um post.
......

Obs : Ainda como curiosidade, Julio Cortázar também nasceu na Bélgica, mas era argentino e depois obteve também a nacionalidade francesa.

[A1] Michaux foi também pintor.

domingo, 21 de maio de 2006

Portugal

Juro que vejo aí um rosto, tem até umas lágrimas caindo dos olhinhos, mas, claro, é uma parede.
Não me lembro mais em que cidade fiz a foto, só sei que foi em Portugal. Caldas da Rainha, Batalha, Óbidos....?
Foi em outubro 2003.

Mais em Diletante.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

hein?!

Numa lanchonete de rodovia:

Pão com manteiga 0,30
Pão sem manteiga 0,20
Pão com margarina 0,25
Pão sem margarina 0,15

segunda-feira, 15 de maio de 2006

A Guerra Conjugal


Dalton Trevisan

Editora Record – 9a edição 1987

A Guerra Conjugal é uma reunião de trinta contos curtos (não tão curtos quanto os últimos contos ou micro contos de D. Trevisan) em que todos os personagens principais se chamam João e Maria. Todos os joões médios são representados nestas páginas (assim como todas as Marias), é o João que ama a Maria que ama José ou que não ama ninguém, mas se casa assim mesmo por dinheiro ou estabilidade. É o João que se casa com Maria mas ama o Pedro e não pode aceitar. É a maria que se casa com João só para humilhá-lo, é o João impotente que faz a Maria pagar pela sua incapacidade externando a violência...Joões bons demais, capazes de reinterpretar os chifres, perdoar e perdoar de novo até ser escorraçado por ser tão pamonha; Joões maus, sádicos, ciumentos, exigentes, capazes de aniquilar as suas marias. Enfim, todos os joões e Marias representados com um humor ácido, sarcasmo, uma ironia que já começa nos próprios títulos: Grávida porém virgem, Tentações de uma pobre senhora, Agonias de virgem, etc.

Dalton Trevisan é considerado o mestre do conto no Brasil, o conto seco, com o mínimo de adjetivos. Dizer o máximo com um mínimo de palavras parece ser o seu objetivo. E diz. Transforma o banal, ou melhor, retrata o banal com grande eficiência.

Dalton Trevisan nasceu e vive em Curitiba, é autor de A Polaquinha, Cemitério de elefantes, O Vampiro de Curitiba e outros.
Este livro aí eu comprei no sebo, uma edição antiga, espero que tenha sido reeditado.
Resenha publicada no LeiaLivro, visitem.
......
Logo volto com mais 'belguices'.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Escritores belgas: Amélie Nothomb



Amélie Nothomb

Amélie Nothomb é a escritora belga mais popular neste momento. Ela não nasceu na Bélgica mas no Japão, em Kobe. Em um de seus livros ela diz que até certa idade acreditava piamente que fosse japonesa. O pai, também escritor, era diplomata e estava, durante a infância de Amélie trabalhando na Ásia. Ela e os irmãos foram criados em diferentes países, Japão, China, Birmânia e ainda outros países fora da Ásia, morou um período em Nova Iorque. Como outros filhos de expatriados, ela estudou em escolas internacionais, estando, por este lado, sempre ligada à Europa.

Amélie nasceu em 13 de agosto de 1967, como podem ver na foto é uma mulher bonita e tem um humor negro, um jeito de falar de sua vida e experiências na Ásia que cativa.

Li muitos dos seus livros, de alguns gostei bastante e outros menos. Os meus preferidos são, justamente, os que falam do período asiático. Um destes livros foi transformado em filme, um bom filme, mas nunca ouvi falar dele no Brasil, chama-se Stupeur et tremblements (o livro recebeu o Grand prix du roman de l'Académie française em 1999) e foi traduzido para o português como Medo e Submissão (clique no título para ler a sinopse). Este é um dos meus preferidos e merece um post à parte. A. Nothomb fala perfeitamente o japonês e neste livro que é autobiográfico ela narra a experiência como intérprete numa empresa em Tóquio, quando tinha 22 anos. Uma experiência no mínimo humilhante, tratada com humor negro e sinceridade.

