sábado, 14 de outubro de 2006

Meu último conto - Anjos de Prata

Music and Literature by William M. Harnett


Concepção

Estou aqui de mãos vazias, Ida. Escute este desconhecido antes de mandá-lo de volta para o lugar de onde veio. Sou um homem triste e sombrio, mas não sou perigoso, observe o meu perfil e escute. Ida, você não é santa, eu te fiz assim, estou te fazendo assim. Venha à luz, por deus, pelo diabo que seja, não quero me revelar não, Ida, não tenha medo. Hoje você foi a escolhida, será esculpida a cinzel ou desenhada a crayon. Culpas tenho muitas e de nada me servem. Minto, serve-me, é assim que crio, por causa dela e com ela. É assim que te concebo, Ida. Daqui a pouco você estará pronta, paciência com o pobre Lúcio, molde-se, apareça, evolua. Vou à cozinha, tomarei um copo d´água. Ou dois, tudo dependerá da minha garganta, e quando eu voltar estarei pronto para você e espero que esteja pronta para mim. Sentarei de novo aqui nesta mesma cadeira e esperarei que meus dedos deslizem ágeis, que você me procure antes de eu procurá-la, que você se construa espontaneamente. Eu, Lúcio, estou cansado, Ida, já lhe dei um nome, a feição não importa muito. Se eu morresse agora, se eu morresse a caminho da cozinha, antes do copo d´água? Eu te amo tanto, Ida. Você nem está pronta e eu já te amo, porque preciso de você com um futuro, um passado, com suas veias e suas vias. Sou tão só, dependo tanto de você neste momento. Eu vou, então à cozinha....
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Resenha minha no Rose

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Parabéns, Vera!



A minha querida amiga Vera ganhou o prêmio Cidade de Manaus na modalidade Conto. Muito, muito bom. Parabéns para ela!

Confiram aqui:
2. PRÊMIO ARTUR ENGRÁCIO: CONTO
Comissão julgadora:
I. Profº. Carlos Antônio Magalhães Guedelha (ESBAM)
II. Profº. Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque (UFAM)
III. Profª. Maria Sebastiana de Morais Guedes (UFAM)
Obra vencedora: HISTÓRIAS DO RIO NEGRO
VERA DO VAL DE PAULA E SILVA GROBE
PSEUDÔNIMO: INQUIETA
MANAUS - AM

domingo, 8 de outubro de 2006

Um domingo indefinido



Até agora não sei se vai chover, se vai ter sol, se vou ao parque, se vejo um filme...Em Curitiba o tempo é maluco. Os curitibanos mesmo dizem que é possível ter 4 estações em um só dia.
Estou com minha pequena casa cheia de visitas, meu sobrinho com uma amiga, uma americana e uma canadense (amigas de amigos). Coitada da canadense, não viaja para ver um tempo destes. Logo verá mais sol em outras partes do Brasil. A americana é da Califórnia, tem bastante sol por lá, não tem problema com tempo 'ruim'. Acordamos todos bem tarde e estamos enrolando, café, internet, mapas, revistas. É tempo de decidir e aproveitar este domingo...Com chuva ou com sol.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

O Maior Amor do Mundo


Vi, há algumas semanas o último filme de Carlos Diegues, O MAIOR AMOR DO MUNDO. Eu não sabia muito do filme, meu sobrinho me disse que era bom e eu estava com vontade de ver um filme brasileiro, lá fui....A única coisa que eu sabia era que tinha o José Wilker no filme, eu gosto dele. Ele faz um astrofísico que tem muita dificuldade em se relacionar com as pessoas (não escolheu as estrelas por acaso), viveu por muitos anos nos Estados Unidos e volta ao Brasil para receber uma homenagem, esta vinda coincide com o momento da descoberta de que tem um tumor e logo vai morrer, um momento de confusão, quer ‘descobrir’ o passado, ‘redescobrir’, quer ‘sentir’, nem sabe o que quer do pouco tempo que lhe resta, mas quer. É engraçado vê-lo carregando um daqueles frascos de gel para lavar ou ‘desinfetar’ as mãos quando não é possível lavá-las,....ri muito[A1]. E termina num monte de lixo, deixando a frescura de lado. O pai do astrofísico é um velho rabugento, ranzinza mesmo que a cada aniversário do filho (adotivo, em princípio) faz questão de lembrá-lo que ele nasceu no dia em que o Brasil perdia uma copa do mundo. O filho vai visitar este pai, um maestro respeitado, quando volta ao Brasil, diz ao velho que vai morrer e a resposta do ranzinza é ‘todos vamos morrer’, o filho explica melhor a situação e mostra o resultado do exame que atesta que tem o tumor e que lhe restam poucos dias de vida, o velho olha para o papel e responde: ‘Está em inglês!’. Horrível, a única coisa que comove o velho é a lembrança do seu amor do passado, não a sua esposa, mas a linda menina que um dia apareceu em sua casa. Essa moça do passado do pai é mãe do astrofísico, a que morreu no dia em que o Brasil perdia a copa, por isso mesmo, por causa do futebol, não havia ninguém para socorrê-la. E o astrofísico vai dando uma de Sherlock Holmes nos seus últimos dias, vai juntando peças do quebra-cabeças que é a sua vida, rápido, tem que ser rápido...O pai rabugento dá-lhe uma fotografia e algumas poucas pistas. O interessante da fotografia que o maestro conserva, não é a foto em si, mas a lembrança que ele guarda dela. O amor da sua vida não está ali na foto, mas estava detrás da máquina, ela tirou a foto dele, da esposa dele e da empregada.

