Estou aqui de mãos vazias, Ida. Escute este desconhecido antes de mandá-lo de volta para o lugar de onde veio. Sou um homem triste e sombrio, mas não sou perigoso, observe o meu perfil e escute. Ida, você não é santa, eu te fiz assim, estou te fazendo assim. Venha à luz, por deus, pelo diabo que seja, não quero me revelar não, Ida, não tenha medo. Hoje você foi a escolhida, será esculpida a cinzel ou desenhada a crayon. Culpas tenho muitas e de nada me servem. Minto, serve-me, é assim que crio, por causa dela e com ela. É assim que te concebo, Ida. Daqui a pouco você estará pronta, paciência com o pobre Lúcio, molde-se, apareça, evolua. Vou à cozinha, tomarei um copo d´água. Ou dois, tudo dependerá da minha garganta, e quando eu voltar estarei pronto para você e espero que esteja pronta para mim. Sentarei de novo aqui nesta mesma cadeira e esperarei que meus dedos deslizem ágeis, que você me procure antes de eu procurá-la, que você se construa espontaneamente. Eu, Lúcio, estou cansado, Ida, já lhe dei um nome, a feição não importa muito. Se eu morresse agora, se eu morresse a caminho da cozinha, antes do copo d´água? Eu te amo tanto, Ida. Você nem está pronta e eu já te amo, porque preciso de você com um futuro, um passado, com suas veias e suas vias. Sou tão só, dependo tanto de você neste momento. Eu vou, então à cozinha....
sábado, 14 de outubro de 2006
Meu último conto - Anjos de Prata
Estou aqui de mãos vazias, Ida. Escute este desconhecido antes de mandá-lo de volta para o lugar de onde veio. Sou um homem triste e sombrio, mas não sou perigoso, observe o meu perfil e escute. Ida, você não é santa, eu te fiz assim, estou te fazendo assim. Venha à luz, por deus, pelo diabo que seja, não quero me revelar não, Ida, não tenha medo. Hoje você foi a escolhida, será esculpida a cinzel ou desenhada a crayon. Culpas tenho muitas e de nada me servem. Minto, serve-me, é assim que crio, por causa dela e com ela. É assim que te concebo, Ida. Daqui a pouco você estará pronta, paciência com o pobre Lúcio, molde-se, apareça, evolua. Vou à cozinha, tomarei um copo d´água. Ou dois, tudo dependerá da minha garganta, e quando eu voltar estarei pronto para você e espero que esteja pronta para mim. Sentarei de novo aqui nesta mesma cadeira e esperarei que meus dedos deslizem ágeis, que você me procure antes de eu procurá-la, que você se construa espontaneamente. Eu, Lúcio, estou cansado, Ida, já lhe dei um nome, a feição não importa muito. Se eu morresse agora, se eu morresse a caminho da cozinha, antes do copo d´água? Eu te amo tanto, Ida. Você nem está pronta e eu já te amo, porque preciso de você com um futuro, um passado, com suas veias e suas vias. Sou tão só, dependo tanto de você neste momento. Eu vou, então à cozinha....
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Parabéns, Vera!

A minha querida amiga Vera ganhou o prêmio Cidade de Manaus na modalidade Conto. Muito, muito bom. Parabéns para ela!
Confiram aqui:
2. PRÊMIO ARTUR ENGRÁCIO: CONTO
Comissão julgadora:
I. Profº. Carlos Antônio Magalhães Guedelha (ESBAM)
II. Profº. Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque (UFAM)
III. Profª. Maria Sebastiana de Morais Guedes (UFAM)
Obra vencedora: HISTÓRIAS DO RIO NEGRO
VERA DO VAL DE PAULA E SILVA GROBE
PSEUDÔNIMO: INQUIETA
MANAUS - AM
domingo, 8 de outubro de 2006
Um domingo indefinido

Até agora não sei se vai chover, se vai ter sol, se vou ao parque, se vejo um filme...Em Curitiba o tempo é maluco. Os curitibanos mesmo dizem que é possível ter 4 estações em um só dia.
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
O Maior Amor do Mundo

