terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Há muitos anos, nem sei dizer quantos, não participava de um ‘amigo secreto’. Nunca vi isso fora do Brasil, lá nos Estados Unidos tem umas brincadeiras de final de ano, mas é um pouco diferente, a gente tem que comprar um presente, todos colocam os presentes em um canto, uma pessoa escolhe um dos presentes, outro escolhe outro e, se não gostar, pode tentar trocar com outra pessoa. Assim vai...Não me lembro bem como é, na verdade. Na Bélgica também não havia amigo invisível. Pois este ano, estou em um e ontem fui cuidar do presente, como minha amiga invisível (ou secreta, sei lá) é professora eu decidi não pensar muito e comprar um livro. Ela TEM que gostar de livros. Foi então que percebi, o povo tem mesmo razão de reclamar dos preços de livro no Brasil. Eu compro bastante em sebo, quando é pra mim, pra presente não dá, claro. Quando a gente quer uma edição mais bonitinha os preços são salgados, difícil encontrar qualquer coisa por menos de 40 reais. Na verdade, nem é edição tão bonitinha assim. Eu queria aproveitar para comprar também um para minha irmã, irmão, sobrinha, etc. É caro. Ok, outras coisas também são caras. Talvez, seu eu tivesse entrado no Boticário ia sair do mesmo tamanho, pode ser. Mas ia ser bom se livro fosse mais barato, não ia? E tem mais! Eu queria ler o livro novo da Cíntia Moscovich (self-presente), o Por que sou gorda, mamãe? Olhei daqui, olhei dali e não achei, achei foi uma vendedora bastante ocupada. Eu estava com pressa porque queria ver um filme, já tinha até comprado a minha entrada, daí perguntei para a moça onde eu podia achar os livros da C. Moscovich, ela me olhou como a dizer: Cíntia WHO? Eu não a culpo, sinceramente. Só que ela saiu dizendo, volto daqui a pouco pra lhe ajudar e nunca voltou. Quer dizer, pelo menos não antes de dar a hora do meu filme e eu paguei os livros que eu já tinha escolhido e fui embora ver o Filhos da Esperança.
Eu não gostei muito deste título Por que sou gorda, mamãe?, mas parece que o livro é bom, engraçado e tem muito da cultura judaica, isso me interessa.

O filme Filhos da Esperança é baseado na obra de P. D. James, levemente baseado, ao que parece. Eu entrei no cinema no escuro, não que eu tenha chegado atrasada, quero dizer que não sabia absolutamente NADA do filme. Sabe aqueles dias que a gente decide: “Hoje eu vou ao cinema!” Foi assim. E não tinha muita escolha, daí vi os nomes de Michael Caine e Julianne Moore. Gosto dos dois, decidi. O filme é muito interessante, mas quando cheguei em casa li um pouco sobre ele na internet e vi muita gente dizendo que é perfeito. Perfeito eu não achei, achei até meio confuso em algumas partes. A ação se passa no futuro, um futuro sem crianças, por alguma razão as mulheres não podem mais ter filhos. O garoto mais jovem do mundo é um argentino de 18 anos. Era, porque nas primeiras cenas do filme esse garoto é assassinado por um fã o que causa uma comoção internacional. O filme é dirigido por Alfonso Cuarón, o mesmo que fez "E Tua Mãe Também". Nada mal como como referência.
O ano é 2027 e o cenário é Londres. Uma Londres suja, feia onde os ilegais são tratados como animais, postos numas gaiolas e enviados para campos de concentração. Nem tudo é tragédia, porém, no meio do caos, uma moça aparece grávida dando nova esperança para a perpetuação da espécie.
Uma coisa engraçada, eu imaginava que P. D. James fosse um homem. Sempre ouvi o nome, nunca li....Santa ignorância! Só agora percebi que se trata de uma mulher e que ela resolveu enviar seu manuscrito a uma editora assinando só com essas iniciais justamente para criar confusão. E, vejam, está criando até hoje.
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E escrevi "homem" porque se às 10 semanas já são crianças, aos 4 anos (+ 9 meses) estão bem em idade de serem perigosos violadores.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Clarice Lispector (1920-1977)


morte 09/12/1977

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
Eu escrevo simples. Eu não enfeito.
Clarice Lispector
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Curiosidades:

Clarice traduziu para língua portuguesa falada no Brasil, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora estadunidense Anne Rice.