Amélie Nothomb lançou seu primeiro livro em 1992, Hygiène de l'assassin e tornou-se um fenômeno literário, como sempre, há quem goste e quem não goste. Alguns acham que é ‘livro de verão’, desses que a gente leva para a praia, lê ali e pronto, ou seja, entretenimento. Eu não quero julgar, dei boas risadas com alguns, um ou outro achei meio chatinho, sobretudo um que é meio metido a Ficção científica e repleto de diálogos (que vergonha, não estou conseguindo me lembrar do título). Gostei muito de Le sabotage Amoureux que trata do período chinês, quando, aos sete anos a pequena Amélie descobre o amor pela colega de escola (a escola dos europeus), Elena, ‘uma italiana superior e etérea’. A pobre Amélie sofre horrores, mas o leitor ri muito. É a visão de mundo, da China e do amor por uma garota de sete anos.

Bom, isso é só para dar uma pequena idéia sobre ‘a escritora belga do momento’. Vou tentar resenhar os livros dela que li. Para quem arrisca ler em francês pode mergulhar tranqüilo, não são difíceis. Palavra de professora.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Chimay

Logo volto com mais escritores belgas....tempo tempo tempo.
Fiquem com mais essa cervejinha belga. Coloquei a foto porque gosto do rótulo. Gosto mais dos frascos do que do conteúdo.

Abraços
Leila

terça-feira, 2 de maio de 2006

Ecrivains belges: Simenon


Difícil falar de 'Escritores Belgas'. Não é uma desculpa, é assim mesmo. Primeiro é preciso dividi-los em dois grupos: os escritores belgas francófonos e os escritores belgas neerlandófonos. Cada grupo linguístico possui sua própria literatura. Da segunda, os neerlandófonos, ou seja, os flamengos, não conheço quase nada.

Escritores belgas francófonos:

O escritor belga francófono mais célebre no mundo é Simenon (1903-1989), o criador do inspetor Maigret. Georges Simenon nasceu em Liège e começou cedo a publicar, com apenas dezessete anos. Foi um escritor extremamente produtivo, dizem que em 15 dias ele era capaz de escrever uma novela. Claro, era considerado pela crítica um escritor menor, um sucesso comercial. É verdade que boa parte da sua obra foi escrita com o intuito de fazer dinheiro, mas nem toda e o escritor vem sendo reconceituado agora. Viveu em diferentes lugares, Liège, Paris e em alguma cidade da Suíça, muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema.
Simenon tem uma biografia das mais conturbadas, quem se interessar em saber mais sobre assunto pode conferir (em português) aqui e aqui. Simenon já foi acusado, inclusive por alguém da própria família, de ter colaborado com os alemães durante a Segunda Guerra. Não sei se isso tem fundamento ou não, tenho amigos de Liège mesmo que levam isso a sério e detestam a pessoa Simenon. Não é para desculpá-lo, evidentemente, mas não terá sido o único escritor a fazê-lo. O escritor francês Louis-Ferdinand Céline tem um passado muito mais sujo, era abertamente anti-semita e colaborou com os nazistas ou ainda o escritor americano Ezra Pound. É duro para quem gosta tanto de literatura aceitar que escritores brilhantes como Céline, Ezra Pound e outros tenham tomado essas posições, mas c´est la vie!
Opinião de outro escritor:

“Ele é o maior de todos… o mais verdadeiro romancista que tivemos na literatura.”
André Gide.
............

Vou escrever outro post sobre os escritores belgas francófonos para que este não fique muito longo e chato e depois vou falar o que puder sobre os escritores flamengos que conheço tão pouco.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

V for Vendetta

O meu filme da semana foi V de Vingança baseado e HQ de Allan Moore com essa atriz linda, Natalie Portman no papel de Evey Hammond e o australiano Hugo Weaving(de Matrix, Priscilla, a Rainha do deserto) no papel de V, a cara dele não vemos, está sempre atrás da máscara. Adorei o filme.