Vi, há algumas semanas o último filme de Carlos Diegues, O MAIOR AMOR DO MUNDO. Eu não sabia muito do filme, meu sobrinho me disse que era bom e eu estava com vontade de ver um filme brasileiro, lá fui....A única coisa que eu sabia era que tinha o José Wilker no filme, eu gosto dele. Ele faz um astrofísico que tem muita dificuldade em se relacionar com as pessoas (não escolheu as estrelas por acaso), viveu por muitos anos nos Estados Unidos e volta ao Brasil para receber uma homenagem, esta vinda coincide com o momento da descoberta de que tem um tumor e logo vai morrer, um momento de confusão, quer ‘descobrir’ o passado, ‘redescobrir’, quer ‘sentir’, nem sabe o que quer do pouco tempo que lhe resta, mas quer. É engraçado vê-lo carregando um daqueles frascos de gel
para lavar ou ‘desinfetar’ as mãos quando não é possível lavá-las,....ri muito[A1]. E termina num monte de lixo, deixando a frescura de lado. O pai do astrofísico é um velho rabugento, ranzinza mesmo que a cada aniversário do filho (adotivo, em princípio) faz questão de lembrá-lo que ele nasceu no dia em que o Brasil perdia uma copa do mundo. O filho vai visitar este pai, um maestro respeitado, quando volta ao Brasil, diz ao velho que vai morrer e a resposta do ranzinza é ‘todos vamos morrer’, o filho explica melhor a situação e mostra o resultado do exame que atesta que tem o tumor e que lhe restam poucos dias de vida, o velho olha para o papel e responde: ‘Está em inglês!’. Horrível, a única coisa que comove o velho é a lembrança do seu amor do passado, não a sua esposa, mas a linda menina que um dia apareceu em sua casa. Essa moça do passado do pai é mãe do astrofísico, a que morreu no dia em que o Brasil perdia a copa, por isso mesmo, por causa do futebol, não havia ninguém para socorrê-la. E o astrofísico vai dando uma de Sherlock Holmes nos seus últimos dias, vai juntando peças do quebra-cabeças que é a sua vida, rápido, tem que ser rápido...O pai rabugento dá-lhe uma fotografia e algumas poucas pistas. O interessante da fotografia que o maestro conserva, não é a foto em si, mas a lembrança que ele guarda dela. O amor da sua vida não está ali na foto, mas estava detrás da máquina, ela tirou a foto dele, da esposa dele e da empregada.[A1]Eu também carregava aquilo e ainda tenho para quando viajo, mas tenho ‘relaxado’, em Cingapura muita gente, minhas amigas japonesas sobretudo, carregavam esse gel. Esse gel e uma toalhinha, sombrinha, meia.....tudo o que a gente precisasse saía da bolsa mágica delas. Incrível a bolsa de uma japonesa.
terça-feira, 3 de outubro de 2006
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Quê?
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Marie Trintignant e Colette