Fonte: Wikipedia
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

RoseLivros.

Comentário meu no RoseLivros.

E também no Rose:

Retrato do artista quando velho. Resenha de Claudinei Vieira - Desconcertos.

Lasar Segall por Vera do Val - Rose Rose Rosebud.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006


Segunda-feira, chuva lá fora, uma p. dor de cabeça desde ontem...e as moscas volantes na frente dos olhos. O domingo foi tão bonito...

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No Briteiros:

Pinochet já recebeu a extrema-unção

E "prontos", fica tudo perdoado...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Cenas de rua

1-O vendedor de redes parou, jogou as redes no chão e disse: Olha, eu tô cansado dessa rotina, viu? Todo dia uma cidade diferente.

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2-Então, amanhã também tem, é, amanhã vai ser ótimo, você tem que ir. Isso, vai sim. Escuta, você não tem uma ovelhinha pra levar não?

[Ovelhinha???? Acredite, eram duas religiosas conversando....]

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No RoseLivros:

A Presidência Lula - Passos e Tropeços por Aluízio Alves Filho – Revista Achegas

'Point to Point Navigation': luminar desdenhoso ofusca astros por Janet Maslin - The New York Times. Tradução: George El Khouri Andolfato.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Cadê os plural?

Ricardo Freire in: Revista Época, 21 de Fevereiro de 2005.

É só impressão minha, ou está cada vez mais difícil ouvir plurais ortodoxos? Aqueles de antigamente, arrematados com um "s" - plurais tradicionais, quatrocentões? Os plurais agora estão cada vez mais enrustidos, dissumulados, problemáticos. Cada vez menos plurais são assumidos. Os plurais agora precisam ser subentendidos.
Verdade seja dita: não somos os únicos no mundo a ter problemas com a maldita letra "s" no final das palavras. Os franceses, debaixo de toda aquela empáfia, há séculos desistiram de pronunciar o "s" dos plurais. No fracês oral, o plural é indicado pelo artigo, e pronto. Ou seja: eles falam "as mina" e "os mano" desde que foram promovidos de gauleses a guardiães da cultura e da civilização.
Os italianos também não podem com a letra "s" no fim das palvras. Fazem seus plurais em "i" e em "e" dependendo do sexo, ops, do gênero das palavras. Quando a palavra é estrangeira, entretanto, eles simplesmente desistem de falar no plural: decretaram que termos forasteiros são invariáveis, e tudo bem. Una foto, due foto; una caipirinha, quattro caipirinha. Quattro caipirinha? Hic! Zuzu bem!
Os alemães, metódicos que só, reservaram o "s" justamente a esses vocábulos estrangeiros que os italianos permitem que andem por aí sem plural. Com as palavras do seu próprio idioma, no entanto, os alemães são implacáveis. As palavras mais sortudas ganham apenas um "e" no final, mas as outras são flexionadas com requintes de tortura - com "n" (!) ou com "r" (!!), às vezes cem conjunto com um trema (!!!) numa vogal da penúltima sílaba (!!!!), só para infernizar a vida dos alunos do Instituto Goethe ao redor do planeta.
Práticos são os indonésios, que formam plural simplesmente duplicando o singular: gado-gado, padang-padang, ylang-ylang. Pelo menos foi isso que eu li uma vez. (Claro que não chequei a informação. Eu detestaria descobrir que isso não é verdade.) Já pensou se a moda pega aqui, feito aquele pavoroso cigarro de cravo? Um chopps e dois pastel-pastel.
Nem mesmo nossos primos de fala espanhola escapam da síndrome dos comedores de plural. Os andaluzes e praticamente todos os latino-americanos também não são muito chegados a um "s" final. Em vez do "s" ríspido e perigosamente carregado de saliva dos madrilenhos (que chiam quase tanto quanto os portugueses) , eles transformaram o plural num acontecimento sutil, perceptível apenas por ouvidos treinados. Em Sevilha, Buenos Aires ou em Santo Domingo, o "s" vira um "h" aspirado - lah cosah, lah personah, loh pluraleh.
Entre nós, contudo, a mutilação do plural não tem nada a ver com sotaques ou incapacidade de pronuncia fonemas. Aqui em São Paulo, a falta de "s" é um fenômeno sociocultural. Os pobres não falam plural por falta de cultura. Da classe média para cima, deixamos o plural de lado quando há excesso de intimidade. É como se o plural fosse algo opcional, como escolher entre "você" e "senhor". Se a situação exige, você vai lá e aperta a tecla PLURAL. Se a conversa for entre amigos, basta desligar, e os esses desaparecem em algum ponto entre o cérebro e a boca.
O que se deve fazer? Uma grande campanha educativa, com celebridades declarando que é chique falar os plurais? Lançar pagodes e canções sertanejas falando da dor-de-cotovelo causada por não usar "s" no final das palavras? Ou contratar um grupo de artistas alternativos para sair pichando nos muros por aí uma mensagem persuasiva? Tipo assim: OS MANOS E AS MINAS?