A trilha sonora é também ótima, Cry me a river com Julie London, Beethoven, Garota de Ipanema se não estou louca, etc....
Bem, a história muita gente já conhece, passa-se em Londres, num futuro qualquer com ditadores estilo Big Brother, controle do estado, num resuminho medíocre de quem está sem tempo agora. De qualquer modo o melhor mesmo é ver o filme.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

La bière


Descobri que a grande questão não é aquela do ovo e da galinha, mas a do pão e da cerveja. Qual dos dois teria nascido primeiro? Muitos apontam para a cerveja...6.000 anos antes de Cristo ela já existe no Iraque (Mesopotâmia na época). E a gente pensando que lá só tinha petróleo hein? Mas há indícios de que a cerveja tenha sido criada muito antes disso. Um inglês, Ian Hornsey, escreveu um livro de 700 páginas só sobre a cerveja, A History of Beer and Brewing. É assunto que não acaba mais, só descobri que era tão longo agora, pesquisando para o post. O caso é que não tomo cerveja e não sei muito a respeito, mas quando coloquei no post anterior que ia falar disso recebi apoio maciço dos meus seis leitores.

Sendo o assunto tão extenso, muito mais do que eu podia imaginar, vou ter que me concentrar só na cerveja belga, quem quiser mais pode ler o livro do inglês ou o edição 208 da revista Super Interessante, 22 de dezembro de 2004. É uma reportagem bem feita e muito engraçada, tem uma notinha que chama ‘Ressaca faraônica’ onde explicam que os antigos egípcios festejava a deusa Tefnuf bebendo até cair, chegar em casa caminhando com as próprias pernas era uma grosseria, sinal de que o convidado não tinha se divertido o bastante. Bons tempos, não?

(Bom, para falar de cerveja belga eu vou chamar meu consultor ‘belga’ para assuntos etílicos, profissão, inclusive, muito comum na Bélgica).

Este país de pouco mais de 10 milhões de habitantes tem quase 500 tipos de cerveja divididas em várias categorias: As Trapistas, As cervejas de abadias, as ‘gueuzes’, etc...As melhores cervejas são aquelas feitas pelos monges. As Trapistas, por exemplo, são produzidas em monastérios, só existem seis no mundo, cinco delas estão na Bélgica e a outra na Holanda. As trapistas belgas são:
Orval, Rochefort, Chimay, Westmalle, Westvleteren. Muitos dos meus amigos amantes de cerveja, mesmo os brasileiros, adoram esta Chimay e a Orval.

As três cervejas mais populares, mais vendidas e mais baratas são: Stella Artois, Jupiler e Maes. Nesta ordem. As cervejas belgas estão muito presentes no Brasil, em 2004 andaram fazendo negócios por aqui. A Interbrew juntou-se à Ambev e tornou-se Inbev, sendo hoje o maior grupo do mundo no ramo. Então, pelo menos a Stella Artois muita gente já conhece.

É normal que na Bélgica tenha muitos museus dedicados à cerveja, em Bruxelas eu só conheço um que fica na Grand Place,
La Maison des Brasseurs já fui lá com os meus amigos e com meu irmão. Deve ser o mais turistíco de todos eles, ainda assim meu irmão adorou e, como eu não bebo ele tomou a cerveja (que a gente recebe durante a visita) dele e a minha. Achou fortíssima. Gostou. Já visitei também algumas abadias onde os monges produzem cerveja. Mais informações em inglês, francês ou neerlandês neste site: beer paradise.

Algumas cervejas têm nomes bastante estranhos: Mort Subite, delirium Tremens. Sei lá, tomar uma cerveja de nome Morte Súbi
ta?

Os cervejeiros que forem à Europa devem tirar um tempinho para os museus e abadias dedicadas à cerveja. Uma das minhas amigas que foi lá em 1997 é famosa ainda hoje, queria experimentar todas as 500....não deu tempo, mas muitos dos belgas que a conheceram ainda perguntam por ela.

Aqui na foto uma das abadias.

Leila

La bière belge


terça-feira, 25 de abril de 2006

La Belgique



Esse blog, há muito, não faz jus ao nome, entretanto, tem gente que chega aqui por causa deste Bélgica estampado aí no título. Deve ser uma frustração para estes. Há alguns meses me escreveu um rapaz do Sul dizendo que ele e a noiva iam passar a lua de mel na Bélgica. Ele, em parte por causa da cerveja. Fizeram assim, abriram uma conta e pediram aos amigos que, como presente de casamento, depositassem dinheiro para a viagem deles. Excelente idéia, não? Eu também ia preferir isso ainda que depois tivesse que dormir um ano num colchão no chão. Na minha família acontece o contrário, outro dia foi casamento de uma prima (esperando que ninguém da minha família leia este blog) e gastaram mais ou menos 40.000 reais com o casamento....eu só pensando em quantas viagens era possível fazer com isso. Eu sei quanto foi porque a mãe da noiva adora falar em valores. Para muita gente isso não é exorbitante para uma festa de casamento, para mim é porque tenho outras prioridades. Acho pouco criativo, meus primos não são ricos.