Esses dias vi na tv partes da série « Colette, une femme libre », uma mini-série baseada na vida da famosa escritora. O último papel da atriz francesa Marie Trintignant foi, justamente, neste filme realizado por Nadine Trintignant, sua mãe. Era comum ver a família Trintignant trabalhando junta, o pai de Marie, Jean-Louis, também é ator e seu irmão estava trabalhando neste mesmo filme quando Marie foi assassinada três dias antes de terminarem a filmagem.
No dia 27 de julho de 2003, Bertrand Cantat, à época namorado de Marie, agrediu-a fisicamenete durante uma discussão, os golpes foram fatais, ela ficou em coma e morr
eu três dias depois. Aparentemente o desentendimento começou por causa de mensagens (sms) que Marie vinha trocando com o ex-marido e pai de seus filhos. Bertrand Cantat era o líder de um dos grupos de rock mais famosos da França, o Noir Désir. Esse assassinato foi um tremendo golpe, não poderia deixar de ser, para a família de Marie, até eu quase chorei ao ouvir o discurso do pai dela durante o enterro, sem sensacionalismos, era sincero mesmo. Mas não foi um golpe só para a família, os fãs de B. Cantat também levaram um tremendo choque, ele era não só o líder de um grupo de rock mas uma figura respeitada, engajada em movimentos sociais, contra a extrema direita etc....enfim, foi um estrago. Ele está na prisão e espero que fique por muitos e muitos anos, mas não sei se vai ser assim. Ele cometeu o crime na Lituânia, era lá que Marie e a família estava trabalhando no filme e lá ele foi julgado, de acordo com as leis do país ele foi condenado a oito anos de prisão. Só isso.
Lembro-me que nos dias em que isso aconteceu eu estava em Bruxelas e fui ao apartamento de Madame de Vish, nossa vizinha, pedir uma informação qualquer (sabe aquelas portas em que a gente bate sempre?) vi na mesa dela uma revista com fotos de Marie Trintignant e comecei a folhear. Madame de Vish me disse: "Que coisa triste, viu? Uma mulher bonita, nova.....mas também esse povo é tudo maluco, vive drogado, uma mulher com filhos, devia ter tido mais juizo." Tem condição? Mas era difícil convencer Mme de Vish de qualquer coisa....
O último filme que vi com Marie Trintignant, no cinema, foi Janis et John, uma comédia onde ela interpreta uma dona de casa resignada que, por causa de alguns negócios ‘mal feitos’ de seu marido se vê transfor
mada em Janis Joplin. Eu adorei vê-la interpretando Janis. Quando o filme saiu, em 2003, ela já estava morta e eu, como muita gente, tinha perdido a capacidade de julgamento, só estava contente em vê-la na tela. Neste filme ela trabalhou com o pai, Jean-Louis Trintignant.
Colette
Na foto a escritora francesa Colette, autora de Gigi, La Maison de Claudine, etc. O primeiro marido de Colette era escritor, quando bateu os olhos nos escritos da jovem e provinciana esposa, percebeu logo que ali tinha potencial e publicou os livros no seu próprio nome. Felizmente ela percebeu a tramóia e retomou os direitos.
Hilda Hilst no Rose Livros
terça-feira, 26 de setembro de 2006
domingo, 24 de setembro de 2006
sábado, 23 de setembro de 2006
Pesadelo

Essa noite tive um pesadelo, sonhei que tinha que fazer uma prova de matemática. Foi horrível, eu sofria muito, não entendia nada e era preciso dar as respostas, eu mal reconhecia aquilo com prova de matemática. Uma agonia. Acho que tive esse sonho porque uma das aulas do curso de espanhol estava contando que seu pai fez de tudo para que ela aprendesse inglês, desde pequena, passou por todos os cursos sem nunca conseguir se comunicar na língua, como se tivesse um distúrbio. Disse, então, que resolveu tentar o espanhol e que até mesmo em espanhol ela é ruim.....decerto eu transferi isso para a matemática. Será possível? Mas eu não tinha tanto horror assim à matemática na escola, só não me interessava tanto. Cruzes, que foi um pesadelo foi.
Imagem: Scream, Edvard Munch ..................
Elizabeth Bishop no Rose Livros por Marcelo Coelho.
"Acaba de ser publicado em Nova York um livro com mais de 350 páginas com todos os inéditos de Elizabeth Bishop, incluindo trinta ou quarenta esboços de poemas escritos no Brasil. Ela viveu por mais de vinte anos em nosso país, de 1951 até o começo da década de 70."
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Os Olhos Verdes no RoseLivros

Marguerite Duras
[Texto meu no RoseLivros]
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Fim de semana