domingo, 26 de novembro de 2006

Olhos


Meus olhos e as Moscas volantes

“Moscas Volantes, ou muscae volitantes (Latim: "moscas esvoaçantes"), são fenômenos entópticos caracterizados por formas semelhantes a sombras que aparecem sozinhas ou junto com muitas outras no campo visual do indivíduo. Eles podem ter a forma de pontos, linhas, ou fragmentos de teias de aranhas, que flutuam vagarosamente em frente aos olhos.”
Eu nunca tinha ouvido falar disso na minha vida e eis que, há uma semana eu estava conversando com alguém quando de repente senti a presença de algo no meu campo visual, esfreguei os olhos, eu estava com minhas lentes de contato, poderia ser uma poeirinha, um fio minúsculo, quem usa lente sabe que tudo incomoda. Não saía dali a tal coisa. Tirei as lentes e botei os óculos, os tais pontinhos continuavam ali. Pensei que talvez as lentes tivessem machucado um pouco meu olho, embora eu não estivesse sentindo nada. Decidi esperar até o dia seguinte. Acordei e tudo estava do mesmo jeito. Então decidi que precisava de um oftalmologista. Ele me examinou por bastante tempo e disse que o que eu tinha era um problema no ‘vítreo’ e soltou a palavra ‘teia de aranha’. Ainda vou fazer outros exames, mas vim aqui na internet procurar informações com estes poucos dados de que dispunha. Li tudo o que achei em português e inglês...parece que é isso mesmo que eu tenho, os pontinhos, ou teinhas ou ‘moscas esvoaçantes’. De quebra descobri que o míope tem uma predisposição ao descolamento da retina. Aviso aos navegantes míopes, exame todo ano.

“As moscas volantes estão suspensas no humor vítreo, o fluido viscoso ou gel que preenche o olho.” Curioso o nome, curiosa a coisa. Esse ‘humor vítreo’ eu achei até bonito.

Ao que parece eu vou me acostumar com essa ‘sombrinha’ sempre aqui, logo vou saber mais.

As informações que colei aqui foram retiradas do Wikipedia.
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"O livro "And Tango makes three" é baseado na história real de dois pingüins machos do zoológico do Central Park, em Nova York, que criam um filhote de um ovo fertilizado. As aves fizeram um ninho, chocaram o ovo por 34 dias e formaram uma família com o bebezinho Tango.A história dos pingüins, que já serviu de piada num episódio da série Will and Grace, virou livro infantil, que não foi bem recebido na cidade de Shiloh, nos Estados Unidos. Muitos pais estão aborrecidos com o acesso do livro aos filhos, e com a relutância dos administradores das escolas em restringir sua circulação." (Continua...)
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

[Fraseologia das tragédias gregas]

"...aumentar o número de seus anos é aumentar o número de seus infortúnios."

"O bem mais desejável é inacessível ao homem porque é jamais ter nascido. E o segundo é retornar o mais breve possível para lá de onde se veio."

[Fraseologia das tragédias gregas]

Retirado de cronopios

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

sábado, 18 de novembro de 2006

Bélgica x 2 ?

