sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Um conto meu


Mundinho

A árvore cumpria a sua história, o seu dever era proporcionar aquela sombra, balançar vez ou outra provocando uma brisa – ou balançar sob o efeito da brisa? – enfeitar a vista de Raimundo quando, de manhã, ele abria a janela. Tarefas aparentemente simples que a árvore desempenhava à perfeição desde o nascimento de Raimundo, mais conhecido como Mundinho. E ele nunca tinha parado para pensar nisso. Nem na árvore nem nele mesmo. Se esse era o papel da árvore, qual seria o dele? Ali tinha nascido e dali nunca tinha saído. Sair para quê e para onde? Mas ele, afinal de contas, não era uma árvore. Não tinha, por dever, descobrir coisas? Ir, um dia, até São Paulo, por exemplo que nem era tão longe. Mas para quê? Seu pai tinha lhe deixado aquelas terras e tinha dito que ele era a continuação daquilo. Então, ali se fincou, em outro lugar não podia ser. Raimundo nunca quis mulher ou filhos. Ou quis e já se esquecera? Tinha gostado da Ruth, muito, mas não deu certo, além disso, mulher era trabalho que não acabava mais, bastava olhar para o seu irmão com aquela chata sempre no encalço. Não, ele não necessitava dessas complicações. Ruth tinha preferido um vadio, um sem eira nem beira que apareceu do nada, sem raiz, sem nome de família. ‘Sem eira nem beira, mas com coragem, e é isso que eu quero, um homem com coragem, não um borra-botas como você que nem para pedir a minha mão serviu depois destes anos todos.’ Borra-botas! E lá se foi com o corajoso, contrariando todo mundo, pai, mãe, irmãos. Fez ele muito bem em ficar por ali, vivia na sua vidinha parada de árvore, fumava seus cigarrinhos e, é verdade, vez ou outra acordava assim, com a cabeça cheia de perguntas, depois passava, como tudo na vida. Um bom café, uma visita ao vizinho que podia até render um carteado e pronto, desanuviava. Sua vida era aquela mesmo, cada um nasce para uma coisa determinada. São Paulo pra quê? Poluição, enchente, medo. Já tinha ido lá quando tinha uns….quantos mesmo? Uns dezoito ou dezenove anos. Bastava. Não tinha nenhuma necessidade disso e nem dinheiro sobrando.

‘Mundinho!’ ‘Que é, Isaura?’ Desde o infarto que a irmã não o deixava em paz, toda manhã estava ali, Mundinho mede a pressão, Mundinho não esquece do remédio. ‘Isaura, que é que foi feito da Ruth?’ ‘A Ruth, mas eu já te falei mais de uma vez, casou-se com o Otávio.’ ‘Que ela se casou com o tal Otávio eu já sei, né, Isaura, eu quero saber do depois.’ ‘O depois também eu já te falei, Mundinho, foram para São Paulo, Otávio virou um advogado famoso, vivem nos Jardins, num apartamento enorme, têm três filhos e um netinho. Pronto.’ ‘Ah, é? Você não tinha me falado, já é avó, é?’ ‘É, Mundinho, já te falei sim.’ ‘E você viu ela avó?’ ‘Vi, isso também eu te falei.’ ‘Isaura, o que é um borra-botas?’ ‘Um borra-botas, no meu entender….’ ‘É claro que é no seu entender, Isaura, se eu tô perguntando pra você, vai ser no entender de quem? No meu eu já sei, né!’ Mas era mal-humorado esse Mundinho, tinha feito muito bem a Ruth de se casar com o Otávio. Ficou chateada com ela na época por largar o irmão assim de uma hora pra outra, mas o tempo provou que tinha razão e voltaram a ser amigas. Mundinho, com a idade, só fazia piorar, ranzinza que só ele. Coitado, era seu irmão, fazer o quê, tinha que ajudar. ‘Mundinho, olha, deixa a Ruth lá no lugar dela, toma os seus remédios e mede a sua pressão.’ ‘Mania de medir pressão, Isaura, todo dia a mesma novela.’ ‘Raimundo, faça do jeito que quiser, então, eu tenho que ir, o aparelho está ali e já te ensinei como é que se faz, eu vou pra escola.’ Quando a Isaura dizia Raimundo é que já estava perdendo a paciência. Lá se foi no fusquinha dela. Quando é que ia se aposentar, essa coitada? Já estava em tempo. Dizia que gostava de dar aulas, quem podia gostar de dar aulas, passar cinco horas ou mais agüentando aqueles moleques barulhentos e mal educados? Só a Isaura mesmo, uma santa, era até irritante. Irritante também era essa mania de falar feito professora mesmo em casa, ‘no meu entender!’ No final das contas ela só tentava ajudar, ele é que era muito impaciente, perdia fácil as estribeiras.

Raimundo se levanta, toma o remédio e, encostado na janela olha de novo para a árvore. Quer dizer que ele ia morrer e ela ia ficar? Muito bem, pensou, me viu nascer e vai me ver morrer. E foi ali, debaixo dela que ele e a Ruth começaram a namorar, ali que trocaram algumas carícias rápidas, havia sempre alguém por perto. Macias as mãos de Ruth, cheiroso o seu cabelo, quando a brisa dava nele Mundinho respirava mais fundo. Nunca, nunca perdia a calma com Ruth e nunca perderia se ela tivesse esperado, se tivesse aceitado ficar ali. Aquele não era o mundo da Ruth e nem para a Ruth, tinha nascido no lugar errado e foi procurar o lugar certo. Assim são as coisas.

Mundinho sai da janela, vai até a cozinha, serve-se do café que a irmã deixou na garrafa térmica. Da porta contempla de novo a árvore, caminha devagar até ela. O caminho, outrora tão curto, agora parecia terrivelmente longo. Mas Mundinho não tinha pressa, sentia uma calma que nunca experimentara antes em sua vida. Alcança a árvore, toca o tronco áspero com sua mão tremente, a outra mão aperta o peito do lado esquerdo, por onde um mistério o invade. Deita-se ali, apoia a cabeça no tronco e fecha os olhos para descansar.

Sob o cedro, Raimundo repousa em paz.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Salve a sua vida


Se você anda preocupado com as mudanças climáticas dos últimos anos, se se sente impotente diante das perspectivas ambientais e também tem a impressão de que a cavalaria não virá para nos ajudar; se gostaria de poder fazer algo mas não sabe por onde começar, não tem a certeza de que as suas ações causariam efeito mas está disposto a fazer algo realmente importante, adote o seu planeta. É simples assim:
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Salve a sua vida.
Esta é uma campanha voluntária, popular e internacional. Não tem patrocinador nem proprietário; ela é tão sua quanto minha e começa agora. Não espere convite ou intimação. É você quem decide.Descubra o que você pode fazer para ajudar a salvar o planeta. Feche a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba; deixe o carro na garagem e use mais o transporte coletivo; desligue o ar-condicionado uma hora antes; não compre produtos da empresa que polui; troque o atum em lata por peixe fresco; exija que a prefeitura da sua cidade adote um programa eficaz de reciclagem de lixo e controle se ele realmente funciona; desenvolva atividades ao ar livre com seus alunos; descubra como substituir as embalagens da sua empresa por material reciclado e biodegradável; divulgue a campanha no jornal, rádio ou tv onde você trabalha e informe os resultados periodicamente; use somente metade das lâmpadas do escritório e da sua casa; desenvolva um equipamento anti-poluente. Enfim, tem sempre alguma coisa que pode ser feita.Convide a sua associação, a sua comunidade ou seus amigos a descobrirem como podemos salvar a Terra com pequenas ou grandes ações, cada um fazendo o que for possível. Participe, divulgue e incentive, mas não espere por ninguém.Faça a sua parte.

PS – Este texto pode ser copiado, traduzido, impresso e divulgado em qualquer meio sem prévia autorização, exceto para fins comerciais.

Parabéns São Paulo!