Enfim, prefiro o método deste casal do Sul que me escreveu. Nós ficamos em contato durante alguns meses, enquanto ele organizava a viagem. Convenci-o de que a Bélgica era meio pequenininha, que deviam ir à Holanda, França....Assim fizeram. Talvez ainda estejam viajando. Há poucos dias se encontraram com minha irmã em Bruxelas, ficaram hospedados na casa dela. Veja como é o mundo virtual, eu mesma nunca os vi. Minha irmã gostou dos dois. Eu espero que façam uma boa viagem, que seja mesmo inesquecível, o entusiasmo dele era muito.
Então eu decidi fazer alguns posts dedicados à Bélgica: cerveja, chocolate, cineastas, músicos, pintores, cidades e o que mais me vier à cabeça ou à cabeça dos meus seis leitores. Aceito pedidos. Estou pensando em começar pela cerveja. Vamos ver.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

TITEUF II



Titeuf

Outro dia fiz um post rápido sobre Titeuf, a
Marília me escreveu perguntando um pouco mais sobre ele.

Bem, o humor do Titeuf não tem nada a ver com o da Mafalda, por exemplo (eu adoro Mafalda também). A única relação entre os dois é o universo infantil, mas não há em ZEP aquela conotação política do Quino. Pelo menos não diretamente. Titeuf é realmente uma criança agitada e das mais encapetadas, com dúvidas de criança, ingenuidades de criança, enganos de criança, crueldade de criança. Ele é apaixoando pela Nádia, uma menina da mesma escola que o esnoba o tempo todo. É um humor bem escrachado mesmo, muitas das histórias se passam na escola, algumas das mais hilárias são as referentes às aulas de educação sexual. Antes da primeira aula as crianças conversam, imaginam como será a aula, alguns dizem que a professora vai chamar um menino e uma menina na frente da classe e etc e tal. Quando a professora aparece (com cara de professora!), põe na frente deles um desenho que mais parece um mapa a decepção é total, uma frustração pois em nada difere de uma aula de geografia. Enfim, há muito sexo em Titeuf, situações sempre repletas de gafe. O desenho em si é muito expressivo e engraçado, às vezes basta ver a cara do Titeuf.

ZEP criou também um livro chamado Le Guide du zizi sexuel que é uma espécie de cartilha do sexo direcionada às crianças e pré-adolescentes (9 a 13 anos). Zizi significa pipiu ou algo assim. Um sucesso, como todos os outros albuns de Zep que têm tiragem de um milhão de exemplares.

Eu escrevi no outro post que Titeuf ainda não foi traduzido para o português, mas acho que me enganei, ao que parece é publicado em Portugal.
Leila

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Aprendendo com o Brasil








Artigos sobre o Brasil no Mother Jones: Learning from Brazil -
Brazil helps show the way, but only if we learn the right lessons.


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Curitiba e esperança.

E outro sobre Curitiba: Curitiba and Hope
Os cariocas não vão gostar, mas os curitibanos vão adorar. Se a cidade for mesmo esse paraíso, estou fazendo minhas malas. Já estive em Curitiba mais de uma vez, adorei, mas sempre en passant. Viver no lugar é outra coisa.


Leila

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A Janela

A janela do seu quarto, grande e elegante, dava para a única praça da cidade. Minúsculo consolo. Meninas desinteressantes, risinhos falsamente tímidos. Do outro lado os meninos e rapazes de braços bem torneados pelo trabalho manual, no meio das brincadeiras sempre arranjavam um jeito de se tocarem, até mesmo quando falavam das meninas. Ele também tinha lembranças boas desses anos agora tão longínquos. As meninas nunca lhe interessaram senão como confidentes. Hoje seu mundo era uma janela e espera. Quem mandou voltar para essa cidade, o pai bem que teria preferido vê-lo longe dali.