[A1]Eu também carregava aquilo e ainda tenho para quando viajo, mas tenho ‘relaxado’, em Cingapura muita gente, minhas amigas japonesas sobretudo, carregavam esse gel. Esse gel e uma toalhinha, sombrinha, meia.....tudo o que a gente precisasse saía da bolsa mágica delas. Incrível a bolsa de uma japonesa.
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Dickens - Um conto de duas cidades no RoseLivros.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Mais um cantinho da minha biblioteca



Não, não li todos ainda....

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Quê?


Eu estou sonhando, ou melhor, tendo outro pesadelo? Maluf, Collor, Clodovil?
Digam que não é verdade. Não é possível que tenha gente tão masoquista neste Brasil....
Eu? Não votei, não devia julgar ninguém já que nem o meu dever eu cumpri, não fiz a transferência a tempo, estou ainda inscrita na Consulado do Brasil na Bélgica. Ainda assim! Collor e Maluf, não dá, é uma aberração, sei que há outras, mas essa entalou aqui. Nem continuei a olhar a lista....
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"A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer as ordens."
Charles Bukowski.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Marie Trintignant e Colette



Esses dias vi na tv partes da série « Colette, une femme libre », uma mini-série baseada na vida da famosa escritora. O último papel da atriz francesa Marie Trintignant foi, justamente, neste filme realizado por Nadine Trintignant, sua mãe. Era comum ver a família Trintignant trabalhando junta, o pai de Marie, Jean-Louis, também é ator e seu irmão estava trabalhando neste mesmo filme quando Marie foi assassinada três dias antes de terminarem a filmagem.

No dia 27 de julho de 2003, Bertrand Cantat, à época namorado de Marie, agrediu-a fisicamenete durante uma discussão, os golpes foram fatais, ela ficou em coma e morreu três dias depois. Aparentemente o desentendimento começou por causa de mensagens (sms) que Marie vinha trocando com o ex-marido e pai de seus filhos. Bertrand Cantat era o líder de um dos grupos de rock mais famosos da França, o Noir Désir. Esse assassinato foi um tremendo golpe, não poderia deixar de ser, para a família de Marie, até eu quase chorei ao ouvir o discurso do pai dela durante o enterro, sem sensacionalismos, era sincero mesmo. Mas não foi um golpe só para a família, os fãs de B. Cantat também levaram um tremendo choque, ele era não só o líder de um grupo de rock mas uma figura respeitada, engajada em movimentos sociais, contra a extrema direita etc....enfim, foi um estrago. Ele está na prisão e espero que fique por muitos e muitos anos, mas não sei se vai ser assim. Ele cometeu o crime na Lituânia, era lá que Marie e a família estava trabalhando no filme e lá ele foi julgado, de acordo com as leis do país ele foi condenado a oito anos de prisão. Só isso.


Lembro-me que nos dias em que isso aconteceu eu estava em Bruxelas e fui ao apartamento de Madame de Vish, nossa vizinha, pedir uma informação qualquer (sabe aquelas portas em que a gente bate sempre?) vi na mesa dela uma revista com fotos de Marie Trintignant e comecei a folhear. Madame de Vish me disse: "Que coisa triste, viu? Uma mulher bonita, nova.....mas também esse povo é tudo maluco, vive drogado, uma mulher com filhos, devia ter tido mais juizo." Tem condição? Mas era difícil convencer Mme de Vish de qualquer coisa....


O último filme que vi com Marie Trintignant, no cinema, foi Janis et John, uma comédia onde ela interpreta uma dona de casa resignada que, por causa de alguns negócios ‘mal feitos’ de seu marido se vê transformada em Janis Joplin. Eu adorei vê-la interpretando Janis. Quando o filme saiu, em 2003, ela já estava morta e eu, como muita gente, tinha perdido a capacidade de julgamento, só estava contente em vê-la na tela. Neste filme ela trabalhou com o pai, Jean-Louis Trintignant.


Colette


Na foto a escritora francesa Colette, autora de Gigi, La Maison de Claudine, etc. O primeiro marido de Colette era escritor, quando bateu os olhos nos escritos da jovem e provinciana esposa, percebeu logo que ali tinha potencial e publicou os livros no seu próprio nome. Felizmente ela percebeu a tramóia e retomou os direitos.

Hilda Hilst no Rose Livros

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Tess










Resenha minha no RoseLivros

domingo, 24 de setembro de 2006

C'est le Printemps




Já é primavera —
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.
Bashô

sábado, 23 de setembro de 2006

Pesadelo


Essa noite tive um pesadelo, sonhei que tinha que fazer uma prova de matemática. Foi horrível, eu sofria muito, não entendia nada e era preciso dar as respostas, eu mal reconhecia aquilo com prova de matemática. Uma agonia. Acho que tive esse sonho porque uma das aulas do curso de espanhol estava contando que seu pai fez de tudo para que ela aprendesse inglês, desde pequena, passou por todos os cursos sem nunca conseguir se comunicar na língua, como se tivesse um distúrbio. Disse, então, que resolveu tentar o espanhol e que até mesmo em espanhol ela é ruim.....decerto eu transferi isso para a matemática. Será possível? Mas eu não tinha tanto horror assim à matemática na escola, só não me interessava tanto. Cruzes, que foi um pesadelo foi.


Imagem: Scream, Edvard Munch ..................










Elizabeth Bishop no Rose Livros por Marcelo Coelho.

"Acaba de ser publicado em Nova York um livro com mais de 350 páginas com todos os inéditos de Elizabeth Bishop, incluindo trinta ou quarenta esboços de poemas escritos no Brasil. Ela viveu por mais de vinte anos em nosso país, de 1951 até o começo da década de 70."