Adoro São Paulo embora nunca tenha vivido na cidade. Acho que viver ali seria complicado para mim, mas sem dúvida me sinto bem e em casa. Parabéns!
A foto não é minha, emprestei daqui.
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Resenha minha - La raison d'être de la littérature de Gao Xingjian no RoseLivros.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Um domingo no museu

Aproveitei a visita da minha irmã e fui ao museu Oscar Niemeyer (Museu do Olho) que eu só conhecia por fora. Bom, muito bom, estava precisando de um passeio destes. Uma pena que enrolei muito e perdi a exposição Tesouros do Japão.
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A Denise do Síndrome de Estocolmo fez um (mais de um, na verdade) excelente post sobre ABORTO. Vale a pena ler não só a parte da opinião como também uma pesquisa que ela fez sobre O Aborto na história.
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Briteiros: O Togo juntou-se ao círculo restrito dos países africanos que beneficiam de uma lei liberal sobre o aborto. Em 22 de Dezembro p.p., o Parlamento revogou uma lei de 1920 que só o autorizava nos casos em que a vida da mulher estava em jogo.
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La raison d'être de la littérature de Gao Xingjian no RoseLivros.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Mais Estranho que a Ficção


O Filme deste fim de semana foi Mais Estranho que a Ficção. Não é um filme perfeito, mas as coisas imperfeitas também nos tocam e este me tocou muito. Você pode ler um pouco sobre o filme no blog da Laura, Para que servem as ficções, um artigo de Contardo Calligaris ou a sinopse em Cinema com Rapadura.
Os atores são todos muito bons, a atriz Maggie Gyllenhaal que faz a padeira, Ana Pascal, é a mesma do interessantíssimo A Secretária. Emma Thompson é a escritora em crise que precisa encontrar um meio de matar o seu personagem. Will Ferrel é o personagem que escuta a narração de sua vida e tenta desesperadamente mudar o final, ou seja, convencer a escritora a deixá-lo viver, promete que vai se transformar e isso e aquilo, porém, ao ler o livro (o manuscrito) concorda que melhor fim não poderia haver. Aceita o seu destino em nome da literatura...mas ainda não é o final.
O roteiro é de Zach Helm, não me lembro de ter ouvido falar dele antes, acho que é bem jovem. E tem idéias.
Mais aqui.
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La raison d'être de la littérature de Gao Xingjian no RoseLivros.
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sábado, 20 de janeiro de 2007

Blog for Choice


Portugal está em polvora com essa questão do aborto porque logo haverá um referendo. Tenho acompanhado um pouco o debate através do Blog Briteiros e no Diário Ateísta.

Hoje mesmo Briteiros trata do assunto:

O nosso lugar no mundo


Aproximadamente 25% da população mundial vive em países com leis sobre o aborto altamente restritivas, principalmente na América Latina, África e Ásia. Em alguns países, como o Chile, as mulheres ainda vão para a prisão por praticarem um aborto ilegal. A despenalização do aborto evita o sofrimento desnecessário e/ou a morte de muitas mulheres. A legislação restritiva do aborto viola os direitos humanos das mulheres estabelecidos com base na Conferência Internacional sobre a População e o Desenvolvimento da ONU no Cairo, na Quarta Conferência Mundial das Mulheres em Pequim e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Continua....

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Hilda Hilst

Extraido de: Tu não te moves de ti
Hilda Hilst
Editora Globo

“Por que é que estou vivo? Por que é que estamos todos vivos, hein Gastão, hein Rute? Aquele prêmio Nobel japonês suicidou-se
Quem? Por que?
Porque não havia mais cerejeiras nem
São uns loucos esses caras que escrevem
Cerejeiras é?
Era só plantar uma, mas que lagosta incrível, Rute,
Olhem só a lagosta vem vindo esse pessoal escritor
é muito esquisito
ninguém lê mais hoje em dia, não há tempo
há vinte anos que não pego num livro
mas está linda a cara da lagosta
e ler o quê também? São todos uns frustrados, têm todos
um rei na barriga
só porque garatujam umas besteiras pensam que são mais, queria só ver esse pessoal todo o dia no batente, falando com banqueiros, lendo os relatórios enlouqueciam
era só ter um pouco de tempo e eu seria escritor
mas não se suicidaria, não é benzinho?
Claro que não, não ia deixar a minha mulherzinha”

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Sartre


Liberdade é querer o que a gente pode.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Bruxelas


Place Meiser, um dos lugares onde morei por alguns anos em Bruxelas. Fiz esta foto da janela em 2005. Já não estava mais morando lá, minha irmã ocupava o mesmo apartamento, agora já se mudou. Este lugar não é bonito, as ruas do lado são tranquilas, mas esta praça é infernal porque os carros chegam de várias avenidas, inclusive do aeroporto. Eu devo ter feito a foto num fim de semana ou muito cedo porque quase não há carros. Aquela torre que se vê no fundo é da RTBF, a televisão belga. Não muito longe, numa das ruas tranquilas, tem a casa onde viveu o pintor René Magritte, aquele surrealista do Ceci n'est pas une pipe. Et voilà, uma quarta de recordações, vai ver que é porque hoje minha irmã que vive na Bélgica está chegando por aqui.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Mulher e propaganda de cerveja...again.

Outro dia eu postei um artigo da Folha de São Paulo sobre o assunto, depois daquele artigo procurei um pouco mais sobre isso na internet e vi que há muita gente que odeia tanto quanto eu essas propagandas bestas que associam mulher e produto. Ainda bem que muita gente repudia este tipo de marketing, homens inclusive. Depois tentei me lembrar das propagandas de cerveja nos outros países onde vivi, não me lembrava de nenhuma dos Estados Unidos. Normal, aparentemente a propaganda de cerveja lá é proibida. Lembrei-me de várias da Bélgica (o país das cervejas), uma em especial era muito engraçada, mas difícil de explicar. Eram dois caras conversando sobre o processo da Kriek, uma cerveja de cereja. Nunca vi, por lá, propaganda de cerveja usando mulher boazuda. Eu detesto o gosto da cerveja, mas conheço muita mulher que gosta, por que razão as propagandas de cerveja no Brasil não levam este público em conta? Mesmo mulher que gosta de mulher odeia aquele estereótipo usado nas cervejas. E como disse acima, muitos homens também, felizmente. Mas há sempre uns bestalhões que compram a idéia. Não é só a cerveja, algumas propagandas de carro vivem associando mulher e coisa. Compre o carro e leve o brinde. Decerto.
Achei mais este artigo de Marilene Felinto na Caros Amigos, transcrevo uma parte:
"A campanha publicitária maciça e persistente intensifica-se no verão. Veiculada principalmente pelos canais de televisão, uma guerra surda vai opondo as diversas marcas de cerveja que associam ad nauseam a imagem do consumo dessa bebida à aquisição de uma mulher “boa”, “gostosa”, “redonda”, “bonita” etc. As propagandas são de uma manipulação tão descarada que andam agora usando como símbolos de homens bem-sucedidos no consumo de cerveja (e na conseqüente aquisição de uma mulher “boa”) sujeitos barrigudos e mesmo com histórico de alcoolismo comprovado!"
(...)
"Faz alguns meses que um episódio relacionado à ascendência devastadora da propaganda sobre as mentalidades jovens me impressionou. Por ocasião da campanha da Schincariol, cujo slogan era “Experimenta”, tive oportunidade de testemunhar um grupo de meninas indo a um baile à fantasia fantasiadas de garrafa de cerveja. A parte de trás do short que usavam estampava, em letras grandes: “Experimenta”! Diante disso, para que serve a frase inócua – “aprecie com moderação” – que “regulamenta” os tais anúncios de cerveja? Que regulamentação é essa? Por que não proíbem de vez os anúncios como proibiram os de cigarro? Existe um mal pior entre o fumo e o álcool?"