Às vezes ia para a sacada observar melhor, um dia escutou: Olha lá a bichinha! Cidade besta e triste. No meio dos garotos viu Jorge, com a sua camiseta e calça apertadas lhe lembrava um daqueles marinheiros de gravura. Não falava muito, mas as meninas gostavam dele. No final da noite estava sempre aos beijos com uma delas, algumas deixavam as mãos passearem um pouco, outras fingiam mais recato. Da janela ele tudo via e esperava.

Jorge era o último a deixar a praça e era na sua porta que vinha bater. Nem precisava, estava sempre aberta àquela hora.
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Painting by Lucien Freud
Interior in Paddington

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Fealdade de Fabiano Gorila

De
Marcelo Gaú ou Marcelo
Quintanilha
Livro de HQ um pouco diferente do que estamos acostumados a ler, em parte feito a partir de fotos históricas, uma suponho que seja foto do album de família.
Quer dizer, eu sou do tipo que vai lendo HQs sem entender muito do assunto, vai caindo na minha mão e eu vou lendo, normalmente são passadas pelo meu irmão.

Este livro tem prefácio de Aldir Blanc.
Eu gostei muito, tanto das histórias, são três, quanto do desenho e das falas dos personagens.
A primeira das três histórias é baseada na vida do próprio pai do autor.
Marcelo Gaú nasceu em Niterói em 1971, ao que parece, hoje vive na Espanha.
Mais sobre ele no link acima.

sábado, 8 de abril de 2006

Allah n´est pas obligé


Li, há alguns anos este livro de Ahmadou Kourouma que nasceu na Costa do Marfim e viveu parte da vida na França. Na época em que o li este livro me encantou tanto pela forma de narrar - o ponto de vista de uma criança-soldado - quanto pela história em si. O personagem principal é Birahima, um garoto negro de dez ou doze anos. Ele não sabe. No começo o garoto está na Costa do Marfim com a mãe e a avó, a mãe está muito doente, morre e ele é obrigado a ir para a casa de uma tia na Libéria, ali torna-se criança soldado ou small-soldiers (pequenos soldados) como também são chamados.
Enfim, não vou contar a história toda aqui, este livro foi traduzido para o português com o título Alá e as crianças soldado, publicado pela Estação Liberdade.
O que me fez lembrar deste livro foi um post que li no Briteiros, O FIM DE UM TIRANO, do dia 03/04/2006 sobre a prisão de Charles Taylor :
"o homem que criou, nesses dois países (Serra Leoa e Libéria), exércitos de crianças — rapazes e raparigas — raptadas, escravizadas, violadas, mutiladas, forçadas a drogar-se e a usar a kalachnikov para atacar as suas próprias aldeias e matar os seus próprios pais de modo a tornar impossível qualquer deserção ou regresso. "

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Releitura de Conto de Pu Songling



[Obs:História baseada no conto ‘La Fresque’ retirado do livro “Chroniques de l’étrange” de Pu Songling (1640 – 1715), autor chinês que já foi traduzido para todas as línguas latinas exceto o português.]