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Os Olhos Verdes no RoseLivros



Marguerite Duras

[Texto meu no RoseLivros]

O verdadeiro nome de Duras é Marguerite Donnadieu, ela nasceu em Saïgon, em abril de 1914 e morreu em Paris em março de 1996. Foi escritora, roteirista, cineasta, seu trabalho mais conhecido deve ser o livro autobiográfico O Amante que lhe rendeu o importante prêmio Goncourt, foi traduzido para mais de 40 línguas e levado às telas por Jean-Jacques Annaud, o resultado parece não ter agradado em nada a escritora. Outro de seus trabalhos conhecido é o roteiro do famoso Hiroshima mon amour de Alain Resnais, uma das obras primas da Nouvelle Vague.
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I Love Billy Wilder por Antonio Caetano Café Impresso

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Fim de semana


Este fim de semana fui para Florianópolis e choveu. Choveu e fez frio. Eu não me importo muito, até gosto de ficar olhando para o mar com o tempo que todo mundo chama de ‘ruim’, gosto do lugar vazio, sem barulho, sem música chata. É muito bom. O problema é que estávamos acompanhando dois italianos que visitavam o Brasil pela primeira vez, mas eu expliquei bem: Ainda é inverno! Quisessem sol que fossem para o nordeste.
Enfim, foi bom para mim e não foi tão bom para eles. Felizmente italiano é animado (claro que não serve para todo mundo, nunca serve) e sempre se diverte nem que seja fazendo piada com a própria situação. Se eu estivesse com minha amiga alemã ia ser um deus nos acuda, ia ter que ouvir até minha orelha ficar quente.

Ontem de manhã, logo depois do café, eu saía da pousada distraída (por demais distraída) lendo um panfleto que tinha encontrado em cima do balcão, não olhei para a frente e meti a cara na porta de vidro, fiquei tonta e sem entender por uns segundos, aquela sensação estranha, onde, quando, como, que isso, quem foi? Um senhor chileno, dono da pousada, veio correndo, me abraçou, passava a mão na minha cabeça e dizia: ‘Desculllpa, descullpa’ e eu morrendo de vergonha. Desculpa pelo quê, pela minha burrice, por ter colocado uma porta bem na entrada da pousada? Eu só dizia: ‘Não foi nada’ enquanto meu lábio sangrava, é verdade, foi uma esbarrão e tanto. Às vezes eu ganho do Mister Bean! Mas nem tive dor de cabeça depois, já estava esperando por uma, só mesmo o inevitável dolorido na testa e os lábios mais sexy por um dia ou dois. Mas foi um incidente pequeno, não deu para estragar o fim de semana.

Briteiros

Os Estados Unidos financiam jornalistas anticastristas

Pelo menos dez jornalistas do Estado da Flórida receberam pagamentos regulares do governo americano para fazerem reportagens contra o regime cubano de Fidel Castro, publicou ontem o jornal Miami Herald.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Meu conto da Anjos de Prata

Um animal morto no meio do meu caminho

O animal jazia ali. Fedido, coitado, umas moscas a sobrevoá-lo. Morto e desenterrado, atravessado no meu caminho. Olho para ele enojada, com pena do seu fim, uma pena que se estende a todos os fins, ao meu também. Um pobre animal de patas estiradas, teso, daqui a pouco será só ossos. Ossos podem durar uma eternidade. E o que é ‘uma eternidade’? Um animal, um sustantivo se decompondo, transformando-se até não ser mais, até outra coisa. Ossos. A metamorfose não levará mais que algumas semanas. Terá morrido de velhice ou de picada de cobra? De fome não foi, ninguém morre de fome aqui. Minha irmã me alcança. Ai, que nojo! Tampa o nariz e vira o rosto. Ordena com voz fanhosa, vamos por aquele caminho.

Eu vou e o animal fica às moscas.

domingo, 10 de setembro de 2006

Mãe é mãe

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A morte feliz no RoseLivros por Wagner Campelo.

The L Word

The L Word é uma série americana, alguns chamam de versão feminina de Queer as folk, é uma espécie de novela do mundo lésbico. O L aí vem disso, Lesbian, mas na abertura da série são mostrados também que o L pode ser Love, Lashes, Lonely, Life, etc. Essa série começou em janeiro de 2004 e virou febre nos Estados Unidos, parece que teve um enorme impacto na sociedade. Já foi, ou é, mostrado também na Inglaterra, Canadá, Alemanha, França, Suíça e talvez outros mais e no Brasil pela warner channel com muitos cortes segundo este site brasileiro e este. Eu não vi na tv, uma amiga me emprestou os dvds com todas as temporadas até agora, foram três.

Eu gostei da série, embora no final (que não é final ainda) já estivesse ficando bem ‘novela’ mesmo, quer dizer, dá a impressão de que começam a puxar dali e daqui, alongar porque está agradando, começa a ficar forçado. De todo modo, eu acho que é positivo para a sociedade mostrar a vida de um grupo de lésbicas, mesmo sabendo que ali é meio artificial, há a vantagem de se ver os problemas de família, a vontade de algumas de terem filhos, o ‘sair do armário’, as festas, as curiosidades dos outros.

( ) ilustrativo:
Lembrei-me de uma história de alguns meses atrás, quando aconteceu aquele episódio na USP, um guarda destratou duas meninas porque estavam se beijando ou sei lá o quê. Falou-se muito disso nos dias. Então, eu estava almoçando na casa de uma amiga, o pai dela que já está bem velho, contou-nos que tinha ouvido na televisão que os policiais de São Paulo iam ter que fazer um curso para ‘aprenderem a serem gays’ (!?)....Bem, na verdade, discutia-se que eles iam passar por um curso para aprenderem a lidar e respeitar a diferença.