Marilene Felinto é escritora e jornalista.
Retirado de Caros Amigos

domingo, 14 de janeiro de 2007


Lá se foi mais um ano...e já foi tarde. Bom, não vou ser tão ranzinza e renegar um ano inteiro, mas que foi duro foi, como deve ter sido o da maioria. Sentei aqui para pensar no 2006, fazer uma pequena reflexão, é bom fazer isso de vez em quando.Se essa reflexão não for digitada não ficará completa, eu vou me perder. A última sacudidela do ano eu me lembro bem, vou começar por ela. Foi a minha irmã telefonando de Bruxelas muitas vezes por semana para me falar da briga com o namorado - claro que eu não tenho nada com isso, o problema é o que veio depois, bem no meio da briga....ela me liga e diz, ‘acho que estou grávida’. Mas o problema ‘real’ por assim dizer não é minha irmã ‘se descobrir’ grávida no meio da confusão sentimental. O problema é (era, já é passado) a gravidez da minha irmã. A gravidez, un point c’est tout! Why? (Eu sempre escrevo why, perché ou pourquoi nesses casos aqui pela seguinte razão, é que eu me esqueço das regras do porque, por quê, etc ao invés de verificar eu tasco o correspondente em outra língua ....) Bem, a gravidez da minha irmã, no fundo, é também problema dela, mas ela nos pegou de surpresa. Minha irmã grávida, em princípio, causa muita estranheza. Nunca pensei que ela fosse ter filhos, nem eu nem ninguém da minha família. Até minha mãe, quando recebeu um telefonema dizendo “Você vai ser avó de novo”, pensou em todas as possibilidades exceto na dita irmã. Foi inesperado, minha irmã nunca demonstrou interesse por crianças, tinha horror de mulher grávida (desculpem, mas é verdade, ela achava muito estranho e dizia isso)...agora, quando o calendário dela ia apontando quarenta, ela pimba, sucumbiu ao instinto materno. Só pode ser isso. Bom, daí ela e o namorado fizeram as pazes, etc e tal e nós, a família, já estamos nos acostumando com ela ‘grávida’ e com mais um rebento. Assim falando parece que não estamos gostando, mas é difícil explicar esse choque. Eu gosto de crianças e já estou começando a curtir, eu só fico meio horrorizada é com a coragem das pessoas de colocarem mais uns serezinhos neste mundo. Mas o tal instinto decerto explica essa parte.
Antes disso muitas coisas aconteceram neste 2006, inclusive mais uma mudança, muita enxaqueca, desentendimento com um amigo, o que foi muito chato mas também faz parte da vida, acidentes com gente da família (disso eu não quero nem lembrar). Há sempre as pequenas alegrias, as risadas em família, com amigos...Não é só desgraça. E há os livros, ajuda muito. Sério.

O balanço das leituras, então. Poderia ter sido mais seletiva, mais organizada, mas está bom, li alguns bons autores, Mishima, Tanizaki, Bishop, reli Sartre, li mais um livro de Rubem Fonseca para constatar que não é mesmo o meu gênero. Não que ele não seja bom, eu é que não gosto dele, pelo menos do que li até aqui. Adorei uma HQ, O Menino do Kampung, de um desenhista malaio. Muito poética. Outra HQ importante foi Maus, de Art Spiegelman e Derrotista, de Joe Sacco. Li Dalton Trevisan, todo ano eu leio pelo menos uns três livros dele, todos bem pequenos, com aqueles contos minúsculos... sempre bom. Li Virginia Woolf. E li muitos trabalhos de amigos, excelentes trabalhos. Vi alguns bons filmes, um dos melhores foi Old Boy em dvd, um dos piores foi Brasília 18º, no cinema mesmo, fosse em DVD eu acho que teria desligado antes. No cinema eu não podia sair, estava acompanhada e não sabia se os outros estavam gostando. De qualquer modo é raro que eu abandone um filme pela metade no cinema.

Vixi, tanta coisa cabe num ano. Tantas alegrias e tristezas, encontros, desencontros, erros, acertos...vamos parando por aqui.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Tita

Tita é uma artista brasileira que vive na Alemanha, uma vez a encontrei num vernissage em Bruxelas e uma ou outra vez na casa de um amigo brasileiro. Esse mesmo amigo me enviou um presente, um caderno lindo, junto com este cartão ilustrado com um trabalho da Tita do Rêgo Silva.
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Djanira no RoseLivros por Vera do Val - Rose Rose Rosebud

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A cerveja e o Assassinato do Feminino

Berenice Bento Folha de São Paulo

HÁ MUITAS formas de se assassinar uma mulher: revólveres, facas, espancamentos, cárcere privado, torturas contínuas. Mesmo com um ativismo feminista que tem pautado a violência contra as mulheres como uma das piores mazelas nacionais, a estrutura hierarquizada das relações entre os gêneros resiste, revelando-nos que há múltiplas fontes que alimentam o ódio ao feminino.

Como não ficar estarrecida com a reiterada violência contra as mulheres nos comerciais de cerveja? Com raras exceções, a estrutura dos comerciais não muda: a mulher quase desnuda, a cerveja gelada e o homem ávido de sede. As campanhas são direcionadas para o homem, aquele que pode comprar.

Alguns exemplos: uma mulher faz uma pequena dissertação sobre a cerveja para uma audiência masculina, incrédula de sua inteligência. Logo o mal-entendido se desfaz: claro, uma mulher não poderia saber tantas coisas se tivesse como mentor um homem; a mulher é engarrafada, transformada em cerveja; um mestre obsceno infantiliza e comete assédio moral contra uma discípula; ela é a BOA. Quem? O quê? A mulher ou a cerveja?

Todos os comerciais são de cervejas diferentes e estão sendo exibidas simultaneamente. Nesses comerciais não há metáforas. A mulher não é "como se fosse a cerveja": é a cerveja. Está ali para ser consumida silenciosamente, passivamente, sem esboçar reação, pelo homem. Tão dispensável que pode, inclusive, ser substituída por uma boneca sirigaita de plástico, para o júbilo de jovens rapazes que estão ansiosos pela aventura do verão.

Se já criminalizamos alguns discursos porque são violentos, não é possível continuarmos passivamente consumindo discursos misóginos a cada dia, como se o mundo da televisão não estivesse ligado ao mundo real, como se as violências ali transmitidas tivessem fim no click do controle remoto.

Embora a matéria-prima para elaboração desses comerciais esteja nas próprias relações sociais, nas performances ali apresentadas há uma potencialização da violência. Não há uma disjunção radical entre violência simbólica e física. Há processos de retroalimentação.

A força da lei já determinou que os insultos racistas conferem ao emissor a qualidade de racista. Também caminhamos para a criminalização da homofobia em suas múltiplas manifestações, inclusive dos insultos. Por que, então, devemos continuar repetidas vezes ao longo do dia a escutar "piadas" misóginas, alimentando a crença na superioridade masculina sem uma punição aos agressores?

Sabemos da força da palavra para produzir o que nomeia, sabemos que uma piada homofóbica, racista, está amarrada a um conjunto de permissões sociais e culturais que autoriza o piadista a transformar o outro em motivo de seu riso. Agora, é incalculável o estrago que imagens reiteradas de mulheres quase desnudas, que não falam uma frase inteligente, que estão ali para servir a sede masculina, invisibilizadas em duas tragadas, provocam na luta pelo fim da violência contra as mulheres.

Da mesma forma que o "piadista" racista e/ou homofóbico acha que tudo não passa de "brincadeira", o marqueteiro misógino supõe que sua "obra-prima" apenas retrata uma verdade aceita por todos, inclusive por mulheres: elas existem para servir aos homens. E como é uma verdade aceita por todos, por que não brincar com ela? Ou seja, nessa lógica, ele não estaria fazendo nada mais do que reafirmar algo posto. Será? Não é possível que defendam aquela sucessão de imagens violentas como "brincadeiras".

Essa ingenuidade não cabe a alguém que sabe a força da imagem para criar desejos.

O que pensam os formuladores dos comerciais? Que tipo de mulheres habita seus imaginários? Por que há essa obsessão pelos corpos femininos? Será que eles ainda pensam que as mulheres não consomem cerveja?
Não se trata de negar a mulher-consumível, coisificada, pela mulher consumidora, mas de apontar os limites de uma estrutura de comercial que peca inclusive em termos mercadológicos.

Tal qual o assassino que matou sua esposa acreditando que sua masculinidade está ligada necessariamente à subordinação feminina, a cada gole de mulher, o homem sente-se, como em um ritual, mais homem. Conforme ele a engole, ela desaparece de cena para surgir a imagem de um homem satisfeito, feliz; afinal, matou sua sede. É um massacre simbólico ao feminino. É uma violência que alimenta e se alimenta da violência presente no cotidiano contra as mulheres.