Este fim de semana fui para Florianópolis e choveu. Choveu e fez frio. Eu não me importo muito, até gosto de ficar olhando para o mar com o tempo que todo mundo chama de ‘ruim’, gosto do lugar vazio, sem barulho, sem música chata. É muito bom. O problema é que estávamos acompanhando dois italianos que visitavam o Brasil pela primeira vez, mas eu expliquei bem: Ainda é inverno! Quisessem sol que fossem para o nordeste.
Enfim, foi bom para mim e não foi tão bom para eles. Felizmente italiano é animado (claro que não serve para todo mundo, nunca serve) e sempre se diverte nem que seja fazendo piada com a própria situação. Se eu estivesse com minha amiga alemã ia ser um deus nos acuda, ia ter que ouvir até minha orelha ficar quente.
Ontem de manhã, logo depois do café, eu saía da pousada distraída (por demais distraída) lendo um panfleto que tinha encontrado em cima do balcão, não olhei para a frente e meti a cara na porta de vidro, fiquei tonta e sem entender por uns segundos, aquela sensação estranha, onde, quando, como, que isso, quem foi? Um senhor chileno, dono da pousada, veio correndo, me abraçou, passava a mão na minha cabeça e dizia: ‘Desculllpa, descullpa’ e eu morrendo de vergonha. Desculpa pelo quê, pela minha burrice, por ter colocado uma porta bem na entrada da pousada? Eu só dizia: ‘Não foi nada’ enquanto meu lábio sangrava, é verdade, foi uma esbarrão e tanto. Às vezes eu ganho do Mister Bean! Mas nem tive dor de cabeça depois, já estava esperando por uma, só mesmo o inevitável dolorido na testa e os lábios mais sexy por um dia ou dois. Mas foi um incidente pequeno, não deu para estragar o fim de semana.
Briteiros
Pelo menos dez jornalistas do Estado da Flórida receberam pagamentos regulares do governo americano para fazerem reportagens contra o regime cubano de Fidel Castro, publicou ontem o jornal Miami Herald.
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Meu conto da Anjos de Prata
Um animal morto no meio do meu caminhoO animal jazia ali. Fedido, coitado, umas moscas a sobrevoá-lo. Morto e desenterrado, atravessado no meu caminho. Olho para ele enojada, com pena do seu fim, uma pena que se estende a todos os fins, ao meu também. Um pobre animal de patas estiradas, teso, daqui a pouco será só ossos. Ossos podem durar uma eternidade. E o que é ‘uma eternidade’? Um animal, um sustantivo se decompondo, transformando-se até não ser mais, até outra coisa. Ossos. A metamorfose não levará mais que algumas semanas. Terá morrido de velhice ou de picada de cobra? De fome não foi, ninguém morre de fome aqui. Minha irmã me alcança. Ai, que nojo! Tampa o nariz e vira o rosto. Ordena com voz fanhosa, vamos por aquele caminho.
Eu vou e o animal fica às moscas.
domingo, 10 de setembro de 2006
The L Word
The L Word é uma série americana, alguns chamam de versão feminina de Queer as folk, é uma espécie de novela do mundo lésbico. O L aí vem disso, Lesbian, mas na abertura da série são mostrados também que o L pode ser Love, Lashes, Lonely, Life, etc. Essa série começou em janeiro de 2004 e virou febre nos Estados Unidos, parece que teve um enorme impacto na sociedade. Já foi, ou é, mostrado também na Inglaterra, Canadá, Alemanha, França, Suíça e talvez outros mais e no Brasil pela warner channel com muitos cortes segundo este site brasileiro e este. Eu não vi na tv, uma amiga me emprestou os dvds com todas as temporadas até agora, foram três.Eu gostei da série, embora no final (que não é final ainda) já estivesse ficando bem ‘novela’ mesmo, quer dizer, dá a impressão de que começam a puxar dali e daqui, alongar porque está agradando, começa a ficar forçado. De todo modo, eu acho que é positivo para a sociedade mostrar a vida de um grupo de lésbicas, mesmo sabendo que ali é meio artificial, há a vantagem de se ver os problemas de família, a vontade de algumas de terem filhos, o ‘sair do armário’, as festas, as curiosidades dos outros.
Lembrei-me de uma história de alguns meses atrás, quando aconteceu aquele episódio na USP, um guarda destratou duas meninas porque estavam se beijando ou sei lá o quê. Falou-se muito disso nos dias. Então, eu estava almoçando na casa de uma amiga, o pai dela que já está bem velho, contou-nos que tinha ouvido na televisão que os policiais de São Paulo iam ter que fazer um curso para ‘aprenderem a serem gays’ (!?)....Bem, na verdade, discutia-se que eles iam passar por um curso para aprenderem a lidar e respeitar a diferença.
Enfim, não sei nada sobre a repercussão da série no Brasil, não ouvi falar muito, não sei se divulgaram bem ou se é porque eu sou meio por fora do que se passa na tv... é interessante a novela, sobretudo se a warner channel parar de cortar cenas.
Achei esse blog sobre a série e tem também informações na wikipedia.
sábado, 9 de setembro de 2006
Merdeka day