Enfim, não sei nada sobre a repercussão da série no Brasil, não ouvi falar muito, não sei se divulgaram bem ou se é porque eu sou meio por fora do que se passa na tv... é interessante a novela, sobretudo se a warner channel parar de cortar cenas.

Achei esse blog sobre a série e tem também informações na wikipedia.

sábado, 9 de setembro de 2006

Merdeka day


Esse feriado de 7 de setembro me fez lembrar do MERDEKA DAY ou Hari Merdeka...o dia da independência da Malásia. Eu achava engraçado ver as faixas festejando o tal dia. E se pronuncia tal qual escreve. Para nós, brasileiros, a língua dos malaios e indonésios não é difícil de aprender. Não que eu tenha aprendido, só aquela coisa básica, ou seja, comida, claro. Susu, por exemplo é leite e nunca vou me esquecer porque eu achava bonitinho, bem infantil. Outra palavra que eu achava bonita era KELUAR que significa saída em bahasa malaio (o nome da língua).
Essa é a foto das Twin Towers, devo ter tirado a foto em 2000 ou 2001.
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Os três mosqueteiros no RoseLivros por Claudinei Vieira.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Mishima e João Ubaldo Ribeiro no RoseLivros



Publiquei texto sobre Sede de Amor, de Mishima na RoseLivros. Ele já foi publicado aqui mas eu dei uma caprichadinha nele.

"Mishima nasceu em Tóquio, em 1925, é mais conhecido no ocidente pela morte espetacular do que pela obra em si. Em 1970 suicidou-se segundo o ritual do Seppuku, o suicídio foi minuciosamente preparado, segundo alguns biógrafos esta preparação levou um ano e Mishima organizou toda a sua vida antes de partir desta forma dramática. Ao final do ritual ele teve a cabeça decepada, como mandava o figurino. Masakatsu Morita, aparentemente amante de Mishima, tinha sido designado para esta tarefa mas não foi capaz de executá-la. Koga terminou o trabalho e Masakatsu, por sua vez, matou-se também de acordo com o ritual....."

FOTO: Kishin Shinoyama, Yukio Mishima em pose de São Sebastião, 1968

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O feitiço da ilha do Pavão de João Ubaldo Ribeiro por Vera do Val em 04/09/2006.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Me enfiaram o superman pela goela abaixo


Li um post no Síndrome de Estocolmo sobre o Superman e lembrei-me da minha própria experiência há algumas semanas. Eu estava só em Curitiba, ainda no hotel e decidi ir ao cinema, havia não sei quantas salas ocupadas com.....Superman, comprei um jornal, vi os programas, fui a outro lugar ver outro filme. Alguns dias depois na mesma situação, só que bastante cansada para sair procurando, fui ver o bendito filme, o Superman. Achei um porre. É mais ou menos assim, ele engravidou a Louis Lane e sumiu no mundo, um cabra safado. Voltou alguns anos depois e a encontrou casada (espertíssima, não perdeu nem um mês pelo jeito)com o primeiro homem que deve ter encontrado pela frente, fazendo de conta que ele era o pai do menino (coisa mais antiga, né?). Ela estava toda rancorosa, evidentemente, afinal tinha sido abandonada grávida, sem nenhuma explicação. Estava tão irada que tinha até escrito um livro contra o superman, quando ele reapareceu ela estava recebendo um prêmio pulitzer pelo livro.
Ah, sim, ele ainda voa, salva os que estão em perigo, protege o 'seu povo', mas na intimidade é isso, um 'cabron' que larga a mulher grávida e depois 'não sabia de nada', só fui dar uma volta em outras galáxias para colocar a cabeça no lugar.
Este foi o filme que eu vi. Bobinho que só.

domingo, 3 de setembro de 2006

Xô!


Essa é só para engrossar o coro, todo mundo deve ter ouvido falar deste ato de censura de Sarney, li no blog da Denise Arcoverde, agora no do Manoel Carlos que conseguiram retirar do ar o blog da jornalista Alcinéa por causa da publicação desta charge. Xô, censura e Sarney!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Chocolat


Mais uma sexta-feira de chuva e frio.....
Um Chocolate quente não cairia mal.
Ainda mais agora que descobri que o chocolate, ao contrário do que diziam as más línguas, faz muito bem para a pele.
Um bom fim de semana para nós todos.
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A "novilingua", artigo muito interessante que li na Briteiros 28/08.
"Lembram-se da “novilingua” (newspeack) imaginada por Grorge Orwell para a sua distopia em forma de romance, “1984”, publicado em 1948, que ficcionava o futuro de pelo menos uma (grande) parte da Humanidade (o megabloco chamado Oceânia) dominada pelo Partido único, o Ingsoc, encabeçado pelo Big Brother?"
(Para continuar clique no link acima)
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No RoseLivros: As Metamorfoses do Jeca Tatu.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

A prosa com arte de Chico Lopes


Resenha no RoseLivros, por Nilto Maciel.

"O fôlego do contista o leva a longas caminhadas pelas cidades de seus dramas. Quer dizer, o faz conduzir seus personagens por ruelas, becos, córregos, chácaras, bairros periféricos. Essa cidade não tem nome explícito e pode muito bem ser Poços de Caldas, Minas Gerais, onde vive o escritor há alguns anos, ou a cidade onde nasceu, Novo Horizonte, interior de São Paulo, onde viveu por quarenta anos."


E a Morte do escritor Naguib Mahfouz aos 94 anos na cidade do Cairo.