BERENICE BENTO é doutora em sociologia, pesquisadora associada do Departamento de Sociologia da UnB e autora do livro "A Reinvenção do Corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual".
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Mais em
Rabisco: O FIM DA CRIATIVIDADE Publicitários sentem saudades de quando o uso de mulheres seminuas era liberado (e vital) nos anúncios de cerveja. Por Michel Neil.
Mídia Independente: Entidades denunciam propagandas de cervejas. Integrando um conjunto de ações contra a opressão das mulheres, entidades irão denunciar propagandas de teor sexista, em especial as propagandas de cerveja que, neste ano, voltaram a abusar da mercantilização do corpo feminino em suas campanhas comerciais, da discriminação contra mulheres idosas e de mensagens subliminares que incitam o interesse sexual em relação a adolescentes e meninas.
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Lendo Chekhov para começar bem o ano...


Terminei 2006 lendo Chekhov e comecei 2007 lendo Chekhov....acho que vai ser o ano dos russos. Para mim, claro. Comprei este livrinho por menos de um dólar num sebo em Seattle, há quase dois anos. Chekhov não merecia ter passado dois anos ali na estante, mas...c'est la vie. Lembro-me do momento exato em que o comprei, eu pensava que não devia comprar mais um livro porque já tinha comprado tantos e livro pesa, não é? Mas era tão pequeno e tão barato que não resisti. Não ia pesar nem no bolso e nem na mala. Ainda bem que tomei esta sábia decisão.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

JOSÉ MINDLIN










A transformação pelo livro

Antes do livro, eu não era nada. Comecei a ler muito criança, de modo que não houve propriamente uma transformação. Mas foi um dos elementos mais importantes de minha formação. Quem não lê não sabe o que está perdendo. Porque, realmente, a leitura abre os horizontes da pessoa. Fiquei tendo uma visão de mundo bastante ampla. Tive sempre um prazer enorme na leitura. A leitura é uma fonte de prazer e deveria sempre ser apresentada como tal. Desperta a imaginação. Distrai. É uma coisa que, para mim, parece tão óbvia que fica até difícil de explicar. Faz parte da minha vida.
Analfabetismo
A leitura, primeiramente, teve como adversário o analfabetismo. Hoje, nós ainda temos analfabetismo no Brasil, numa proporção que eu chamaria de escandalosa. Deve estar perto de 20%. Vinte por cento da população é analfabeta. Mas se é verdade que 80% sabem escrever, penso numa frase de Monteiro Lobato. Ele dizia: "O Brasil tem 80% de analfabetos, e 19% que não sabem ler". Há uma grande diferença entre alfabetização e saber ler, entender o que se está lendo. E aí volta o problema da educação. A geração que hoje está na infância precisa ter noções de cidadania para daqui a 20 anos formar um eleitorado brasileiro consciente, capaz de escolher bem. Nós temos um eleitorado escandalosamente grande e mal preparado. Cento e vinte e cinco milhões de eleitores para um país de cento e oitenta e poucos milhões de habitantes, com analfabetismo, com a influência da mídia formando opiniões. Não sei se 20 milhões desses eleitores chegam a ser conscientes mesmo. Os outros são manipuláveis. Por isso é que nós estamos nesta situação. Mas aí eu gostaria de viver ainda uns 15 ou 20 anos para ver o que o Brasil vai se tornar. Se não prosseguir esse esforço pela educação, aí será um desastre.
Retirado do jornal Rascunho.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Borges – O Mesmo e o Outro

Álvaro Alves de Faria, jornalista e poeta paulistano, entrevistou Borges em setembro de 1976. Foram duas tarde de sol em Buenos Aires. Borges já tinha quase oitenta anos, não tinha mais dona Leonor por perto, mas o jornalista podia sentir a presença dela no ambiente sombrio da sala de Borges. A mãe, de quem o escritor dependeu durante toda a vida, que dizia que estava cansada de viver tanto, morreu com 99 anos.
Resenha minha no Rose.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

[Uma crônica antiga, já devo ter publicado aqui antes....aproveitando o paradão do começo de ano e a falta de tempo para escrever, publico de novo]
Canindé e os obscuros caminhos da fé

A Canindé alguns vão a pé, percorrem o caminho da redenção de sandálias havaianas, chinelas de couro ou nada, ou seja, plantam no solo árido e seco do sertão a sola do pé curtido pela miséria e trabalho ingrato.

Nós percorremos o caminho de Canindé de carro mesmo, durante o trajeto, Padre Rafael nos explicava que seu Ceará é surreal, ali há pontes sem rio e rio sem pontes. Assim mesmo! Um dia, disse, viajava com um padre europeu e passaram uma ponte, duas pontes, três pontes e nada de água rolando por baixo delas. O europeu conferiu todas pois que tudo olhava atentamente. Chegando no quarto rio ele viu, finalmente, a água mas…não viu a ponte porque ponte não havia ali e tiveram que voltar, suspender o passeio. O europeu coçou a cabeça e riu das pontes sem rio e do rio sem ponte. Como pode? Os outros riram mais ainda e disseram que é assim mesmo, ora!

No caminho, duas mulheres andavam, em sentido contrário ao nosso, uma delas transportava na cabeça, com habilidade e certa elegância, uma grande trouxa, sem a ajuda das mãos; nas paradas dos ônibus, o povo esperava acocorado como os chineses.

O povo de Canindé acredita que São Francisco vive ainda hoje…e ali mesmo, naquele vilarejo, numa casa amarela. E a mancha no dorso do jumento é, para eles, o mijo do menino Jesus. Nem o Padre Rafael, nem ninguém é capaz de provar o contrário.

Na casa dos milagres, ao lado da igreja há um grande mural com fotos de pessoas que esperam ou alcançaram uma graça. Várias crianças nuas e até mesmo adultos mostram as partes do corpo conforme a graça recebida, assim vemos seios expostos, ventres, as pernas com as feridas, só os rostos, uma noiva com ar desconfiado e seu noivo….alguns deixam junto com a foto uma nota explicativa, mas não são muitos. Uma dessas notas trazia um retrato três por quatro à direita, outro à esquerda, uma imagem de Santo Antônio no meio e dizia:
‘Mercearia Santo Antônio – Eu moro em Teresina – PI na rua Bento C. Basto, no São João, e me peguei com São Francisco, para não perder o juizo (não ficar louco) porque eu perdi o meu filho Sérgio, com dezoito anos, num acidente de carro, todos os anos ele viajava para Canindé quando era vivo. Eu fiz a promessa se ficasse bom eu levava meu retrato e o dele e botava na casa dos milagres. Minha mercearia ficou quase acabada, então eu incluí no meu pedido que salvasse o meu comércio que eu levaria uma foto agradecendo, e estou deixando aqui meu testemunho, e agradecimento.
Alcancei a graça
Bendito o que vem em nome de Jesus.
Canindé, 4 de outubro de 2003
Antonio polícia.

Canindé e seus confessionários com ar condicionado que retêm ali as velhas e seus pecadilhos, por horas e horas. Canindé e o São Francisco vivente. Canindé, o simpático Padre Rafael e sua namorada morena. Canindé, minhas impressões de um dia, uma fotografia, um mundo entre nós....

Canindé e os obscuros caminhos da fé.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Os Malabaristas - Wagner Campelo

Ainda não terminei a leitura, mas deixo já a sugestão:

"Sei muito bem: não é nada prático fazer a leitura de um texto com muitos capítulos usando a Internet. Por isso, antes de decidir tornar meu livro integralmente público, busquei algumas editoras a fim de que a publicação ocorresse num suporte convencional, o papel. Entretanto, num país com poucos leitores, poucas livrarias e — paradoxalmente — inúmeros candidatos a escritor a oferta acaba sendo muito superior à procura, o que cria uma espécie de funil por onde pouquíssimos conseguem passar.

Um livro só existe quando pode ser lido, e eu já estava farto de relegar o meu ao fundo de uma gaveta. Entretanto, não me agradava a idéia de contratar uma gráfica para imprimir meu original, não só por achar desejável o aval de uma editora, neste caso, bem como por não ter a menor vocação para vendedor — já que, geralmente, uma das funções de quem paga a própria edição acaba sendo a distribuição de seu produto. Aqui, porém, neste formato ainda pouco explorado, e de certo modo bem mais acessível que o usual, a publicação de Os Malabaristas me parece relativamente satisfatória: enfim, ele existe.