Esse feriado de 7 de setembro me fez lembrar do MERDEKA DAY ou Hari Merdeka...o dia da independência da Malásia. Eu achava engraçado ver as faixas festejando o tal dia. E se pronuncia tal qual escreve. Para nós, brasileiros, a língua dos malaios e indonésios não é difícil de aprender. Não que eu tenha aprendido, só aquela coisa básica, ou seja, comida, claro. Susu, por exemplo é leite e nunca vou me esquecer porque eu achava bonitinho, bem infantil. Outra palavra que eu achava bonita era KELUAR que significa saída em bahasa malaio (o nome da língua).
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Mishima e João Ubaldo Ribeiro no RoseLivros

Publiquei texto sobre Sede de Amor, de Mishima na RoseLivros. Ele já foi publicado aqui mas eu dei uma caprichadinha nele.
FOTO: Kishin Shinoyama, Yukio Mishima em pose de São Sebastião, 1968
.......
O feitiço da ilha do Pavão de João Ubaldo Ribeiro por Vera do Val em 04/09/2006.
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Me enfiaram o superman pela goela abaixo

domingo, 3 de setembro de 2006
Xô!

Essa é só para engrossar o coro, todo mundo deve ter ouvido falar deste ato de censura de Sarney, li no blog da Denise Arcoverde, agora no do Manoel Carlos que conseguiram retirar do ar o blog da jornalista Alcinéa por causa da publicação desta charge. Xô, censura e Sarney!
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
Chocolat
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
A prosa com arte de Chico Lopes

Resenha no RoseLivros, por Nilto Maciel.
"O fôlego do contista o leva a longas caminhadas pelas cidades de seus dramas. Quer dizer, o faz conduzir seus personagens por ruelas, becos, córregos, chácaras, bairros periféricos. Essa cidade não tem nome explícito e pode muito bem ser Poços de Caldas, Minas Gerais, onde vive o escritor há alguns anos, ou a cidade onde nasceu, Novo Horizonte, interior de São Paulo, onde viveu por quarenta anos."
E a Morte do escritor Naguib Mahfouz aos 94 anos na cidade do Cairo.
« La vie est sage de nous tromper, car si elle nous disait dès le début ce qu'elle nous réserve, nous refuserions de naître. »
« A vida é sábia em nos enganar porque, se nos dissesse desde o início o que ela nos reserva, nós nos recusaríamos a nascer. »
segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Orson Welles (1915-1985)
Algumas frases de Orson Welles“A literatura talvez atinja menos gente, mas atinge mais profundamente. Eu sempre preferi a leitura. Detesto cinema e teatro, sempre detestei!”
“Hollywood é um bairro folheado a ouro apropriado para golfistas, jardineiros, intermediários variados e estrelas de cinema satisfeitas. Não sou nenhuma dessas coisas.”
“É tão vulgar trabalhar com o interesse de prosperidade quanto trabalhar com o interesse de dinheiro.”
“É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos.”
sábado, 26 de agosto de 2006
Pintores belgas: Magritte

René François Ghislain Magritte nasceu em em Lessines, Bélgica, em 21 de novembro de 1898 e morreu em 1967. Sua mãe suicidou-se em 1912 e, ao que parece, parte do trabalho de Magritte é marcado pela imagem do corpo da mãe sendo resgatado do rio Sambre, onde se afogara.
Ele estudou em Bruxelas na Académie Royale des Beaux-Arts. Mais tarde mudou-se para Paris onde tornou-se amigo de André Breton e aproximou-se do grupo surrealista.
Memoria de mis putas tristes

Li que este livro de G. G. Márquez tornou-se best-seller no Brasil antes mesmo da tradução...uau! Um caso raro.
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Jean-Claude Van Damme