« La vie est sage de nous tromper, car si elle nous disait dès le début ce qu'elle nous réserve, nous refuserions de naître. »

« A vida é sábia em nos enganar porque, se nos dissesse desde o início o que ela nos reserva, nós nos recusaríamos a nascer. »

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Orson Welles (1915-1985)

Algumas frases de Orson Welles


“A literatura talvez atinja menos gente, mas atinge mais profundamente. Eu sempre preferi a leitura. Detesto cinema e teatro, sempre detestei!”


“Hollywood é um bairro folheado a ouro apropriado para golfistas, jardineiros, intermediários variados e estrelas de cinema satisfeitas. Não sou nenhuma dessas coisas.”


“É tão vulgar trabalhar com o interesse de prosperidade quanto trabalhar com o interesse de dinheiro.”


“É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos.”
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RoseLivros Traz Um belíssimo texto: A ressurreição de Machado De Assis e o garoto que veio de barca, Aluízio Alves Filho - Revista Achegas

sábado, 26 de agosto de 2006

Pintores belgas: Magritte


René François Ghislain Magritte nasceu em em Lessines, Bélgica, em 21 de novembro de 1898 e morreu em 1967. Sua mãe suicidou-se em 1912 e, ao que parece, parte do trabalho de Magritte é marcado pela imagem do corpo da mãe sendo resgatado do rio Sambre, onde se afogara.

Ele estudou em Bruxelas na Académie Royale des Beaux-Arts. Mais tarde mudou-se para Paris onde tornou-se amigo de André Breton e aproximou-se do grupo surrealista.
A coleção mais importante de Magritte se encontra no Musées Royaux de Beaux-Arts de Belgique. Existe também, em Bruxelas, um Musée Magritte que é a casa onde viveu o pintor e sua mulher, Georgette por mais de 24 anos.

Memoria de mis putas tristes


Li que este livro de G. G. Márquez tornou-se best-seller no Brasil antes mesmo da tradução...uau! Um caso raro.
Eu também o li antes da tradução, um amigo espanhol que estava nos visitando no Brasil me deixou o livro sem nem mesmo terminar a leitura, não gostou de jeito nenhum. Eu li até o fim, mas confesso que yo tampoco gostei. De todos os livros de G. Márquez que li, foi o único não me interessou. Acho que o que deve ter vendido mesmo é o nome do autor em destaque.
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Rose : Deuses, túmulos e sábios

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Jean-Claude Van Damme



Já falei de vários atores, atrizes, diretores belgas e me esqueci do único 'ator belga' realmente conhecido no mundo, Jean-Claude Van Damme. Ele é conhecido como The Muscles from Brussels, Os músculos de Bruxelas (em inglês rima).
Os belgas contam m u i t a s piadas a respeito dele, parece que ele é muito bobo e tem um discurso sem nenhum sentido, repete sempre a mesma coisa, sobretudo a palavra 'aware'.
Na verdade não sei muito dele, mas deve ser o belga mais 'ilustre' no momento, não podia deixá-lo de lado...
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L'Atomium



Este é um dos símbolos da Bélgica, o Atomium.

A foto foi feita por minha amiga Silke esses dias mesmo e com um celular.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Violência - Blogagem Coletiva



A Laura propôs para hoje uma blogagem coletiva sobre Violência e sugeriu que eu fizesse um mini conto sobre o tema. Não consegui escrever o mini conto a tempo...então vou falar sobre coisas que me vieram à cabeça....Uma delas foi o filme Cidade de Deus. Eu estava vivendo nos Estados Unidos quando ele saiu no Brasil, uma amiga também brasileira me contou que viu muita gente (americanos, suponho) saindo do cinema antes do fim do filme. Chocados! Sim, o filme pode chocar, deve ser parte do objetivo do cineasta, inclusive. Mas, para nós, a invasão do Iraque é uma violência igualmente chocante, não? Assim como outras atitudes dos Estados Unidos, os ataques à soberania de outras nações. Há 'violência' e 'violência'. Eu acho que existe uma violência típica brasileira. Já li em algum lugar, faz tempo e não posso citar a fonte (e isso não é um artigo científico) que o ladrão brasileiro não quer só roubar, ele quer deixar a marca dele. Ele destrói o sofá que não pode levar com ele, ele bate na velhinha que não tem nada. Isso também não deve ser uma regra...

Já nos Estados Unidos (nós falávamos muito disso lá) tem aquele cara normal, que todo dia se levanta e vai trabalhar no escritório, um belo dia ele chega no trabalho com uma metralhadora, mata a metade dos colegas e se mata depois.

Voltando ao Cidade de Deus e outros filmes...os próprios brasileiros que vivem fora, muitas vezes reclamam do Brasil mostrado no cinema, dizem que os cineastas deviam mostrar outras coisas, as belas praias, a música, Foz do Iguaçu, Pantanal, Bonito, carnaval e mais futebol ainda...o brasileiro imigrante é um ser estranho (talvez todo imigrante) ele critica muito severamente o país de origem, o país que o 'mandou pra fora', que não lhe ofereceu as condições de vida que ele esperava, que exerceu sobre ele uma violência porque era no Brasil que ele se sentia em casa. Não é exatamente um aventureiro, ele se sente empurrado, um rejeitado no seu país e mais rejeitado ainda no país que o acolheu. Uma situação esdrúxula. Esse brasileiro, por outro lado, não quer ouvir críticas ao seu país. Se alguém critica ele já se sente atacado. Até mesmo um filme bonito como Central do Brasil era um embaraço para muitos desses imigrantes, violência mais uma vez, poeira nordestina, tristeza...os europeus adoraram. Tenho amigos belgas que conhecem de cor a maioria dos diálogos do filme e têm um poster gigante dele na parede. Eu poderia enumerar muitos outros filmes e documentários, esses dois são os mais conhecidos. Esse não é o perfil de todo brasileiro que vive fora, explico para evitar confusões. É claro que há aqueles (me incluo aí) que irão ao cinema ver os filmes brasileiros e que o apreciarão pela estética ou pelo enredo e que saberão aceitar as críticas aos defeitos inerentes à nossa sociedade.