Artigo de José Ramos, Retirado de Briteiros (Segunda-feira, Outubro 09, 2006)

Os quase três anos que passei na Bélgica serviram-me para passar de um estado de incompreensão sobre as rivalidades comunitárias no país para um estado de incompreensão sobre a existência do próprio país.Dois exemplos para ilustrar o que quero dizer: uma colega americana colocava os sacos do lixo à porta e ninguém os recolhia. Após uma aturada pesquisa descobriu que, como morava numa região flamenga, os sacos do lixo não podiam ter escrito “saco do lixo” em francês. Quando um polícia de origem flamenga me estendeu uma multa de estacionamento escrita em neerlandês, recusei. Acabou por confessar que não sabia escrever francês e pediu-me para que eu redigisse a minha própria multa (!?). Recusei de novo e poupei 250 francos.Como é que o País funciona? Não funciona. Há governos regionais, parlamentos regionais, partidos regionais e quase nada nacional. Duas instituições ainda os vão unindo: o Rei e a selecção de futebol. Só que o Rei tem cada vez menos importância e começa a ser contestado e a equipa de futebol começa a ser um problema porque, só podendo jogar 11 de cada vez, é difícil assegurar a paridade linguística.Ontem houve eleições locais na Bélgica. Como se esperava, a extrema-direita aumentou a votação um pouco por todo o lado na Flandres. Só não conquistou Câmaras porque os outros partidos formaram coligações a que chamam “cordão sanitário”. A extrema-direita belga não é só fascista e xenófoba, é também separatista. Não se sabe por quanto tempo o “cordão sanitário” vai aguentar. Os problemas continuam todos lá e entre histórias de corrupção, manobras politicas e rivalidades regionais, os eleitores vão deslizando para a extrema-direita e, a continuar assim, nas legislativas do próximo ano não há cordão que lhes valha. Isto poderá significar que o próximo País a entrar na UE não será a Croácia ou a Turquia ou até a Ucrânia mas a Bélgica vezes dois. Será, então, interessante ver como é que a UE vai lidar com o assunto e, sobretudo, o que vai fazer com uma Flandres governada pela extrema-direita.Ainda não chegámos lá mas também já estivemos mais longe.Vejamos contudo as coisas pelo lado positivo: pode ser que a selecção portuguesa de futebol possa ter que enfrentar duas selecções fraquinhas em vez de uma mediana.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006


Olá, pessoal! Meu blog ficou tanto tempo abandonado, não vai ser fácil limpar a poeira acumulada...mas já volto. Abraços.

PS: Quanto ao artigo de Emir Sader devo dizer que eu tampouco gostei do artigo dele, o que é estranho não é o artigo, é a sentença. Continuo achando estranha, me desculpem. Por muito menos que isso a Veja e cia saem gritando 'Censura!' 'Censura!' Ok, o artigo de Saber é uma lástima, uma pobreza, interpretou com quis a palavra 'raça', concordo com tudo isso, mas não há nada ali que não tenhamos lido em outros lugares, na coluna daquele cara da Veja que já não leio faz tempo e nunca vi um tal escândalo, ou melhor, uma tal sentença. Honestamente lembra maccartismo.
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A jovem Marguerite Duras e a verdade sobre seu amante e Morte em Veneza no RoseLivros.

domingo, 5 de novembro de 2006

Old Boy


A vantagem de não se viajar em feriado é ver um daqueles filmes que a gente tem na lista e nunca acha tempo...ou vários deles de uma só vez. Eu vi, finalmente, OLD BOY, um filme de 2003. Adorei o filme, mas eu não preciso de muito para gostar de um sobretudo se estiver fazendo um friozinho. Esse OLD BOY é bem maluco, muito mais do que eu imaginava ou do que a sinopse fazia acreditar. Um homem é sequestrado e fica preso e só durante 15 anos...q u i n z e. Um belo dia, quando está quase conseguindo fugir, é libertado sem mais nem menos. Recebe um celular e dinheiro de um mendigo, logo uma chamada lhe propõe um jogo, que ele descubra, por ele mesmo, a razão da sua prisão.
Old Boy é um desses filmes cheio de surpresas, em que é melhor ficar muito atento aos detalhes, o próprio diretor Park Chan-Wook disse que fez um filme para ser visto e revisto. Isso não significa, claro, que não é possível compreender o filme numa vez. é um filme intrigante, com cenas ora bonitas ora muito estranhas, dessas que ficam na nossa cabeça. Ele recebeu o Grand Prix em Cannes em 2004 quando Tarantino presidiu o Juri.


quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Relações perigosas no RoseLivros por Claudinei Vieira Desconcertos

“Relações Perigosas” é um verdadeiro tratado de maquiavelismo pessoal e social. Os personagens principais, o Visconde de Valmont e sua amiga/amante/adversária Marquesa de Merteuil possuem um único propósito na vida: brincar com os sentimentos, a vida e os destinos das pessoas que, por azar, estejam sendo alvo dos seus interesses.”