L'Atomium
terça-feira, 22 de agosto de 2006
Violência - Blogagem Coletiva

A Laura propôs para hoje uma blogagem coletiva sobre Violência e sugeriu que eu fizesse um mini conto sobre o tema. Não consegui escrever o mini conto a tempo...então vou falar sobre coisas que me vieram à cabeça....Uma delas foi o filme Cidade de Deus. Eu estava vivendo nos Estados Unidos quando ele saiu no Brasil, uma amiga também brasileira me contou que viu muita gente (americanos, suponho) saindo do cinema antes do fim do filme. Chocados! Sim, o filme pode chocar, deve ser parte do objetivo do cineasta, inclusive. Mas, para nós, a invasão do Iraque é uma violência igualmente chocante, não? Assim como outras atitudes dos Estados Unidos, os ataques à soberania de outras nações. Há 'violência' e 'violência'. Eu acho que existe uma violência típica brasileira. Já li em algum lugar, faz tempo e não posso citar a fonte (e isso não é um artigo científico) que o ladrão brasileiro não quer só roubar, ele quer deixar a marca dele. Ele destrói o sofá que não pode levar com ele, ele bate na velhinha que não tem nada. Isso também não deve ser uma regra...
Já nos Estados Unidos (nós falávamos muito disso lá) tem aquele cara normal, que todo dia se levanta e vai trabalhar no escritório, um belo dia ele chega no trabalho com uma metralhadora, mata a metade dos colegas e se mata depois.
Voltando ao Cidade de Deus e outros filmes...os próprios brasileiros que vivem fora, muitas vezes reclamam do Brasil mostrado no cinema, dizem que os cineastas deviam mostrar outras coisas, as belas praias, a música, Foz do Iguaçu, Pantanal, Bonito, carnaval e mais futebol ainda...o brasileiro imigrante é um ser estranho (talvez todo imigrante) ele critica muito severamente o país de origem, o país que o 'mandou pra fora', que não lhe ofereceu as condições de vida que ele esperava, que exerceu sobre ele uma violência porque era no Brasil que ele se sentia em casa. Não é exatamente um aventureiro, ele se sente empurrado, um rejeitado no seu país e mais rejeitado ainda no país que o acolheu. Uma situação esdrúxula. Esse brasileiro, por outro lado, não quer ouvir críticas ao seu país. Se alguém critica ele já se sente atacado. Até mesmo um filme bonito como Central do Brasil era um embaraço para muitos desses imigrantes, violência mais uma vez, poeira nordestina, tristeza...os europeus adoraram. Tenho amigos belgas que conhecem de cor a maioria dos diálogos do filme e têm um poster gigante dele na parede. Eu poderia enumerar muitos outros filmes e documentários, esses dois são os mais conhecidos. Esse não é o perfil de todo brasileiro que vive fora, explico para evitar confusões. É claro que há aqueles (me incluo aí) que irão ao cinema ver os filmes brasileiros e que o apreciarão pela estética ou pelo enredo e que saberão aceitar as críticas aos defeitos inerentes à nossa sociedade.
Esse é o universo que eu conheço melhor e por isso resolvi falar dele, assim, nessa minha confusão de última hora, misturando de tudo um pouco. Outros que estão participando dessa blogagem coletica abordaram o assunto de forma mais direta e vale a pena ler.
......
Rose Livros: A voz do escritor por Umberto Krenak
sábado, 19 de agosto de 2006
NUDEZ

...O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem
não era [e não desmenti, e perdi-
me.]
Fernando Pessoa
Não vesti
Nenhum dominó,
Nem arlequim,
Nem nada;
Estava assim, nu;
E os mais
Não nos querem nus
Porque a nudez choca,
A nudez é franqueza,
A nudez é verdade
E os mais
Não a querem...
Getúlio Gracelli
Da Antologia Saboreando Palavras
....
RoseLivros, AS Ondas por Eduardo Oliveira.
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
LE PETIT PARISIEN
Uma sexta chuvosa