Esse é o universo que eu conheço melhor e por isso resolvi falar dele, assim, nessa minha confusão de última hora, misturando de tudo um pouco. Outros que estão participando dessa blogagem coletica abordaram o assunto de forma mais direta e vale a pena ler.

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Rose Livros: A voz do escritor por Umberto Krenak

sábado, 19 de agosto de 2006

NUDEZ




...O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem
não era [e não desmenti, e perdi-
me.]


Fernando Pessoa


Não vesti
Nenhum dominó,
Nem arlequim,
Nem nada;
Estava assim, nu;
E os mais
Não nos querem nus
Porque a nudez choca,
A nudez é franqueza,
A nudez é verdade
E os mais
Não a querem...

Getúlio Gracelli

Da Antologia Saboreando Palavras
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RoseLivros, AS Ondas por Eduardo Oliveira.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

LE PETIT PARISIEN


Acho uma graça essa foto do pequeno parisiense.
De Willy Ronis
(se é que tenho a boa informação, eu imaginava que fosse de Cartier Bresson)

Uma sexta chuvosa


Chove, faz um friozinho bom. O cachorro dorme em cima dos meus pés, aqui debaixo do computador. É por isso que eu gosto de cachorros, sempre por perto. Perguntei, ontem, para um aluno de doze anos: 'Do you like dogs?' (Fazia parte da aula). 'Yes, I like dogs, eu tenho um dog, eu adoro brincar com ele, faço isso faço aquilo.' 'Ok, and cats, do you like cats.' E ele: 'No, não gosto de cats, porque os cats são muito metidos.' Metidos?!? Achei muito engraçado, mas de certo modo o meu aluninho tem razão, gato é meio 'metido' mesmo. É muito lindo, sobretudo quando é bem novinho, mas só vem quando quer...eu nunca tive gatos, tivesse eu ia gostar mais. Gosto mesmo dos cachorros, daquela festa pela manhã ou quando você passa três horas fora de casa, ao chegar parece que faz um mês.
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Minha irmã telefonou de Bruxelas muito impressionada com um documentário que tinha acabado de ver sobre os bonobos. 'Leila, não tem jeito nós viemos mesmo dos macacos!'
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A queda em questão no mais romântico e pessimista dos filmes, excelente artigo de Chico Lopes sobre o filme Vertigo no RoseLivros.
Imagem: Gathering trees, Iacobellis.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

A galinha


Ai...ai...ai....que falta de tempo!
Uma foto do sítio.
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BORIS VIAN no RoseLivros by Leila Silva.

domingo, 13 de agosto de 2006

SAUDADE


Carlos Pessoa Rosa

Que importância tem mais esta viagem se na vida fui um nômade? Acostumei-me com as geografias que me visitaram, ignorei os atores, passantes anônimos que fizeram parte de meus instantes. Diante dos caminhos oferecidos pela existência, nunca passei de um viajante passivo. Mantive-me o mais distante possível das sutilezas e das armadilhas da vida. Sem prazer, mas também sem dor. Esse foi meu lema.
De onde me encontro, na boca ruminante das desoras, ao som vacante das corujas, quando Arlete, a mulher encontrada na rua – nem sei se é esse seu verdadeiro nome –, dorme, pouco se vê de trilhos, trilhas, estradas, aviões, trens, ou navios; de opções. A liberdade caminha sobre trilhos, amarrada em regras inflexíveis e pontuais, a individualidade, uma ilusão. No quarto, rosto de pedra, expressão de solidez absoluta, absorto, junto a obsoleto sexo, escancarado, semi-aberto, úmido, diviso a pausa. Descaso comigo essa relação com uma profissional? Não! Dá menos trabalho que uma punheta. Só isso.
Dissimuladas, assim foram todas as aberturas ao longo da estrada. A criança de passos duros, olhos engessados, estranheza de estrangeiro, seguia na calçada-rolante: de casa à escola, da escola em casa. Igual ao trem de ferro que atravessava a vila, a íris, barulhento na memória, aventando a pele. Aprendeu a agir como o voyeur que se excita independentemente de qualquer atividade própria. O lugar predileto sempre foi o calçamento, recostado em algum muro, de onde assistia ao que ocorria ao seu redor. Foi o modo como gastei meu tempo infantil, torcendo no mais das vezes por algum pião ou bolinha de vidro alheio a mim. Nunca fui o vencedor. Como sobreviver exigia ignorar problemas menores, para a família eu não passava de uma criança estranha e orgulhosa, algo mais palpável que alguma doença psiquiátrica ou depressão. Sem criar problemas, acomodaram minha existência na deles. Portanto, do infante, além da repetição e do distanciamento, não deixo história a ser contada.
O adolescente assumiu de vez o papel de voyeur. Concretamente. Perdeu a noção das mulheres que rodearam seu imaginário para lhe oferecer prazer. No início, em casa. Depois, nas salas de filme pornô. Assim conheceu o comércio de sexo. Logo se acostumaram com o sujeito de terno e gravata, que aparecia às sextas-feiras, trepava, pagava e desaparecia. Assim foi até o primeiro casamento. Pensava que uma vida em família facilitaria o viver. Ilusão. Foram três casamentos. A primeira, uma professora do interior, tímida e sem iniciativa. Tivemos dois filhos que procurei não conhecer além do que o olhar permitia. Voltou para a casa dos pais. A segunda, uma aluna evangélica. Falhei na escolha. Exigia demais de meus testículos. Com ela não tive filhos. Fugiu com um assistente meu. Vivem na praia. A última morreu de câncer de mama. Tudo isso mesclado a uma profissão brilhante, titulado doutor pela melhor universidade pública do país, em História. Sarcástica escolha, com certeza.
A verdade é que a vida nunca me convenceu. Não experimentei AIDS nem sífilis. A maconha, tão em voga na época, não me ofereceria mais que um arranhão na anestesia original. Daí não tentar. Muito menos ácido ou cocaína. Detestava as pessoas que se utilizavam desses artefatos para se sentirem vivas. Nunca procurei as mulheres que me abandonaram, nem fui ao velório da cancerosa. Não aprecio touradas ou despedidas. Passei grande parte da vida lendo inutilidades que a profissão exigia. Procurei dar um sentido a tudo que me cercava, na história. Fui um crítico mordaz de qualquer tipo de ficção ou poesia, uma forma menor de se falar do mundo.
Agora... o convite. Sem marcas d’água, selos, envelopes ou cartas. Diante de sutileza estrelar e lua-cheia. Assim sempre quis, como observador os olhos infinitos da existência. Lúcido, não deixo testamento, registro fotográfico ou testemunhas – além da Arlete. E ela dorme, o sono desalinhavado das madalenas. Mergulho no que me anseia porque é de minha vontade retornar de onde vim. Lá não há sombras de palmeiras, sequer, pardais. Mas, em cismar, sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá...
Da Antologia Saboreando Palavras.
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RoseLivros: O encontro de Monteiro Lobato com Friedrich Nietzsche, por Aluizio Alves Filho.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Rosa