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Gostei deste texto que li no Digestivo Cultural -
`Eu montei um blog porque gosto de escrever e – isto é difícil admitir – de ser lido. Não sinto aquela compulsão, aquela obrigação quase fisiológica, da qual alguns artistas reclamam. Nem acho, aliás, que estou fazendo alguma coisa muito importante ou que tenho opiniões muito originais. Simplesmente acho legal. Acho divertido ir ao cinema, ler um livro, almoçar num restaurante, viajar, assistir a um jogo de tênis, e depois escrever alguma coisa sobre o assunto`
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Essa que eu achei no Briteiros é ótima: Fátima por procuração
Se você fez promessa de ir a Fátima e agora não se sente em condições de ir é só contratar esse 'pagador de promessas' por 2.500 euros ele fará o caminho por você, está tudo explicado aí no site dele em português, inglês, francês e espanhol.

domingo, 29 de outubro de 2006

Ana Cristina César (1952-1983)



Um Beijo

que tivesse um blue.

Isto é

imitasse feliz a delicadeza, a sua,

assim como um tropeço

que mergulha surdamente no reino expresso

do prazer.

Espio sem um ai

as evoluções do teu confronto

à minha sombra

desde a escolha

debruçada no menu;

um peixe grelhado

um namorado

uma água

sem gás

de decolagem:

leitor embevecido

talvez ensurdecido

"ao sucesso"

diria meu censor

"à escuta" diria meu amor

Ana Cristina César, morreu no dia 29 de outubro de 1983.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Enfim

Estou contente de ver chegar o dia....o dia 29. Não vou votar, já disse antes, não cuidei da burocracia a tempo e ainda estou inscrita no consulado em Bruxelas. Estou contente pelo seguinte, não aguento mais receber e-mails chamando o Lula de Santa e rapadura. Alguns dizem que recebem mensagens tanto contra o Lula quanto contra o Geraldo, eu não recebi uma mensagem contra o Geraldo. Para os meus amigos e os não amigos que têm o meu e-mail só o Lula é que erra ou então querem me salvar do fogo do inferno petista. Acontece que eu nunca fui petista. É verdade, votei no Lula desde que nasci, sou retardada mental de acordo com muitas das mensagens recebidas. Pois é. Acreditei sim...e sofri, como muita gente vem sofrendo, mas não votaria em Geraldo por nada. Tivesse que votar agora eu não tenho certeza do que faria, mas no Geraldo não, isso não.
Fiquei chocada também quando vi, aqui em Curitiba um adesivo em um carro que mostrava uma mão com quatro dedos e o traço de proibido/não. Muita gente acha engraçado, até amigos meus. Eu devo ter perdido a capacidade de rir porque não vi a mínima graça, muito pelo contrário. Acho sim, uma total falta de respeito e já sei que vão me dizer que falta de respeito foi o que o PT fez. É falta de respeito também, é mesmo, ainda assim não vejo razão e não percebo em quê esse adesivo ajuda. Talvez seja um problema meu não gostar de piadinhas sobre um 'defeito' físico. Eu me lembrei da minha prima que é cega andando na rua, esbarrando em alguém e escutando "Não olha pra onde anda não, parece que é cega!" Ela me contou rindo, mas é um riso assim meio amargo...o pai de uma das minhas melhores amigas veio da Bahia para São Paulo, logo nos primeiros anos de trabalho na cidade ele perdeu uma mão (não um dedo, teve menos sorte) numa máquina...no seu primeiro trabalho, lá se foi a mão. Então talvez eu não ache graça por estar cercada demais desse tipo de história (tenho muitas e algumas bem recentes). Então, não é por ser a 'mão do Lula', é pela grosseria da propaganda. E nada disso é política. Ou é? Ando tão confusa.
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por Aluízio Alves Filho Revista Achegas