Jamais pensei em ganhar dinheiro com meu livro. Minha intenção, por mais romântica que pareça, era poder fornecer a um provável leitor a oportunidade de se distrair, de refletir, de se emocionar... em suma, de ter algum prazer com a leitura — ainda que este prazer tenha uma conotação específica para cada um. Isso não significa que eu considere meu romance como algo excepcional, pelo contrário, ele não apresenta nenhuma fórmula revolucionária ou vanguardista, trata-se tão-somente da história (com início, meio e fim) de gente comum que busca se encontrar.

Além de algumas pessoas abalizadas que leram Os Malabaristas e que viram nele certas qualidades, durante 2 anos publiquei fragmentos do livro num blog que mantive até junho de 2006, a fim de saber qual seria a repercussão do texto aos olhos de prováveis futuros leitores. Acreditando que os comentários foram sinceros, fiquei muito satisfeito com o resultado do "teste" — alguns leitores conseguiram até se identificar com os protagonistas!... "

Wagner Campelo

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Óbidos

Óbidos- Portugal (2003)
Mais fotos minhas aqui.
Agradeço à pessoa que deixou o comentário sobre o meu erro, trocando Sintra e Óbidos, de fato visitei as duas na mesma época e....bem, troquei as coisas.
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O feitiço do tempo(Groundhog Day) RoseLivros por Neyza Prochet. Excelente!

domingo, 31 de dezembro de 2006

Feliz Ano novo!

Contos para ler ouvindo música

Foi este o meu presente de amigo oculto. Acho que tenho mais sorte que a maioria nestas brincadeiras...Ainda não comecei a ler mas ainda termino antes da virada. Está aqui o brother da Sônia Sant'Anna, o Sérgio Sant'Anna com o conto Composição I. Já vou direto nele, Sônia!
Acho que dá para ler os nomes dos autores aí na capa, muitos são realmente ligados à música, Tony Bellotto, Aldir Blanc, L. F. Veríssimo.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Boas Festas

Desejo boas festas a todos vocês. Obrigada por lerem o meu blog.
Abraços!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Olho por olho

"Olho por olho torna o mundo cego."

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Veiled meanings

Numa tradução muito livre: Eu gostaria de viver no oeste....Ser travesti aqui não está com nada.

Retirei este cartoon da revista Bitch - Feminist response to polp culture. Winter 2005.

Goiás Velho



Uma cidadezinha que eu adoro, Goiás velho. Estas fotos eu tirei em agosto de 2003. Já estive lá muitas vezes. Uma vez tinha um doido muito engraçado na praça, decidiu que ia 'vigiar' o nosso carro, nós andamos pela cidade e depois fomos beber num bar em frente à praça, o doido, pensando, que já íamos embora, foi correndo entusiasmado para o lado do carro, quando viu que nós estávamos tranquilos bebendo, começou a repetir: 'Até que horas que eu vou ter que vigiar essa furreca?' Todo mundo morria de rir e o doido, feito criança, encorajado pelas risadas, continuava soltando outras, chamando um dos meus amigos de boiola, por exemplo.

Como todo mundo deve saber em Goiás velho tem a casa da Cora Coralina, eu gosto da casa. Da escritora, infelizmente, não conheço muita coisa. Tinha um professor de literatura meio 'malvado' que dizia que ela era melhor doceira do que poeta.

Meu fotolog

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Erotic Stories by women, resenha minha no RoseLivros.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Há muitos anos, nem sei dizer quantos, não participava de um ‘amigo secreto’. Nunca vi isso fora do Brasil, lá nos Estados Unidos tem umas brincadeiras de final de ano, mas é um pouco diferente, a gente tem que comprar um presente, todos colocam os presentes em um canto, uma pessoa escolhe um dos presentes, outro escolhe outro e, se não gostar, pode tentar trocar com outra pessoa. Assim vai...Não me lembro bem como é, na verdade. Na Bélgica também não havia amigo invisível. Pois este ano, estou em um e ontem fui cuidar do presente, como minha amiga invisível (ou secreta, sei lá) é professora eu decidi não pensar muito e comprar um livro. Ela TEM que gostar de livros. Foi então que percebi, o povo tem mesmo razão de reclamar dos preços de livro no Brasil. Eu compro bastante em sebo, quando é pra mim, pra presente não dá, claro. Quando a gente quer uma edição mais bonitinha os preços são salgados, difícil encontrar qualquer coisa por menos de 40 reais. Na verdade, nem é edição tão bonitinha assim. Eu queria aproveitar para comprar também um para minha irmã, irmão, sobrinha, etc. É caro. Ok, outras coisas também são caras. Talvez, seu eu tivesse entrado no Boticário ia sair do mesmo tamanho, pode ser. Mas ia ser bom se livro fosse mais barato, não ia? E tem mais! Eu queria ler o livro novo da Cíntia Moscovich (self-presente), o Por que sou gorda, mamãe? Olhei daqui, olhei dali e não achei, achei foi uma vendedora bastante ocupada. Eu estava com pressa porque queria ver um filme, já tinha até comprado a minha entrada, daí perguntei para a moça onde eu podia achar os livros da C. Moscovich, ela me olhou como a dizer: Cíntia WHO? Eu não a culpo, sinceramente. Só que ela saiu dizendo, volto daqui a pouco pra lhe ajudar e nunca voltou. Quer dizer, pelo menos não antes de dar a hora do meu filme e eu paguei os livros que eu já tinha escolhido e fui embora ver o Filhos da Esperança.
Eu não gostei muito deste título Por que sou gorda, mamãe?, mas parece que o livro é bom, engraçado e tem muito da cultura judaica, isso me interessa.

O filme Filhos da Esperança é baseado na obra de P. D. James, levemente baseado, ao que parece. Eu entrei no cinema no escuro, não que eu tenha chegado atrasada, quero dizer que não sabia absolutamente NADA do filme. Sabe aqueles dias que a gente decide: “Hoje eu vou ao cinema!” Foi assim. E não tinha muita escolha, daí vi os nomes de Michael Caine e Julianne Moore. Gosto dos dois, decidi. O filme é muito interessante, mas quando cheguei em casa li um pouco sobre ele na internet e vi muita gente dizendo que é perfeito. Perfeito eu não achei, achei até meio confuso em algumas partes. A ação se passa no futuro, um futuro sem crianças, por alguma razão as mulheres não podem mais ter filhos. O garoto mais jovem do mundo é um argentino de 18 anos. Era, porque nas primeiras cenas do filme esse garoto é assassinado por um fã o que causa uma comoção internacional. O filme é dirigido por Alfonso Cuarón, o mesmo que fez "E Tua Mãe Também". Nada mal como como referência.
O ano é 2027 e o cenário é Londres. Uma Londres suja, feia onde os ilegais são tratados como animais, postos numas gaiolas e enviados para campos de concentração. Nem tudo é tragédia, porém, no meio do caos, uma moça aparece grávida dando nova esperança para a perpetuação da espécie.
Uma coisa engraçada, eu imaginava que P. D. James fosse um homem. Sempre ouvi o nome, nunca li....Santa ignorância! Só agora percebi que se trata de uma mulher e que ela resolveu enviar seu manuscrito a uma editora assinando só com essas iniciais justamente para criar confusão. E, vejam, está criando até hoje.
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E escrevi "homem" porque se às 10 semanas já são crianças, aos 4 anos (+ 9 meses) estão bem em idade de serem perigosos violadores.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Clarice Lispector (1920-1977)


morte 09/12/1977

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
Eu escrevo simples. Eu não enfeito.
Clarice Lispector
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Curiosidades:

Clarice traduziu para língua portuguesa falada no Brasil, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora estadunidense Anne Rice.

Fonte: Wikipedia
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

RoseLivros.

Comentário meu no RoseLivros.

E também no Rose:

Retrato do artista quando velho. Resenha de Claudinei Vieira - Desconcertos.

Lasar Segall por Vera do Val - Rose Rose Rosebud.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006


Segunda-feira, chuva lá fora, uma p. dor de cabeça desde ontem...e as moscas volantes na frente dos olhos. O domingo foi tão bonito...

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No Briteiros:

Pinochet já recebeu a extrema-unção

E "prontos", fica tudo perdoado...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Cenas de rua

1-O vendedor de redes parou, jogou as redes no chão e disse: Olha, eu tô cansado dessa rotina, viu? Todo dia uma cidade diferente.

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2-Então, amanhã também tem, é, amanhã vai ser ótimo, você tem que ir. Isso, vai sim. Escuta, você não tem uma ovelhinha pra levar não?