O senhor mire...e veja:
O mais importante e bonito do mundo, 'e isto: que as pessoas nao
estao sempre iguais, ainda nao foram terminadas -
mas que elas vao mudando.
Afinam ou desafinam.
E o que a vida me ensinou.
J. G. Rosa.
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O Rose Livros tem resenha nova de Claudinei Vieira, Notas do subterrâneo e O deserto dos tártaros de Umberto Krenak.
Eu Continuo no SBS com o meu texto: Ensinando Português como Língua Estrangeira na Europa: Relato de uma Experiência

domingo, 6 de agosto de 2006

Palestra online SBS


A Editora SBS Livraria Internacional, convidou-me, há algum tempo, para fazer uma palestra online. O título da minha palestra é: Ensinando Português como Língua Estrangeira na Europa: Relato de uma Experiência.
É um assunto bastante específico, o ensino de línguas, mas pode interessar a alguns de vocês. A minha 'palestra' consiste exatamente nisso que diz o título, é um relato. Vou colocar um resumo abaixo, quem se interessar pode ir até a página da SBS, ler e deixar perguntas se for o caso. A minha está marcada para a semana de 07/08.
Resumo:
O objetivo desta palestra é relatar, de maneira não-acadêmica, minha experiência com o ensino de Português Língua Estrangeira (PLE) na cidade de Bruxelas. Ensinei, por alguns anos, língua francesa no Brasil, sou formada em Letras (português-francês), habilitada, portanto a ensinar as duas línguas. Ao contrário do que eu esperava, nas escolas por onde passei em Bruxelas (foram várias), esse diploma específico na língua que eu me propunha a ensinar, não era exatamente um trunfo. Descreverei também o público que eu atendia, seus objetivos que eram dos mais variados, desde mera curiosidade lingüística ou cultural a negócios que envolviam o Brasil e outros países lusófonos, descreverei ainda as escolas, seus métodos, o que esperavam de um professor, o que ofereciam.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

saboreando palavras

















Hoje é o lançamento oficial do livro Saboreando Palavras que foi originado através de um concurso, publiquei o edital aqui mesmo e ajudei a divulgá-lo em alguns sites e dentre os meus amigos. Quero parabenizar estes amigos, os reais e os virtuais, pelos belos contos e gostaria de poder publicá-los aqui pouco a pouco se eles o permitirem. São eles:
Getúlio Gracelli
E ainda a minha grande amiga Elaine Corsi que está entre os ilustradores.
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Leia sobre As ConfissõesJean-Jacques Rousseau em RoseLivros.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Quintana






Mário Quintana teria 100 anos.....


Todos passarão
e ele passarinho

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Informe esquisito



Caros amigos,

Vamos ver se consigo retomar o meu blog moribumdo, quase em coma...por conta de m a i s uma mudança, como já disse antes. Agora estou em Curitiba esperando que seja por muito tempo, por um bom tempo, pelo menos. O que isso significa, vai saber! Mas estou curtindo muito a cidade nova (para mim, claro), o trabalho. Um pouco de saudades da minha vida 'cibernética', de retomar os contatos com os amigos virtuais. As coisas se atropelaram....é normal. Saudades também do meu cachorro que vai chegar hoje. Acho que nunca viu tanta estrada na curta vida dele.