Chove, faz um friozinho bom. O cachorro dorme em cima dos meus pés, aqui debaixo do computador. É por isso que eu gosto de cachorros, sempre por perto. Perguntei, ontem, para um aluno de doze anos: 'Do you like dogs?' (Fazia parte da aula). 'Yes, I like dogs, eu tenho um dog, eu adoro brincar com ele, faço isso faço aquilo.' 'Ok, and cats, do you like cats.' E ele: 'No, não gosto de cats, porque os cats são muito metidos.' Metidos?!? Achei muito engraçado, mas de certo modo o meu aluninho tem razão, gato é meio 'metido' mesmo. É muito lindo, sobretudo quando é bem novinho, mas só vem quando quer...eu nunca tive gatos, tivesse eu ia gostar mais. Gosto mesmo dos cachorros, daquela festa pela manhã ou quando você passa três horas fora de casa, ao chegar parece que faz um mês.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
domingo, 13 de agosto de 2006
SAUDADE

Carlos Pessoa Rosa
Que importância tem mais esta viagem se na vida fui um nômade? Acostumei-me com as geografias que me visitaram, ignorei os atores, passantes anônimos que fizeram parte de meus instantes. Diante dos caminhos oferecidos pela existência, nunca passei de um viajante passivo. Mantive-me o mais distante possível das sutilezas e das armadilhas da vida. Sem prazer, mas também sem dor. Esse foi meu lema.
De onde me encontro, na boca ruminante das desoras, ao som vacante das corujas, quando Arlete, a mulher encontrada na rua – nem sei se é esse seu verdadeiro nome –, dorme, pouco se vê de trilhos, trilhas, estradas, aviões, trens, ou navios; de opções. A liberdade caminha sobre trilhos, amarrada em regras inflexíveis e pontuais, a individualidade, uma ilusão. No quarto, rosto de pedra, expressão de solidez absoluta, absorto, junto a obsoleto sexo, escancarado, semi-aberto, úmido, diviso a pausa. Descaso comigo essa relação com uma profissional? Não! Dá menos trabalho que uma punheta. Só isso.
Dissimuladas, assim foram todas as aberturas ao longo da estrada. A criança de passos duros, olhos engessados, estranheza de estrangeiro, seguia na calçada-rolante: de casa à escola, da escola em casa. Igual ao trem de ferro que atravessava a vila, a íris, barulhento na memória, aventando a pele. Aprendeu a agir como o voyeur que se excita independentemente de qualquer atividade própria. O lugar predileto sempre foi o calçamento, recostado em algum muro, de onde assistia ao que ocorria ao seu redor. Foi o modo como gastei meu tempo infantil, torcendo no mais das vezes por algum pião ou bolinha de vidro alheio a mim. Nunca fui o vencedor. Como sobreviver exigia ignorar problemas menores, para a família eu não passava de uma criança estranha e orgulhosa, algo mais palpável que alguma doença psiquiátrica ou depressão. Sem criar problemas, acomodaram minha existência na deles. Portanto, do infante, além da repetição e do distanciamento, não deixo história a ser contada.
O adolescente assumiu de vez o papel de voyeur. Concretamente. Perdeu a noção das mulheres que rodearam seu imaginário para lhe oferecer prazer. No início, em casa. Depois, nas salas de filme pornô. Assim conheceu o comércio de sexo. Logo se acostumaram com o sujeito de terno e gravata, que aparecia às sextas-feiras, trepava, pagava e desaparecia. Assim foi até o primeiro casamento. Pensava que uma vida em família facilitaria o viver. Ilusão. Foram três casamentos. A primeira, uma professora do interior, tímida e sem iniciativa. Tivemos dois filhos que procurei não conhecer além do que o olhar permitia. Voltou para a casa dos pais. A segunda, uma aluna evangélica. Falhei na escolha. Exigia demais de meus testículos. Com ela não tive filhos. Fugiu com um assistente meu. Vivem na praia. A última morreu de câncer de mama. Tudo isso mesclado a uma profissão brilhante, titulado doutor pela melhor universidade pública do país, em História. Sarcástica escolha, com certeza.
A verdade é que a vida nunca me convenceu. Não experimentei AIDS nem sífilis. A maconha, tão em voga na época, não me ofereceria mais que um arranhão na anestesia original. Daí não tentar. Muito menos ácido ou cocaína. Detestava as pessoas que se utilizavam desses artefatos para se sentirem vivas. Nunca procurei as mulheres que me abandonaram, nem fui ao velório da cancerosa. Não aprecio touradas ou despedidas. Passei grande parte da vida lendo inutilidades que a profissão exigia. Procurei dar um sentido a tudo que me cercava, na história. Fui um crítico mordaz de qualquer tipo de ficção ou poesia, uma forma menor de se falar do mundo.
Agora... o convite. Sem marcas d’água, selos, envelopes ou cartas. Diante de sutileza estrelar e lua-cheia. Assim sempre quis, como observador os olhos infinitos da existência. Lúcido, não deixo testamento, registro fotográfico ou testemunhas – além da Arlete. E ela dorme, o sono desalinhavado das madalenas. Mergulho no que me anseia porque é de minha vontade retornar de onde vim. Lá não há sombras de palmeiras, sequer, pardais. Mas, em cismar, sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá...
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
Rosa
domingo, 6 de agosto de 2006
Palestra online SBS