[Ovelhinha???? Acredite, eram duas religiosas conversando....]

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No RoseLivros:

A Presidência Lula - Passos e Tropeços por Aluízio Alves Filho – Revista Achegas

'Point to Point Navigation': luminar desdenhoso ofusca astros por Janet Maslin - The New York Times. Tradução: George El Khouri Andolfato.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Cadê os plural?

Ricardo Freire in: Revista Época, 21 de Fevereiro de 2005.

É só impressão minha, ou está cada vez mais difícil ouvir plurais ortodoxos? Aqueles de antigamente, arrematados com um "s" - plurais tradicionais, quatrocentões? Os plurais agora estão cada vez mais enrustidos, dissumulados, problemáticos. Cada vez menos plurais são assumidos. Os plurais agora precisam ser subentendidos.
Verdade seja dita: não somos os únicos no mundo a ter problemas com a maldita letra "s" no final das palavras. Os franceses, debaixo de toda aquela empáfia, há séculos desistiram de pronunciar o "s" dos plurais. No fracês oral, o plural é indicado pelo artigo, e pronto. Ou seja: eles falam "as mina" e "os mano" desde que foram promovidos de gauleses a guardiães da cultura e da civilização.
Os italianos também não podem com a letra "s" no fim das palvras. Fazem seus plurais em "i" e em "e" dependendo do sexo, ops, do gênero das palavras. Quando a palavra é estrangeira, entretanto, eles simplesmente desistem de falar no plural: decretaram que termos forasteiros são invariáveis, e tudo bem. Una foto, due foto; una caipirinha, quattro caipirinha. Quattro caipirinha? Hic! Zuzu bem!
Os alemães, metódicos que só, reservaram o "s" justamente a esses vocábulos estrangeiros que os italianos permitem que andem por aí sem plural. Com as palavras do seu próprio idioma, no entanto, os alemães são implacáveis. As palavras mais sortudas ganham apenas um "e" no final, mas as outras são flexionadas com requintes de tortura - com "n" (!) ou com "r" (!!), às vezes cem conjunto com um trema (!!!) numa vogal da penúltima sílaba (!!!!), só para infernizar a vida dos alunos do Instituto Goethe ao redor do planeta.
Práticos são os indonésios, que formam plural simplesmente duplicando o singular: gado-gado, padang-padang, ylang-ylang. Pelo menos foi isso que eu li uma vez. (Claro que não chequei a informação. Eu detestaria descobrir que isso não é verdade.) Já pensou se a moda pega aqui, feito aquele pavoroso cigarro de cravo? Um chopps e dois pastel-pastel.
Nem mesmo nossos primos de fala espanhola escapam da síndrome dos comedores de plural. Os andaluzes e praticamente todos os latino-americanos também não são muito chegados a um "s" final. Em vez do "s" ríspido e perigosamente carregado de saliva dos madrilenhos (que chiam quase tanto quanto os portugueses) , eles transformaram o plural num acontecimento sutil, perceptível apenas por ouvidos treinados. Em Sevilha, Buenos Aires ou em Santo Domingo, o "s" vira um "h" aspirado - lah cosah, lah personah, loh pluraleh.
Entre nós, contudo, a mutilação do plural não tem nada a ver com sotaques ou incapacidade de pronuncia fonemas. Aqui em São Paulo, a falta de "s" é um fenômeno sociocultural. Os pobres não falam plural por falta de cultura. Da classe média para cima, deixamos o plural de lado quando há excesso de intimidade. É como se o plural fosse algo opcional, como escolher entre "você" e "senhor". Se a situação exige, você vai lá e aperta a tecla PLURAL. Se a conversa for entre amigos, basta desligar, e os esses desaparecem em algum ponto entre o cérebro e a boca.
O que se deve fazer? Uma grande campanha educativa, com celebridades declarando que é chique falar os plurais? Lançar pagodes e canções sertanejas falando da dor-de-cotovelo causada por não usar "s" no final das palavras? Ou contratar um grupo de artistas alternativos para sair pichando nos muros por aí uma mensagem persuasiva? Tipo assim: OS MANOS E AS MINAS?

domingo, 26 de novembro de 2006

Olhos


Meus olhos e as Moscas volantes

“Moscas Volantes, ou muscae volitantes (Latim: "moscas esvoaçantes"), são fenômenos entópticos caracterizados por formas semelhantes a sombras que aparecem sozinhas ou junto com muitas outras no campo visual do indivíduo. Eles podem ter a forma de pontos, linhas, ou fragmentos de teias de aranhas, que flutuam vagarosamente em frente aos olhos.”
Eu nunca tinha ouvido falar disso na minha vida e eis que, há uma semana eu estava conversando com alguém quando de repente senti a presença de algo no meu campo visual, esfreguei os olhos, eu estava com minhas lentes de contato, poderia ser uma poeirinha, um fio minúsculo, quem usa lente sabe que tudo incomoda. Não saía dali a tal coisa. Tirei as lentes e botei os óculos, os tais pontinhos continuavam ali. Pensei que talvez as lentes tivessem machucado um pouco meu olho, embora eu não estivesse sentindo nada. Decidi esperar até o dia seguinte. Acordei e tudo estava do mesmo jeito. Então decidi que precisava de um oftalmologista. Ele me examinou por bastante tempo e disse que o que eu tinha era um problema no ‘vítreo’ e soltou a palavra ‘teia de aranha’. Ainda vou fazer outros exames, mas vim aqui na internet procurar informações com estes poucos dados de que dispunha. Li tudo o que achei em português e inglês...parece que é isso mesmo que eu tenho, os pontinhos, ou teinhas ou ‘moscas esvoaçantes’. De quebra descobri que o míope tem uma predisposição ao descolamento da retina. Aviso aos navegantes míopes, exame todo ano.

“As moscas volantes estão suspensas no humor vítreo, o fluido viscoso ou gel que preenche o olho.” Curioso o nome, curiosa a coisa. Esse ‘humor vítreo’ eu achei até bonito.

Ao que parece eu vou me acostumar com essa ‘sombrinha’ sempre aqui, logo vou saber mais.

As informações que colei aqui foram retiradas do Wikipedia.
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"O livro "And Tango makes three" é baseado na história real de dois pingüins machos do zoológico do Central Park, em Nova York, que criam um filhote de um ovo fertilizado. As aves fizeram um ninho, chocaram o ovo por 34 dias e formaram uma família com o bebezinho Tango.A história dos pingüins, que já serviu de piada num episódio da série Will and Grace, virou livro infantil, que não foi bem recebido na cidade de Shiloh, nos Estados Unidos. Muitos pais estão aborrecidos com o acesso do livro aos filhos, e com a relutância dos administradores das escolas em restringir sua circulação." (Continua...)
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

[Fraseologia das tragédias gregas]

"...aumentar o número de seus anos é aumentar o número de seus infortúnios."

"O bem mais desejável é inacessível ao homem porque é jamais ter nascido. E o segundo é retornar o mais breve possível para lá de onde se veio."

[Fraseologia das tragédias gregas]

Retirado de cronopios

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

sábado, 18 de novembro de 2006

Bélgica x 2 ?