Retomo, com vigor desta vez, o trabalho com as línguas estrangeiras e com disposição de permanecer no Brasil até....sabe Allá quando. Quando vim para o Brasil, há quase dois anos, tudo estava cinza, nebuloso, não sabia bem onde aportar e nem se queria mesmo ficar. Foram dois anos estranhos. Estranhos é uma boa palavra para isso. De algum modo foram produtivos...muita coisa aconteceu, algumas boas, outras bastante ruins. Muitos acidentes em família, infarto, doenças. Tudo de uma vez, concentrado. Depois da tempestade sempre vem a bonança....dizem por aí. Estou longe de ser uma Pollyanna, nem posso dizer que eu seja uma pessoa otimista. Não sou. Sou bem humorada, mas otimista, não. Entretanto, sei que resistimos, que nos adaptamos. E voilà, mais um capítulo.

Todos os meus comentários de livros agora vão para o RoseLivros que está excelente e cada vez mais visitado. As últimas resenhas são de O PAÍS DOS PONTEIROS DESENCONTRADOS e A ESTEPE de Marcelo d'Avila e Claudinei Vieira.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Peintres belges II: Rubens

Peter Paul Rubens (1577-1640)
De Antuerpia - parte flamenga da Belgica.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Pintores belgas: R. Magritte

L'empire des lumières
Rue du Musée
91000 Bruxelles
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Amigos,
Ando muito ocupada, no meio de mais uma das muitas mudanças da minha vida. Desculpem os e-mails por responder e a falta de visitas aos blogs. Logo tudo voltará ao lugar e vou continuar com as 'belguices', desta vez os pintores, começando por Magritte.
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto no RoseLivros.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Peixes

Peixes mortos
Essa foto eu fiz há uns três anos em Vancouver, Canadá. Chinatown.
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Mais fotos minhas
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Resenha de O virtuose, O penhoar chinês e outras no RoseLivros .

quinta-feira, 13 de julho de 2006

O vendedor de vassouras


[Um linda crônica de Regina Igel]

Era alto, magro, macilento e cego. Vendia vassouras pelas ruas do bairro, acompanhado de seu guia, um menino caolho, mal nutrido e baixinho. Uma dupla pouco atraente esteticamente. Mas o quê fazer. A sina desses dois era andar juntos, "pela estrada da vida", como um inspirado professor do meu ginásio revelou no seu discurso de formatura. Eles chegavam na rua onde eu morava como cachorros humilhados, daqueles que baixam as orelhas, o focinho e o rabo. O rosto do homem cego parecia varrer o chão em que pisava, oscilando da direita para a esquerda e volta, enquanto o menino, um de seus ombros agarrado pela súbita manopla do seu senhor, fazia o que podia para avançar de casa em casa. Batia palmas para chamar a atenção dos lá de dentro ou, encontrando uma campainha, pousava seu polegar de unha escura até que uma furibunda dona-de-casa ou uma empregada suada aparecesse na portinhola gradeada da porta principal.
-- Vai vassoura hoje, dona? - gritava o menino.
-- Nem hoje nem amanhã! - respondia uma malcriada.
-- Não, hoje não! - respondia uma melhor educada.
-- Não, passa outro dia! - respondia quem tinha a generosidade de dar uma migalha de esperança. E assim eles percorriam as ruas daquele bairro, classe média, fincado de trabalhadores em pequenas oficinas, barbearias, borracharias, barzinhos, gente que um dia queria ter mais. E tinham oportunidades que não eram dadas a cegos nem a acompanhantes. Nunca tive contato direto com a dupla. Eu os via do meu posto de observação, a varanda da minha casa, em nível acima da calçada da rua, e ainda protegida por umas persianas semifechadas, semi-abertas. Eles vinham, apertavam a campainha, saía alguém de casa. Não é todo o dia que se precisa de vassoura, mas chega o dia em que isto acontece. E se compra a tal.
-- É de piaçaba? - perguntava alguém entendido em material de limpeza.
-- E da boa, dona! - respondia o menino, já tirando um dos cabos do molho de cabos coloridos. Que cor a senhora quer?
-- Qualquer uma, não importa a cor. Quero vassoura boa, pra varrer de verdade.O cego sorria, pela primeira vez o vi sorrir. (Talvez tenha sido a última também.) Mas não dizia nada. As partes de visão e locução ficavam a cargo do seu acompanhante. A compradora tirava do bolso do seu avental umas moedas, passava-as ao menino, que as dava ao cego, que as apalpava e as metia no bolso da calça, um bolso que parecia bem fundo, pois ele enfiava quase todo o braço por aquele espaço. Já com o rosto erguido, as órbitas azuladas ou vazias, ele dizia:
-- Deus lhe pague!
-- O ceguinho agradece - completava o menino, como se a voz do homem não fosse suficiente. Se não lhe compravam uma vassoura, lhe davam uma tangerina ou um copo de água. Vi isto entre os vizinhos. Quando isto acontecia, o cego encostava seu ramo de vassouras, com ajuda do menino, numa parede qualquer, libertava as mãos e pegava no copo. Como lhe serviam em copo de papel, muitas vezes a água era espremida, sem o homem disto se aperceber, e o líquido lhe descia pelo queixo mais do que pela garganta. Mesmo assim, ele agradecia efusivamente a generosidade de um copo d´água. E continuavam a marcha. Até onde foram? Não saberia dizer. Por quanto tempo mais continuaram nesta andança e semi-mendicância, tampouco posso dizer. A rotina, um dia, terminou. As casas trocaram as vassouras por empregadas movidas por aspirador de pó. E estes olhos, que um dia a terra há de comer, nunca mais viram o ceguinho e seu ajudante.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Livros recebidos: Flávio Viegas Amoreira



O Flávio é de Santos, aqui estão três dos seus livros que ele gentilmente me enviou. Ele é publicado pela 7 Letras. Logo falarei mais sobre ele e os livros também. Merci beaucoup à Flávio mais uma vez.