A Editora SBS Livraria Internacional, convidou-me, há algum tempo, para fazer uma palestra online. O título da minha palestra é: Ensinando Português como Língua Estrangeira na Europa: Relato de uma Experiência.
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
saboreando palavras

segunda-feira, 31 de julho de 2006
quinta-feira, 27 de julho de 2006
Informe esquisito

Caros amigos,
Vamos ver se consigo retomar o meu blog moribumdo, quase em coma...por conta de m a i s uma mudança, como já disse antes. Agora estou em Curitiba esperando que seja por muito tempo, por um bom tempo, pelo menos. O que isso significa, vai saber! Mas estou curtindo muito a cidade nova (para mim, claro), o trabalho. Um pouco de saudades da minha vida 'cibernética', de retomar os contatos com os amigos virtuais. As coisas se atropelaram....é normal. Saudades também do meu cachorro que vai chegar hoje. Acho que nunca viu tanta estrada na curta vida dele.
Retomo, com vigor desta vez, o trabalho com as línguas estrangeiras e com disposição de permanecer no Brasil até....sabe Allá quando. Quando vim para o Brasil, há quase dois anos, tudo estava cinza, nebuloso, não sabia bem onde aportar e nem se queria mesmo ficar. Foram dois anos estranhos. Estranhos é uma boa palavra para isso. De algum modo foram produtivos...muita coisa aconteceu, algumas boas, outras bastante ruins. Muitos acidentes em família, infarto, doenças. Tudo de uma vez, concentrado. Depois da tempestade sempre vem a bonança....dizem por aí. Estou longe de ser uma Pollyanna, nem posso dizer que eu seja uma pessoa otimista. Não sou. Sou bem humorada, mas otimista, não. Entretanto, sei que resistimos, que nos adaptamos. E voilà, mais um capítulo.
Todos os meus comentários de livros agora vão para o RoseLivros que está excelente e cada vez mais visitado. As últimas resenhas são de O PAÍS DOS PONTEIROS DESENCONTRADOS e A ESTEPE de Marcelo d'Avila e Claudinei Vieira.
terça-feira, 25 de julho de 2006
terça-feira, 18 de julho de 2006
Pintores belgas: R. Magritte
sexta-feira, 14 de julho de 2006
Peixes
......
quinta-feira, 13 de julho de 2006
O vendedor de vassouras

[Um linda crônica de Regina Igel]
Era alto, magro, macilento e cego. Vendia vassouras pelas ruas do bairro, acompanhado de seu guia, um menino caolho, mal nutrido e baixinho. Uma dupla pouco atraente esteticamente. Mas o quê fazer. A sina desses dois era andar juntos, "pela estrada da vida", como um inspirado professor do meu ginásio revelou no seu discurso de formatura. Eles chegavam na rua onde eu morava como cachorros humilhados, daqueles que baixam as orelhas, o focinho e o rabo. O rosto do homem cego parecia varrer o chão em que pisava, oscilando da direita para a esquerda e volta, enquanto o menino, um de seus ombros agarrado pela súbita manopla do seu senhor, fazia o que podia para avançar de casa em casa. Batia palmas para chamar a atenção dos lá de dentro ou, encontrando uma campainha, pousava seu polegar de unha escura até que uma furibunda dona-de-casa ou uma empregada suada aparecesse na portinhola gradeada da porta principal.



