Artigo de José Ramos, Retirado de Briteiros (Segunda-feira, Outubro 09, 2006)

Os quase três anos que passei na Bélgica serviram-me para passar de um estado de incompreensão sobre as rivalidades comunitárias no país para um estado de incompreensão sobre a existência do próprio país.Dois exemplos para ilustrar o que quero dizer: uma colega americana colocava os sacos do lixo à porta e ninguém os recolhia. Após uma aturada pesquisa descobriu que, como morava numa região flamenga, os sacos do lixo não podiam ter escrito “saco do lixo” em francês. Quando um polícia de origem flamenga me estendeu uma multa de estacionamento escrita em neerlandês, recusei. Acabou por confessar que não sabia escrever francês e pediu-me para que eu redigisse a minha própria multa (!?). Recusei de novo e poupei 250 francos.Como é que o País funciona? Não funciona. Há governos regionais, parlamentos regionais, partidos regionais e quase nada nacional. Duas instituições ainda os vão unindo: o Rei e a selecção de futebol. Só que o Rei tem cada vez menos importância e começa a ser contestado e a equipa de futebol começa a ser um problema porque, só podendo jogar 11 de cada vez, é difícil assegurar a paridade linguística.Ontem houve eleições locais na Bélgica. Como se esperava, a extrema-direita aumentou a votação um pouco por todo o lado na Flandres. Só não conquistou Câmaras porque os outros partidos formaram coligações a que chamam “cordão sanitário”. A extrema-direita belga não é só fascista e xenófoba, é também separatista. Não se sabe por quanto tempo o “cordão sanitário” vai aguentar. Os problemas continuam todos lá e entre histórias de corrupção, manobras politicas e rivalidades regionais, os eleitores vão deslizando para a extrema-direita e, a continuar assim, nas legislativas do próximo ano não há cordão que lhes valha. Isto poderá significar que o próximo País a entrar na UE não será a Croácia ou a Turquia ou até a Ucrânia mas a Bélgica vezes dois. Será, então, interessante ver como é que a UE vai lidar com o assunto e, sobretudo, o que vai fazer com uma Flandres governada pela extrema-direita.Ainda não chegámos lá mas também já estivemos mais longe.Vejamos contudo as coisas pelo lado positivo: pode ser que a selecção portuguesa de futebol possa ter que enfrentar duas selecções fraquinhas em vez de uma mediana.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006


Olá, pessoal! Meu blog ficou tanto tempo abandonado, não vai ser fácil limpar a poeira acumulada...mas já volto. Abraços.

PS: Quanto ao artigo de Emir Sader devo dizer que eu tampouco gostei do artigo dele, o que é estranho não é o artigo, é a sentença. Continuo achando estranha, me desculpem. Por muito menos que isso a Veja e cia saem gritando 'Censura!' 'Censura!' Ok, o artigo de Saber é uma lástima, uma pobreza, interpretou com quis a palavra 'raça', concordo com tudo isso, mas não há nada ali que não tenhamos lido em outros lugares, na coluna daquele cara da Veja que já não leio faz tempo e nunca vi um tal escândalo, ou melhor, uma tal sentença. Honestamente lembra maccartismo.
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A jovem Marguerite Duras e a verdade sobre seu amante e Morte em Veneza no RoseLivros.

domingo, 5 de novembro de 2006

Old Boy


A vantagem de não se viajar em feriado é ver um daqueles filmes que a gente tem na lista e nunca acha tempo...ou vários deles de uma só vez. Eu vi, finalmente, OLD BOY, um filme de 2003. Adorei o filme, mas eu não preciso de muito para gostar de um sobretudo se estiver fazendo um friozinho. Esse OLD BOY é bem maluco, muito mais do que eu imaginava ou do que a sinopse fazia acreditar. Um homem é sequestrado e fica preso e só durante 15 anos...q u i n z e. Um belo dia, quando está quase conseguindo fugir, é libertado sem mais nem menos. Recebe um celular e dinheiro de um mendigo, logo uma chamada lhe propõe um jogo, que ele descubra, por ele mesmo, a razão da sua prisão.
Old Boy é um desses filmes cheio de surpresas, em que é melhor ficar muito atento aos detalhes, o próprio diretor Park Chan-Wook disse que fez um filme para ser visto e revisto. Isso não significa, claro, que não é possível compreender o filme numa vez. é um filme intrigante, com cenas ora bonitas ora muito estranhas, dessas que ficam na nossa cabeça. Ele recebeu o Grand Prix em Cannes em 2004 quando Tarantino presidiu o Juri.


quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Relações perigosas no RoseLivros por Claudinei Vieira Desconcertos

“Relações Perigosas” é um verdadeiro tratado de maquiavelismo pessoal e social. Os personagens principais, o Visconde de Valmont e sua amiga/amante/adversária Marquesa de Merteuil possuem um único propósito na vida: brincar com os sentimentos, a vida e os destinos das pessoas que, por azar, estejam sendo alvo dos seus interesses.”

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Gostei deste texto que li no Digestivo Cultural -
`Eu montei um blog porque gosto de escrever e – isto é difícil admitir – de ser lido. Não sinto aquela compulsão, aquela obrigação quase fisiológica, da qual alguns artistas reclamam. Nem acho, aliás, que estou fazendo alguma coisa muito importante ou que tenho opiniões muito originais. Simplesmente acho legal. Acho divertido ir ao cinema, ler um livro, almoçar num restaurante, viajar, assistir a um jogo de tênis, e depois escrever alguma coisa sobre o assunto`
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Essa que eu achei no Briteiros é ótima: Fátima por procuração
Se você fez promessa de ir a Fátima e agora não se sente em condições de ir é só contratar esse 'pagador de promessas' por 2.500 euros ele fará o caminho por você, está tudo explicado aí no site dele em português, inglês, francês e espanhol.

domingo, 29 de outubro de 2006

Ana Cristina César (1952-1983)



Um Beijo

que tivesse um blue.

Isto é

imitasse feliz a delicadeza, a sua,

assim como um tropeço

que mergulha surdamente no reino expresso

do prazer.

Espio sem um ai

as evoluções do teu confronto

à minha sombra

desde a escolha

debruçada no menu;

um peixe grelhado

um namorado

uma água

sem gás

de decolagem:

leitor embevecido

talvez ensurdecido

"ao sucesso"

diria meu censor

"à escuta" diria meu amor

Ana Cristina César, morreu no dia 29 de outubro de 1983.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Enfim

Estou contente de ver chegar o dia....o dia 29. Não vou votar, já disse antes, não cuidei da burocracia a tempo e ainda estou inscrita no consulado em Bruxelas. Estou contente pelo seguinte, não aguento mais receber e-mails chamando o Lula de Santa e rapadura. Alguns dizem que recebem mensagens tanto contra o Lula quanto contra o Geraldo, eu não recebi uma mensagem contra o Geraldo. Para os meus amigos e os não amigos que têm o meu e-mail só o Lula é que erra ou então querem me salvar do fogo do inferno petista. Acontece que eu nunca fui petista. É verdade, votei no Lula desde que nasci, sou retardada mental de acordo com muitas das mensagens recebidas. Pois é. Acreditei sim...e sofri, como muita gente vem sofrendo, mas não votaria em Geraldo por nada. Tivesse que votar agora eu não tenho certeza do que faria, mas no Geraldo não, isso não.
Fiquei chocada também quando vi, aqui em Curitiba um adesivo em um carro que mostrava uma mão com quatro dedos e o traço de proibido/não. Muita gente acha engraçado, até amigos meus. Eu devo ter perdido a capacidade de rir porque não vi a mínima graça, muito pelo contrário. Acho sim, uma total falta de respeito e já sei que vão me dizer que falta de respeito foi o que o PT fez. É falta de respeito também, é mesmo, ainda assim não vejo razão e não percebo em quê esse adesivo ajuda. Talvez seja um problema meu não gostar de piadinhas sobre um 'defeito' físico. Eu me lembrei da minha prima que é cega andando na rua, esbarrando em alguém e escutando "Não olha pra onde anda não, parece que é cega!" Ela me contou rindo, mas é um riso assim meio amargo...o pai de uma das minhas melhores amigas veio da Bahia para São Paulo, logo nos primeiros anos de trabalho na cidade ele perdeu uma mão (não um dedo, teve menos sorte) numa máquina...no seu primeiro trabalho, lá se foi a mão. Então talvez eu não ache graça por estar cercada demais desse tipo de história (tenho muitas e algumas bem recentes). Então, não é por ser a 'mão do Lula', é pela grosseria da propaganda. E nada disso é política. Ou é? Ando tão confusa.
....
por Aluízio Alves Filho Revista Achegas

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Milton Hatoum no Rosebud



Uma novela exemplar

"Na literatura brasileira, não são numerosos os prosadores que conquistaram um grande público leitor. Desse punhado de best-sellers, nenhum foi tão popular como Jorge Amado. E isso se deve a vários aspectos. O escritor baiano não se preocupou em criar uma linguagem inovadora, nem mesmo em estruturar ou organizar a narrativa com ousadia, como fez Osman Lins em Avalovara, Nove, Novena e A rainha dos cárceres da Grécia."
Continua no Rosebud Livros
Milton Hatoum

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Atlanta - Stone Mountain

Fiz esta foto em Atlanta, em um lugar chamado Stone Mountain. O lugar não é excepcional, mas eu gosto da foto. Isto é uma Slave cabin, isto é, uma réplica de moradia de escravo...acredite quem quiser que havia todas estas frutas na mesa deles e essa cortininha esvoaçante. Enfim...