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Milton Hatoum no Rosebud



Uma novela exemplar

"Na literatura brasileira, não são numerosos os prosadores que conquistaram um grande público leitor. Desse punhado de best-sellers, nenhum foi tão popular como Jorge Amado. E isso se deve a vários aspectos. O escritor baiano não se preocupou em criar uma linguagem inovadora, nem mesmo em estruturar ou organizar a narrativa com ousadia, como fez Osman Lins em Avalovara, Nove, Novena e A rainha dos cárceres da Grécia."
Continua no Rosebud Livros
Milton Hatoum

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Atlanta - Stone Mountain

Fiz esta foto em Atlanta, em um lugar chamado Stone Mountain. O lugar não é excepcional, mas eu gosto da foto. Isto é uma Slave cabin, isto é, uma réplica de moradia de escravo...acredite quem quiser que havia todas estas frutas na mesa deles e essa cortininha esvoaçante. Enfim...

Mais fotos minhas em Diletante

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Madame Pommery no Rose


Madame Pommery, de Hilário Tácito

"Assim, só para dar um exemplo, um dos freqüentadores do bordel, Mangancha, apresentou sua versão pessoal para a implementação da eugenia social – a criação de uma raça de super-homens a partir do alcoolismo como meio de seleção. Segundo Mangancha, o álcool seria calor em estado puro, o alimento mais concentrado de todos. Depois de uma hiperexposição das pessoas aos efeitos do poderoso alimento, apenas os mais fortes sobreviveriam."

Continua no Rosebud por Daniel Faria.

domingo, 15 de outubro de 2006

Oscar Wilde


Num dia 15 de outubro, em Dublin, nascia Oscar Wilde. A biografia dele é mais conhecida que a obra. Eu gosto da obra e da biografia, ou seja, da pessoa inteligente, bonita e extravagante que ele foi e é lamentável que a literatura tenha perdido tanto por causa do preconceito. Uma das cartas mais lindas que eu já li foi De Profundis, Oscar Wilde a escreveu da prisão ao rapaz responsável por ele se encontrar ali. O seu livro mais conhecido é, sem dúvida, O retrato de Dorian Gray.
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"É o que você lê quando não tem que fazê-lo, que determinará o que você vai ser quando não puder evitar." Oscar Wilde
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Num 15 de outubro nasceu também meu pai, tão bonito quanto o Oscar Wilde, mas acho que ele não vai gostar se eu colocar uma foto dele aqui.
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Memória de minhas putas tristes, Gabriel Garcia Márquez por Urariano Mota no Rose.

sábado, 14 de outubro de 2006

Meu último conto - Anjos de Prata

Music and Literature by William M. Harnett


Concepção

Estou aqui de mãos vazias, Ida. Escute este desconhecido antes de mandá-lo de volta para o lugar de onde veio. Sou um homem triste e sombrio, mas não sou perigoso, observe o meu perfil e escute. Ida, você não é santa, eu te fiz assim, estou te fazendo assim. Venha à luz, por deus, pelo diabo que seja, não quero me revelar não, Ida, não tenha medo. Hoje você foi a escolhida, será esculpida a cinzel ou desenhada a crayon. Culpas tenho muitas e de nada me servem. Minto, serve-me, é assim que crio, por causa dela e com ela. É assim que te concebo, Ida. Daqui a pouco você estará pronta, paciência com o pobre Lúcio, molde-se, apareça, evolua. Vou à cozinha, tomarei um copo d´água. Ou dois, tudo dependerá da minha garganta, e quando eu voltar estarei pronto para você e espero que esteja pronta para mim. Sentarei de novo aqui nesta mesma cadeira e esperarei que meus dedos deslizem ágeis, que você me procure antes de eu procurá-la, que você se construa espontaneamente. Eu, Lúcio, estou cansado, Ida, já lhe dei um nome, a feição não importa muito. Se eu morresse agora, se eu morresse a caminho da cozinha, antes do copo d´água? Eu te amo tanto, Ida. Você nem está pronta e eu já te amo, porque preciso de você com um futuro, um passado, com suas veias e suas vias. Sou tão só, dependo tanto de você neste momento. Eu vou, então à cozinha....
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Resenha minha no Rose