O quadro

Virgílio, originário de uma cidade do interior, encontrava-se na capital em companhia de seu amigo Pietro. Um dia caminhavam os dois sem destino certo por ruas e travessas quando avistaram um pequeno museu. O lugar estaria completamente deserto não fosse a presença de um velho empregado que cochilava no momento em que eles entraram. Mal os viu, o homem compôs respeitosamente as roupas e, cumprimentando os dois visitantes, ofereceu-se para lhes mostrar o que considerava seu pequeno refúgio. A sala principal abrigava máscaras e estátuas de personalidades ligadas à literatura, as paredes laterais eram cobertas por quadros pintados com tal delicadeza que se podia tomar por verdadeiras as figuras humanas ali representadas. Em um destes quadros via-se Ariadne sorridente, a palma da mão levantada, rodeada de outras mulheres de beleza quase comparável à dela. Sua figura, porém, se destacava e comoveu o coração de Virgílio. O olhar de Ariadne parecia um convite. Tanto concentrou-se na contemplação do quadro que perdeu o controle de si, seus pensamentos tornaram-se tão abstratos que entrou numa espécie de transe, sentiu o corpo tomar uma nova consistência, como se flutuasse num estranho nevoeiro - Subitamente estava dentro do quadro.Assustado, Virgílio compreendeu que se encontrava em outro mundo, ainda atordoado sentiu que o puxavam furtivamente pela manga, virou-se: Ali estava Ariadne a lhe sorrir. Ela afastou-se repentinamente e ele a seguiu de perto pelas galerias sinuosas até a porta de um quarto, uma vez ali, ele hesitou, não ousava entrar. A moça voltou-se e acenou de forma tão convidativa que Virgílio não pode resistir. Percebendo que não havia ninguém no quarto tomou-a imediatamente nos braços sem que ela oferecesse resistência. Horas mais tarde, satisfeita , ela se levantou, fechou as cortinas e, depois de avisar que ele não deveria emitir sequer um ruído, saiu prometendo que voltaria quando a noite caísse. E assim foi, voltou nessa noite, na noite seguinte e outras até que numa dessas vezes ouviu-se lá fora, no meio de vozes exaltadas, passos fortes juntamente com um tilintar de correntes. Ariadne levantou-se apavorada e espreitou pela janela: era um dos guardas do palácio. À sua volta se encontravam todas as outras moças. “Onde está Ariadne?", perguntou o homem. "Estava indisposta, está descansando", respondeu uma em nome de todas tentando acobertar a moça que elas tanto amavam e a quem tanto apreciavam escutar. "Se alguma de vós estiver escondendo algo importante será pior para todas. Não criem problemas dos quais ninguém vos poderá defender". O oficial, com o seu olhar de águia, parecia prestes a dar busca no esconderijo. Ariadne só teve tempo de dizer: "Rápido, esconde-te debaixo da cama". Quanto a ela, abriu uma porta secreta na parede e desapareceu num segundo. Virgílio mal se atrevia a respirar. Lá fora, o barulho das vozes ia esmorecendo. Apesar do medo e do desconforto não tinha outro remédio senão esperar, muito quieto, pelo regresso da jovem pois, tão toldado se encontrava seu espírito, que já não sabia de onde tinha vindo...

Ao aperceber-se do súbito desaparecimento de seu amigo, Pietro, perplexo, perguntou ao velho o que se passara. "Foi ouvir as histórias de Ariadne", respondeu com um sorriso irônico nos lábios. "Onde?" "Não foi longe", atalhou o outro dirigindo-se ao quadro. Chegando-se à pintura bateu com um dedo e perguntou: "Por que demoras tanto?" Imediatamente surgiu no quadro a imagem de Virgílio, a face descomposta pelas emoções, a cabeça ligeiramente inclinada como se estivesse a ouvir alguma coisa. "Há muito tempo teu companheiro te espera”, prosseguiu o homem. Nesse momento ele caíu do quadro e ficou prostrado no chão, os olhos esbugalhados e as pernas a tremer. Assustadíssimo, Pietro perguntou-lhe o que acontecera. O amigo não sabia o que responder; na verdade, estava debaixo da cama quando ouvira um enorme fragor, como se mil homens tocassem a um só tempo um tambor gigantesco. Apavorado, saíra a correr da câmara.

Os dois amigos voltaram-se para o quadro; a jovem continuava ali diante das outras, mas sua mão, agora, segurava o véu sobre o rosto. Surpreso, Virgílio voltou-se para o velho e perguntou-lhe a razão daquela mudança. "A ilusão nasce do espírito humano. Que outra explicação poderia lhes oferecer esse humilde servidor?"

Virgílio sentiu-se extremamente abatido, Pietro estava confuso. Ambos se levantaram e desceram as escadas que conduziam à saída.
Leila
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Imagem:
Ariadne
John Williams

domingo, 2 de abril de 2006

TITEUF

Titeuf é este garotinho aí da capa, personagem criado por ZEP, um suíço que nasceu em 1967, é conhecidíssimo na Europa e já presidiu o famoso festival de HQ de Angoulême, na França. O nome verdadeiro de ZEP é Philippe Chappuis. Titeuf existe também como desenho animado, mas não conheço muito. Quando quero dar boas risadas pego algumas dessas revistas. Tomara que seja logo traduzido para o português, trabalho que eu adoraria fazer, aliás.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Bruxelas


Les Maroles - 1997