Mais fotos minhas em Diletante

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Madame Pommery no Rose


Madame Pommery, de Hilário Tácito

"Assim, só para dar um exemplo, um dos freqüentadores do bordel, Mangancha, apresentou sua versão pessoal para a implementação da eugenia social – a criação de uma raça de super-homens a partir do alcoolismo como meio de seleção. Segundo Mangancha, o álcool seria calor em estado puro, o alimento mais concentrado de todos. Depois de uma hiperexposição das pessoas aos efeitos do poderoso alimento, apenas os mais fortes sobreviveriam."

Continua no Rosebud por Daniel Faria.

domingo, 15 de outubro de 2006

Oscar Wilde


Num dia 15 de outubro, em Dublin, nascia Oscar Wilde. A biografia dele é mais conhecida que a obra. Eu gosto da obra e da biografia, ou seja, da pessoa inteligente, bonita e extravagante que ele foi e é lamentável que a literatura tenha perdido tanto por causa do preconceito. Uma das cartas mais lindas que eu já li foi De Profundis, Oscar Wilde a escreveu da prisão ao rapaz responsável por ele se encontrar ali. O seu livro mais conhecido é, sem dúvida, O retrato de Dorian Gray.
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"É o que você lê quando não tem que fazê-lo, que determinará o que você vai ser quando não puder evitar." Oscar Wilde
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Num 15 de outubro nasceu também meu pai, tão bonito quanto o Oscar Wilde, mas acho que ele não vai gostar se eu colocar uma foto dele aqui.
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Memória de minhas putas tristes, Gabriel Garcia Márquez por Urariano Mota no Rose.

sábado, 14 de outubro de 2006

Meu último conto - Anjos de Prata

Music and Literature by William M. Harnett


Concepção

Estou aqui de mãos vazias, Ida. Escute este desconhecido antes de mandá-lo de volta para o lugar de onde veio. Sou um homem triste e sombrio, mas não sou perigoso, observe o meu perfil e escute. Ida, você não é santa, eu te fiz assim, estou te fazendo assim. Venha à luz, por deus, pelo diabo que seja, não quero me revelar não, Ida, não tenha medo. Hoje você foi a escolhida, será esculpida a cinzel ou desenhada a crayon. Culpas tenho muitas e de nada me servem. Minto, serve-me, é assim que crio, por causa dela e com ela. É assim que te concebo, Ida. Daqui a pouco você estará pronta, paciência com o pobre Lúcio, molde-se, apareça, evolua. Vou à cozinha, tomarei um copo d´água. Ou dois, tudo dependerá da minha garganta, e quando eu voltar estarei pronto para você e espero que esteja pronta para mim. Sentarei de novo aqui nesta mesma cadeira e esperarei que meus dedos deslizem ágeis, que você me procure antes de eu procurá-la, que você se construa espontaneamente. Eu, Lúcio, estou cansado, Ida, já lhe dei um nome, a feição não importa muito. Se eu morresse agora, se eu morresse a caminho da cozinha, antes do copo d´água? Eu te amo tanto, Ida. Você nem está pronta e eu já te amo, porque preciso de você com um futuro, um passado, com suas veias e suas vias. Sou tão só, dependo tanto de você neste momento. Eu vou, então à cozinha....
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Resenha minha no Rose

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Parabéns, Vera!



A minha querida amiga Vera ganhou o prêmio Cidade de Manaus na modalidade Conto. Muito, muito bom. Parabéns para ela!

Confiram aqui:
2. PRÊMIO ARTUR ENGRÁCIO: CONTO
Comissão julgadora:
I. Profº. Carlos Antônio Magalhães Guedelha (ESBAM)
II. Profº. Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque (UFAM)
III. Profª. Maria Sebastiana de Morais Guedes (UFAM)
Obra vencedora: HISTÓRIAS DO RIO NEGRO
VERA DO VAL DE PAULA E SILVA GROBE
PSEUDÔNIMO: INQUIETA
MANAUS - AM

domingo, 8 de outubro de 2006

Um domingo indefinido



Até agora não sei se vai chover, se vai ter sol, se vou ao parque, se vejo um filme...Em Curitiba o tempo é maluco. Os curitibanos mesmo dizem que é possível ter 4 estações em um só dia.
Estou com minha pequena casa cheia de visitas, meu sobrinho com uma amiga, uma americana e uma canadense (amigas de amigos). Coitada da canadense, não viaja para ver um tempo destes. Logo verá mais sol em outras partes do Brasil. A americana é da Califórnia, tem bastante sol por lá, não tem problema com tempo 'ruim'. Acordamos todos bem tarde e estamos enrolando, café, internet, mapas, revistas. É tempo de decidir e aproveitar este domingo...Com chuva ou com sol.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

O Maior Amor do Mundo


Vi, há algumas semanas o último filme de Carlos Diegues, O MAIOR AMOR DO MUNDO. Eu não sabia muito do filme, meu sobrinho me disse que era bom e eu estava com vontade de ver um filme brasileiro, lá fui....A única coisa que eu sabia era que tinha o José Wilker no filme, eu gosto dele. Ele faz um astrofísico que tem muita dificuldade em se relacionar com as pessoas (não escolheu as estrelas por acaso), viveu por muitos anos nos Estados Unidos e volta ao Brasil para receber uma homenagem, esta vinda coincide com o momento da descoberta de que tem um tumor e logo vai morrer, um momento de confusão, quer ‘descobrir’ o passado, ‘redescobrir’, quer ‘sentir’, nem sabe o que quer do pouco tempo que lhe resta, mas quer. É engraçado vê-lo carregando um daqueles frascos de gel para lavar ou ‘desinfetar’ as mãos quando não é possível lavá-las,....ri muito[A1]. E termina num monte de lixo, deixando a frescura de lado. O pai do astrofísico é um velho rabugento, ranzinza mesmo que a cada aniversário do filho (adotivo, em princípio) faz questão de lembrá-lo que ele nasceu no dia em que o Brasil perdia uma copa do mundo. O filho vai visitar este pai, um maestro respeitado, quando volta ao Brasil, diz ao velho que vai morrer e a resposta do ranzinza é ‘todos vamos morrer’, o filho explica melhor a situação e mostra o resultado do exame que atesta que tem o tumor e que lhe restam poucos dias de vida, o velho olha para o papel e responde: ‘Está em inglês!’. Horrível, a única coisa que comove o velho é a lembrança do seu amor do passado, não a sua esposa, mas a linda menina que um dia apareceu em sua casa. Essa moça do passado do pai é mãe do astrofísico, a que morreu no dia em que o Brasil perdia a copa, por isso mesmo, por causa do futebol, não havia ninguém para socorrê-la. E o astrofísico vai dando uma de Sherlock Holmes nos seus últimos dias, vai juntando peças do quebra-cabeças que é a sua vida, rápido, tem que ser rápido...O pai rabugento dá-lhe uma fotografia e algumas poucas pistas. O interessante da fotografia que o maestro conserva, não é a foto em si, mas a lembrança que ele guarda dela. O amor da sua vida não está ali na foto, mas estava detrás da máquina, ela tirou a foto dele, da esposa dele e da empregada.

[A1]Eu também carregava aquilo e ainda tenho para quando viajo, mas tenho ‘relaxado’, em Cingapura muita gente, minhas amigas japonesas sobretudo, carregavam esse gel. Esse gel e uma toalhinha, sombrinha, meia.....tudo o que a gente precisasse saía da bolsa mágica delas. Incrível a bolsa de uma japonesa.
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Dickens - Um conto de duas cidades no RoseLivros.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Mais um cantinho da minha biblioteca



Não, não li todos ainda....

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Quê?


Eu estou sonhando, ou melhor, tendo outro pesadelo? Maluf, Collor, Clodovil?
Digam que não é verdade. Não é possível que tenha gente tão masoquista neste Brasil....
Eu? Não votei, não devia julgar ninguém já que nem o meu dever eu cumpri, não fiz a transferência a tempo, estou ainda inscrita na Consulado do Brasil na Bélgica. Ainda assim! Collor e Maluf, não dá, é uma aberração, sei que há outras, mas essa entalou aqui. Nem continuei a olhar a lista....
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"A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer as ordens."
Charles Bukowski.